Stage Lovers


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16. Pronta

  Não dei sequer um passo. James já entrava para dentro do apartamento, minhas pernas mal conseguiam se firmar no chão para impedi-lo de entrar. Mas minha boca já estava aberta, assim como a dele e elas se encaixavam com estranha perfeição. James deixou a bandejinha sobre o aparador e segurou minha cintura com as duas mãos. Deus, quem dera ele tivesse apenas segurado... James levantou minha blusa e apertou minha cintura contra si, sua pele queimando a minha. A respiração dele estava acelerada. Aquilo significava que ele havia me perdoado? Parei o beijo por meio segundo e, sem querer, soltei um gemido. Ia parar com aquilo e dizer alguma coisa, perguntar se ele acreditava em mim sobre aquele dia, mas ele não deixou. A língua dele invadia minha boca, fazendo-me esquecer qualquer palavra. Nem havia percebido minhas mãos em seu pescoço, os dedos se entrelaçando nos cabelos e puxando de leve. Eu sabia que tinha de fazê-lo, ele não podia simplesmente fazer aquilo. Afastei-me um pouco de seus lábios molhados e, ainda com os olhos fechados, sussurrei: - Isso significa que você perdoa o que quer que eu tenha feito naquele dia? Meu coração parou enquanto esperava a resposta. Eu queria evitar aquilo tudo e voltar ao beijo, ao toque... Minhas pernas ficaram bambas quando ele voltou a falar. - Desculpe por não ter acreditado em você. E deixei que ele me beijasse de novo.  Dessa vez tudo se resolveria. Dessa vez ficaríamos bem. Dessa vez eu não causaria mais estrago. Dessa vez iríamos fazer tudo do jeito certo. Mas dessa vez eu precisava manter o foco. Parei e me afastei um pouco, podendo finalmente respirar, de costas para ele. Minhas mãos estavam suadas e tremiam sem parar enquanto mordia meu lábio inferior, o gosto dele ainda se espalhando pela minha boca.  - O que foi, Natalie? Cocei minha testa. Nervosismo.  A voz dele arrepiou meu corpo, tive que segurar a barra da minha blusa para disfarçar minha mão tremendo. Respirei fundo. Se quisesse que ele acreditasse naquilo, eu não podia gaguejar. - Acho que não deveríamos. - Olha, está tudo bem. Podemos começar de novo, tudo do zero e dessa vez, prometo que dará tudo certo. Eu errei e você também. Mas nós já nos perdoamos tantas vezes, podemos passar por essa, Natalie. Não dá pra esconder que a gente tem alguma coisa, você não sente isso? Tudo que você tem que fazer é tentar. Os efeitos do beijo dele se dissipavam dentro de mim, dando lugar à uma pontinha de dor.  - E se eu não quiser tentar? Viro-me de frente e a expressão em seu rosto parece não acreditar no que eu disse. Vejo que o machuquei mais uma vez.  Essa vai ser a última, James.  Olhando em seus olhos, percebo que minhas palavras ficaram incompletas. - Você acha que ainda podemos ser amigos? Ele parece querer rir. E não o culpo por isso.  - A essa altura? Você está falando sério, Natalie? Quando fechei os olhos, pude lembrar das coisas que vinha fazendo. De como vinha tentando superar. Eu precisava daquilo, mas não naquele ponto. Eu o queria por perto, precisava dele, e quem sabe daqui algum tempo eu pudesse finalmente ficar com ele sem causar problemas. Isso não significava que eu não o amava mais.  Assinto com a cabeça. Ouço James respirar pesadamente. Sei que está com os olhos olhando para cima, pensando.  James não respondeu. Quase quis parar de respirar, mas então senti seus braços me puxando devagar, quase que com medo, para si. Sorri ao abraçá-lo. Ele faria aquilo por mim. Eu só esperava que quando chegasse minha vez de fazê-lo por ele, conseguisse ser forte.  ****** - Então você escolheu Want U Back? James estava sentado no chão, ao meu lado, escorado no sofá enquanto olhava o papel com a cifra. Sequer parecia que havíamos passado a tarde toda assistindo filmes e tocando qualquer música aleatória. Aquilo soava estranho depois do que tinha acontecido, mas era quase natural. Seria assim daqui para frente? Por um instantei, olhei para James e me permiti admirá-lo.  Mas eu ainda tinha que definir minha música. Procurei mentalmente alguma coisa até que uma luzinha se acendeu. Por que eu não tinha pensado nisso antes?! - Ai meu Deus! James me olhou espantado enquanto eu sorria como se houvesse feito a maior descoberta do mundo. Peguei a folha de sua mão e risquei com uma caneta azul, o título. Faithfully  se encontrava no topo da cifra que, em breve, seria alterada. James se aproximou para ver o que eu havia escrito no papel e sorriu ao ler. Não pude evitar pensar que, na posição que estávamos sentados, se eu tombasse a cabeça para seu lado, ela se encaixaria perfeitamente em seu ombro. Ele riu de leve e olhou para mim, nossos rostos tão próximos... - Vou fazer o que for preciso, Natalie. Vou te conquistar de novo.  