Por você, eu faço tudo.

Após sair da cadeia, por cumprir pena por ser cúmplice de roubo, Samuel Otto - ou melhor, Sam como é mais conhecido-, de trinta e um anos, moreno, alto, olhos e cabelos castanhos levemente cacheados. Um homem bonito que ainda tem a marca da prisão em na pele e vivendo pesadelos, vê a chance de recomeçar do zero trabalhando na casa onde seus pais amados conseguiram um emprego de jardineiro. Sam, um homem sério e pacato se arrepende profundamente por ter cometido o maior erro de sua vida. Ter dado desgosto aos seus pais, que tanto o amaram, protegeram e sempre avisaram que suas amizades erradas, um dia iriam atrapalhar sua vida. Ele foi trabalhar na mansão onde tudo em sua vida muda, quando conhece a mulher da sua vida - Alexya, herdeira e única filha da família Drummond-, mesmo com um início de brigas e conflitos, tenta com todas as suas forças viver esse amor sem a sombra do seu passado tempestuoso, sempre vindo à tona.

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1. Capítulo 1— Liberdade.

Capítulo 1— Liberdade.

* Aviso: O texto será postado sem revisão e o mesmo já se encontra revisado e registrado. Plágio é crime.

 

Sam

 

As gotas de um vazamento qualquer ecoavam pelo corredor. Não chegava a ser irritante, mas incomodava bastante. Eu estava deitado, esperando ser solto. Respirei fundo e observei o teto de concreto com mofo. De longe eu escutava o guarda com passos longos e firmes, balançando as chaves em sua mão. Mês passado meu colega de sela foi morto com uma facada bem no meio da caixa torácica, acertando coração e outra facada abaixo dos pulmões e deixado às moscas, mas eu nunca me envolvi com o pessoal, por isso, muitas vezes me livrei da morte. Um cara legal, mas, sempre estava metido em rolos estranhos. Pobre John. Ele queria sair da cadeia para ficar junto a sua família, mas o destino não quis assim, ou ele escolheu o caminho errado. Não queria terminar como ele.

Minha carta de liberdade já estava pronta e eu estava louco para sair daquele inferno.

— Samuel Otto — falou o guarda fedorento — Levante. Passe suas mãos entre as grades — levantei e obedientemente coloquei minhas mãos juntas entre as grades e ele me algemou. Eu era o único que ele fazia isso... Mesmo sabendo que não era de briga e nem muito menos de confusão.

Caminhado em direção à saída, olhei para janela gradeada, tentei inspirar o ar puro que tanto sonhei desde o dia que entrei naquele lugar horrível. Levantei meu pulso para as algemas serem retidas e senti um alivio por não precisar mais usá-las. Eu era finalmente um homem livre. Finalmente livre. Recebi do guarda mal-humorado meus pertences em uma mochila pequena. Carteira, documentos, dinheir... Merda! Roubaram meu dinheiro! Suspirei resignado com o que fizeram, mas não reclamei do ocorrido - afinal eu também roubei de alguém, mas me arrependo -, apenas peguei minhas roupas e em um local reservado me vesti e entreguei a roupa laranja que por tanto tempo me cobriu.

Ao sair, senti o olhar do guarda pairar sobre mim - aquele era o guarda que me acompanhou com atenção até mesmo na hora da minha liberdade -, mas não me importei como ele olha para mim, eu era plenamente um homem livre e com minhas contas pagas perante a sociedade.

Quando sai, não consegui conter um sorriso no rosto, sentindo o sol batendo e me aquecendo. Larguei tudo no chão e gritei de punhos cerrados, um grito de alegria, que saio a plenos pulmões e me alivia a alma. Não consegui conter minha alegria. O ar quente e o vento estão muito fortes, parece que eu estou no meio do deserto, mas estou apenas a alguns minutos do centro da cidade. Tudo que eu quero é dar um forte abraço no meu pai e lhe pedir desculpas por tudo que o fiz passar. De longe, observo e reconheço o carro - um Chevrolet Belair 56 azul celeste. Clássico e é o meu favorito-, recolho meus objetos do chão e corro em direção à mulher sentada dentro do carro. É a minha mãe sentada e ainda com as mãos no volante, me olhando com lágrimas em seus lindos e brilhantes olhos. Seus lindos olhos negros com cílios longos, úmidos, me fez relembrar o porquê de querer fazer o certo e nunca mais magoar aquela mulher que me colocou no mundo.

