Ópera (Por: Lan Fernandes)

Ópera

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2. Capítulo 1

Os ventos que tiram algo que amamos são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar... Por isso, não devemos chorar pelo que nos foi tirado, e sim aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre... – Bob Marley

Um ano depois...

Londres; Civic prateado; Sexta-feira; 2:47 da tarde.

Anjo se acomodava no banco do carona, enquanto senhor Alves mantinha seu olhar fixo na estrada. Os fones do iPod se embolavam, apesar disso não o impedir de ouvir Blink no volume máximo. Sua cabeça estava em outro lugar.

Segunda-feira seria o inicio das aulas na polêmica Highgate High School, berço dos alunos mais problemáticos e misteriosos de toda cidade londrina. Anjo gostava da escola. Gostava dos colegas, apesar de não conviver com as pessoas julgadas ‘certas’.

Estava a caminho do aeroporto pra receber a prima brasileira, que não via desde a infância. Ela moraria com eles na casa branca da Oxford Street, conseguindo uma bolsa de estudos pra Highgate School – que podia ser o lar de alunos problemáticos, mas não deixava de ter um ensino exemplar e de abrigar os filhos dos mais ricos empresários da cidade.

Anjo suspirou contra o vidro, vendo o pai estacionar o carro bem a tempo de pegar a garota saindo da sala de embarque. Seu coração acelerou por um momento. ‘Como ela estará?’ perguntou-se, com medo de não reconhecê-la.

O pai fez sinal pra que ele saísse, e os dois seguiram até o lugar de onde saiam os passageiros dos vôos que tinha pousado. Ela com certeza estaria lá.

- Sthefany ! – o pai disse empolgado, abraçando a garota com uma calça de moletom cinza. Anjo não pôde ver seu rosto direito, mas esboçou um sorriso. Talvez ele sentisse mais saudades dela do que imaginava.

- Tio John! Que bom vê-lo. – sua voz era suave. – Anjo! – se desvencilhou dos braços do tio, indo abraçar o primo, que a olhou estático.

- Sal? – disse deixando os lábios entreabertos e sentindo um leve tremor passar pelo corpo.

Aquilo não ia prestar. Ah, se não ia.

Beleza não era o problema da prima. Tinha um rosto angelical um tanto infantilizado, mas atraente ao mesmo tempo. Seu corpo e suas curvas eram proporcionais: Não muito chamativos, mas delicados. Os cabelos mais escuros caíam sobre os ombros, exatamente como a... Evitou pensar o nome.

Droga. Talvez incentivá-la a ir pra Highgate School não tivesse sido a melhor ideia. Talvez não, não tinha sido uma boa ideia.

Esperou que a impressão que sua prima lhe passou tivesse sido apenas pra ele. Rezou mentalmente pra que ninguém percebesse... Ou se lembrasse.

Londres; Cemitério West Norwood; Sexta-feira; 3:15 da tarde.

Colocou o buquê de lírios amarelos em cima da grama, na frente da lápide. Seus olhos já começavam a arder, enquanto se sentava por ali mesmo.

- Ei, Iv. – abraçou os joelhos, dando um suspiro pesado e sentindo o coração bater apertado. – Hoje faz um ano que eu não a vejo. Triste, não? Eu também acho. – o vento batia frio contra os seus cabelos. Ele não se incomodava. – Eu venho pensado muito em você... Todos os dias. Não sei se eu te contei, ontem, mas meu pai viajou pra França. Provavelmente vai passar uns seis meses lá, como da última vez. – encarou o vazio. – Eu comprei um apartamento só pra mim. Nada muito luxuoso. Você iria adorar. Spike sente sua falta também. Ele ainda chora olhando pra porta, achando que em alguma hora você vai entrar por ela. – uma lágrima quente desceu pelo seu olho, seguida de outras. – Eu faço o mesmo. – no momento seguinte, já estava chorando compulsivamente, apesar de ser o que tentava evitar. Mas o cemitério estava vazio, então não teria problema. Ninguém o veria.

