Stage Lovers


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11. Dia de Aceitação

 

Acordei no dia seguinte com o celular fazendo um estrondo em cima da mesinha. Eram quase dez horas, muito cedo. 

A palavras do papel do X Factor ainda eram nítidas na minha mente, como se tivessem sido gravadas à fogo ali. No final das contas, eu havia me conformado.  Liz não cantaria mais comigo, sequer olharia na minha cara de novo. E eu estava aceitando o fato. O desânimo dentro de mim só crescia. Se pudesse saber como isso acabaria antes de me envolver com toda essa história... Eu estava me acabando, por vontade própria, por simplesmente focar em cada um dos problemas e permitir que me arrastassem para o fundo do poço. Tinha que fazer alguma coisa, e só de pensar nisso me dava preguiça.

 Mas é claro, teria que tomar as rédeas da minha vida - ou o que restava dela - se quisesse seguir em frente. Estou considerando deixar Liz no passado? Mesmo

A primeira coisa que fiz depois de me arrumar, o mais lentamente possível, foi ligar para Jason. Avisaria que não faríamos mais nenhum show por lá. Demorei alguns anos para convencê-lo de estava tomando a decisão certa, e eu estava mesmo. Ou apenas me forçava a acreditar que estava. Coloquei o celular em cima do balcão da cozinha e iniciei uma busca que levou à 15 minutos de arrumação na geladeira. Eu não tinha nada que matasse minha fome, o que me fez olhar, automaticamente, para as roupas largas penduradas no meu corpo. Oh, céus. Começaria o drama. Há quanto eu não comia?! Eu tinha meus princípios e com certeza estar abaixo do peso normal não era um deles. 

Peguei as chaves e me coloquei em direção à qualquer lugar que pudesse comer. É incrível como meus movimentos me levaram justo àquele café-bistrô que fui na primeira vez que saí com James. Por ironia, ou talvez nem tanta assim, James me ligou enquanto esperava meus três croissants chegarem acompanhados de um copo grande de latte. 

- Está melhor?

- Acho que não. Em todo caso, estou tentando sobreviver à fome. - ele riu em resposta.

- Aproveitando... Você esqueceu seu violão lá em casa. 

Esqueci? .... Ah, meu Deus! Esqueci! Então teria que adiar um pouco minha volta para casa... 

- Daqui uns minutos estou aí para buscar ele, algum problema?        

- Ahm... não, não. Eu estou voltando pra Essex, mas acho que alguns dos meninos estão no apartamento.

Congelei meu sorriso em agradecimento ao garçom naquele instante. Do que ele estava falando? Pensar na distância que teria dele me causou uma sensação ruim.

- Mas o quê? Por quê, James?

- Problemas de família, sabe como é.

Na verdade, não, não sei.

- E a turnê? - perguntei como se aquilo pudesse impedir que ele fosse.

- É só um dia, dois no máximo. Volto logo. 

Respirei fundo tentando aceitar o fato. Olhei para o prato de massa e senti minha barriga roncando desesperadamente. Eu não era assim. Sabia que eu seria mais do tipo, "tudo bem, volte logo", mas como eu venho aprendendo... O amor pode mudar as pessoas. E os problemas da vida também.

- Vou sentir sua falta. - disse baixinho.

- Eu também. - ele respondeu.

Então era isso. De algum jeito tentei colocar a comida na boca, mastigar e engolir, tremendo esforço. Apressei-me em chegar ao apartamento dos meninos. Quanto mais cedo pegasse o violão, mais cedo voltaria para casa. Assim que coloquei o pé na calçada e meus olhos percorreram a rua, senti meu coração parar. O céu mandava uma chuva tão forte que me perguntava se james tinha tanto efeito sobre mim a ponto de eu não ter nem percebido aquele estrondo. E...onde estava meu carro?

Lembrava-me exatamente de onde havia estacionado, mas ele simplesmente não estava ali! Ele tinha um rastreador, então minha mão rapidamente desbloqueou a tela do celular e fói aí que vi a mensagem. A companhia havia guinchado meu carro! aquilo só podia ser brincadeira. Será que eu devia desistir de tudo isso de uma vez por todas e me deixar ser levada pela correnteza do azar? Merda, merda, merda. Eu havia esquecido de pagar a vaga. teria que esperar o prazo de alguns meses até poder pegá-lo de volta, o que claro, não seria nenhum problema já que aquele era o único carro que eu tinha!