Com seus cabelos poucos brancos já em evidência, traços da sua idade marcando seu lindo rosto, abre seu sorriso encantador ao descer do carro para me abraçar forte, e logo depois segura meu rosto em suas mãos para avaliar meu estado físico - ela é incrível - e na mesma hora começo a chorar, um choro desesperado ao abraçá-la, enterrando minha cabeça em seus cabelos cheiros e sedosos. Ela apenas acaricia minhas costas, me acalmando e acalentando. Minha linda morena de corpo pequeno que tanto me faz bem. Amo minha mãe.

— Calma — fala afagando meus cabelos — Já passou — me afasto e olho para ela, ainda chorando.

— Perdão — peço passando a mão em seu rosto e coloco uma mecha do seu cabelo atrás de sua orelha.

— Não é necessário pedir perdão — passa suas mãos em meu ombro — Você é meu filho, e haja o que houver, vou estar ao seu lado. Sempre. Eu amo você Sam, e não a nada nesse mundo que mude esse sentimento, nem mesmo seus erros — fala isso, e me puxa para mais um longo abraço — agora vamos — fala em um tom mais alegre — seu pai já deve estar arrancando os poucos cabelos que lhe resta, naquela careca — não pude deixar de rir, ao lembrar que meu pai, o senhor Bernard Johnson Otto reclama sem parar dos cabelos que já estão praticamente extintos do topo de sua cabeça. Meu pai... Bom, meu pai é o homem mais incrível e sensato que a humanidade deveria conhecer, acho que em cada centímetro de terra deveria ter um homem como ele no mundo. Ai, eu meu pergunto... Então porque você foi para o caminho da criminalidade? Não sei. Acho que por achar que minha vida estava sem graça, e que precisava de um pouco de agitação, mas me ferrei, ou melhor, provei o gosto amargo da dor, por correr atrás de uma coisa que eu já sabia o final de tudo. Cadeia. Homem de cinquenta e nove anos, branco, olhos castanhos claros mais serenos que se podem imaginar, cabelos lisos e pretos - que já estão sumindo devido aos cabelos brancos que ele insistia em pintar de preto, mas nunca funciona, pois a tinta nunca quer fixar nos cabelos brancos-, estatura baixa, uma barriga saliente, um suéter que nunca saia do seu corpo - acho que tem uma coleção desses suéteres horrendos marrons listrados ­- careca, com alguns heróis da resistência dos lados de sua cabeça penteados para cima. Resumido, meu pai é um homem amoroso, gentil, honesto e engraçado. Seu caráter é de dar inveja ao atual ganhador do prêmio Nobel da paz.

Meus pais são a combinação perfeita de um casal harmonioso, mesmo na hora das discussões. Nunca ouvi eles brigarem de verdade, ambos não levantam a voz para o outro, a não ser para chamar um ao outro quando estão em uma longa distância, e isso quase nunca acontece, pois estão sempre grudados. Um dia quero ter um relacionamento assim como o deles. Uma união capaz de passar por cima de tudo, só para se manterem juntos.

Olho o enorme portão de ferro bem trabalhando, vejo que algumas coisas haviam mudado naquele local. Muros mais altos, câmeras de segurança na entrada, um jardim no centro, as arvores estavam mais frondosas, mas a casa é do mesmo jeito que me lembro — fiz apenas duas visitas, mas ainda me lembro. Casa não, mansão. Duas torres com dois andares, ambas, uma da cada lado, no meio a parte maior da mansão, com janelas grandes vitorianas e vidros verdes. Portas grandes de madeira, paredes brancas e com detalhes de linhas circulares pequenas nas bordas formando uma corrente muito bonita. O cheiro das flores é o mesmo, mas a beleza do local foi melhorada pelo meu pai, que agora não pode mais cuidar do jardim, por isso, ele convenceu o Senhor Joseph Drummond a me contratar. Nunca fui tão bom jardineiro quanto meu pai é, mas faria de tudo para deixá-lo orgulhoso.