Sentindo o efeito das palavras, pisquei várias vezes. Ele parecia ainda mais perfeito ali, com as luzes da cidade ao fundo, brilhando do outro lado da janela. Era quase como se houvesse apenas ele no mundo. Mais ninguém. Gaguejei ao tentar pedir que me ajudasse com a música. Eu teria conseguido terminar de falar se aquela voz não tivesse irrompido quarto adentro.  - Ah - ela parou de repente na porta. - Eu não sabia que tinha visita, Natalie. - ela sorri. Fiquei parada em pé sem saber o que dizer. O que eu poderia falar? Meu "ex" ou meu novo "amigo" conhecendo minha suposta "mãe" não era nada do que eu esperava que fosse acontecer naquele dia. Era estranho o que sentia de repente, como se estivesse fazendo algo errado. Poderia comparar com uma criança tentando pegar uma bala escondida da mãe e fosse pega. Minha mente corria contra o tempo, como se quanto mais eu demorasse para dizer alguma coisa, qualquer que fosse, mais eu me sentia culpada. - Ele não é visita. - respondi. Rapidamente corei ao perceber o outro sentido que aquilo tinha passado. Mas acho que a raiva - ou vergonha mesmo - que me preencheu no segundo seguinte foi o suficiente. - Eu não sabia que você tinha um namorado! - ela ri e olha para James - Você deve ser especial para conseguir namorar minha filha. Ela já te contou aquelas histórias sombrias de infância? Senti o soco no estômago. Fique em pé, ordenei ao meu corpo assim que senti minhas pernas tremerem. Não consegui olhar para James e ver sua reação. Não consegui. Ela estava brincando com coisas que não devia. Mesmo assim não consegui evitar que as lágrimas quentes se formassem em meus olhos e meus lábios começassem a tremer. Sentia raiva, raiva, raiva, raiva! - Mas que merda você pensa que é? - berrei sem me importar com a presença de James. Àquela altura eu só queria ela fora dali, fora da minha vida. Por que ela tinha me procurado? Aquilo só havia estragado tudo. Não me importei com a expressão congelada dela nem com meus soluços. Já estava ficando difícil respirar, tentava encontrar fôlego para gritar tudo o que eu queria. Uma série de xingamentos se seguiram. Não sabia que tinha um vocabulário tão bom para aquilo. Disse tudo o que eu vinha pensando, que ela simplesmente não seria desculpada assim. Eu estava em completa euforia, o coração praticamente batendo como uma bomba. Então, silêncio. O único som audível era minha luta para tentar respirar. Até que ela deixou as sacolas de supermercado no chão e olhou para mim. - Você quer que eu saia agora? - perguntou num tom extremamente baixo. Era aquilo que eu tanto queria, não era? Mas é quase 11 da noite, Natalie! Bufei pesadamente e cocei o nariz entupido. Pensar era uma tarefa extremamente cansativa quando se está explodindo. Simplesmente balancei um não com a cabeça. E não disse mais nada. Nenhuma palavra. E ela se dirigiu ao quarto. Só quando ouvi o barulho da porta se fechando, virei-me para James. Ele apenas me olhava, suas mãos nos bolsos traseiros. Vê-lo ali daquele jeito, só me fez querer chorar de novo, porque no final das contas James era a única pessoa que eu tinha. Tentei segurar as lágrimas, tentei mesmo. Mas simplesmente me desfiz quando ele se aproximou e me abraçou.  - James... - disse com a voz embargada e abafada contra sua blusa. Eu provavelmente molharia ela. - Shhh... Tá tudo bem. ****** Ele foi paciente. E provavelmente passaria a noite ali. Já passava das duas da manhã quando me acalmei por completo. James havia ficado umas boas horas me abraçando, sem reclamar, sem dizer uma palavra sequer. Estávamos deitado no chase do sofá, em meio as cobertas. Minha cabeça ainda estava apoiada em seu peito e seus braços em volta de mim. Sentia a proteção que nunca havia tido por parte dela quando precisei. - Você acha que está pronta? - perguntou baixinho. Arrepiei-me instantaneamente. - Pra quê? - respondi no mesmo volume. - Pra me contar sobre o que sua mãe estava falando. - ele respondeu sério. Mordi o lábio inferior. Não teria escapatória. Teria que contar. Minha história. Aquela baboseira de sofrimento e medo. O meu medo. A minha vida. À James.
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