Ficou um tempo da mesma forma, lutando contra as lágrimas descontroladas, até que, por fim, o choro cessou. Enxugou os olhos com as costas das mãos, tirando os óculos escuros presos na camisa preta e colocando-os.

Andy levantou-se e foi na direção do Audi A8, estacionado a metros dali.

Londres; Lowden Avenue; Sábado; 1:37 da manhã;

- Wow, wow, gatinho. – Elissa disse embolando a boca, com um copo de bebida na mão. – Calma lá.

- Vamos entrar aqui, Lis. – Augusto disse tão afetado pelo álcool quanto a garota, segurando sua cintura e a pressionando contra a parede. Estavam no meio da festa de confraternização de um dos capitães do time de futebol da escola. A casa estava lotada, apesar de ser bem grande.

Não existia mais nenhum sóbrio no ambiente, e aqueles que não se beijavam como loucos ou utilizavam os quartos e banheiros pra outros fins, estavam vomitando pelos corredores.

- Não sei não, hein. – respondeu emaranhando seus dedos nos cabelos dele.

- Eu sei que você quer isso tanto quanto eu quero. – deu um sorriso tarado, apertando a sua coxa.

- E se eu quiser? – ela mordeu o lábio inferior, fazendo uma cara inocente. Isso o fez desejá-la ainda mais.

Gus juntou seus lábios rápida e intensamente, abrindo abruptamente a porta na qual estavam escorados e jogando a menina pra dentro. Elissa sorriu ao vê-lo fazer isso, já se preocupando em desabotoar a blusa azul xadrez que ele usava.

Gus puxava pra baixo a saia da garota, fazendo-a arrepiar e dar mordidas leves em seu lábio.

Minutos depois o quarto já estava inundado por gemidos e risadas baixas.

Londres; Oxford Street; Sábado; 10:30 da manhã;

- Ai, desculpa acordar só agora. – Sthefany disse chegando à sala com uma camisola curta de mangas compridas.

- Tudo bem, querida. – tio John disse dando um sorriso terno e se levantando. – A viagem deve ter sido cansativa.

- E foi.

- Vou a cozinha preparar algum lanche. Anjo está no quarto de estudos. – dirigiu-se pro lado contrário do que ela, enquanto ela decidia subir as escadas e bater a porta branca do quarto de estudos.

‘Anjo, estudando? Ah, essa é boa. ’ Pensou.

Abriu-a (a porta) devagar, vendo o primo em frente ao computador e segurando um violão. Olhou-a ainda com os olhos um tanto arregalados. Mesma reação que teve no dia anterior.

Sthefany andou devagar e sentou-se em uma cadeira de balanço, na frente do garoto, que acompanhava seus movimentos como se estivesse vendo uma aparição.

- Tudo bem, Anjo. O que foi? – arqueou uma sobrancelha.

- O que foi quando? – fez-se de desentendido, voltando a olhar o violão e a tocar algumas notas.

- Por que está me olhando assim?

- Assim como, Sal? – permaneceu concentrado em seus dedos nas cordas.

- Olha pra mim. – pediu, vendo o primo virar seu olhar devagar em sua direção. - O que eu tenho? Você está me olhando esquisito desde ontem. – colocou o cabelo pra trás da orelha. Podia ser ingênua, mas nunca fora boba.

- Nada. É só que... Você mudou. Muito. – permaneceu olhando pra ela fixamente. Depois chacoalhou a cabeça.

- Eu cresci, bobo. – riu leve. – Você também não é mais o mesmo pirralho.

- É. Eu fiquei gostoso. – balançou os ombros fazendo a garota rir. – Seu inglês é bom.

- Depois de dez anos em um curso, tinha que ser, não é? – sorriu. Anjo sentiu novamente um tremor passar pelo seu corpo, vendo o jeito da garota. – Ai, droga. – olhou o computador. – Será que você pode me deixar mandar um recado pra alguém, rapidinho?

- Claro, a casa é sua. – levantou-se da cadeira na frente da escrivaninha, permitindo que a prima sentasse. – Quem é esse ‘alguém’?

- Meu namorado do Brasil. – ela enrolou o cabelo colocando-o pro lado, enquanto sentava-se e digitava algumas palavras.

