The Chosen One

"Há uma linha tênue entre a normalidade e a maldição." - Aléxander

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2. Capitulo 1

   No meio da última aula, seu celular vibrou. Chuck. Esperou a professora se virar para escrever algo na lousa e olhou a mensagem.

   "Não temos nada pra hoje, pelo visto. Aproveite as férias enquanto pode."

   Alex sorriu. Nenhum caso para hoje, nenhum fantasma pra mandar pro inferno ou nada do tipo. Hoje a noite era só dele, talvez ele até pudesse passar um tempo com a mãe, ver um filme ao lado dela ou, se esta última estivesse de mal humor, ele poderia adiantar os deveres de casa e dormir. Uma dor aguda na mão enfaixada o fez se desligar de sua mais recente utopia. E, lenta e inevitavelmente, foi se lembrando dos acontecimentos da noite anterior.

  ***

VINTE E OITO HORAS ANTES

   Estava exausto. O dia na escola havia sido longo, cansativo e ele estava perdendo uma aula extra de biologia. Sua matéria favorita. Olhou para a rua. O local era bem afastado, apenas iluminado por algumas luzes que lutavam para continuar funcionado pela luz da lua cheia. A noite estava bela. Fazia muito tempo que não aproveitava uma noite para sair e se divertir, mas não isso não importava. Tinha que manter a cabeça no lugar para lidar com mais um fantasma. O carro estacionou uma rua antes do endereço da casa. Era uma rua mais escura do que as outras, mas o carro era preto, então quase ninguém iria perceber a presença de um jovem no carro.

   "Tem certeza de que consegue fazer isso? Cara, sua cara está horrível, quando foi a última vez que usou sua cama pra dormir?" Chuck falou, sem desligar o carro e olhando para o amigo. Apesar da brincadeira referente à cama, ele se preocupava com Alex. Eram quantos anos de amizade, mesmo? Talvez... Dez, se não me falha a memória.

   "E quando é que eu não pareço cansado? Aliás, minha cama está servindo de guarda roupa, você pode encontrar todo o meu vestuário jogado em cima dela." Alex riu, pegando uma mochila verde escura. "Relaxa, ok? Vou dar um jeito nesse infeliz rapidinho e talvez até sobre um tempo para comermos alguma porcaria em uma lanchonete qualquer." Deu um leve soco no braço do amigo e saiu do carro, sorrindo. Apesar de sorrir, estava preocupado. Na verdade, sempre ficava um pouco apreensivo antes de fazer aquilo, mesmo estando nessa "profissão" há um bom tempo.

   Além do mais, o padrão de ação desse fantasma era diferente dos demais. Havia relatos de que havia machucado pessoas e quebrado móveis, coisa que nunca vira antes. Isso não o ajudava a se acalmar, mas fantasmas deviam funcionar mais ou menos como vampiros, certo? Quanto mais velhos, mais poderosos. Ou, se você gosta de Crepúsculo, um recém nascido é mais forte. E este é o momento que as fãs do Edward me atacam, me xingam, etc. Vamos voltar a focar na história, ok? Obrigado.

   A porta da casa estava trancada, mas era uma casa antiga, o que significava que deveria haver uma chave reserva escondida em algum lugar. Procurou debaixo do tapete, achando-a com facilidade e destrancando a porta. Respirou fundo e entrou na casa. A sala de estar era bem grande, mas tudo parecia quebrado e em estado precário. Alex colocou a mochila no chão e começou a pegar as coisas que iria precisar para atrair o fantasma até ele, quando sentiu um puxão nas costas da camisa e foi jogado de encontro a uma parede. 

   Um homem havia o empurrado. Ele trajava um terno risca de giz meio rasgado, seus cabelos estavam bagunçados e seus olhos tinham algo que animalesco, como se aquilo não fosse humano. Bem, não era. Definitivamente, aquilo não era um fantasma comum. Possessão, talvez? Hm... Nunca tinha visto alguém ser possuído antes, mas o jeito de mandar o fantasminha embora deveria ser o mesmo, certo? Certo. Agora, um problema: como chegaria perto do homem? Enquanto tentava racionar e fugir das coisas jogadas pelo fantasma, sentiu sua visão escurecer e, quando voltou a enxergar, tudo era um borrão. O homem veio para cima dele com uma faca e tentava enfiá-la em no pescoço de Alex. O garoto segurou na lâmina da faca, tentando afastá-la de si, e acabando por fazer um corte fundo em sua mão.