Olhei de novo para a rua molhada. Então, tá. Coloquei o celular dentro da bolsa e me certifiquei de que ela estava totalmente fechada. Coloquei o gorro do moleton e saí caminhando pela calçada.

Talvez eu morresse de hipotermia. 

Mas não.

Assim que cheguei no prédio, suubi correndo e bati algumas vezes na porta. Velho hábito. Novo nervosismo. Eu estava completamente encharcada! 

Eu esperava mesmo que fosse Casey? E se fosse isso que esperava, era porque exigiria explicações sobre o que tinha dito exatamente para Liz ou porque....

Maldição.

De sete pessoas que poderiam abrir a porta, de sete, justo ele o faz.

A expressão de Casey é meio confusa. Surpresa, alívio, vergonha, talvez? Engoli em seco.

- Ahm, é... Eu vim buscar meu violão. - tentei esconder a voz trêmula usando um tom de tédio.

- Ah, claro. - murmurou e fastou-se da porta.

Não foi bem um "afastamento", ele ainda estava próximo o suficiente para que eu sentisse seu calor se passasse pela porta. Meus olhos inevitavelmente procuravam mais alguém por ali... sem sucesso. Casey olhava para mim, como se perguntasse se eu não iria entrar.

- Você se importaria de pegar pra mim? Eu meio que estou...molhada.

Seus olhos me olhavam de um jeito... ele se assustou com a pergunta, como se finalmente tivesse saído do transe.

- Não tem problema, aliás, você deve entrar. 

 O jeito que ele disse aquilo soou tão estranho que fiquei ali, parada, como se meus pés tivessem sido colados no chão.

- Quer dizer, não vou deixar você aí, toda molhada.

Arqueei a sobrancelha. Não era tão lerda para não enxergar o duplo sentido da frase. Casey ficou vermelho quando entendeu a situação.

- N-não! - bufou desajeitado.

- Eu entendi.

Sorri. Sorri? Pare de sorrir!, lembrei a mim mesma.  Fechei o sorriso.

- É sério, Natalie. Você vai acabar pegando uma gripe ou sei lá o que. - falou sério e abriu um pouco mais a porta.

Ok. Se aquilo fosse qualquer armação ou coisa pior, eu estava caindo. Tudo por culpa da minha falta de ser menos educada. Entrei no apartamento, rapidamente me sentindo pequena e indefesa... e eu sequer sabia por quê. Estava encolhida ali, com medo de me mexer e molhar a casa inteira.

Casey se apressou e desapareceu no corredor. Fiquei ali esperando que voltasse com o violão e eu pudesse voltar para o meu apartamento. Mas em vez disso, Casey voltou com uma toalha na mão direita e outra coisa branca na esquerda. Ele estendeu a toalha para mim e esperou que eu a pegasse para segurar o outro tecido com as duas mãos, agora livres. Não vou mentir, eu estava com vergonha de me secar na frente dele. Claro que não iria tirar a roupa nem nada, mas mesmo assim. Limpei o rosto.

- Se você quiser.... - Casey apontava para o corredor.

Um banheiro.

- Ah, tá. Claro.

Fui até o banheiro o mais rápido que pude e fechei a porta atrás de mim. Tudo bem, eu dizia a mim mesma apoiada na pia. Estou sozinha com o Casey do outro lado da porta. E eu estou toda molhada por causa dessa maldita chuva e sem um carro. Mas que ótimo, obrigada mente por esquecer o violão.

Tirei o moleton mais grosso e, em seguida, o suéter. Encarava meu sutiã branco no espelho. Meu Deus, como eu sou feia. Não era lá um pensamento comum, mas eu estava tão diferente. Talvez os últimos dias realmente tinham me desgastado: as olheiras estavam mais visíveis do que o normal, meu rosto em geral parecia cansado.  

Peguei as roupas e comecei a torcer na pia, a calça pesando nas minhas pernas. 

- Natalie, eu esqueci de te dar a....

Arregalei os olhos quando a voz de Casey preencheu o banheiro. Rapidamente me virei e o vi parado na porta. Estava olhando para mim. Peguei a toalha o mais rápido que pude e a coloquei na frente para que ele não me visse. Mas era óbvio que ele estava imaginando como eu seria sem o... Deixa pra lá.

- O que você tá fazendo?? - perguntei indignada.

