Submundo - Mr. Smoke.

Conheça a estória do personagem do livro SUBMUNDO, Mr. Smoke.

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1. Mr. Smoke

 

Mr. Smoke é uma personagem integrante do

livro SUBMUNDO que está em construção no

momento. O relato abaixo tem como

objetivo apresentar o contexto de vida do

mesmo.

 

    A decisão de que ele viria ao mundo, aconteceu quase trinta anos antes do seu nascimento em pleno território italiano durante a segunda guerra mundial. Seu pai, piloto de caça aos 17 anos, o jovem Uhlig, retornava de mais uma missão quando viu dois carros pretos em alta velocidade levantando poeira na estrada. Imediatamente picou seu avião em direção aos veículos, afinal, tinha todas as características dos carros da GESTAPO. Estava em guerra e aquele era o mais cruel dos inimigos. Pouca chance existia entre um carro e as oito metralhadoras ponto cinqüenta de um P47. Essas armas eram comumente usadas para cortar trilhos de trem com uma simples rajada.

Já sobre o carro, com o dedo no gatilho, viu alguns pequenos clarões vindo do carro de trás e refugou. Estavam atirando no carro da frente. Lançou uma rajada não no carro, mas na lateral da estrada. Se sentiu estranhamente acovardado e ficou preocupado com o que pensariam seus companheiros que voavam mais alto e que deveriam estar assistindo a tudo. Não sabia se eles tinham visto os tiros, mas agora queria entender o que estava acontecendo.

Os carros saíram da estrada desgovernados e pararam.

Enquanto Uhlig retornava, viu o motorista do primeiro carro tentando correr a pé pelo campo em busca de abrigo sendo perseguido pelos ocupantes do segundo carro. Dessa vez ele estava decidido a acabar com aquilo.

Havia algo estranho naquela corrida, viu que o motorista a fazia com dificuldade, como que carregasse um grande peso. Uhlig realizou os movimentos com muito cuidado, perfazia um círculo ao redor do cenário. Esperou até o último momento quando inesperadamente o homem caiu e se dividiu em dois. Uhlig ficou espantado. Abril a nacele de seu P-47, retirou seus óculos e olhou diretamente para o homem a menos de 400 metros, ele queria entender o que vira.

O homem não havia se dividido. Ele estava o tempo todo correndo com uma criança no colo agarrada em seu corpo e separados pelo tombo.

No retorno, já mais devagar, viu uma cena que nunca mais lhe sairia da memória: O homem estava ajoelhado e abraçado a criança, protegendo-a e com o outro braço levantado em direção aos seus perseguidores; mão espalmada como que se pudesse bloquear o que viria. Era um ato desesperado de proteção de algo que lhe deveria ser muito valioso. A criança estava imóvel. Sentiu imediatamente uma repulsa muito grande. Puxou o manche de seu avião e mesmo de longe, descarregou suas metralhadoras nos perseguidores despedaçando-os. Teve vontade de pular do avião e ajudar aquele homem. Percebeu tardiamente que a estrada levaria diretamente às linhas amigas e que aquela pessoa deveria estar buscando ajuda.

Arremeteu seu avião e amaldiçoou toda a humanidade por tê-lo colocado em tão horrenda situação. Se perguntou, no que ele havia se tornado. Já longe olhou para trás e viu novamente o carro na estrada levantando poeira. O silêncio no rádio foi total. Vários amigos da esquadrilha lhe perguntaram sobre o ocorrido mas ele nunca conversou sobre o assunto. Ninguém entendeu o motivo de ele não ter destruído aquele outro carro.

Duas semanas depois já dentro da base, Moacyr, um dos mecânicos de aeronaves, conversava animadamente com o Caetano do rancho quando percebeu uma pessoa parada observando um dos aviões. Foi logo ao seu encontro e perguntou o que ela desejava. A pessoa respondeu em italiano, deixando-o confuso. Tornava a repetir e a apontar para o avião, para seu número e para o símbolo do Senta a Pua. Caetano chamou o aspirante Tormin que estava ali perto e pediu que ele intercedesse e tentasse descobrir o que estava havendo. Tormin conversou brevemente com a pessoa e voltou a passo rápido para o alojamento de pilotos. Voltou de lá segurando Uhlig pelo braço, ambos a passo apertado e olhares preocupados.