- Não sabia que você tinha namorado.

- Há muitas coisas que você ainda não sabe sobre mim, priminho. – mandou um beijo no ar. – Também, é claro. Não nos vemos desde os doze anos...

- Aham. – concordou na cadeira de balanço. – E como está o pessoal lá no Brasil?

- Lindos e fortes. – respondeu sorridente, fazendo-o rir baixo. – Senti sua falta. – comentou.

- Eu também senti a sua, minha baixinha. – Anjo levantou-se abraçando a prima sentada, que o abraçava pela cintura.

Londres; Lowden Avenue; Sábado; 11:02 da manhã;

- Lis? – Gus perguntou sentindo a garganta arder ao falar. Estava deitado na cama de um dos quartos da casa de Bennet, capitão do time de futebol. – Lis? – chamou novamente, levantando a cabeça e abrindo os olhos.

Elissa vestia a calça rapidamente, com as mãos e as pernas trêmulas. Estava sentada do outro lado da cama.

- Lis? O que foi? – Gus escorregou no colchão até aproximar-se dela, preocupado.

- Tire a mão de mim, Wathers. – disse com a voz embargada pelo choro.

- O que aconteceu? Ontem foi tudo tão perfeito... – olhou-a sem entender.

- Ethan aconteceu! – cobriu os olhos molhados com uma das mãos.

- Aquele babaca do time de natação? – juntou as sobrancelhas. – Ele é um idiota, Lis. Você merece coisa muito melhor.

- O quê, por exemplo, Wathers? Você? – deu uma gargalhada em sinal de deboche.

- Qual o problema comigo?

- A gente já tentou uma vez, e viu que não deu certo. – colocava a blusa igualmente apressada. – Você não é cara pra uma só.

- Eu já disse que aquela história da Kim foi um engano... – ele disse se assentado e tentando uma nova aproximação.

- E a fada dos dentes existe. Wathers, conta outra. – começou a colocar os tênis. – Você me trairia com a primeira vagabunda que aparecesse.

- E você acha que o idiota do Ethan faz o quê? – revoltou-se.

- Vai à merda, Gus. – Elissa elevou seu tom de voz, ainda com algumas lágrimas rolando. – Eu vou embora.

Saiu do quarto rapidamente, batendo a porta logo em seguida e deixando o garoto sozinho, sem reação. Augusto colocou as mãos nos cabelos e deu um gemido abafado, sentindo o coração apertar: ‘Como eu fui perder essa garota?’, repetiu a si mesmo mentalmente, várias vezes.

Elissa descia as escadas o mais rápido e silencioso que podia, tentando não acordar nenhuma das pessoas que dormiam pelos cantos. Primeiro porque isso seria desagradável, e segundo porque não queria causar problemas com Ethan. Não mesmo.

Dockland; Londres; Sábado; 2:30 da tarde;

- Bom dia, Bela Adormecida. – o garoto loiro dos olhos verdes dizia abrindo a cortina do apartamento, permitindo que a luz invadisse todo o ambiente.

- Puta que pariu, dude! – Andy balbuciou, tampando o rosto com o travesseiro. – Me deixa em paz.

- O dia já clareou, margarida. – sentou-se na cama, com um sorriso largo estampado no rosto. – Esqueceu do showzinho no Mark’s é?

- O show é hoje? – abriu um dos olhos, dando de cara primeiramente com o cachorro Spike lhe encarando, depois com os olhos verdes de Duan.

- Daqui a seis horas, pra ser mais claro. – olhou o relógio. – Temos que repassar as músicas.

- Me espera lá embaixo então. – Andy sentou-se, coçando a cabeça. Seus olhos estavam pesados, circulados por olheiras.

- Ok, só não demora, seu gay. – Duan disse bem humorado, fazendo com que Andy mostrasse o dedo do meio, antes de fechar a porta.

O garoto se levantou um pouco pálido. Depois de treinar com os The Lumps (sua banda) até as nove horas da noite, tinha afogado as mágoas em copos e copos de cerveja no Pub mais próximo.

