Unchecked

Charlie finalmente chegou em Paris. Depois de tudo que passou, descansar um pouco na cidade das luzes talvez fosse perfeito... Talvez. Agora aluna do Conde de La Voltre, não possui quase nenhum descanso. E, para piorar, começa a receber cartas que a fazem despertar cada vez mais curiosidade sobre seu passado. Cartas de alguém que parece conhecê-la bem intimamente... . Continuação da movella "The Lanfred's Horror".

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5. Capítulo 4

Eu não podia acreditar. Um bruxo? Um bruxo igual a mim? Como ele sabia onde a carta estava guardada? E que tipo de pessoas estavam atrás dela?

Paguei meu chocolate quente e saí do café, confusa e agitada. Se ele sabia sobre a carta, deveria saber sobre muitas coisas a mais do que eu. Se bem que... Bem, eu não sabia de muita coisa. Mas onde será que ele estava? Eu o encontraria novamente? Eu passaria um bom tempo em Paris. Era só torcer para a busca de Damien demorar para oferecer resultados.

O sol já começara a nascer e a iluminar a rua, deixando tudo muito mais bonito do que era. De dia, uma cidade cheia de belezas. De noite, um show de luzes e maravilhas. Ah, se tudo não estivesse uma bagunça... Pronto, Damien voltara aos meus pensamentos. Minha cabeça não me deixava em paz. Será que ele conhecia o Conde? Bem, deveria conhecer.

"Charlie? Por onde você esteve? Que droga, fiquei preocupado!"

Era Clark. Ele corria na minha direção, abraçando-me logo em seguida.

"Eu só queria sair um pouco, respirar ar fresco, então resolvi ir até aquele café e..."

"Não faça isso de novo, por favor." Ele me interrompeu. "Você, apesar de der uma bruxa, ainda é, de certa forma, novata e precisa de treinamento. Esta cidade está cheia de bruxos com más intenções, nem pense em sair sozinha e sem me a avisar, nunca mais!"

"Clark, acalme-se! Eu estou bem, não morri! E sei me defender... Duvido que bruxos resistam ao meu spray de pimenta."

Ele suspirou, soltando-me.

"Suba e busque suas coisas. La Voltre está nos esperando."

Assenti, entrando no hotel e indo para o meu quarto. A preocupação de Clark para com a minha pessoa era excessiva, mas eu tinha de admitir, ele estava certo. A única vez em que eu saíra sozinha, um bruxo me encontra e mostra saber sobre a carta.

Coloquei a mão no bolso. Ufa, ela ainda estava lá. Como e onde eu esconderia a carta, se nem na minha mala havia segurança? O único jeito era carregá-la comigo, colada ao meu corpo, inseparável. Peguei minhas coisas e saí do quarto, indo me encontrar com Clark do lado de fora do hotel. Ele me esperava ao lado de um taxi.

"Eu normalmente abriria um portal que nos deixaria em nosso destino em segundos." Ele falou baixo, guardando as minhas malas no porta malas. "Mas chamaríamos a atenção demais, e isso é algo indesejável, no momento."

"Não tem problema. Eu realmente gostei de Paris e adoraria poder apreciá-la um pouco mais." Entrei no táxi, seguida por Clark.

"Ele não mora em Paris. Quero dizer, ele até passa grande parte do tempo aqui e é onde vamos encontrá-lo, mas a residência oficial dele é afastada."

"E por que não vamos direto à residência dele?" Perguntei, olhando para Clark.

"Porque apenas o Conde tem acesso a ela. Relaxe. Tenho certeza de que você vai amar o local."

Assenti, voltando a olhar para a janela. Agora havia mais gente na rua, a cidade começava a ganhar vida novamente. Eu nunca veria lugar mais bonito novamente, em toda a minha vida.

Após algum tempo de "viagem", chegamos a uma rua estreita, escura, com algumas casas de aparência suja bem juntas, coladas uma na outra. Não havia ninguém no local.

"Chegamos." Clark disse, pagando o motorista, saindo do carro e indo pegar as malas no porta malas. Deixei o táxi logo após ele o fazer, olhando atentamente o local. O sol parecia não chegar lá, a vegetação estava morta e o local, deserto.

"Que lugar agradável." Murmurei, apertando o casaco contra meu corpo.

"La Voltre deve estar nos esperando, vamos. Ele não gosta muito de atrasos."

"Ah, não gosto mesmo, nem um pouco. Mas eu vou perdoá-lo desta vez, mon petit. Mademoiselle Charlie é uma dama especial e frágil demais para ser apressada."

A voz veio de trás de nós. Era uma voz meio anasalada, com sotaque francês e com um ar pomposo. Virei-me, olhando para o emissor de tal... Sonoridade.

