Stage Lovers


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3. Contratos

 

Eu estava deitada na minha cama, à noite. Minha mente insistia em ficar relembrando a sensação do toque de James. Eu não podia fazer aquilo. Sabia que não queria. Achava errado Liz ficar se "socializando" com aqueles caras que nem conhecia direito. Então eu não tinha o direito de ficar correndo atrás de um deles, certo?

Fiquei me revirando na cama, mas não consegui dormir. Eu deveria estar morta de cansaço. Tudo bem, talvez isso fosse exagero, mas devia estar no mínimo muito cansada. Levamos o dia todo para gravar nossa música. Tudo culpa das risadas. Se não eu rindo, era Liz. Tudo errado. Nossa música. Era nisso que eu tinha que focar. Se Bad For Me fosse aprovada pela gravadora, então teríamos nosso contrato!! Era minha chance. Contrato. Espera.

- Vou sair com os meninos na sexta. Vamos passar num bar pra comemorar nosso contrato com a gravadora. Casey convidou Liz e ela aceitou.

Ele tinha dito contrato. Eu não acreditava que aquela banda tinha conseguido um contrato! Como eu fui burra! Eu nem sequer parabenizei James pelo feito. Mais uma coisa que me levaria a ter que falar com ele. Isso acontecia de propósito ou era só coincidência? O que estava acontecendo com a minha vida?

Enterrei a cabeça no travesseiro. Tentava pensar em outras coisas, mas tudo era em vão. Eu ficava lembrando daquela cena. O toque. O cheiro. O beijo. Infelizmente adormeci pensando nele.

*****

Não tinha nenhum compromisso na quinta. Foi a primeira coisa que me veio a cabeça quando acordei.

Fazer alguma coisa com Liz ou jogar o dia fora? Não conseguia me decidir. Iria ver Liz na sexta. Claro. Ela iria. Com aqueles...Tudo bem, tudo bem. Eu estava sendo ridícula.

Joguei o cobertor para o lado e fiz minha rotina das últimas semanas. Nada animador. Teria que voltar a procurar barzinhos para agendar alguma coisa se quisesse continuar morando no meu pequeno apartamento. Talvez eu devesse aceitar e ir morar com Liz. Ela pelo menos tem pais que apoiam a carreira dela. Senti um aperto no coração. Eu sei, eu sei. Já deveria ter me acostumado com essa vida que tinha agora. Era o que tinha pra mim. Não podia deixar as mágoas do passado assombrarem meu futuro. eu tinha que lutar, seguir em frente. E era o que eu faria. Era o que estava fazendo. Não era?

Eu estava colocando leite na minha xícara quando ouvi o toque de mensagem do celular. Meus dedos ágeis rapidamente fizeram a mensagem aparecer na tela. BUM! Foi o suficiente para fazer mer coração acelerar.

"Sexta cancelada. Desculpe. Ainda quer sair comigo?"

Chequei o nome salvo para aquele número umas quinze vezes antes de piscar. Não saberia dizer o que sentia. Alegria? Desapontamento? Vontade de simplesmente digitar aquele "sim, eu adoraria" e apertar "enviar"? Sim. NÃO.

Não vou mentir dizendo que não estava curiosa para saber o motivo de cancelarem a noite de sexta. Eles tinham de comemorar, não tinham?

Meu polegar pairava sobre a telinha brilhante. Indeciso. Bufei. Por que isso era tão difícil? Eu nem o conhecia direito, deveria ser fácil dar um fora, mas, obviamente, não era. Deixei meu corpo guiar meus movimentos. Mordi o lábio inferior com muita força quando o "S" apareceu no corpo da mensagem.

"Sim, eu adoraria. O que vamos fazer?"

Eu não sabia por que ele estava querendo sair comigo. Nem conversamos direito e isso me deixava apreensiva. Ele podia pensar que simplesmente tinha gostado de mim de cara. Talvez se ele dissesse isso em voz alta eu morresse. Eu estava mesmo admitindo para mim mesma que iria dar uma chance a ele?