   Chutou a "parte fraca" do homem, fazendo-o recuar e hesitar por um momento, e este momento foi sufiente para Alex colocar a mão na cabeça do homem e matar a coisa que habitava seu interior. Aquela coisa animalesca. Deitou no chão, fechando os olhos, tentando se acalmar e ignorar a dor em sua mão. Ele queria uma noite fora do normal e, bem... Ele conseguira.

 ***

   "Alex? Alex? Aléxander!!!"

   Alex levantou a cabeça, voltando à realidade, dando de cara com uma Maggie nervosa.

   "A aula já acabou. Vamos, hora de sair da escola e aproveitar essa sexta feira maravilhosa! Todo mundo vai pra lanchonete e depois vamos pra casa do Gabriel jogar um pouco. Você está oficialmente convidado para uma noite cheia de diversão."

   "Valeu, Mag, mas eu vou passar." Ele se levantou, guardando o material. "Hoje vou ter uma noite tranquila, apenas eu e a minha cama. Ando muito cansado esses últimos dias." 

   "De novo? Olha, cara, eu sei que você é cheio de coisas pra fazer, mas você dá essa mesma desculpa há tempos. Nós sentimos falta do Alex, sabe? Daquele cara que topava fazer qualquer coisa, que era cheio de vida, todo animado... Eu sinto falta de você."

   Alex a olhou. Por um momento, sentiu vontade de ir com eles, voltar a se divertir, voltar a sorrir. Queria contar tudo pra ela, queria compartilhar seus segredos com ela, queria fazer tantas coisas com a doce Maggie... Suspirou. Não podia fazer isso, sua vida atual não permitia relacionamentos além de amizades.

   "Olha, são só os 'trampos' da escola, ok? Eu ando cansado, tendo que estudar muito, tenho que passar no vestibular... Você sabe o quanto que medicina é concorrido, não é? Quando toda essa loucura passar eu vou voltar a ser animado, mas eu ainda sou o Alex. Ainda sou aquele cara com o qual você pode contar para cometer as maiores loucuras. Te vejo segunda." Deu um leve sorriso, beijando os cabelos dela e saindo dali antes que ela pedisse mais explicações.

   No caminho para casa, tentou não pensar sobre sua vida atual. Quanto mais pensava, mais queria largar aquilo tudo, ser apenas jovem... Mas ele estava ajudando pessoas, fazendo um bem para o mundo. Ao, ao menos, uma pequena parte dele. Seu nome não apareceria nos livros de História, mas muitas pessoas estaria vivas graças a ele. Respirou fundo, entrando em casa. 

   Assim que entrou, olhou para a mãe, que estava sentada em frente à televisão. Seu olhar era morto, algo que deixava Alex angustiado. Não gostava de lembrar do que havia acontecido com ela, tentava se lembrar dela através dos momentos felizes, quando cozinhavam, viam filmes e riam juntos... Tudo antes dele ter descoberto esse "dom". Foi para a cozinha, preparar o jantar (apenas um macarrão em semi-pronto, algo que poderia ser colocado no microondas e, em dez minutos, tcharam!) e, depois que ficou pronto, serviu para sua mãe comer. Essa era uma tarefa difícil, e levava tempo para convencer sua mãe que ela tinha necessidades físicas, como comer e beber água. Para ela, apenas a televisão importava. 

   Esperou a mãe terminar de comer, retirou o prato, o copo e os talheres da mesa e a observou voltar para o sofá e ficar olhando a televisão. Suspirou, subindo para o quarto. Precisava de um banho, um banho bem quente e demorado, de preferência. Jogou a mochila em cima da cama e entrou no banheiro, despindo-se e entrando no chuveiro. Após alguns minutos, percebeu que precisava urgentemente de um cigarro. Colocou uma tolha na cintura e saiu do banheiro, indo até a mochila e pegando um cigarro e um isqueiro. Acendeu o cigarro e o tragou, assoprando a fumaça logo depois. Virou-se para a janela, querendo apreciar a vista, e levou um susto. 

   Ali, em frente à janela, havia um homem de terno.

   "Olá, Aléxander." O homem falou, sorrindo. "Sou um anjo do Senhor, mas pode me chamar de Joshua. Precisamos conversar..."

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