Por você, eu faço tudo.

Após sair da cadeia, por cumprir pena por ser cúmplice de roubo, Samuel Otto - ou melhor, Sam como é mais conhecido-, de trinta e um anos, moreno, alto, olhos e cabelos castanhos levemente cacheados. Um homem bonito que ainda tem a marca da prisão em na pele e vivendo pesadelos, vê a chance de recomeçar do zero trabalhando na casa onde seus pais amados conseguiram um emprego de jardineiro. Sam, um homem sério e pacato se arrepende profundamente por ter cometido o maior erro de sua vida. Ter dado desgosto aos seus pais, que tanto o amaram, protegeram e sempre avisaram que suas amizades erradas, um dia iriam atrapalhar sua vida. Ele foi trabalhar na mansão onde tudo em sua vida muda, quando conhece a mulher da sua vida - Alexya, herdeira e única filha da família Drummond-, mesmo com um início de brigas e conflitos, tenta com todas as suas forças viver esse amor sem a sombra do seu passado tempestuoso, sempre vindo à tona.

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2. Capítulo 2 — Primeiro dia de trabalho.

Capítulo 2 — Primeiro dia de trabalho.

 

Sam

 

Sinto o calor escaldante sobre mim, mas não paro de trabalhar. Quero terminar antes do almoço. Meu pai havia saído para realizar os exames receitados pelo médico e minha mãe o acompanhou para ele não ficar sozinho. Minhas mãos estão cobertas com terra, e por mais que o sol não me ajude, estou gostando de lidar com a terra. Não sou bom como o meu pai, que tudo que toca se torna uma obra de arte. Ele é um exímio jardineiro. Paro e olho meu trabalho, e gosto do que vejo. Minha boca seca pede por água. Olho para os lados e não vejo a empregada, caminho segurando minha luva, e penso por que não as usei para mexer na terra, e a coloco dentro do bolso da calça. Subindo as escadas da frente da casa, ouço o roncado do motor de uma moto - uma Ecosse Titanium Series FE Ti XX-, me viro e vejo uma linda mulher descer. Quando ela tira o capacete, minha respiração para. Morena, alta, cintura fina, pernas grossas marcadas pela calça junta, seios pequenos, cabelos longos com pontas levemente cacheadas, olhos castanhos escuros e lábios grossos. Uma morena de tirar o fôlego. — Quem é você? — pergunta ela com desdém em sua voz. Franzi o cenho com o seu tom arrogante. Ela olhou para minhas mãos sujas e fez cara de nojo. — Ele é o filho do nosso adorado Jardineiro — fala um senhor de cabelos brancos. Sr. Drummond com toda certeza. — Samuel Otto — falo estendendo a mão para cumprimentá-la, mas logo me arrependi de ter feito isso. — Ele é tal ex-presidiário? — seu tom ácido me deixa desconfortável — não acho certo ter-mos uma pessoa como ele em nossa residência — me olha de cima a baixo — Não vou apertar sua mão suja. — Alexya, por favor, não trate o Samuel assim. Eu respeito muito a família dele e eu quero que você o respeite. — Desculpa senhor. Não quero causar problemas — falo. — O problema é você querer entrar pela porta da frente — fala ríspida — empregados entram pela porta de trás. Mas acho que você já sabe disso — ironiza. — Alexya — adverti seu pai — Não é assim que eu lhe ensinei a tratar os outros. — Tudo bem Sr. Drummond — digo descendo a escada — eu posso entrar pela porta de trás. — Samuel — chama Sr. Drummond — entre por aqui — fala estendendo sua mão para que eu entrasse pela porta da frente. — Tudo bem senhor — diz sinceramente — não tem problema. Eu sou seu empregado e tenho que seguir as regras. — Muito bem — Alexya fala debochando — Você aprende rápido. — Eu não estou mandando Samuel — olha rígido para ela — estou pedindo gentilmente, que você entre — vagarosamente subo os degraus da escada novamente, mas não baixo a cabeça mostrando meu orgulho e sigo o Sr. Drummond. — Serio mesmo isso pai? — pergunta ela em choque. — Muito serio — responde severamente — e a partir de hoje, ele entra e sai pela porta da frente à hora que ele quiser. E isso não é um pedido, é uma ordem — ela bufa e entra porta adentro, fazendo com que o capacete da moto batesse no meu braço com força, e sobe para o seu quarto. — Me desculpe pelo incidente — pede com paciência e uma vergonha interna. — Tudo bem — o acalmo. — Não está tudo bem — suspira — esse gênio forte de Alexya não saiu da minha parte — fala