Unchecked

Charlie finalmente chegou em Paris. Depois de tudo que passou, descansar um pouco na cidade das luzes talvez fosse perfeito... Talvez. Agora aluna do Conde de La Voltre, não possui quase nenhum descanso. E, para piorar, começa a receber cartas que a fazem despertar cada vez mais curiosidade sobre seu passado. Cartas de alguém que parece conhecê-la bem intimamente... . Continuação da movella "The Lanfred's Horror".

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1. Prólogo

Sabe, às vezes penso que existem duas pessoas dentro da minha cabeça. A primeira se chama "emoção" e a segunda "razão". Toda vez que a primeira quer fazer algo no impulso, a segunda vem e fala: "não, isso é errado. Deixe de ser idiota e vá fazer o que é certo." Só que a primeira pessoa rebate, dizendo: "mas isso não é errado! Quem disse que é errado?". A outra responde: "Eu disse que isso errado, e ponto final. Agora volte a se concentrar no que estava fazendo." E é isso que chamam de discutir consigo mesmo. Discutir comigo mesma era algo que eu estava me acostumando a fazer. Desde que saí de Lanfred, tudo virou uma bagunça. Eu não via o mundo como o via antes. Aquelas pessoas eram humanas, pessoas normais que iam ao trabalho, comiam, dormiam e acordavam de novo para trabalhar. Eu não era assim. Nunca fui. E nunca serei. Mas sabe o que é ser alguém mas não se lembrar de quem você é? É tipo ser alguém que não é você. Você é aquela pessoa, mas não se lembra de como aquela pessoa era, então tenta ser igual ao que você supostamente "era" mas não consegue. Meus pensamentos andavam cada vez mais confusos com o passar dos dias. Clark me levou até uma cidade a alguns quilômetros da minha escola... Quero dizer, antiga escola... Ou não, nem havia se passado tanto tempo desde que saí de lá... Droga, as duas pessoas discutindo de novo. Sinto que vou enlouquecer. O fato é que Clark me levou para uma cidade a alguns quilômetros de Lanfred. Desde que eu tomei conhecimento do que eu realmente era (uma bruxa branca), me sinto muito deslocada. Clark me conta como eu era: aventureira, protetora, divertida e mais um monte de adjetivos. Só que eu não consigo me imaginar assim. Sou exatamente o oposto do que ele me conta. Entendeu o dilema do "tentar ser o que eu era"? Bem, aviso que não deu muito certo. Eu me sentia agoniada, presa em minha própria mente. Talvez eu não devesse ir até a França, e sim a um manicômio. Quando chegamos na cidade, ele disse para eu ficar no quarto de um hotel enquanto ele ia comprar as passagens. Acabei ficando sozinha com meus pensamentos. Pensei em telefonar para Charlotte, mas ela provavelmente estaria ocupada. Peguei a carta que Margareth havia enviado para mim e reli, reli mais uma vez e mais quatro vezes. Como eu partiria em missões se eu nem ao menos sabia como controlar meus poderes e fazer feitiços? Aquilo que eu havia feito foi no impulso, na hora da adrenalina... Me joguei na cama, suspirando. Eu precisava de uma boa noite de sono. Mas antes, um banho. Peguei a toalha e entrei no banheiro, saindo algum tempo depois enrolada no roupão e de banho tomado. Nada melhor do que água quente em um corpo cansado. Joguei-me na cama e fechei os olhos. Eu precisava dormir, descansar um pouco. Muita coisa ainda viria pela frente e eu precisava estar preparada.

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