Country Love

Samantha, ou apenas Sam, cresceu em um haras em Wyoming nos Estados Unidos, e desde pequena já montava cavalos. Agora com 17 anos, Sam vê sua vida virar de cabeça para baixo quando um garoto da cidade se torna seu vizinho. O típico garoto da cidade, que nunca sequer viu um cavalo exceto pela televisão. E a típica garota do campo, de jeans e botas, apaixonada por cavalos.

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1. APENAS O COMEÇO

 

Escute a música enquanto lê:

A Place In This World - Taylor Swift

 

 

 

CAPÍTULO 1 - APENAS O COMEÇO

Às 7:30 da manhã meu relógio despertou, me acordando de um sono profundo, tão profundo que demorei pra acordar de vez e desligar o despertador. Levantei, coloquei meu jeans de sempre e ajeitei o cabelo.

O motivo de eu acordar tão cedo? Escola? Não, as aulas começam às 8:30. Eu acordava cedo porque, quando se tem um haras, você não pode se dar ao luxo de acordar tarde ou passar o dia inteiro no quarto assistindo TV. Haviam algumas tarefas a serem feitas e depois se arrumar pra escola. Isso em uma hora e meia!
Mas hoje não havia nada a ser feito, não por mim pelo menos, então eu aproveitaria para cavalgar antes da aula. Sim, às sete e meia da manhã, por vontade própria!

Peguei algumas cenouras na cozinha e saí. Meu pai provavelmente já tinha ido cuidar de algumas coisas pelo haras e minha mãe e minha irmãzinha ainda deviam estar dormindo, então fiz o máximo de silêncio possível.

Cheguei ao estábulo e logo meu cavalo pôs a cabeça pra fora de sua baia e começou a agitá-la de um lado para o outro. Ri do gesto e pelo fato de ele sempre me reconhecer tão rápido.
– Hey, Red! - eu o cumprimentei afagando seu focinho, que foi retribuído com um breve relincho.
Sim, Red mesmo. Em homenagem à Secretariat, o "super cavalo". E também porque sua pelagem era castanha meio avermelhada.

– Tá com fome, rapaz? - eu mostrei as cenouras e suas orelhas se levantaram. - Mas vai ter que dividir comigo.
Eu coloquei uma ponta da cenoura na minha boca e me aproximei para que Red pegasse a outra ponta. Assim foi feito e a cenoura se partiu. Ri da cena e acariciei seu focinho.
Nós fazíamos essa brincadeira com frequência, eu sempre deixava que Red pegasse a parte maior da cenoura.

Red era como um amigo. Era a ele a quem eu me recorria nos momentos difíceis, e ele sabia quando eu precisava de seu conforto e eu sentia quando Red não estava bem. E era com ele que eu passava meu tempo livre, cavalgando. Eu o tinha desde os 8 anos, quando ele nasceu aqui mesmo, no nosso haras. Me apaixonei logo de cara, e desde aquele dia nós tinhamos uma forte conexão. Hoje ele tem quase 10 anos, e cavalos vivem até mais ou menos 30 então ele ainda era jovem. Éramos a dupla perfeita, companheiros um do outro.

– Vamos dar uma voltinha? - tirei Red de sua baia e coloquei todo o equipamento, desde os freios até a sela. Montei e saímos.

Costumávamos cavalgar pela campina até o riacho que nascia perto dali em uma pequena cascata. Aquele lugar era um paraíso. Vastos campos, uma trilha pelo meio dos pinheiros, montanhas enevoadas ao fundo, um riacho que percorria todo o haras.
Eu e Red sempre saíamos de manhã quando não havia tarefas pra fazer. Era o melhor horário para cavalgar.O sol ainda acabava de nascer, a brisa leve e fria da manhã batendo no rosto e fazendo o cabelo balançar e os pássaros que voavam pra lá e pra cá.

– O que acha de irmos até a cascata e voltar? - perguntei, mesmo sabendo que não receberia resposta de Red, além de um breve relincho.
Aceleramos e agora estávamos galopando pela campina, livres, desimpedidos. Era uma sensação maravilhosa, libertadora.