Estava pegando um ovo na geladeira enquanto esperava a resposta de James. A vista que eu tinha da janela não era muito animadora para uma quinta livre. O céu estava um pouco nublado. Dava para ver uns raios de sol, mas eram muito fracos. Pelo menos não estava tão frio. Ligação. Acho que eu estava ficando cega. James estava me ligando? Autocontrole, Natalie, autocontrole.

- Você não podia simplesmente ter respondido minha mensagem?

- Mas eu estou respondendo! Com uma ligação.

Engraçado.

- Ha. Ha. Ha. Então agora que ligou, já pode me dizer o que vamos fazer na sexta à noite? Não estou mesmo a fim de ficar em casa, já estou morrendo nessa quinta!

Eu estava agindo como se o conhecesse há anos. Mas não. Fazia menos de uma semana. Eu sabia que deveria cortar qualquer relação com ele, mas eu sabia que não queria fazer isso. E não iria. Talvez não tão cedo.

- Hum, então deveríamos fazer alguma coisa hoje.

- Por que não cancelaram sexta à noite? Vocês não iriam comemorar o contrato? - soltei sem querer.

Minha curiosidade estava me comendo por dentro. Eu tinha de perguntar. Era caso de vida ou morte. Rá.

Ele demorou um segundo para responder. 

- Íamos. Não posso falar sobre isso agora. Passo aí daqui meia hora. 

Desligou. Ele estava falando sério? Era assim? Tão... direto.

Pensar em deixar ele entrar na minha vida me deixava nervosa. Pensar em deixá-lo passar, sem ao menos tentar descobrir o que poderia ter acontecido me deixava pior ainda. Talvez ele fosse fosse diferente de.... Qual é, aquele idiota não. Não. Não iria pensar nele. Tinha prometido e até levei a promessa bem a sério, convencendo inclusive a mim mesma que nunca tinha namorado antes. Porque, claro, aquilo não foi um namoro. 

Então James viria logo de manhã. Ele queria o quê? Passar o dia inteiro comigo? No fundo esperava que sim. SHHH!

Preparei meu café da manhã o mais rápido que pude e comi tudo em sete minutos. A culpa não seria minha se eu passasse mal mais tarde. Subi para me trocar. O bonitão nem tinha me dito aonde iríamos, então eu não sabia se tinha que usar um tipo de roupa especial ou.... Não esquente, disse para mim mesma. É só... o quê? Um encontro? Ri alto. Até semana passada eu sentia enjoos s[o d eouvir Liz falando sobre garotos e agora eu estava correndo atrás de um. E - Deus, como eu queria que ele não fosse famoso - ele ainda por cima, era um cantor. 

Vesti um jeans cinza, um suéter liso da mesma cor, porém mais escuro, de lã e amarrei os cadarços do par de coturnos. Baguncei de leve o cabelo e coloquei minha beanie, minha boa e velha beanie preta. Em pouco tempo estava correndo para a porta. Peguei minha bolsa e pendurei no ombro enquanto abria a porta de madeira do apartamento, com o coração parecendo que ia atravessar o peito e cair fora. O vento que entrou quando puxei a maçaneta estava carregado do perfume familiar de James. 

- Oi! - foi tudo o que consegui dizer.

Abri um sorrisinho. Ele não retribuiu. Murchei. 

- Pronta?

- Acho que... sim. É, é. Estou pronta. - disse piscando, tique-nervoso, enquanto trancava a porta atrás de mim. - Aonde vamos? Você ainda não me respondeu e eu não sabia o que vestir já que...

- Wow, vai calma.... Natalie.

Suspirei. Natalie. Natalie. Ele. Sabia. Meu. Nome. Como ele sabia meu nome? Ah é, eu estava saindo com um cara que nem sabia meu nome, pelo menos eu pensava que não sabia. 

