Ninguém merece (desabafos amorosos para uma amiga)

Casos amorosos curiosos, ou até mesmo bizarros, surreais e as vezes difíceis de acreditar que realmente aconteceram.
(Depoimentos reais, um pouco exagerados, e com a licença poética que nos é permitida)

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1. Peixes

Quem já foi, ou ainda é, solteira, sabe o quão difícil as vezes é achar um cara para um encontro normal.

Sim, digo normal porque esse realmente foge da regra de encontros que um dia todas as pessoas terão em suas vidas.

Nos nossos 20 e poucos anos a experiência que vale é você sair com pessoas que você acredita, pelo menos na hora, serem pessoas que se encaixam no seu perfil amoroso e que pareçam a certa no momento. Um desses caras que cruzam nossa vida foi o Allan, um barman muito charmoso, ruivo, alto, magro, inteligente e comunicativo. Tinha muitos predicados, entre eles o de ser também um apaixonado por comida japonesa!

Marcamos então um encontro após nos conhecermos em um bar e irmos juntos a uma festa de um amigo. Festa alias, que já anunciava o que estava por vir.

Vou fazer um parênteses para dizer sobre a festa e aí vocês podem ter uma noção do que falo.

Essa tal festa começou normal, levei algumas amigas para não ir sozinha e ainda aproveitarem e se divertirem em uma sexta-feira de calor aqui em São Paulo.

Era em uma mansão em um bairro nobre, porém bohêmio, onde as casas são antigas e todas assinadas por arquitetos dos anos 70, com muitas estruturas de concreto e jardins internos. Tinha uma piscina interna, que servia também como um jardim que ligava os quartos, todos com a varanda viradas para a tal estrutura de água translúcida.

Regada a muita bebida, comida e sabe-se lá o que mais, tinha um pessoal que trabalhava com artes, moda e restaurantes, donos de bares e estudantes de design.

Começou então a música, uma mistura de rap nacional, com intervalos de rock e até samba, o pessoal começou a se jogar na piscina, um dos convidados começou a fazer então um discurso sobre a falta de energia positiva na cidade de São Paulo, e todos entraram em um debate sobre as antenas parabólicas e de transmissão de sinais... Enfim, começou a ficar muito tumultuado e eu e minhas amigas fomos embora comer uma pizza, afinal... é assim que acabam muitos desses debates, não?!

Bom, o Allan então me liga, pediu desculpas por não ter conseguido ficar comigo a festa inteira e ter me dado a atenção que eu merecia, e aceitei sair para um jantar em um restaurante japonês a 4 quadras da minha casa. Achei a escolha excelente, ainda mais porque podia ir e voltar a pé. Mal sabia o que estava a caminho...

Ele passou para me pegar em casa, fomos a pé ao restaurante, tudo fluiu bem, exceto pelo fato dele ter tomado algumas doses a mais de sakê.

Ao voltar para casa, passamos na frente de um prédio onde tem um pequeno lago artificial com alguns peixes, e ele teve uma ideia genial para me presentear e me homenagear por aquele jantar super agradável, ele queria me dar um peixe que ele mesmo queria pescar.

Sim, aconteceu isso mesmo que deve estar passando na sua cabeça, ele se ajoelhou na beirada do lago, e com golpes na água tentava pegar um peixe.

Claro que não conseguia, o peixe é mais rápido que uma pessoa que tinha acabado de tomar algumas doses de sakê.

Comecei a ficar com vergonha, uma mistura de sentimentos não muito bons, e ele disse que ia desistir. Ao dizer isso, eu simplesmente soltei: agora que começou, termina e tenta pegar esse peixe!

Nesse exato momento olho para frente e vejo que o porteiro do prédio observava tudo de dentro da guarita, e isso só me fez sentir mais vergonha e embaraço.

Peguei na mão seca do Allan, puxei forte e disse que iríamos embora.

Ele me deixou em casa e nem preciso dizer que não atendi mais nenhuma ligação, e muito menos passei na frente do tal prédio e olhei para a guarita.

Fatídico dia... Que homenagem... Ninguém merece!

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