Mas, não tínhamos a manhã toda e precisávamos voltar.
Eu tinha prova naquele dia e não podia mesmo chegar atrasada.
Retirei o equipamento de Red e o coloquei de volta na sua baia. Peguei um balde e o enchi com a ração de Red, que ficou meio pesado pra carregar.
– Precisa de ajuda, moça? - era John, um velho amigo do meu pai que nos ajudava no haras. Ele sempre foi muito simpático e companheiro, me conhecia desde que eu era apenas uma criancinha.
– John! - eu sorri. - Faz tempo que eu não te vejo por aqui!
–É... eu tenho estado meio ocupado nos últimos meses. - John disse, fazendo uma cara de cansaço que me fez rir. - Ah, deixa eu te ajudar com isso. - ele disse, vendo que eu ainda segurava o balde de ração.
– Obrigada. - agradeci, observando John colocar a ração para Red, que logo começou a comer.
– E então, como vão as coisas por aqui? - John perguntou. Ai, droga! Eu não tinha muito tempo pra conversar, mas eu tinha o maior respeito e consideração por John, então respondi.
– Bem. Agora melhor já que você voltou! - eu disse com um sorriso. John parou e me olhou, pensativo.
– Você deve estar atrasada pra alguma coisa, não é? 
– O que? Não, tudo bem. - eu disfarcei. Mas John sorriu como quem dissesse "eu sei que você está escondendo alguma coisa". John era muito bom em descobrir as coisas, sempre foi. Dele não se podia esconder nada. - Na verdade, eu tenho uma prova daqui a pouco.
– Então, boa sorte! - John riu, e eu sorri pra ele. - Você vai se sair bem.
– Obrigada, espero que sim. - acenei dando um "tchau" e corri pra dentro de casa.

Eu ainda tinha mais ou menos meia hora então dava tempo de tomar um banho. 
– Bom dia, Sam! - minha mãe estava terminando seu café, e saindo pra trabalhar. "Sam" é meu apelido, de Samantha. Eu sei que Sam, pode ser nome de homem, mas fazer o que? Não fui eu quem escolhi esse nome.
– Oi, mãe! - acenei e fui pro meu quarto. Minha mãe nem perguntava mais onde eu ia de manhã, ela sabia que eu sempre saía pra cavalgar com Red.
– Samantha, acorde sua irmã por favor. - ela pediu.
– Ok.

– Hey, Natalie. - eu disse suavemente, tocando seu braço para que ela acordasse. Natalie tinha pouco mais de 8 anos, sempre gostou de cavalos assim como eu. - Vamos, hora de acordar.
– Ah, Sam! Ainda tá escuro. -Natalie resmungou, puxando a coberta até a cabeça.
– Isso porque a janela está fechada. - eu fui até a janela e a abri. - Vem, antes que a mamãe tenha que vir te chamar! 
– Ta bom, vai.

Voltei pro meu quarto, tomei banho e me vesti. Ainda tinha uns 20 minutos então aproveitei para dar uma revisada na matéria antes da prova. Eu tinha prova de Física naquele dia e eu não estava indo muito bem na matéria. Estava terminando de fazer umas anotações no caderno quando ouvi uma buzina de carro. Olhei pela janela, era minha mãe acenando para que descêssemos.

– Natalie, vamos! - eu chamei, parando na porta do seu quarto.
– Espera, não consigo achar meu estojo. - Natalie disse, enquanto revirava o quarto atrás do estojo.
– Eu te empresto um lápis e uma caneta, a gente não pode chegar atrasadas hoje!
– Mas e meus lápis de cor? - Natalie fez uma carinha desapontada.
– Depois da aula eu te ajudo a procurar, agora vamos vai. - eu fiz sinal pra ela sair.

Entramos no carro e saímos, tínhamos menos de 15 minutos, mas a sorte é que a escola não ficava muito longe. Em 10 minutos estávamos lá. Eu era a primeira ser entregue já que minhas aulas começavam mais cedo que as da Natalie. Eu estava no último ano do ensino médio e Natalie, na 3º série do fundamental, então não estudávamos na mesma escola.

– Tchau mãe, tchau Natalie! - acenei enquando fechava a porta do carro.
– Boa sorte na prova! - Minha mãe disse pela janela, eu só dei um sorrisinho.

Eu estava rezando pra ir bem nessa prova, era uma das últimas do semestre e contava bastante pontos.

CONTINUA...

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