Apressei o passo para acompanhá-lo pelo corredor. Não conversamos. Era estranho. Vê-lo ali. Comigo. Fora do estúdio, que fora o único lugar que o tinha visto. No salão principal do prédio, ele parou na porta e a abriu para que eu passasse primeiro. Sorri e saí para a calçada. Me arrepiei toda na hora. Estava mais frio do que eu pensava, e o céu ainda estava nublado. Olhei ao redor. Talvez procurando seu carro. E então virei para trás.

- É por aqui.

Uma das mãos de James estava no bolso da jaqueta de couro preta e a outra apontava o lado esquerdo da rua. Começamos a andar. 

- Você mora num lugar bom.

Não segurei a risada. 

- O quê? É sério? Isso aqui é um fim-de-mundo!

- Não, digo, aqui quase ninguém fica nas ruas. 

Então entendi o que queria dizer. Fãs. Por ali não tinha fãs correndo pelas ruas. Sabia o suficiente para ver que ele já tinha uma boa fanbase. No fundo fiquei feliz por morar por ali, afinal. Uma brisa soprou, me fazendo olhar para o céu ainda nublado. O sol provavelmente nem sairia direito. 

- Então, vai me responder agora aonde vamos? - perguntei enquanto andávamos pela calçada.

James abriu o que parecia ser pelo menos o mínimo de um sorriso qe poderia dar.

- Não é nada demais. Achei que talvez poderíamos conversar.

Concordei com a cabeça. Ele poderia estar me levando pra qualquer lugar, eu não fazia ideia. Durante o percurso, fomos conversando apenas o básico. Informações gerais do tipo, idade, cidade natal, como foi a experiência dele no X Factor.., Ok, talvez nem tão gerais assim.

Dobramos uma esquina deserta e James me conduziu até um pequeno café estilo bristô. Entramos. Vazio. Como era de se esperar. Pegamos uma mesa no fundo, perto da janela.

- Você já veio aqui alguma vez?

Ri fazendo que não com a cabeça. Eu mal saía de casa. 

- Nunca!

James começou a rir também. Aquilo foi algo tão bonito que eu até reduzi minha risada para um sorriso. Eu estava mesmo gostando dele?

- Então, o que nós vamos pedir?

- Ah, sei lá... dá um chute!

- Ok. hum... - ele disse enquanto passeava os olhos pelo cardápio. 

Ele era com uma história que eu estava lendo, me apaixonando aos poucos. E eu havia amado até onde tinha lido.

Pedimos cafés simples. 

- AH! - senti seu olhar rapidamento se voltando da mesa para o meu rosto - Tinha me esquecido....

Então agi antes que minha mente me fizesse congelar onde estava. O abracei. Não foi um abraço completo. A mesa estava meio que atrapalhando, mas o abracei. Aconchegar meu rosto entre o ombro e o pescoço dele parecia tão certo... como se aquilo fosse algo que eu deveria ter feito há anos. Senti meu corpo se arrepiando quando ele retribui e levou suas mãos às minhas costas. Não queria interromper aquele momento. Mas era preciso. Claro.

- Parabéns - disse enquanto voltava a me sentar - pelo contrato com a gravadora!

 - Ah, obrigado... E quanto à você?

- Eu?

- É, conseguiu também?

Um desapontamento surgiu dentro de mim. Era chato dizer que não, embora não tivesse nenhum problema com isso. Além do mais, não iria mentir. 

- Não... ainda não.

Pisquei algumas vezes e olhei para baixo. Para minhas unhas, na verdade. Mania. Não conseguia evitar. 

- Você vai conseguir, tenho certeza.

E então ele colocou a mão sobre dele sobre a minha. Parecia que a madeira fria sob minha mão havia desaparecido. Era incrível o que ele me fazia sentir com um toque tão leve. Senti aquele calorzinho na pele que estava em contato com a dele. Se as tais borboletas no estômago existissem mesmo, eu havia dado um jeito de esconder seu efeito e sorri, meio tímida. 

