Country Love

Samantha, ou apenas Sam, cresceu em um haras em Wyoming nos Estados Unidos, e desde pequena já montava cavalos. Agora com 17 anos, Sam vê sua vida virar de cabeça para baixo quando um garoto da cidade se torna seu vizinho. O típico garoto da cidade, que nunca sequer viu um cavalo exceto pela televisão. E a típica garota do campo, de jeans e botas, apaixonada por cavalos.

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4. DA CIDADE PARA O CAMPO

CAPÍTULO 4 - DA CIDADE PARA O CAMPO

Depois de muito insistir, John finalmente se convenceu de que nada me aconteceria se eu montasse Thunderhead, então permitiu que eu o fizesse. Eu geralmente sou bem tranquila e relaxada, mas agora eu era a domadora oficial do haras e essa responsabilidade pesava um pouco. Não sei como isso poderia ser diferente, eu comecei a domar cavalos com 12 anos, por diversão e também para aperfeiçoar a técnica de Join-Up, e desde então eu domava cavalos, mas agora esse "trabalho" parecia ter mais seriedade. Mas ok, agora é hora de começar então vamos lá.

– Hey! - acenei para John que estava sentado em um montinho de feno, comendo uma maçã. - Então, como ele está? - me referi a Thunderhead.

– Mais calmo. - John disse - Acho que já está se acostumando com com o lugar. E isso também serve para o Sean. - John pensou alto.

- Sean? - perguntei, perdida.

- Meu sobrinho. - John sorriu. - Vocês se dariam bem. - ele disse e eu sorri fraco.

– Acho que já fez um amigo. - eu apontei para Red, mudando de assunto. Red dava mordiscadas no pescoço de Thunderhead, brincando com ele.

– É, acho que sim. - John sorriu. Eu não estava certa de que eu e o sobrinho de John nos simpatizaríamos. Afinal, éramos completamente diferentes. Essa era a minha única certeza. Ok, meus amigos também eram um pouco diferemtes de mim, cada um com sua própria personalidade. É diferente não é? Quer dizer, eu nem conhecia esse tal de Sean, o garoto-da-cidade-sobrinho-do-John-que-decidiu-passar-um-tempo-aqui.

Caminhei até Red e fiz um carinho em seu focinho. Depois fui até Thunderhead e fiz o mesmo, o admirando.

– E então, qual a história dele? - perguntei, me referindo ao cavalo. Mas meu subconsciente estava mesmo é querendo saber sobre o sobrinho do John. Preferi negar isso a mim mesma.

– Do Thunderhead? - John perguntou e eu assenti. - Bom, pelo que eu sei ele nasceu em uma cidadezinha longe do Wyoming, e seu antigo dono não era muito amigável, você sabe. Thunderhead foi domado tradicionalmente, de modo violento, e acho que isso o deixou traumatizado, por isso ele não gosta muito de agitações e nem de pessoas. Me disseram também que ele já tentou fugir de lá umas quatro vezes, e quando o recuperaram o trancavam em uma baia afastada e escura, como um castigo. - John ia falando, e eu só conseguia imaginar o que aquele cavalo havia passado, com certeza devia ter sido horrível. - Um dia, o proprietário não aguentou mais os danos que o cavalo causava e o colocou em leilão, por sorte eu estava na cidade por uns dias e encontrei Thunderhead. O homem me ofereceu o cavalo por um preço bem baixo e disse que esse cavalo só me traria problema. Mesmo assim eu aceitei a oferta. Thunderhead não estava bem nas melhores condições, estava mal-tratado, magro, mas eu vi alguma coisa no olhar dele, não sei te dizer o que era, mas me comoveu. Então eu o trouxe pra minha fazenda e cuidei dele lá. Algum tempo depois ele já estava melhor, como está agora e eu o trouxe para cá para ficar algum tempo até acabarem as reformas lá na fazenda.

– Wow! - foi só o que eu consegui dizer, aquele cavalo tinha realmente passado por muita coisa.

– É... mas ele está em boas mãos agora. - John se referia a mim.