Olhou-se no espelho antes de entrar para o chuveiro. A aparência pálida e doente de seu rosto com certeza já tinha se espalhado por todo o corpo. Estava mais magro, também. Tudo desde aquele dia... Aquele maldito dia.

Tomou uma chuveirada rápida enquanto escovava os dentes, se arrumando quase mecanicamente pro ensaio.

Londres; Wimbledon; Sábado; 3:17 da tarde;

- Como foi lá, Cris? – Matt disse vendo a garota sair pela porta branca do hospital. – O que ele disse? – observou a namorada com o olhar baixo e carregado, com o rosto um pouco vermelho.

- Ah, Matt... – ela suspirou pesadamente, abraçando o rapaz.

O médico saiu logo em seguida, fazendo sinal pra ele, como se o cumprimentasse.

- O que foi, meu bem? Qual o diagnóstico? – estava realmente preocupado, enquanto sentia sua blusa molhar devagar, com as lágrimas quentes dela.

- Eu queria me lembrar. Mas eu...

- Ele disse que você não vai recobrar memória? – apertou ainda mais seus braços contra ela.

- As chances são... Difíceis. – soluçou. – Eu não consigo me lembrar de mais nada que aconteceu aquela semana. Eu preciso lembrar...

- Não se force, amor. Talvez seja melhor mesmo você não se lembrar...

- Mateus! – ela disse esganiçado, virando os olhos pra ele. – Você diz isso porque não foi um dos dudes. Imagina você saber a resposta pra tudo e simplesmente não se lembrar...? – voltou a chorar e a encostar a cabeça em seu peito.

- Você não tem certeza se realmente sabe de alguma coisa, Cris... – afagou seus cabelos.

- Eu sinto que sim.

Londres; Oxford Street; Sábado; 6:30 da tarde;

- Sal? – Anjo disse batendo duas vezes a porta do novo quarto da menina.

Ela estava sentada na cama, com o notebook no colo e com fones de ouvido. Vestia uma roupa larga.

- Diga, molengo. – chamou-o pelo apelido de pequeno, fazendo com que ele fizesse careta.

- Tá afim de sair hoje? – encostou o corpo no batente da porta, com um sorriso simpático estampado.

- Ah, que bom que perguntou. – deu um suspiro de alívio. – Acho que eu não ia agüentar passar o sábado em casa. Sou doida pra conhecer a noite londrina. – piscou mais rapidamente, animada.

- Tem um pub aqui perto... Acho que você nunca ouviu falar. – balançou os ombros de leve, analisando a prima de cima a baixo.

- Não, mas topo. – ela tirou os fones de ouvido, apertando um botão no computador desligando-o. – Que horas saímos?

- Lá pelas oito e meia acho que está bom. – olhou o relógio de pulso. – Todo sábado tem apresentação de bandas, e normalmente começa as oito.

- Ótimo. – bateu palminhas. - Agora tchau, molengo. Tenho que me arrumar. – mandou beijinho no ar pro primo, que sorriu ao vê-la fazer isso. Anjo desgrudou do batente da porta e dirigiu-se pra seu próprio quarto.

Londres; Greenwich; Sábado; 7:50 da noite;

Elissa limpou o rosto com a toalha, após tê-lo lavado várias vezes. Não acreditava que tinha dormido com Gus novamente, ainda mais namorando com Ethan.

Morava junto com a amiga Hellen em um pequeno apartamento alugado, e tinha passado a tarde inteira entre choros e sorrisos bobos, sem saber ao certo o que deveria sentir.

Hellen tinha chegando junto com Matt (seu namorado há dois anos), ao apartamento. Estava em prantos por não conseguir se lembrar de nada que se passou aquela semana. Se pelo menos tivesse lhe restado uma imagem, ou uma pista... Mas o acidente não lhe permitiria recobrar a memória. Tudo o que se passava pela sua cabeça quando pensava naquela noite eram faróis acesos e uma buzina alta. Apenas.

- Cris... – Matt chegou oferecendo uma caneca de chocolate quente à garota, que estava sentada no sofá. – Já se passaram várias horas desde a consulta, tente se acalmar.