- Desculpa, eu pensei... Eu não pensei que você...

Ele estava enrolando as palavras? Ha, tá bom. Casey? Casey desconfortável com uma situação dessas?

De alguma forma, deixei que ficássema daquele jeito. Ele segurando alguma coisa branca, olhando para mim. E eu na frente dele, só com a toalha bloqueando a visão dos meus seios. Eu não queria admitir, mas sabia que ele causava alguma coisa. Deus, por que, por que eu não conseguia simplesmente odiá-lo de verdade? Depois de tudo o que ele fez, do que ele causou na minha vida. Eu não conseguia odiá-lo! Sem dúvida, havia alguma coisa. Lembrei-me daquela vez em que ele me disse toda aquela baboseira de gostar de mim. Não era verdade, eu insistia, ele estava com a Betsy. Essa era a verdade. E tinha acabado com a vida da Liz. Outra verdade. E eu estava com vontade de tocá-lo, de sentir ele. Outro fato que eu estava aceitando naquele dia? Precisava marcar a data no meu calendário: dia da aceitação. 

Casey piscou algumas vezes e em seguida estendeu o pano branco para mim.

- Pode usar. Acho que cabe em você.

Peguei o pedaço de tecido, que percebi ser uma camisa social branca. Não disse nada. Também não sei de onde tirei forças ou coragem para me virar de costas para ele e soltar a toalha no chão. Sabia que ele olhava, minhas costas queimavam. Coloquei a blusa, e claro, ficou extremamente grande em mim, mas dava para cobrir tudo. Desabotoei a calça jeans molhada e a tirei. Juntei o cabelo em um lado do pescoço e me virei de novo, recolhendo as roupas e colocando em cima da pia. Olhei para ele.

Sua testa estava franzida, mas seu olhar não estava nem um pouco hesitante. Eles queimavam desejo. Aquilo parecia ser contagioso, eu sentia aquilo também, vontade, desejo. E meu coração queria ainda mais.

Encolhi-me dentro da camisa larga e segurei sua nuca assim que ele veio até mim, me segurando pela cintura, seus lábios alcançando os meus. A respiração dele já estava ofegante, assim como a minha. Senti a mão dele descendo da cintura para meu quadril, pressionando meu corpo contra o dele. Eu estava fria por causa da chuva, totalmente o oposto de Casey, que estava quente por baixo das roupas. Ele sem dúvidas tinha uma chama. Tremi ao pensar que seria que quem estava a acendendo. Mas não consegui parar. 

Minhas duas mãos estavam no cabelo dele, entrelando meus dedos nos fios, sem querer a distância. Casey alternava uma mão no meu pescoço e a outra puxando meus cabelos. Aquilo definitivamente estava me deixando louca.

- Não - sussurrei com os lábios roçando nos dele - Você sabe que não consigo resistir.

Fraca. Eu era fraca. Acabara de admitir que ele conseguia ter um efeito maior do que imaginava sobre mim. E eu estava lúcida. Casey sorriu.

- Então não resista.

Foi tudo o que ele disse antes de me constar na parede e descer os beijos para meu pescoço. Ele sabia exatamente como excitar alguém. As pontas dos dedos deles tocavam minha barriga sob o tecido da blusa que acabara de colocar. Mas o toque não parou, continuou descendo até a onde a camisa terminava, no meio da minha coxa. Ele a agarrou, olhando para mim. E puxou a camisa. Meu corpo obedeceu e como se numa sintonia, levantei os braços, permitindo que ele tirasse a roupa.

O beijei, dando leves mordidas no lábio inferior dele. Mas Casey se afastou. E olhou para mim. Para meu corpo. Ao contrário do que pensei, não senti vergonha. Senti apenas vontade. Vontade de continuar, de interromper essa distância.

Então ele lambeu os lábios. E eu não me segurei, puxei seu braço para mim e lancei-me em seu pescoço. Casey apoiava os braços na parede e eu estava presa entre eles, chupando seu pescoço. Ele estava encurvado sobre mim, o rosto tocando levemente minha cabeça, gemendo. Ouvi ele xingar. 

- Eu sei que você quer, Natalie, vamos lá. - ele sussurrava, me incentivando. 

Olhei para ele. Tão ofegante e sua mão quente apertando minha cintura.

- Faça o que você quer, Casey. - sussurrei de volta.

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