Stage Lovers


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7. Eu Te Amo

Eu não os via mais. Já era quarta-feira. Nosso dia. 

A sala do apartamento estava a maior bagunça. Até que eu vinha conseguindo superar os acontecimentos. Deixando algumas coisas de lado, levando dia a dia. Minha cabeça começava a ameaçar parar de fundionar toda vez que olhava em volta. A quantidade de papéis era incrivelmente assustadora. Descansei o braço sobre o violão por um minuto. Liz bufava exageradamente, até fazer um biquinho engraçado. Pelo o que eu sabia, Casey não tinha contado absolutamente nada. 

- Você sabe que só temos algumas horas, não é?

Eu sabia. Algumas horas até nosso show. E não tínhamos uma setlist preparada! A sorte era que não usaríamos os instrumentos hoje, apenas o violão. Foco, Natalie. Aquilo deveria ser tão fácil. Eram apenas covers! 

- Tá, legal. Que tal a gente abrir com...Heart Attack?

- Demi?

- Aham. A gente já tem um arranjo montado. 

Um estalo de dedos e as ideias de Liz começaram a surgir. Depois de uns trinta e cinco minutos, tínhamos a setlist. Heart Attack, Troublemaker, Stay, I Knew You Were Trouble, California King Bed e fecharíamos com Bad For Me. 

Feito.

Quando terminamos de ensaiar, Liz jogou as folhas para o ar.

- Isso é um milagre! E olha só, ainda temos umas horinhas!!

Ela estava tão animada quando pegou o celular. Sabia para quem iria ligar. Claro, eu não podia falar nada sobre James, senão teria de contar a história inteira. E, mais uma vez, não era eu quem deveria fazer aquilo. 

- Adivinha! Eles estão vindo pra cá!

Mas que ótimo. Fiz força para não deixar transparecer que estava nervosa ou algo assim.  

- Ah, eles vão com a gente? - perguntei insegura se queria mesmo saber a resposta.

- É claro! Eles são os "contatos", entendeu? - arqueou a sobrancelha.

Comecei a recolher os papéis todos rabiscados. Eu tinha mostrado algumas ideias de músicas originais pra Liz, mas ela estava com tanta ansiedade que mal conseguiu se concentrar para ajudar a terminar alguma. Eu estava meio cansada. Depois daquela madrugada, não me restara tanto tempo para dormir, então meus olhos estavam quase se fechando.

- Eles devem estar chegando, vamos descer?

- Vai na frente. Eu vou com meu carro mais tarde. - dei um sorrisinho para sustentar o que dizia.

Liz respirou fundo, como que sem paciência.

- Tá bom. - pegou a bolsa - Sem atrasos. 

Saiu.

E toda aquela bagunça ficou para mim. Mas que beleza. Coloquei o violão de volta na capa enquanto o notebook ligava. Apenas coloquei a playlist para tocar e voltei a recolher os papéis. Doce ironia do destino. Fingi não sentir o arrepio quando Run começou a tocar. É só uma música, disse para mim mesma. Então comecei a cantar junto, era automático. 

Even if you can not hear my voice / I'll be right beside you DEAAAAAAaaAAAAR!

Poxa. O tempo passou tão rápido! Finalmente minha sala estava reconhecível, exatamente como estava antes da bagunça. Joguei-me de volta no sofá e bufei. Ok. O que mais eu poderia fazer para matar um tempo? Mente vazia.... logo comecei a relembrar coisas, indagar coisas. Com tudo o que aconteceu, mal tive tempo de pensar o quanto fiz mal em ficar quieta sobre aquela... coisa ter transado com o Jaden só pra impedir que o contrato saísse. Por que ela fez aquilo? Eu mal a conhecia! Então a pergunta surgiu do nada. Não era bem uma pergunta. Era a dúvida de como meus pais estavam. Será que eles estavam bem? Será que pensavam em mim?

Será que ainda me amavam?

*****

O restaurante estava cheio. Não era bem um restaurante, estava mais para um bar misturado com casa de show. Fui passando por entre as pessoas, tomando cuidado para não esbarrar o violão pendurado me minhas costas. Entrei no camarim, atrás do palco e deparei-me com Liz retocando a maquiagem no espelho e Chris, Barclay e Tom sentados no sofá. Casey não estava lá. E nem sinal de James também. Eu me sentia aliviada, mas ainda assim, desapontada. Queria poder sentir só tranquilidade por não ter de lidar com nenhum dos dois por ali. Mas não conseguia. E nenhum dos três que estavam lá fizeram contato visual. Hum. 