Um silêncio. Foi tudo o que se seguiu depois. Nós dois apenas olhávamos para nossas mãos. Não sabia de onde havia tirado coragem para movimentar minha mão e entrelaçar os dedos nos dele. Mas sei que havia feito. Eu devia estar parecendo um pimentão, mas não ligava. 

Ele apertou um pouco mais minha mão. Eu teria sorrido feito uma palhaço se a garçonete não tivesse chegado com as duas xícaras de café. O que me deixou com um pouco de vontade de voltar no tempo e me congelar lá. 

James me contou sobre tudo que aconteceu em sua vida desde que entrou no X Factor. Aquilo realmente tinha mudado sua vida. Contou-me sobre a banda e sobre como as fãs vinham dando um suporte incrível. Eu só sorria, imaginando como seria ter fãs assim. Como seria ter pessoas que sorriam só por saber que você existia. Em certos momentos ele até me fazia rir! 

Acho que aquele foi um dos melhores dias que eu já vivi na minha vida. Do tipo que te faz suspirar. Mas o suspiro acabou logo quando nossa caminhada de volta ao meu prédio chegou ao fim. 

- Não precisa se dar ao trabalho de me levar até a minha porta. - disse enquanto abria a porta para o salão principal.

- Como você quiser... - ele deu de ombros e sorriu de leve.

- Adorei ter saído com você... James.

- Eu também.

E dessa vez foi ele quem me puxou para um abraço. E esse, sim, foi completo. Sem nada entre nós para atrapalhar o melhor abraço do mundo. Inspirei fundo o perfume de sua jaqueta, como se assim pudesse fazer o cheiro permanente em minhas narinas.

Aquilo tudo pareceu tão irreal quando caminhava já no corredor do meu andar. Acho que era assim, não era? Estar apaixonada? Hoje eu havia conhecido muito sobre James Graham. E ele talvez tenha conhecido apenas um pouco sobre mim. Mas queria continuar aquela história. Engraçado. O amor realmente nos deixa loucos. Eu estava tão estranha!

Não conseguia pensar em nada. Ficava repassando cada cena do dia na minha mente. 

Abri a porta e entre em casa já com saudade do cheiro da jaqueta de couro de James. Foi como levar um tapa na cara. Ver Liz ali. Com o rosto vermelho. Com as mãos cobrindo o rosto e chorando. Foi um puxão de volta à realidade.

- Liz! O que aconteceu, garota??

Joguei minha bolsa no chão e corri para o sofá. Tive de sacudir seus ombros para que tirasse as mãos do rosto e me olhasse.

- Ai, Natalie....

Ela chorava.

- O que foi? Me conta, o que aconteceu?

Ela passou o punho coberto pela manga da blusa preta de frio para limpar o nariz e então tomou fôlego.

- Não conseguimos o contrato. Fomos rejeitadas.

 

 

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NOTA!
    Gente. Estou dedicando esse capítulo para a senhorita Camila Marques Martins. Sim. Cams foi a primeira pessoa que me obrigou de verdade a postar um capítulo, e olhem que eu estava passando mal - sim, estava com dor de barriga. Ha. Ha. Ha. Muito engraçado. Então, esse capítulo tá aqui mais cedo? Agradeçam à ela! Hahahaha! Te amo muito, minha linda! Só tenho que agradecer pelo apoio enooooooooorme que você vem dando, viu? Um beijo bem grande!

E claro, agradeço MUITÍSSIMO A TODAS VOCÊS que estão lendo até aqui essa fic! Você são demais. Espero que não estejam ficando entediados com a fic! Tenho muitas coisas planjeadas ainda, então por favor continuem aqui comigo!

Amo vocês!

Beijos!

 

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