Behind Blue Eyes

Talvez fosse mesmo para acontecer, talvez nossa história já tivesse sido escrita mesmo antes, talvez tudo faça parte de um enorme quebra cabeça e talvez eu não devesse passar tanto tempo olhando para os seus olhos. - Ashley

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2. Capítulo dois

              Andrew passou o dia inteiro assistindo televisão, ou pelo menos fingindo, Victor ligava a todo tempo me perguntando com ele estava, e eu respondia que ele estava bem, mesmo ele estando com o rosto bem perturbado. Não queria o deixar sozinho, Lindsay e Rob saíram para uma festa de boas vindas a escola e eu não quis ir.

- Andy? – Chamei em algum ponto da tarde e ele virou pra mim – Então, eu vou sair você se importa?

- Tudo bem.. – voltou com os olhos na TV

- Você quer vir? Ele assentiu e eu pedi que esperasse um pouco. Fui ao meu quarto e peguei um casaco e pedi a Marie, a empregada, para que pegasse um pra Andy. - Você vai precisar..- disse ao o entregar.

              Fomos em silêncio até o meu carro, um porsche conversível que havia ganhado em meu aniversário de 16, e eu não sabia explicar porque eu quis que Andy viesse, talvez porque ele parecia estar como eu: um tanto confuso.

- Queria que soubesse que não vai ser divertido – avisei e mais uma vez ele assentiu.

              Comecei dirigindo o caminho que eu havia decorado com muita facilidade, o vento frio batia diretamente em nossos rostos e balançava o meu cabelo. Eu me sentia livre.

- Ashley, por que você está entrando na estrada da saída da cidade? – ri baixinho com sua pergunta

- Você vai ver...

              Entrei no caminho da fazenda que meu pai deixou para mim e meus irmãos, era um campo bonito quando fazia sol, bastante verde e com flores de todos os tipos. Parei de frente a casinha. Aquela casinha. Sai do carro e me sentei na porta, Andy sentou-se ao meu lado, com uma expressão séria, encarei seus olhos incrivelmente azuis antes dele os fechar por causa da brisa.

- Aqui era o meu lugar preferido – sussurrei

- E porque não é mais?

- Antes do meu pai morrer, ele costumava me trazer aqui, me trazia mais do que trazia meus irmãos porque eles sempre brigavam... E quando ele se foi – engoli em seco – Chuck me ajudou a superar e vinha aqui comigo, e a gente sempre passava horas aqui, conversando e fazendo piadas.

- Isso é ruim? –Ele arqueou a sobrancelha

- Você não soube certo? – murmurei triste

- Soube o que?

-Antes do verão começar, estávamos andando pela rua e ele foi atingido por uma bala perdida. Não posso te dar detalhes, pois eu não me lembro como foi, ou quais foram nossas ultimas palavras e isso me frustra. – senti uma lágrima rolar pela minha bochecha, não me preocupei em lutar contra ela, e nem com as outras que desceram.

- Eu não fazia ideia... – ele sussurrou

-Não vou conseguir fazer mais amigos como ele, nunca.

- Ash... Você não sabe, o futuro é algo que não podemos adivinhar.

- Não sei porque estou te falando isso – Olhei para cima tentando ignorar seus olhos em mim.   

             Levantei de uma vez e andei até atrás da casa, aonde tinha um canteiro com flores, recolhi as que ainda não estavam murchas e pedi para que Andy segurasse enquanto eu dirigia. A próxima parada não era longe, mas era mais fria. Lembro-me que da primeira vez que vim até aqui, a primeira coisa que pensei foi: Como pode o cemitério ser um lugar tão bonito? 

             Caminhamos até a lápide do meu pai, peguei metade das flores e coloquei ali, olhei para a foto e mais lágrimas vieram, ele era tão jovem para ter morrido de algo tão horrível quanto o câncer.

- Oi pai... –comecei aos sussurros – Está tudo bem com a gente, quero dizer, pelo menos com Rob e Lindsay. Ainda não consegui me acostumar com a dor de ter perdido o Chuck, mas não se preocupe, não acho que vá demorar para que eu me junte a vocês dois. Eu te amo.

             A lápide de Chuck era do lado, por causa de um pedido meu. “Charles Bonnet, o melhor amigo que podia se sonhar em ter” era o que estava escrito. Andy passou a mão pelo meu ombro assim que comecei a falar:

- Oi, já se acostumou com o seu novo lugar?... Sinto sua falta absurdamente. A imagem de você deitado naquele caixão vem a minha cabeça todos os dias quando acordo. Seu cabelo estava arrumado pra cima, do jeito que você mais detestava, e te colocaram em um terno, mesmo eu dizendo que você detestava ternos. Foi um desastre, ainda mais porque você estava com os olhos fechados. Eu queria pelo menos poder ter te ajudado a ter um enterro digno, com as coisas que você gostava. Me perdoe por isso. Eu voltarei a te visitar, eu juro. Você sempre vai ser meu irmão de outra mãe. Eu te amo. E deixei que as flores caíssem, começando a soluçar.

- Ashley, você tem que ser forte. – Andrew segurou meu rosto – Vou cuidar de você. Quero que nos conheçamos melhor. Você é um exemplo de força pra mim. Obrigado por ter me deixado te acompanhar.

               Nos abraçamos ali mesmo, não sei o que deu em mim, porque eu sempre tive problemas com abraços, porém o dele foi o melhor que eu já havia recebido em anos.

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