— Uhlig, essa é a pessoa que queria falar com você. Ela disse que você precisa ir ainda hoje ao hospital. O comandante do hospital pediu sua presença. bicho, ou você tem parentes aqui ou alguém tá dizendo que você fez merda.

— Mas Tormin, essas coisas não acontecem por recados, um comunicado oficial deveria ter vindo, assim o comandante Nero teria me chamado, temos que falar com ele.

 

Imediatamente foram na barraca do comandante e expuseram a situação. Ele calmamente ouviu a tudo e pegou o telefone.

— Telefonista, aqui é o Nero Moura. Me ligue com o comando do Hospital por favor.

 

Vários segundos se passaram e derrepente ele começou a falar pequenas frases em Inglês. Fez-se silêncio na sala enquanto o comandante escutava alguém falando. Pelo movimento de cabeça, parecia estar escutando o relato da situação. Ao final, desligou o telefone. Sacou-o novamente do gancho e pediu que enviassem o seu motorista, pois teria que ir ao hospital. Virou-se para Uhlig e disse:

— Uhlig, avise ao seu líder que você não fará nenhuma missão hoje. Você virá comigo.

 

Um clima de suspense estava no ar. Uhlig não tinha coragem de perguntar ao comandante o que estava acontecendo. Confiava muito nele e sabia que nada tinha feito de errado. Tormin, vendo-os partir não tinha a mesma certeza.

 

Chegando ao hospital, Nero se dirigiu diretamente ao gabinete do comandante mas ele não estava lá. Um soldado informou que receberam novos feridos e que provavelmente estava com a equipe de plantão. Nero pediu que o soldado lhe conduzisse ao local. Chegando lá, avistaram o comandante em pé no meio do corredor conversando com um médico que estava com as roupas vermelhas de sangue. Por pura disciplina, Uhlig, caminhou mais lentamente que Nero para que ficasse a uns 2 metros atrás do comandante, deixando-o com a privacidade necessária no que fosse falar.

Enquanto eles conversavam, o comandante olhou por cima do ombro do Nero em direção a Uhlig. Aquilo gelou-lhe o sangue. Algo estava errado.

O americano seguiu andando pelo hospital, com o Nero a seu lado. Passando por dois policiais militares, chamou-os, incrementando o cortejo. Uhlig não gostou daquele movimento, agora ele tinha certeza de que um problema estava a caminho. A sensação piorou quando entraram em uma ala que era identificada como Necrotério. Todos pararam em frente a uma maca onde jazia um corpo coberto por lençol. Ao lado do corpo estava um papel com alguns rabiscos. O comandante americano afastou o lençol e começou a falar em um inglês calmo que ele entendeu perfeitamente: (Traduzido)

 

— Essa pessoa chegou antes do almoço em um estado bastante deplorável. Estava baleado. Conseguimos retirar a bala, uma 9 milímetro parabellum mas não resistiu; estava desnutrido e desidratado. Era alemão e ao que parece, fugiu do seu país atravessando toda a Alemanha, Áustria e Itália em direção as linhas americanas. Enquanto esteve viva, foi interrogada por dois policiais, esses mesmos que nos acompanharam até aqui. Senhores, estou falando de mais de mil quilômetros. Ela nos deu muitas informações interessantes sobre o que viu no caminho e um conjunto de mapas com muitas marcações de posições alemãs. Ao mesmo tempo, não parava de citar as letras D6 e a bola vermelha. Essa é a identificação da aeronave do seu piloto?

— Sim - confirmou Nero — ele está aqui.

 

O comandante virou-se para Uhlig e disse que a pessoa havia colocado uma condição para entregar todas essas informações. Ela queria conhecê-lo e ouviu minha conversa com o senhor Nero Moura confirmando que você viria. Somente assim ela começou a cooperar. Olhando para a barreta no peito do aviador o comandante falou:

— Ugilh ou Uhlig, seja lá qual for o seu nome, porque diabos você está aqui? Poderia nos explicar?