- Eu sei, amor. Mas tem uma coisa me dizendo que... – ela balançou a cabeça de leve, tentando se livrar do pensamento.

O telefone da sala começou a tocar, Matt pegou-o da escrivaninha.

- Lis, Ethan no telefone! – disse um tom mais alto, mesmo que desnecessário, por causa do tamanho do apartamento.

- Pode deixar que eu atendo aqui. – respondeu. – Ei, Ethan. – Elissa disse com a voz falha, com medo de que o namorado tivesse ficado sabendo de alguma coisa...

- Oi, Lis. – sua voz tranqüila a fez acalmar. – Seguinte, os meninos estão querendo ir no Mark’s assistir ao show de uma banda, queria saber se você quer ir também... – ela sentiu o coração desapertar de repente. Ele não sabia. Nem ia ficar sabendo.

Sentiu os olhos ficarem quentes, e uma vontade repentina de revê-lo.

- Quero sim, Ethan. Que horas vai passar aqui?

Londres; Mark’s; Sábado; 7:55 da noite;

- Olha, bibas, não vão me desapontar. – Josh disse pros outros dois integrantes da banda.

- Claro que não, dude. Quero sair daqui pelo menos com três groupies. – Duan deu um sorriso insinuante, enquanto Andy tentava levantar sua calça dois números maior inutilmente, depois olhando para o lado.

- Falando em groupies... – murmurou, vendo duas garotas se aproximar.

Mark’s era um pub pequeno, apesar de quase sempre comportar muitas pessoas. Tinha várias cadeiras, mesas e um palco baixo de madeira, onde as bandas se apresentavam.

Andy mirava as duas garotas se aproximando: Uma loira com um pequeno short jeans e uma blusa preta colada, deixando a mostra seu piercing no umbigo (Brittany); A outra morena, um pouco mais baixa, com um vestido vinho tão curto quanto (Kimberly).

- E aí, rapazes? – a primeira disse, se apoiando no braço de Andy, que fez pouco caso de sua presença.

- Vieram desejar boa sorte, lindas? – Duan perguntou dando um sorriso torto. Kimberly deu uma risada, apoiando-se em seu ombro assim como Brittany fazia com Andy.

- Toda sorte do mundo. – Brittany aproximou-se mais ainda do rapaz, que não a olhou.

- O mesmo digo eu. – Kimberly virou o rosto de Duan para si, dando-lhe um selinho longo. Andy suspirou irritado.

- Dudes. – o gerente do pub chamou, o local estava começando a encher de pessoas. – Está na hora do show.

- Boa sorte. – Brittany disse. – Espero que tenham um tempinho para nós depois. – fez bico.

- A noite é uma criança. – Josh brincou, dando um sorriso.

O homem já subia ao palco com um microfone. Nesse momento pelo menos dois terços do pub já estava ocupado.

- Boa noite, senhoras e senhores. Essa noite o Mark’s tem o orgulho de apresentar: The Lumps! – os garotos subiram ao palco.

Londres; Mark’s; Sábado; 8:40 da noite;

Anjo entrava de mãos dadas com a prima, para guiá-la no meio das pessoas. Sabia que Markus, o gerente, teria reservado um lugar especial para os dois.

Sthefany observava todas as pessoas com atenção. Queria gravar todos os detalhes possíveis de sua passagem por Londres: O calor do pub, a animação das pessoas, o rock vindo das guitarras e baterias da banda.Usava um vestido azul marinho tomara que caia e um salto alto prateado, enquanto o primo vestia uma blusa verde e calça jeans.

- Anjo, isso é demais! – disse sorrindo, chegando ao balcão onde tinham duas cadeiras vagas, como o esperado pelo menino.

- Você ainda não viu nada, Sal. – sorriu. – Você está conseguindo ver a banda daqui? – a garota levantou um pouco o pescoço, avistando várias cabeças a sua frente e enfim, a banda.

Assentiu, passando os olhos com cuidado em cada integrante. Um em especial lhe chamou a atenção. Sentiu seu coração acelerar ligeiramente.

