Unchecked

Charlie finalmente chegou em Paris. Depois de tudo que passou, descansar um pouco na cidade das luzes talvez fosse perfeito... Talvez. Agora aluna do Conde de La Voltre, não possui quase nenhum descanso. E, para piorar, começa a receber cartas que a fazem despertar cada vez mais curiosidade sobre seu passado. Cartas de alguém que parece conhecê-la bem intimamente... . Continuação da movella "The Lanfred's Horror".

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2. Capítulo 1

Tudo isso havia acontecido há alguns dias atrás. Agora eu estava no avião, indo para a cidade mais romântica do mundo. Deveríamos ter partido no seguinte ao ocorrido na minha ex-escola, porém eu enrolei Clark e o fiz desmarcar e remarcar vôos diversas vezes.

Só que desta vez eu não consegui adiar mais. Eu não tinha medo de enfrentar a realidade, eu estava mais do que pronta para saber como era minha vida antes. O problema é com as pessoas, sempre é. Ninguém queria me contar nada: Clark se mantia quieto e Charlotte quase não podia falar ao telefone.  Se eles não me respondiam, eu descobriria sozinha. O Google não me ajudou em nada. Sim, eu estava desesperada ao ponto de ir ao Lorde Google.

O vôo foi um dos mais agradáveis que já tomei e, apesar da viagem ter sido longa, nem senti as horas passarem, apenas aproveitei para dormir mais um pouco. O tempo que eu passaria em Paris seria desgastante, provavelmente eu teria que aprender muita coisa, então aproveitei para relaxar na confortável poltrona do avião.

Clark tentara puxar conversa comigo, mas acabou desistindo após perceber que eu não estava querendo falar muito. Eu não estava brava com ele, apenas muito cansada e querendo respostas. A luta fora há dias atrás, mas ainda sentia como se cada parte do meu corpo estivesse esgotada e fosse cair a qualquer instante. Eu precisava aprender a controlar melhor meus poderes, não poderia ficar morta a cada luta travada.

Aquelas pessoas no avião pareciam tão calmas, tão normais... Pais, filhos, namorados e solteiros, todos olhando pelas janelas do avião e conversando baixo. Era estranho que eles nunca veriam a realidade como eu via, sabe? Uma vez que seus olhos estão abertos, é difícil fechá-los. Mas eu estava com muito sono. Então se eu os fechasse por algumas horas talvez não houvesse mal algum...  

❅❅❅    

- Charlie, acorde. Nós vamos pousar em alguns minutos. - acordei, sentindo as mãos de Clark em meus ombros. Era possível ver o sol se pondo nos céus franceses. Que coisa linda... Eu só esperava poder ter tempo para admirar tal coisa. Eu havia dormido tão pouco... Minha cabeça doía demais. Um sonho incomum veio desta vez. Se bem que sonhos incomuns estão se tornando normais, logo, são apenas sonhos normais de novo. 

No sonho, eu estava apenas de camisola branca. Uma grande camisola branca, que cobria meus pés. Eu estava em um quarto grande, bem rústico e com uma sacada bem bonita. Me lembrou da sacada onde Romeu e Julieta conversavam e por onde ele saiu após sua noite de núpcias com ela... Havia algo na sacada. Eu queria sair dali, mas meus pés me levavam até o ar gélido da noite, até o cheiro da escuridão e até onde eu não queria ir. Havia um pássaro na borda da sacada, negro como a noite e belo como a escuridão. Segurava algo no bico, uma carta com um selo vermelho. Peguei a carta timidamente, e o pássaro não fugiu, ficou apenas me olhando, curioso. Como se eu devesse mandar uma resposta à carta. Abri lentamente a carta, mas tudo que vi foram símbolos estranhos, coisas que eu jamais havia visto antes.

Como eu responderia àquela carta se eu nem ao menos sabia o que ela queria dizer? E então eu fui acordada. Bom, os símbolos estavam confusos em minha cabeça, eu não me lembrava de muita coisa, o que me deixou bem chateada. Apenas lembro de um em especial: um floco de gelo. Ou ao menos parecia ser um floco de gelo. Parecia que alguém havia cortado papel e feito isso ao acaso. O símbolo possuía seis pontas e era bem interessante. Como aparecia no fim da carta, presumo que havia sido uma assinatura do remetente.

O avião pousou pouco depois, e desembarcamos. Minhas pernas doíam, foi bom esticá-las. Clark disse que ia pegar nossas bagagens e eu resolvi esperar no salão do aeroporto. Ouvi muitos "Je t'aime", "Mon petit!!", "la créme de la créme"... O creme do creme... Que coisa fofa! Quando percebi que estava olhando para o chão e sorrindo como maluca, levantei o olhar.  Foi quando vi aquilo. Um homem com um sobretudo preto, chapéu e cabelo escuro preso em um rabo de cavalo baixo. Mas o que me interessou não foi o homem.

Foi a mala dele.

Em sua mala escura, estava desenhado, mesmo que bem pequeno, algo que me era familiar.

O floco de neve. 

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