– Sim, acho que está. - sorri, acariciando Thunderhead. - Então vamos lá. - o coloquei no cabresto e o tirei da baia. Ele parecia calmo, como se soubesse que eu não o machucaria.

– Acho que você está pronta, Samantha. - John me disse, se referindo ao meu "novo emprego".

– Espero que esteja. - suspirei.

Levei Thunderhead até o redondel onde eu começaria seu treinamento. Thunderhead já havia sido montado antes, mas foi domado de modo violento e isso o deixou traumatizado apesar de não acontecer frequentemente com outros cavalos, e depois de John resgatá-lo ele não foi montado, para se recuperar. Então eu seria praticamente a primeira a montá-lo. Isso era um privilégio e também uma baita responsabilidade.

O médoto que eu uso com os cavalos é chamado de Join-Up e foi criado por Monty Roberts, que praticamente revolucionou o modo de domar cavalos pelo mundo todo. Descobri esse método quando tinha 12 anos, pelo livro "O Homem Que Ouve Cavalos" de Monty Roberts. O método Join-Up é o médoto sem violência, o método de domar através da confiança entre o cavalo e a pessoa. No método tradicional o objetivo é forçar o cavalo a fazer algo, sabendo que se ele não o fizer, ele será castigado e isso o leva a obedecer por medo. No "meu" método não há nada disso, eu estabeleço uma relação de confiança com o cavalo, então ele segue meus comandos sabendo que será recompensado por isso, e sabendo que pode cofiar em mim. E para cavalos que ficaram traumatizados por causa da doma tradicional, no caso Thunderhead, o Join-Up é basicamente uma terapia. Mais uma parte boa desse método é que, para quem já é mais experiente, ele pode ser realizado em algumas horas, enquanto a doma tradicional pode levar até semanas.

Então ok, chega de papo e vamos à "terapia". Entrei no redondel com Thunderhead e soltei a guia do cabresto. O afastei e o deixei trotando, seguindo a cerca, eu estava no centro. Thunderhead percorreu umas 8 voltas antes de começar a fazer os sinais esperados. Não demorou nem vinte minutos e a primeira etapa estava completa. Depois de alguns minutos mais, estava quase tudo feito. Agora, eu precisava do equipamento de montaria (sela, freio, rédeas e etc.).

Deixei que Thunderhead avaliasse o equipamento antes de tentar colocá-lo.

Tentei umas duas vezes mas ele negou. E quando fui tentar outra vez, adivinha? Ele permitiu, como se já tivesse feito isso umas 100 vezes antes. Thunderhead era um ótimo cavalo, só precisava de mais carinho e compreensão. Mas, ainda faltava o essencial, montar.

Me apoiei na sela para ver a reação de Thunderhead. Ele continuava parado. Quando tentei passar a perna sobre ele para monta ele ameaçou empinar e eu recuei. 

Ok, Samantha. Não fique nervosa. Você já chegou até aqui, não é? Você consegue. Ok? Ok.

Escute a música enquanto lê:

Start Of Something Good - Daughtry

 

 

 

Tentei outra vez. 1, 2, 3... E lá estava eu, montada em Thunderhead, o cavalo arisco, problemático e desobediente, que parecia mais calmo do que cachorrinho dormindo ao sol. Sorri, sem acreditar. Thunderhead parecia me compreender, era como se tivéssemos uma ligação especial, quase tão forte quanto a que eu tinha com Red. Dei algumas voltas com Thunderhead. O tempo tinha passado rápido e o sol estava quase se pondo, o céu já estava ficando em tons alaranjados.

– Você está mesmo montando o cavalo do John! - ouvi uma voz que não soube identificar.

– Ahn....estou. - respondi, me virei e vi alguém do lado de fora da cerca, aparentemente jovem. Alguém que eu não conhecia. Tinha cabelos castanhos e olhos claros, mas não consegui identificar a cor de longe. Diria ter mais ou menos a minha idade.

- Achei que não fosse conseguir. - ele brincou.

- Desculpe te decepcionar. - devolvi, afinal eu tinha sim, conseguido.

