Unchecked

Charlie finalmente chegou em Paris. Depois de tudo que passou, descansar um pouco na cidade das luzes talvez fosse perfeito... Talvez. Agora aluna do Conde de La Voltre, não possui quase nenhum descanso. E, para piorar, começa a receber cartas que a fazem despertar cada vez mais curiosidade sobre seu passado. Cartas de alguém que parece conhecê-la bem intimamente... . Continuação da movella "The Lanfred's Horror".

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3. Capítulo 2

   O floco de neve... Perfeito, exatamente como no sonho. Se o floco era a assinatura, então aquele homem poderia ser a chave para eu descobrir quem havia me mandado a carta. Levantei-me, indo atrás dele. Eu não poderia chamar a atenção, não poderia deixá-lo fugir. Andei a passos largos até o homem. Ele saiu do aeroporto, indo em direção aos táxis que estavam do lado de fora. Não, se ele entrasse, seria terrível, era minha única chance. Eu não poderia arriscar correr e ele me ver, mas eu também não poderia deixar aquela chance escapar. Liguei o modo "dane-se" e corri na direção do homem. O homem percebeu, e correu até o táxi mais próximo, meio atrapalhado com a bagagem. 

   - Charlie!!!! - ouvi meu nome ser chamado. Era Clark. Eu não podia falar com ele agora, então apenas virei um pouco minha cabeça para trás e disse, com o olhar, para ele esperar. Quando voltei a olhar para frente, não havia mais nada ali. O homem, a mala e táxi haviam sumido. Mas... Como? Eu havia apenas virado minha cabeça por meio segundo e ele desaparecera... A minha chance de entender aquela carta desaparecera junto com o guarda. 

   - Charlie, você está bem? Para onde estava correndo? Por que eu não podia segui-la? - pronto, uma enxurrada de perguntas. 

   - Clark... - eu não sabia se podia me abrir com ele. Ainda não confiava naquele garoto. - ... Não era nada. Apenas achei que era um cantor famoso e corri atrás dele... Pegou nossas malas? Este lugar é lindo!! Eu sei que era uma mentira deslavada. Mas Clark, por mais que estivesse do meu lado, devia me achar louca e meio atordoada com os efeitos da batalha. A batalha havia sido há vários dias atrás, mas, de acordo com ele, eu não estava acostumada a lutar fazia um tempo, então o meu cansaço era totalmente normal. 

    -Sim, eu peguei as malas. Está com fome? Poderíamos lanchar em um café e...

   - Não, obrigada. Estou bem, sério. Apenas quero tomar um bom banho e dormir em uma cama confortável.

   - Se é assim... Podemos passar uma noite em um hotel e amanhã vamos conhecer o Conde.  

   - Perfeito.

   O Conde era uma das minhas últimas preocupações no momento. Eu iria ter que falar com ele, alguém que provavelmente conhecia mais sobre mim do que eu mesma. Mas por que eu não me lembrava de nada? Por que minha memória era um branco total? Quero dizer, branco total, não... Eu me lembrava da minha festa de sete anos, de meus pais me dando meu primeiro celular, do nascimento do meu irmão... Mas como isso poderia ser real se eu havia lutado como bruxa branca desde sempre? Talvez o Conde me desse respostas. 

   Entramos no táxi e fomos em direção ao hotel. Paris era uma cidade muito bonita. Tanta cultura, tanta beleza... O mais estranho era que tudo aquilo me parecia familiar. Lembro-me de andar nas ruas de Paris, lembro-me de comer um sorvete enquanto olhava para a Torre Eiffel... Lembro-me não de imagens, mas de sensações. Momentos felizes que passei aqui. Clark continuava a falar sobre as ruas, sobre o Conde e sobre outras coisas que julguei serem irrelevantes. Nossa, falando assim fica parecendo que sou metida e horrível. Ugh. Vamos mudar isso: eu estava cansada demais e Clark falava sobre o tempo. Pronto. Acho que agora está melhor. 

   O hotel era um local bem aconchegante, fofinho e todo romântico. Pedi um quarto separado, eu e Clark ainda não tínhamos tanta intimidade para eu querer dividir meu quarto com ele. Outra coisa estranha, é que eu entendia o francês. Eu nunca havia aprendido a falar tal língua, mas a entendia perfeitamente. Será que as memórias viriam naturalmente? Ou eu teria que me contentar com apenas sensações? Eu enlouqueceria se continuasse assim.

   O quarto era mais aconchegante do que o hotel. A cama era macia, havia vasinhos com flores na janela e um banheiro impecável. Entrei no banheiro e fui tomar banho. A água era bem quente, e eu estava sem pressa alguma. Deitei na banheira e acabei por cochilar. Acordei algum tempo depois, meio assustada. Eu havia dormido na banheira? A água já estava bem fria... Me levantei e enrolei e toalha no meu corpo. Coloquei a mão na maçaneta quando olhei para o chão. Havia uma carta ali, provavelmente passada pelo pequeno vão entre a porta e o chão. Peguei a carta, curiosa. Quem a havia colocado ali? O envelope da carta era de cor creme, liso e sem nenhuma decoração.

   Exceto na parte frontal.

   O selo dela era um pequeno e delicado floco de neve. 

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