desgostoso. — Vamos deixar isso de lado — mudo de assunto — Quais serão minhas funções, além de ser o jardineiro? — Ah Samuel — diz sorrindo — você sozinho não dará conta de jardinar todo o terreno. Digamos que você será “o faz tudo” — passa a mão em meu ombro e continua — de inicio, não vou mentir, não gostei muito da idéia de tê-lo aqui, mas seus pais me contaram a sua situação e não poderia negar ajuda a pessoas tão maravilhosas. Considero muito sua família e farei o possível para ajudar você também. — Obrigado Sr. Drummond — agradeço. — Me diga — começa — além do seu trabalho aqui, quais são seus planos? — pergunta. — Quero terminar meus estudos — responde — quero terminar a universidade. — Vou providenciar para que termine o mais breve possível— fico impressionado com o que ele diz. — Não sei como agradecer — falo emocionado — difícil acreditar, que mesmo depois de tudo o senhor me ajude. — Já lhe falei, sei da sua situação e adoro sua família — fala enquanto andamos pela enorme casa em direção à cozinha — percebo que esta trabalhando com gosto no jardim e pelo sol escaldante que está lá fora, tenho certeza que você esta com cede. — Estou sim — respondo sorrindo sem jeito. — Sirva-se do que quiser na cozinha — fala ao sair da enorme cozinha. Era só o que me faltava, uma riquinha mimada que não sabe respeitar o próximo. Balanço a cabeça resignado, e logo a empregada, Sra. Sardagna aparece para me fornecer à água. Aceito de bom grado e mato minha cede, voltado logo em seguida para terminar meu trabalho, ainda me arrependido de não ter colocado as luvas para mexer na terra. Não via a hora de chegar à noite e deitar novamente na cama confortável e esquecer tudo. Termino meu trabalho no final da tarde, meus pais já haviam chegado e meu pai estava descansando. Entro dentro de casa e tomo meu banho tirando toda a terra que havia em minhas mãos. Arrumo-me e vou explorar a região. Entro em um barzinho pequeno perto da mansão, o que me parece ser um milagre existir um ali perto. Letreiro grande e em luzes vermelhas destacando o nome do bar, e parece com aqueles bares americanos, mas com a imagem de uma taverna. Parece ser um bom ambiente. Quero tomar um belo uísque puro para aquecer meu final de tarde. Sento na cadeira do balcão e logo um homem alto de aparência rude vem me atender. — Dia difícil amigo? — pergunta se mostrando gentil. — Muito difícil — respondo suspirando. — Prazer, Paul — estende sua mão para me cumprimentar. — Samuel — respondo. — Você é filho do Jô? — pergunta surpreso. — Sou sim. — Cara teu pai é uma figura — diz sorrindo — um grande homem. Faz um tempo que ele não aparece. Como ele está? — Não muito bem — respondo triste — problemas no coração. — Ah, é por isso que ele não aparece mais aqui, para fazer a alegria da rapaziada no jogo de sinuca. Então o que vai querer? — Uísque... Sem gelo — peço. — Saindo um uísque sem gelo — pega o copo e despeja uma dose generosa do uísque. — Me fala — começa — como é trabalhar na casa da marenta? — Marenta? — pergunto confuso e viro todo o liquido de uma só vez na boca. — Alexya... — sorri. — Prefiro não falar sobre isso — respondo sem jeito. Não é profissional e nem educado falar de quem lhe paga para por comida na sua mesa. — Já entendi — fala enquanto coloca outra dose no meu copo — ela já colocou seu veneno esnobe para cima de você. — Serio... Prefiro não falar nisso — falo sem jeito e tomo a outra dose — não tenho o que falar da família Drummond. Eles estão me dando uma oportunidade de seguir minha vida e não quero falar sobre isso. Não me leve a mal. Obrigado por me atender — falo e me levanto para pagar a conta. — Eu peço desculpa — diz sinceramente — precisando de um ouvido amigo, pode contar comigo. — Obrigado — agradeço novamente e saio. Entrando na mansão, no alto a notei na janela. Linda. Mas, não é para o meu bico. Ela olha de longe, e entra fechando a janela com força. Balanço a cabeça sem paciência. Não quero chegar perto dela, seu sobrenome é “problema” com certeza, e, além do mais, ela tem algo contra filhos de empregados e ex-presidiários. O melhor há fazer é continuar com meus planos e me formar para dar orgulho os meus pais, me tornando um filho melhor.
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