- Ok, ok. - o garoto sorriu. - Vocé é a Sam, filha do Hank, não é?

- Você me conhece? - perguntei, surpresa.

- Sei mais sobre você do que imagina... - ele riu da minha cara de espanto.

- Isso eu acho que não. - tentei parecer séria, mas acabei sorrindo.

- Ah é? Vamos ver... - ele pareceu pensativo. - Sei que você tem um cavalo chamado Red, e que sai pra cavalgar com ele quase todas as manhãs antes da aula. Ah, e sei também que você gosta de escutar música country enquanto limpa as baias dos cavalos. - ele disse e eu fiquei pasma. - Quer que eu continue? - ele perguntou rindo do quanto eu estava surpresa.

- Ok, você me surpreendeu. - eu sorri, desmontando Thunderhead e caminhando até a cerca onde ele estava apoiado. - Como você sabe tanto sobre mim e eu não sei nem o seu nome?

- Meu nome é Sean. - ele sorriu, e então os pontos se ligaram e me toquei de quem ele era.

- Você é o sobrinho do John. - concluí o óbvio, ele sorriu e entendi isso como uma afirmação.

- Ele me falou bastante de você. - Sean sorriu me olhando.

- Queria poder dizer o mesmo. - sorri fraco. Eu não queria ser indelicada, mas John realmente nunca havia me falado sobre ele. Eu nem sabia que ele tinha um sobrinho.

- Não tem problema. O John sempre foi muito ocupado e não nos vemos desde que eu era só um garotinho. - Sean disse com naturalidade, aquilo parecia não o afetar. - Ele parece ter muito orgulho de você.

- John é como um pai pra mim, me viu crescer e me ensinou tudo o que sei sobre cavalos. - sorri ao dizer isso, e pude perceber que Sean também sorria. 

- Ah, e parece que eu causei problemas pra vocês dois. Sinto muito por isso.- ele se referia à Thunderhead ter escapado quando era responsabilidade dele não ter deixado isso acontecer, quando ajudava John com os cavalos. E tinha sobrado para mim e John ir atrás do cavalo.

- Não tem problema. - sorri. - E então, de onde você é?

- Califórnia. San Francisco, pra ser mais expecífico. - ele disse, enquanto apoiava um braço na cerca de madeira.

- E como é lá? - perguntei, curiosa. Sempre quis ir a Califórnia, mas nunca tive a chance.

- Você nunca foi à California? - ele perguntou. Eu balancei a cabeça dizendo que não, ele sorriu antes de continuar. - Ah, é um lugar legal. É difícil ficar entediado por lá, tem sempre alguma coisa pra fazer. Festas, parques de diversões, cinema, praias, shoppings, shows, estádios...


- E o que te trouxe ao Wyoming? - perguntei. - É um mundo bem diferente do seu.

- É complicado. - Sean abaixou a cabeça, parecendo desconfortável com o assunto e logo me arrependi de ter perguntado. - Mas pelo o que vi hoje, esse lugar é realmente bem diferente da Califórnia.

- É, mas é tão interessante quanto. - sorri, descontraindo.

- Estou começando a achar que sim. - Sean sorriu pra mim, eu sorri de volta. Ficamos alguns poucos segundos sem dizer nada, quando Thunderhead relinchou, quebrando o silêncio, nos fazendo virar rapidamente em sua direção. E então começou a galopar envolta do cercado, fazendo algumas gracinhas. Começamos a rir.

- Ele faz isso com frequência? - Sean brincou e eu sorri.

- Como vou saber? Estou com ele há apenas algumas horas. - eu disse e Sean sorriu.

- Pensei que você soubesse tudo sobre cavalos! - Sean provocou, brincando.

- Ei! - dei um tapa em seu braço, rindo. Quando meu celular que estava em meu bolso, começou a tocar. Olhei o visor, era Cathy. Sean entendeu que eu precisava atender e começou a fazer carinho em Thunderhead, que estava perto da cerca.

Cliquei em "atender" enquanto me virava na direção oposta.