Liz iria se apresentar vestindo aquela calça de couro preto de cós-alto e um top vermelho chamativo. Invejava as ondas que os cabelos loiros dela faziam. Naturalmente,claro. Eu estava com uma calça jean preta, uma blusa branca por baixo de uma jaqueta jean azul e um salto médio. Quase na hora.

Tirei o violão da capa e me sentei no sofá o mais longe possível deles. Examinei corda por corda para me certificar pela centésima vez de que todas estava afinadas. Ninguém pronunciou uma plavra sequer. Sabia que Liz estaria nervosa demais para falar. E eu também.

E hoje temos duas garotas extremamente talentosas! É a primeira vez delas aqui, então vamos dar boas-vindas às meninas: Natalie Sanders e Liz Howe!

Senti o frio na barriga triplicando, quadruplicando.... Meu Deus. Era agora. Liz veio ao meu lado, estávamos prontas para entrar.

- Boa sorte. - eles disseram em coro.

Sorri de volta e dirigi meu olhar para o palco à frente. Uma última troca de olhares com Liz e sua boca se movimentou num "vamos arrasar". E entramos no palco, ouvindo as palmas e os gritos misturados à adrenalina que corria em minhas veias.

Esqueci de todos os problemas e vivi o momento. Esse era só o começo.

*****

- Muito obrigada, pessoal! Obrigada a cada de vocês por nos darem essa chance incrível! Obrigada!

- Amo vocês! Tchau! - Liz acenou e correu atrás de mim, palco a fora.

Ai meu Deus. Era tanta coisa que eu tentava sentir, não conseguia pensar direito. O êxtase do momento tomava conta de mim. Aquilo estava mesmo acontecendo! AH! A mão de Liz estava tão gelada quando pegou no meu pulso que levei um susto.

- Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu Deus! Isso é real. isso é real!!

- EI! Vocês foram demais! - Tom disse alegre, vindo nos abraçar.

- Obrigada!

O sorriso de Liz era enorme! Acho que o meu também acabou sendo. Meu coração estava tão alegre! Só tinha ainda mais certeza de que era aquilo que eu queria fazer, era para aquilo que eu tinha nascido. Tudo iria dar certo!

Quando me dei conta, estávamos todos nos abraçando naquele momento emocional. Céus, eu não iria chorar! 

- A gente devia sair para comemorar! O que acham?

- Eu topo! Estou tão feliz que topo qualquer coisa!

Cutuquei Liz.

- Ei! Não é assim que se fala! - rimos.

- Ótimo, que tal a gente ir pra um outro bar? Estou morrendo de fome! - Barclay sugeriu.

- Por mim está ótimo! - Liz respondeu levantando as mãos.

Começamos a recolher as coisas. Os meninos foram na frente enquanto eu pegava o violão. 

- Hoje foi apenas a primeira vez que fazemos isso, você sabe, não sabe?

Liz parou diante de mim. Ela tinha esperança nos olhos. Aquilo me deu um suporte enorme. Saber que tenho Liz ao meu lado, que não estava sozinha nesse sonho... me fazia mais forte. Concordei com a cabeça.

- Ainda faremos isso por um longo tempo! Você vai ver!

Puxei-a para um abraço. Esperava que casey contasse logo a verdade. Ficamos um bom tempo naquele abraço, sendo que meu celular interrompeu o momento.

- Você vem?

- Pode ir, acho que eu vou pra casa. - respondi sorrindo.

E dei uma risada quando Liz revirou os olhos sabendo que aquilo não era novidade, e deu um tchau.

- Alô? - atendi a chamada.

- Você foi ótima hoje. 

James. 

Se o violão não estivesse pendurado nas minhas costas, com certeza teria caído no chão. Aquilo não era possível. Ele esteve aqui?

- Obrigada.

- Tenho uma coisa pra você. 

- O quê?

Ouvi sua respiração acelerar um pouco. Quase sorri com aquilo. Eu teria, se não estivesse nervosa demais. 

- Abra a porta.

Porta? Olhei ao redor. Havia apenas uma. Provavelmente ela dava para os fundos da casa de show. Meu coração começava a bater contra meu peito. Minha cabeça me dizia "não abra", mas eu não ligava. Abri.