Durante as duas músicas seguintes, Sthefany bebia seu copo de cerveja observando-o em cada movimento. ‘Eles se conheciam de algum lugar? Quem era ele, afinal?’ Perguntava-se insistentemente.

O garoto tinha ombros largos e a pele um tanto pálida. Possuía as bochechas levemente rosadas e os lábios que seguiam o mesmo tom. Era lindo. E ela o conhecia, tinha certeza...

Desviou o olhar dele alguma vezes, lembrando-se de seu namorado no Brasil, mas algo mais forte a fazia manter o olhar naquela direção.

- Quem é ele? – perguntou pro primo no exato momento em que seus olhares se cruzaram. Sentiu o coração bombear mais fortemente.

Anjo virou-se pra olhar a quem ela se referia.

Andy perdeu o ritmo. Todos os sons que não fossem de seu coração lhe pareciam alheios. Era ela. Mas o que ela estava fazendo ali? Naquele lugar... Naquele dia. Sua vista escureceu por um segundo. Já tinha parado de tocar. Sabia que Josh e Duan se enfureceriam com o seu ato.

Andy sentia um suor gelado brotar em sua pele, seu coração estava disparado, e sua boca seca.

- É ela. – sussurrou pra si mesmo.

A garota encarava-o curiosa, apontando em sua direção e comentando alguma coisa com o rapaz ao lado. Rapaz? Ele o conhecia. Aquele era... Alves! Claro. Da Highgate High School. Mas o que ele estava fazendo com ela?

Andy sussurrou seu nome, largando seu instrumento musical e descendo as pequenas escadas do palco com as pernas trêmulas. As pessoas e os guys assistiam-no estáticas.

Observou Alves segurar a garota pelo pulso, e puxá-la rapidamente em direção a porta do pub, com cara de poucos amigos. Andy tentou se esgueirar entre as pessoas para alcançá-los, vendo-a encará-lo como se o reconhecesse. Claro. Era ela.

- Esp... – sussurrou sentindo a voz falhar. – Espera! – disse mais alto, antes de sentir uma mão agarrar-lhe o ombro.

- O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – Markus berrou.

- Eu preciso... – voltou seu olhar novamente em direção a porta. Eles já tinham saído.

- VOLTE PRA LÁ, AGORA! – disse apontando pro palco, onde Josh e Duan o olhavam com reprovação.

- Hey, Anjo! – Sthefany disse um pouco ofegante. – O que aconteceu?

- Aquele cara, aconteceu! – Anjo respondeu tão ofegante quanto, enquanto seguiam andando no quarteirão do pub.

- Ele fez alguma coisa pra você? – perguntou preocupada.

- Comigo, não. – suas sobrancelhas estavam juntas. – Escuta, Sal. – parou de andar, virando-se pra ela. – Quero que prometa ficar longe dele.

- Mas, Anjo, o que...

- Prometa! – disse um tom mais alto.

- Eu prometo que farei o possível. – sorriu de leve. – Meu molengo preocupadinho. – ele foi contagiado pelo sorriso, ao ver que a prima estava ‘a salvo’.

- Vamos pra casa, baixinha. – abraçou-a pelos ombros.

Continuaram seguindo pela rua até esbarrarem sem querer em outro casal.

- Desculpe-me. – Sal disse olhando pra garota, que arqueou as duas sobrancelhas e arregalou os olhos.

- Você... – ela cochichou. Sthefany achou a ação estranha, voltando a seguir seu caminho com o primo e ignorando-a. – HEY VOCÊ! ESPERA! – ouviu a menina gritar.

- Anjo... Acho que é comigo. – sussurrou.

- Ignore, Sal. – o primo apertou ainda mais a mão no seu ombro direito.

- ESPERA!

- Continue seguindo. – ele parecia nervoso.

- O que está acontecendo, Anjo? – estava confusa, sentindo um frio passar pela espinha.

- Nada com que você precisa se preocupar... – ‘Pelo menos por agora’, completou em pensamento.

Sthefany não tinha uma boa impressão sobre aquilo tudo. Sabia que algo ruim estava por vir, só não previa o quê.

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