Meu pai aguardava na entrada e assim que viu o carro entrar, comecei a chorar - Droga de filho eu sou. O único filho que eles têm, e faz uma merda dessas com pais tão legais -, desço do carro, assim que minha mãe para. Corro para os braços do homem que me deu o exemplo do que é ser bom e honesto e não me tornei o que ele queria. Abraço forte meu pai, que não é muito alto. Diferente de mim, que tenho um e oitenta de altura. Minha mãe agora esta de braços cruzados ao nosso lado chorando, mas não a deixo fora do abraço. Abraço os dois seres mais importantes da minha vida, tudo se tornou completo.

— Oi pai — falo enquanto abraço meus pais.

— Oi meu moleque — responde com a voz embargada.

— Perdão — peço, assim como fiz com minha mãe — me perdoa por tudo que te fiz passar.

— Passado é passado — fala se afastando e passando a mão no meu rosto e no rosto da minha mãe — você já pagou pelos seus erros. Agora é só seguir em frente.

— Amo vocês dois — declaro — não teve um dia sequer que deixasse de pensar em vocês dois.

— Nós também pensamos muito em você — fala minha mãe com ternura.

— Vamos — diz meu pai pegando minha mochila suja de barro e colocando no ombro — quero lhe mostrar onde você vai morar.

— Eu vou ficar onde vocês estão morando — digo confuso.

— Ah querido, o senhor Drummond fez questão de que você tivesse seu próprio canto, e será bom para você — fala minha mãe passando a sua mão em meu rosto enquanto caminhávamos em direção ao local. Não sabia o tamanho da residência, mas era muito grande. A casa onde eu iria ficar era quase ao lado da dos meus pais. Perfeita. Quando entramos, ainda tinha o cheiro de tinta, era muito arrumada e organizada com moveis simples, mas a TV tela plana de cinquenta polegadas era com toda certeza meu objeto favorito.

— Gostou? — pergunta meu pai.

— Se eu gostei? Muito — respondo contente — é mais do que eu realmente mereço.

— Espero que fique confortável — fala minha mãe — temos que ir. Amanhã pela manhã o senhor Drummond quer falar com você sobre o seu salário, já que agora seu pai não vai poder mais trabalhar e vamos ser só nós dois.

— Agora eu vou ser um inútil e explorador — diz meu pai sorrindo — trabalhem.

— Não me venha com essa Jô. Você não é um inútil, só esta ficando velho — brinca minha mãe e meu pai faz um careta e logo beija o topo de sua cabeça. Todos nós rimos.

— Bom o velho aqui precisa encher o estomago — passa a mão na barriga — vamos minha velha — meu pai chama minha mãe segurando sua mão — Sam, qualquer coisa é chamar.

— Obrigado pai. Chamo sim — respondo dando um beijo no topo da cabeça de cada um, e nós despedimos na saída.

A casa era pequena, mas aconchegante. Bem melhor que a cela fria e fétida que fiquei. Finalmente privacidade. Lembrei olhando o banheiro que tem uma banheira enorme em comparação com o cubículo da cadeira e os chuveiros coletivos, onde a cada sabonete caído... Um perigo para seu traseiro estava estabelecido. Ainda bem, que nenhum sabonete escorregou da minha mão. O meu sorriso aumentou quando vi a cama... Um sonho de cama. Enorme, confortável, com lençóis brancos macios e limpos. Eu sou uma criança perdida em cima da cama enorme. Pulo, mergulho e bagunço a cama revirando os lençóis. Nem parecia que tinha trinta e um anos.

A fome apertou e a primeira coisa que faço ao sair do quarto, é procurar a geladeira, que para minha surpresa, esta repleta de alimentos. Abro os armários e constato que também está abastecido. Preparo meu mega sanduiche com salame, e faço um copo enorme de suco de laranja, me sento na pequena mesa perto da janela que dá para ver o jardim e os fundos da casa e saboreio cada pedaço mordido como se fosse o único. Na cadeia, não tem uma comida ruim, mas também não é das melhores. Depois, pediria a minha mãe para que ela me preparasse a sua torta de morangos com chocolate, que tanto sento falta. Eu estou com saudades de um tratamento com carinho e atenção, e não quero perder isso, por isso, vou dar duro no trabalho e no tempo vago irei estudar para ser o filho que tanto os meus pais querem.

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