 

Uhlig baixou a cabeça, fechou os olhos e perguntou:

— Ele chegou dirigindo um Mercedes preto? Talvez um 260D?

— Não sei ! — nesse instante o comandante olhou para um dos policiais que assentiu positivamente com a cabeça.

 

Uhlig percebeu o que estava acontecendo. Aquilo lhe trouxe um pouco de tranqüilidade com um enorme peso saindo do peito. Descreveu todo o episódio e ao final perguntou sobre a criança. Informaram que ela estava viva. Ele quis vê-la e ao chegar no quarto, um grupo de pessoas que deveriam ser médicas e enfermeiras conversavam com alguém em alemão. Um deles se virou para o grupo que chegara e disse:

 

— Comandante, o senhor não imagina o que esse pai passou, vivendo em plena Berlim com essa criança, em pleno regime nazista, depois, fugir dessa maneira, tentando chegar aos americanos. Ele dizia que nós cuidaríamos dela pois era filha de uma americana linda, tão negra quanto a filha.

 

Nesse instante Nero e Uhlig inclinaram a cabeça para o lado a fim de olhar a criança pois a última parte da frase não havia lhes soado bem aos ouvidos, não sabiam se tinham entendido bem ou se fora algo relacionado com a língua inglesa. Não foi um engano e quando a viram, de imediato sentiram todo o tamanho da dedicação que aquele pai teve até o seu último minuto de sua vida. Viver na Alemanha nazista como pai de uma criança negra era algo bastante improvável.

 

A criança ainda estava muito suja e as enfermeiras limpavam-na com alegria enquanto conversavam. A menina comia um pedaço de pão ainda quente e com a outra mão segurava uma boneca feita com gazes e esparadrapo. Parecia assustada com tanto movimento e não tirava o olho da porta certamente a espera do pai que nunca mais veria. O médico continuou seu relato:

 

— Ele pediu que a levássemos para os Estados Unidos, porque lá, ela poderia ser o que desejasse. Ele deu sua vida por ela. O senhor deveria ver a alegria dele quando chegou. Quando teve a certeza que conseguira. Você faz idéia da imensidão do amor que esse pai sentia por essa criança? E o tamanho da confiança ao deixar o que ele tinha de mais precioso para a América tomar conta? São por pessoas como essa que estamos lutando essa guerra Tenente. Vamos vencer e libertar a humanidade dessa coisa nazista. Hoje tive essa certeza.

 

Uhlig não entendeu muito bem o que o medico falara, ele não prestou atenção. Leu um papel branco preso junto a cama com o nome da paciente e nele dizia:

 

“Evelyn Massaquoi - Alemã - 8 anos - B positivo”

 

Estava confuso e se perguntando se a perseguição seria por causa da menina ou por conta das informações. Não era insensível, tinha apenas dezessete anos. Pouco vira da vida e sua mente não conseguia processar tantas informações e emoções ao mesmo tempo. Percebeu a angústia da criança que via no vão da porta a esperança de ver seu pai. Sua expressão era de tristeza, todos já tinham percebido.

 

A guerra terminou. Uhlig sobreviveu sem entender aquele sentimento que moveu um pai por três países. Naquele momento decidiu deveria passar por essa experiência.

 

Algum tempo depois, a guerra terminou.

 

Voltou para o Brasil.

 

Voltou para a família em Angra dos Reis e lá teve um filho.

 

O pequeno Luiz.

 

Luiz, teve uma infância perfeita morando em um paraíso tropical. Sua adolescência foi mais tranqüila. Afeito aos livros, estava sempre junto aos pais estudando. Na maioridade, foi para uma universidade na capital e em pouco tempo abandonou o curso. Dizia que nada poderia aprender ali. Passou duas décadas trabalhando em muitas empresas de tecnologia até que praticamente desapareceu. Seu pai, como militar e ex-integrante da comunidade de informações, não teve dificuldade em descobrir que agora seu filho atendia por outro nome, fumava bastante e não andava fazendo coisas muito certas.

