Um dia especial


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1. Um dia especial

-hoje, aqui pensando, lembro daquele vinte e dois de setembro. No aniversário de algum colega de turma que por mais que eu tente, não consigo lembrar seu nome. Também nunca fui bom em lembrar nomes, apenas datas ou melhor números.

Aquele foi o melhor dos dias, mas o começo dele, não foi lá essas coisas.

Tinha acabado de chegar em casa e preguiçoso do jeito que eu era, pulei no sofá e dormi, quando minha mãe chegou e viu que eu não tinha feito nada do que ela havia me mandado fazer, não esperou desculpas, pegou a cinta de meu pai e eu apenas fechei os olhos. Depois de alguns minutos bem doloridos, minha mãe me mandou para o quarto. Não me sentei, mas fiquei olhando para o teto até me lembrar do aniversário de meu amigo. Sem minha mãe ver, sai de casa correndo e fui para a festa. Entreguei o presente ao aniversariante que é claro, adorou a bola de futebol. Antes de irmos jogar com a bola nova, procurei por Camila e a achei olhando para mim. Sorri para ela e fui jogar. Camila era a única garota por quem todos babavam.

Mais para o final da festa começamos a jogar um jogo no qual, em quem a boca da garrafa parasse, após ser girada, teria que escolher verdade ou desafio. Depois de três ou quarto rodadas caiu em Camila e ela com seu sorriso charmoso escolheu verdade. Me decepcionei imediatamente, pois se ela escolhesse desafio teria que me beijar ou pelo menos beijar alguém. Então escolhendo verdade perguntaram se ela já havia beijado alguém. Ela deu um sorriso olhou para o lado e disse sim. Mesmo sendo mentira, você tem que responder sim. A garrafa girou várias outras vezes e tiveram vários beijos. Mesmo assim continuei com aquele pensamento, que eu iria ter meu primeiro beijo e seria com Camila! Quando alguns de meus amigos já haviam ido embora, fiquei encostado na parede do corredor esperando Camila passar. Até que ela passou por mim e eu a puxei pelo pulso e prendi-a contra a parede. Fechei os olhos e pensei "é agora", mas na hora que minha cabeça chegou perto da dela, demos de encontro e foi aí que eu percebi, Camila tinha conseguido sair e quem havia batido contra mim era sua melhor amiga. Que era a nerd quieta da turma:

-Desculpa. -disse a ela.

-Tudo bem, mas tente não cair na teia de Camila. -disse Alice, a melhor amiga de Camila!

Ela saiu de perto de mim e eu fui para a sala onde vi Camila beijando meu melhor amigo. Decepcionado, saí da sala e fui procurar Alice para agradecê-la pelo conselho. Ela estava na cozinha em um canto com lágrimas pequenas e finas saindo de seus olhos e soluços tão baixos que só os percebi quando me agachei ao lado dela.

-Você está bem? Não achei que tivesse doído tanto a cabeçada. - Disse preocupado.

Ela se jogou em cima de mim e nós caímos no chão da cozinha, mas ninguém viu. Ela se inclinou para me beijar, mas começou a recuar. Então agindo sem pensar direito, eu levantei minha cabeça devagar encaixando meu nariz ao lado do dela e a beijei. O beijo foi lento e um pouco estranho, deixando os dois sem fôlego. Ao pararmos, trocamos olhares e eu enxuguei a última lágrima do rosto dela.

- É Alice, nunca te contei, mas foi assim o dia do nosso primeiro beijo, agora você sabe o que eu senti. Pena que nunca irei saber o que você sentiu. -E fiquei olhando o túmulo na minha frente com apenas uma flor azul. Que eu havia colocado.

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