Behind Blue Eyes

Talvez fosse mesmo para acontecer, talvez nossa história já tivesse sido escrita mesmo antes, talvez tudo faça parte de um enorme quebra cabeça e talvez eu não devesse passar tanto tempo olhando para os seus olhos. - Ashley

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3. Capítulo três

- O que pensou quando me viu sentado na cozinha hoje? – Perguntou Andy no caminho de volta pra casa

- Que você cresceu ainda mais – Ele sorriu e abaixou a cabeça

- Foi tão rápido, sabe? Em um minuto eu soube que minha mãe tinha sofrido um acidente e em outro meu pai me liga dizendo para que eu arrumasse minhas coisas porque ele já havia comprado passagens pra mim... – Abaixou a cabeça – Nem tive a chance de poder vê-la direito.

- Qual é o estado dela?

- Grave, não acham que ela vá sobreviver. – Ele disse enquanto mexia no cabelo.

- E o que você acha?

- Que eu preciso me acostumar com a vida aqui...

           A velocidade do carro só tendia a diminuir, estava sem forças pra continuar e sentia um enorme desconforto. O ar parecia soprar a tristeza em nossos olhos.

- Ashley? – Andrew chamou e eu virei pra ele por um breve momento – Você está pálida... Quero dizer, mais pálida.

- Você sabe dirigir? – perguntei baixinho e ele assentiu. Liguei o GPS e  parei o carro quase encima de uma calçada. Desci trocando as pernas para entrar do outro lado. Fechei os olhos e coloquei a cabeça em meu colo, ignorando se alguém me visse daquele jeito.

- Eu gosto do seu carro – Andy murmurou após alguns segundos. Não respondi, me mantive estática, concentrando apenas em minha própria respiração.

             Senti o carro parar e pulei lá de dentro sem me importar se ele estava ficando fora da garagem.

- Ashley – Andy segurou meu braço - o que você comeu hoje?

- Não me lembro – abri a porta e andei rapidamente até o meu quarto, me jogando na cama.

 

“– Minha mãe vai me matar – Olhei pra Chuck morrendo os lábios.

- Vai amarelar, Stankovick? – ele arqueou a sobrancelha.

- Claro que não... – segurei sua mão e atravessamos a rua para o Estúdio de Tatuagens e Piercings. – Horários para Victoria e David? – Me direcionei ao homem tatuado no balcão.

- Victoria Foster e David York? – Perguntou e assentimos – Quais sãos as idades de vocês dois? Vocês têm permissão para isso?

- Temos permissão – Mentiu Chuck e o homem nos olhou desconfiado, comecei a sentir minhas bochechas queimando, pois ele me encarava. Apontou para uma porta falando para que fossemos logo.

                                        ***

- Como estou? – perguntei tocando o meu novo piercing nos lábios com a ponta dos dedos.

- Ficou legal, e o meu? – Chuck repetiu o meu gesto.

- Também ficou legal. – pus língua - Quero ver o que sua mãe vai dizer.

- Ela vai me enforcar, cortar meu pescoço, tirar todos os meus órgãos e os dará pro cachorro comer. Depois vai pedir desculpas e prometer que vai me dar um carro bem melhor do que o ultimo que ela prometeu quando eu fizer 16.

- Uau, você realmente conhece a sua mãe – gargalhei.

- E a sua mãe vai te jogar da janela do seu quarto, vai ligar pra mim me xingando e falando que a culpa é minha, e depois vai pedir para que Marie faça nosso jantar preferido e vai me convidar pra dormir em sua casa. – Gargalhei mais uma vez e ele me acompanhou – Bom, tenho sorte que meus pais estão viajando...

- E minha mãe está recebendo novos clientes e ta por conta deles, só vou ver o Victor, e ele é tranquilo com isso.

Olhamos um para o outro sorrindo, talvez o que mais queríamos naquele momento era que os nossos pais se importassem.”

 

           Acordei tremendo, estava realmente frio e o ar condicionado permitia que tudo ficasse ainda pior. Desliguei-o e coloquei a mão no meu piercing, eu o tinha desde os quatorze anos e ele ainda tinha um significado enorme pra mim. Uma lágrima umedeceu um dos meus dedos, e eu tentei de todas as formas sorrir, mas não resolvia.

            Entrei no meu banheiro e me despi em frente ao grande espelho, se Lindsay me visse daquele jeito ela me xingaria de todos os jeitos. Meu cabelo preto estava sem nenhum brilho, como Andy havia dito eu estava mais pálida ainda, e meus olhos, que costumavam ser claros e reluziam bastante, estavam cansados. Além disso, eu estava sem corpo algum, meu interesse na comida tinha passado há algum tempo, eu nem precisava fazer esforço para todas as minhas costelas aparecerem. Entrei na água absurdamente quente e à medida que ela caia em meu corpo, as lágrimas se misturavam.

           Vesti uma calça de moletom e uma blusa de mangas longas ambos pretos e andei pelo corredor dos quartos. A porta do quarto de Rob estava aberta, sorri com a cena dele deitado com uma garrafa derramada em sua mão. Peguei a garrafa e coloquei em sua escrivaninha antes que ele a deixasse cair e fechei a porta. O resto das portas estavam fechadas.Desci pro primeiro andar e sentei no balcão da cozinha.

- Ash? O que ta fazendo acordada?- Andy apareceu com uma calça de moletom azul. Retruquei perguntando a mesma coisa e ele corou – Não conta pro meu pai.. Eu vim fumar. – Levantou a caixinha de cigarros

- Ah... pode fumar, sou acostumada com isso – Ri sem graça.

           Ele abriu a porta que dava pra piscina e se sentou ali, acendendo um dos cigarros logo em seguida. Sentei ao seu lado e pela primeira vez, cigarros me pareceram atraentes, “posso?” perguntei tão baixo que ainda me assusta o fato dele ter ouvido.Ele acendeu outro me deixando com o antigo, porém estava triste com isso, pude ver em seus olhos que não o agradava.

- Obrigada.. – Falei sentindo a fumaça sair de minha boca e coloquei a cabeça em seu ombro.

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