 

Smoke era seu novo nome.

 

Foi preso por crimes digitais, entregue às autoridades por seu próprio pai quando o mesmo tomou ciência de tal fato. Ele não entendia o que poderia ter feito de errado, sempre dedicou muita atenção e carinho ao filho. Revisou por muitas vezes o passado em busca do que poderia ter sido seu erro na criação do menino. Nunca encontrou algo. Nem tão pouco a explicação daquele exemplo vivido durante a guerra. Não havia acontecido com ele. A soma da decepção com Luiz e a frustração de ter dedicado metade da vida a um filho que ele mesmo entregou ao sistema penitenciário, lhe atingia forte na alma. Como é dolorosa a dor do fracasso para aqueles que buscam com sinceridade fazer o que é certo. Não há limite para o sofrimento. A situação poderia piorar e piorou após uma grande rebelião na penitenciária e Smoke desapareceu.

Os presos incendiaram os colchões de algumas celas e com isso nove detentos foram carbonizados. Foi dado como morto, mas o que as autoridades não sabiam era que inexplicavelmente, ele havia fugido.

 

Se escondia durante o dia e andava a noite pelas ruas da zona oeste do Rio de janeiro em direção a casa dos seus pais. Temia chegar lá e ser novamente entregue a justiça mas não havia um outro local que pudesse ir no momento. No fundo do coração ele gostaria de pedir desculpas à seus pais e contar-lhes o que fazia, que no seu entendimento não era tão errado ao ponto de ser preso.

 

Chegou exausto, cansado, desidratado e faminto. Viu de longe as luzes acesas. A rua estava vazia e era realmente de pouco movimento. Algumas sombras se movendo lentamente nas cortinas, confirmavam que tinha gente em casa. Luiz parou, encostou o ombro no muro da casa em frente. Foi reconfortante. Sentou e apoiou as costas dessa vez. As pernas doíam. Puxou do bolso da calça uma guimba de cigarro que havia catado na rua e acendeu. Deu uma longa tragada e ficou olhando às cortinas. Ele já tinha esquecido a sensação boa de estar em casa. O inexplicável instinto humano que te conduz a voltar para casa, seja onde for e em que condições. Se você teve uma boa casa, ela se liga a você de maneira eterna. Nenhum lugar é como o seu lar.

 

A passagem de um carro fez com que Luiz saísse do transe. Ele pensou rápido e concluiu que se não iria bater na porta da frente, teria que ficar próximo de alguma maneira. Levantou, e na ponta do pé olhou por cima do muro que estava encostado. A casa estava toda escura. A sujeira na porta e a camada de poeira nas janelas denunciavam o abandono. Pulou o muro e só quando se levantou é que percebeu como o mato estava alto. Circulou lentamente o terreno para ter a certeza de que realmente a casa estava vazia. Forçou a porta dos fundos que não abriu. Tentou a janela que deslizou para a direita destrancada. Tudo muito escuro. Foi tateando até o segundo andar onde outra janela deixava entrar a luz da rua iluminando o que talvez fosse um quarto.

 

Passava os dias a observar o movimento. Tinha uma vontade muito grande de ver novamente sua mãe mas ela nunca aparecia nas janelas. Reparou que somente conseguia ver seus avós e aquilo muito o intrigou. Tomou coragem e ligou para a casa dizendo ser da Força Aérea e que gostaria de falar com o senhor Uhlig, seu pai. Então sua avó informou que o mesmo após a morte do filho, com grande pesar e sentimento de culpa, havia se mudado para Curitiba e que não havia deixado permissão para passar o telefone para ninguém.

Smoke após tomar ciência de tal fato, resolveu que as coisas deveriam acontecer a seu tempo. Não poderia aparecer na porta dos avós nem tão pouco ir para Curitiba. Ele precisaria primeiro se restabelecer financeiramente para depois então pensar nos assuntos de família.