- Sam! - Catherine chamou do outro lado da linha.

- Cathy! - quase gritei. - Onde você se meteu a manhã toda? Não te achei na escola em lugar nenhum!

- Desculpe por isso, esqueci de avisar que eu chegaria atrasada. 

- Você não apareceu nem no intervalo. O que aconteceu? - eu me preocupei.

- Pois é... minha mãe passou mal de manhã e eu fiquei pra ajudar até ela se sentir melhor. Só consegui chegar para as últimas aulas. - Catherine explicou.

- Entendi. Diz que eu mandei melhoras. - eu disse, me sentindo mal pela mãe de Catherine, que sempre foi muito gentil comigo.

- Pode deixar. - ela disse. - Mas eu não te liguei pra falar disso. Você tá sabendo da pizza de hoje a noite né?

- Sim, os meninos comentaram. - me lembrei, empolgada. - Você vai?

- É claro que eu vou! - Cathy riu. - Desde quando eu perco uma noite de pizza com vocês?

- Ainda mais em uma pizzaria que abriu há pouco tempo e já dizem que é a melhor pizza da cidade! - comentei, também rindo.

- Ok, então já vi que você vai. Eu vou dar carona pra Anna e pro Liam, quer que eu passe aí também? - Cathy ofereceu a carona.

- Não precisa, mas obrigada. - agradeci. 

- Não por isso. Vamos estar lá as 19:30, ok? - Catherine avisou.

- Ok. - confirmei.

- Até lá, então! - Cathy se despediu.

- Até, beijos! - e desliguei.

Guardei o telefone no bolso e me virei para Sean, que ainda acariciava o focinho de Thunderhead, meio receoso. Ele não devia estar muito acostumado com cavalos.

- Pizza, é? - Sean perguntou, deixando Thunderhead de lado.

- Meus amigos combinaram de ir a uma pizzaria nova, aqui perto. - expliquei.

- E é só para convidados? - Sean perguntou, com um sorriso atrevido.

- Acho que eles não vão ligar se eu levar mais um. - eu sorri do mesmo modo, enquanto abria a porteira do cercado e guiava Thunderhead pra fora, onde Sean estava.

- Não tem problema pra você? - ele perguntou mais sério agora. E eu neguei com a cabeça.

- Vai ser bom pra você socializar um pouco. A não ser que os únicos amigos que você queira ter por aqui sejam os cavalos. - brinquei e ele riu. 

- Acho que ainda prefiro pessoas. - Sean disse, me fazendo rir.

- Ok, já são 18h e temos que estar lá 19:30. - eu disse enquanto levava Thunderhead para os estábulos.

- Certo. Vou pra casa do John me arrumar e te encontro aqui depois. - ele disse enquano me acompanhava até as baias.

- Pode deixar que eu passo lá, é no caminho da cidade. - expliquei, colocando Thunderhead em sua devida baia.Sean ainda me acompanhava. Retirei o equipamento de Thunderhead e o guardei no "quarto de selas". Quando voltei, Sean olhava mais a distância para um cavalo na baia ao lado da deThunderhead.

- Esse é o Red? - perguntou.

- Parece que você sabe alguma coisa sobre cavalos. - brinquei e Sean sorriu.

- Deduzi pela cor dele. E eu assisti aquele filme do cavalo de corrida, ok? - ele disse e eu ri. - É em homenagem ao cavalo, não é?

- É, é sim. - sorri. - Eu adoro aquele filme. E o cavalo também.

- Imaginei que sim. - Sean sorriu.  - E acho melhor eu ir, tenho que causar uma boa impressão e se chegarmos atrasados não vou conseguir isso. - ele brincou e eu ri.

- Ok, e eu preciso me arrumar. Não é todo dia que uma pizzaria é inaugurada por aqui. - eu disse e Sean sorriu.

- Então até daqui a pouco! - Sean se despediu, se virando e saindo.

- Até! - disse e me virei para Red. 

- Eu estava errada sobre ele, Red. - acariciei seu focinho, sem me dar conta de que estava sorrindo.

 

CONTINUA...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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