Minha visão se embaçou quando a figurava de James se formou na minha frente. Ah, Deus! Ele desligava o celular enquanto sua mão livre segurava um buquê de flores vermelhas. Eu não era do tipo que gostava de flores, mas o gesto parecia tão...certo. James estava ali. Não era isso que eu queria até uns dias atrás? Ele estava ali, diante de mim. Mas minha mente me forçava a lembrar do que eu tinha feito. Daquele beijo. Daquele maldito beijo e das palavras que Casey tinha me dito. Não, não, não! Era James quem eu queria. 

- James! - tentei gritar, mas apenas um sussurro saiu.

- Eu sinto muito pelo o que eu fiz, sinto muito que tenha te magoado tanto. Você tem que saber que, honestamente, eu não acreditava em amor à primeira vista, mas aí você entrou na minha vida. Natalie, eu não quero te perder. 

Eu pensava no que responder. Tentava procurar as palavras certas, mas nenhuma apareceu em minha mente. Nenhuma que transmitisse o que eu estava sentindo. Então tudo o que eu disse foi:

- Eu também não. 

E me joguei nos seus braços. Meu Deus, como eu senti falta daquele abraço. Seus braços me apertando contra ele, sentia seu toque nas minhas costas. O perfume. A jaqueta. Eu senti falta de tudo aquilo. A mão que James segurava o buquê estava nas minhas costas. Àquela altura eu nem me importava com as flores. Inclinei-me para trás e fiquei nas pontas dos pés.

Senti falta daquele rosto perto do meu. Ele sorria com os olhos fechados, a testa apoiada na minha. Dessa vez eu mesma tomei a iniciativa e selei nossos lábios. Sentia o calor que produzíamos quando estávamos juntos. A língua dele já tocando a minha, levando aquele beijo à uma intensidade ainda maior. Minha mão estava em sua nuca, tocando seus cabelos com as pontas dos dedos enquanto as dele se encarregavam de manter meu corpo o mais próximo possível do dele. Os movimentos de nossas bocas eram precisos e urgentes. Ele tinha aquele efeito sobre mim. E eu já me via sem fôlego.

- Eu senti tanto sua falta... - disse entre um selinho e uma respirada.

- Você não faz ideia. - ele completou. 

Voltamos a eliminar a distância entre nossos lábios, aquilo ficando cada vez mais intenso e minha noite já estava feita. Eu não poderia pedir nada melhor que aquilo.

Talvez fosse uma prova de que não conseguiria ficar longe dele. Sorri com a ideia. James aproveitou e desceu a boca para meu pescoço, causando um frio na minha barriga. Eu sentia seu lábios molhados no meu pescoço, a língua... Ele estava... ele estava dando chupões. Por mais que eu estivesse insegura ou curiosa sobre até onde íriamos, permiti-me fechar os olhos e tombar a cabeça levemente para trás. Soltei alguns gemidos baixos. Afinal, aquilo era mesmo bom como todos diziam. Não conseguia nem ligar para o fato de que poderíamos ser pegos, ao contrário, a possibilidade só me fazia querer mais. 

- James... - gemi mordendo o lábio inferior por dentro.

Ele não respondeu. Apenas voltou a me beijar na boca. Enquanto o fazíamos, empurrei ele levemente para trás e fechei a porta atrás de mim. O lado de fora era bem pequeno, tinha apenas uma porta de ferro que daria para o beco, nas ruas. Estávamos sozinhos. Meu coração batendo rápido. 

James me encostou na parede, ainda segurando minha cintura. Quase ri quando reparei que o buquê já estava no chão. A mão de James subia pelo meu braço, causando arrepios no meu corpo inteiro. Ele estava me deixando louca. Eu não era assim! A mão chegou ao meu pescoço e continuou até segurar meus cabelos. Desceu o beijo de volta para o pescoço. Gemi de ansiedade por sentir aquilo de novo. Nãoconsegui me seguravar e entrelacei meus dedos nos cabelos dele também. Uh-oh. Aquilo seria um sinal pra ele continuar? 

Mas sabia que devia parar.

Eu queria mesmo que parasse?

Não.Essa era a resposta.Mas sabia que era a errada.

Você acha normal beijar o Casey e logo depois voltar pro James? Você tem sérios problemas!

Afastei-o superficialmente. Dei um beijo em seus lábios e aumentei um pouco a distância entre nós dois. Sorri. Ambos estávamos com a respiração descontrolada, tomados pela excitação e adrenalina. 

- Eu te amo. - susurrou.

- É, eu também te amo. - respondi ainda mais baixo, sorrindo.

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