O Conde vestia uma calça de veludo vermelha extravagante, com detalhes em dourado. A camisa branca tinha mangas compridas e estava debaixo de um colete verde escuro. As calças eram roxas e os sapatos pareciam ter saído da época de Luís XIV. Uau.

"Perdoe minha imprudência, Conde. Eu..."

"Ah, já está perdoado. Esta é a mademoiselle Charlie, non? Já nos conhecíamos, mas, como a senhorita não deve se lembrar, permita-me uma apresentação. Je suis Conde de La Voltre, Mademoiselle." Fez uma pequena reverência. "Agora, vamos! Estou farto de enrolações!"

E saiu andando na frente com um jeito pomposo. Como ele ficou de costas, pude ver que seu cabelo grisalho estava preso em um rabo de cavalo com um laço de fita de cetim roxa, combinando com as calças. Eu esperava alguém sério, bravo. Será que ele era gay? Bem, não importa. Seria divertido ter aulas com alguém de personalidade tão... Peculiar.

"Perdoem-me o local." Ele disse, abrindo a porta de uma das casas e entrando. "Mas eu precisava de um local bem seguro e longe de olhares curiosos."

Quando todos entramos, ele trancou a porta e fechou as cortinas de todas as janelas. Ficou no meio da sala e arrastou o tapete que ali havia para o lado. Embaixo deste, havia um círculo com diversos símbolos incomuns. O Conde ergueu a mão esquerda e recitou palavras em uma língua estranha. Tudo ali era estranho e, ao mesmo tempo, familiar. Ele estava fazendo um feitiço que abriria um portal no local do círculo.

E assim foi feito. O portal foi aberto e o Conde fez sinal para nós seguirmos ele. La Voltre entrou primeiro, seguido por mim e, por último, Clark. Lembro-me de uma queda brusca. Doeu, claro, o piso era frio. Abri os olhos e me vi deitada em cima de um piso claro, com vários desenhos bonitos. Quando me levantei, fiquei ainda mais impressionada.

A sala era ampla, com dois sofás rústicos, uma lareira, vários quadros, uma estante de livros grande e uma enorme sacada, com a vista mais esplêndida que a mente humana pode imaginar. Um jardim gigantesco, maravilhoso, acompanhado de um céu azul divino....

"Nós estamos em..."

"Oui, mon chérie. Versalhes. A parte privada do palácio... Lindo, non?" O Conde pegou um copo e serviu-se de uma pequena quantidade de uísque, indo para a sacada. "Eu jamais poderia pensar em outra moradia que atendesse aos meus padrões de luxo. O melhor é que ninguém desconfia que realmente moramos aqui. Quando os turistas nos vêem, apenas acenamos e fingimos ser parte da atração turística."

"Perdão, mas... Você disse 'nos vêem'? Há mais alguém morando aqui além do senhor?"

"Certainement! Sou um Conde, alguém nobre, tenho meus criados! São apenas criaturas mágicas disfarçadas de humanos. Hm, vejo que mademoiselle aprovou o local. Gostaria de ter um quarto? Oui? Très bien! Eu sabia que não resistiria a tal tentação!" Estalou os dedos, fazendo uma criada abrir a porta e entrar. "Leve Charlie até o quarto preparado para ela. Mademoiselle, o almoço será servido meio dia em ponto. Às duas da tarde, quero que me encontre nesta sala, entendido?"

Ele não me deixara falar nenhuma vez. Apenas assenti e peguei minha mala, seguindo a criada por um longo corredor cheio de janelas e portas. A serviçal parou em frente a uma porta dupla e a destrancou, abrindo-a e revelando seu interior.

O quarto era grande. Não, minto. Era enorme. Possuía uma cama de casal, quadros, um guarda roupa grande (acho que eu poderia chamar de closet, mas... Prefiro guarda roupa, é mais simpático), uma penteadeira, uma escrivaninha, uma estante de livros e um banheiro digno de uma rainha. Óbvio que tudo ali era digno de nobres. Eu estava em um palácio.

"Se precisar de algo, toque a sineta." A serviçal apontou para a sineta ao lado da minha cama. Agradeci e ela saiu, deixando-me sozinha.

Então, era ali que minha nova vida começava. Um local maravilhoso... Ah, como eu tinha vontade de sair, correr e explorar aquele palácio... Mas, antes de tudo, eu precisava arrumar minhas coisas. Guardei as roupas e os meus livros, faltando apenas o bastão e a pena. Onde eu os guardaria? Enquanto pensava em possíveis locais para guardar os objetos, acabei por olhar para a sacada e me distrair.

Era a vista do jardim, do grande e magnífico jardim. Andei lentamente até a sacada, apreciando a vista. Olhei para as árvores, os arbustos, as flores... Coloquei as mãos nos bolsos, distraidamente. Espere um minuto. Apalpei os bolsos por dentro e por fora, começando a entrar em desespero.

A carta.

Ela sumira.

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