Retomou seus contatos de trabalho e a partir do primeiro serviço, conseguiu regularizar a alimentação, vestuário e a higiene. Sabia que não poderia ficar muito mais tempo na casa abandonada, precisava de um mínimo de estrutura para dar continuidade a seu trabalho e ao mesmo tempo não queria sair dali. Lembrou que havia um porão na casa de seus pais, que possuía um acesso pelo fundos lacrado com uma parede de concreto. Sua rotina a partir desse dia, passou a ser pela realização dos trabalhos técnicos a noite e a cavar um curto túnel de 15 metros até a o porão da casa onde estavam seus avós. Cavava a ordem de um metro por dia. Ensacava a terra e a levava para dentro da casa abandonada. Depois de concluída a passagem, colocou uma espécie de tampa na entrada que ficava encoberta pelo mato alto, mas quem a observasse, pensaria se tratar do esgoto da casa. Com o tempo, foi aprimorando o acesso. Já conseguira uma chave do portão e não mais pulava os muro. Fixou roldanas em cada extremidade, por onde passara uma corda que se prendia na frente e na parte traseira de um carrinho que consistia em uma simples tábua com rodas, onde Smoke deitava e puxando a corda levava o carrinho de um lado ao outro rapidamente e sem se sujar. Provisoriamente estava bem, conseguia se movimentar sem ser visto e dormia dentro de casa. No porão, mas era sua casa. Faltava um banheiro mas era seu canto.

 

No túnel encontrou dutos que conduziam eletricidade e internet. Só precisava disso. Grampeou o telefone da casa com o que havia de mais moderno na época. Sistemas computadorizados gravavam todas as ligações e todos os números discados e recebidos. A noite quando retornava para casa, escutava tudo e sabia assim todos os problemas de seus avós e as conversas com seus pais. Sempre que possível procurava ajuda-los no limite da desconfiança. Não queria matar os velhos do coração.

Seus avós eram muito idosos, dormiam cedo e nunca visitavam o porão. Achavam-no mal assombrado, escutavam ruídos a noite e por vezes a voz do neto morto. Embora vivesse nesta situação atípica, Smoke era um galanteador nato, poucos entendiam como aquele cara com cara de maluco e com a barba por fazer conseguia conquistar tantas mulheres e ao mesmo tempo. Muita facilidade com as mulheres e muitas dificuldades com os homens. Aprendeu na cadeia a suspeitar de tudo e de todos, evitava qualquer tipo de contato e aproximação, sempre muito furtivo e arisco, tinha o real comportamento de animais selvagens criado pela lei do mais forte e da sobrevivência.

Revoltara-se contra muitas coisas, era uma pessoa fora do sistema, não possuía documentos e ganhava seu pão em serviços de computação para pequenas empresas, onde a emissão de nota fiscal pelo serviço, e sua total identificação, não eram obrigatórios. Recebia menos que o normal por isso, mas a fartura de serviços compensava. Possuía uma inteligência anormal, parecia que sempre estava um passo a frente de todos, tinha muito conhecimento sobre outros povos e culturas embora afirmasse nunca tenha viajado para estes locais.

Profissionalmente, era uma pessoa muito difícil de se lidar, pois alternava momentos de descontração com períodos de total isolamento, parecia ser duas ou mais pessoas dentro de um único corpo, deixava a todos sempre com um pé atrás, sem saber qual seria sua reação diante dos fatos e pessoas. Desaparecia por alguns períodos, ninguém sabia onde morava e nunca era encontrado, sempre era ele que se fazia aparecer.

Tinha um especial dom de predizer coisas que realmente aconteciam, não era nada de sobrenatural, simplesmente conseguia condensar os fatos e interpretar eventos e suas conseqüências muito rapidamente. Pelo menos era o que transparecia.

Seus trabalhos foram ficando cada vez mais sérios e complexos. Abandonou as pequenas empresas e passou a trabalhar para clientes cada vez maiores. O dinheiro aumentou mas os riscos também. O mercado sabia que existia um cracker capaz de qualquer coisa e que tinha um preço. Isso não é algo que passa despercebido. E não passou.

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