The Chosen One

"Há uma linha tênue entre a normalidade e a maldição." - Aléxander

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1. Prólogo

   Um, dois, três. Um, dois, três. O isqueiro acendeu após a sexta tentativa e o rapaz o levou até a ponta do cigarro que estava em sua boca. Sugou e assoprou a fumaça, olhando para o céu. Estava um dia nublado, talvez fosse chover mais tarde. Ele precisava relaxar, e nada melhor do que um cigarro para acalmar os pensamentos conturbados do pobre rapaz. A última noite fora difícil, algo inesperado acontecera e ele ainda não podia acreditar. É como dizem, a ficha ainda não havia caído.

   Seus amigos estavam todos reunidos naquela manhã, formando um círculo de seis pessoas. Os... Deslocados? Drogados? Esquisitos? Talvez esta fosse a definição que as pessoas fariam deles, ou já faziam. Todos queriam ter seu cigarro aceso pelo isqueiro dele, afinal, era de uma marca boa e deixava o cigarro até mais... "Saboroso". Para aqueles jovens, comprar um isqueiro não era problema, qualquer um poderia até uma padaria, uma banca ou uma papelaria e comprar qualquer um. Mas eles não queriam qualquer um, queriam aquele que era mais difícil, mas que durava mais e valia mais a pena. Um tipo mais antigo, raro, que durava quatro anos se acendesse quatro cigarros por dia. Mas era difícil fumar quatro em um dia, ainda mais se você fosse Aléxander. O rapaz fumava muito mais.

   "Onde você estava ontem à noite, Alex?" A menina ruiva com piercing no nariz perguntou. Maggie. "O professor de biologia notou sua ausência na revisão extra... Acho que ele tem uma quedinha por você." Riu.

   "Pois é, nós temos um caso." Alex entrou na brincadeira, rindo. "Eu estava ocupado, só isso." Respondeu, apertando a palma da mão. Droga, ainda doía.

   "Você sempre está ocupado... O que anda fazendo nesses últimos meses que exige tanto seu comprometimento? Prostitutas?" O tom dela era brincalhão, mas todos sabiam que, por trás desta brincadeira, escondia-se um leve ciúmes. 

   "Minha mãe. Ela piorou e eu tenho que cuidar dela. Isso satisfaz sua curiosidade?" Óbvio que não era isso, quem ele queria enganar? Bem, todos eles. Contar a verdade? Jamais. A mãe, infelizmente, precisava dos seus cuidados e era uma boa desculpa, algo que eles não poderiam contestar. 

   "Sinto muito. Olha, eu sei que é "barra" pra você, mas somos seus amigos e podemos te ajudar, você sabe disso. Seus problemas são nossos problemas." Maggie deu um fraco sorriso, voltando a tragar seu cigarro. Todos sabiam que a garota era louca por Alex desde pequena, mas como ele nunca a encorajara, ela se contentava em ser apenas uma amiga. Era melhor do que não ser nada. 

   E não só ela era apaixonada por nosso querido Alex, mas várias outras também. Ele era do tipo masculino que não consegue passar ao lado de um ser do sexo feminino sem arrancar suspiros ou, ao menos, um olhar de interesse. Dezessete anos, um e setenta e seis, cabelos negros, olhos verdes e piercing no meio do lábio inferior. Sim, isso conseguia molhar muitas calcinhas. Ei, não culpe o escritor. Eu apenas conto o que aconteceu e faço comentários sarcásticos de vez em quando. Se quer culpar algo, culpe a genética, ou mais precisamente o motoqueiro com o qual a mãe do rapaz se "envolveu demais" quando tinha vinte e poucos anos. 

   O sinal bateu, o que significava que era hora dos estudantes se se dirigirem para as salas de aula. Alex apagou o cigarro e entrou pelos portões, caminhando lentamente em direção à sala do terceiro ano "B". Pressionou a palma da mão. Nossa, como doía. Era para ser apenas uma noite como todas as outras: mandar o fantasma para a luz e puf, já era. Mas dessa vez havia sido diferente. Tivera que lutar contra o fantasma, que possuira um corpo e arremessara cadeiras, mesas e vários outros objetos em cima dele. Estava exausto e machucado, mas havia conseguido.  

   Era um tipo de "superman": Clark Kent de dia e Superman de noite. No caso, estudante do ensino médio de dia e "mandador de fantasmas para sei-lá-onde" de noite. Isso explicava suas olheiras e desatenção nas aulas, que eram compensadas com horas de estudo mais tarde. Era cansativo, ele não escolhera aquela vida e nem o dom de dar "adeus" aos fantasmas pessoalmente, mas estava "bem". Ajudava pessoas e se mantinha anônimo. Pobre Alex... se pudéssemos alerta-lo sobre o que estava por vir...

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