O problema Leo

Cativante, espirituoso, engraçado, romântico e imortal. Acordei com minha mãe berrando do outro lado da porta. Ela gritava coisas do tipo " Leonardo, levante dessa cama agora" ou " Você esta dez minutos atrasado, não vai faltar na aula." Tenho até dó dela, quando ela grita eu fico meio que nervoso, e quando fico nervoso com minha mãe fico calado. Por motivos óbvios. Não importa a idade ela vai sempre me bater se eu boquejar com ela, Posso ficar de castigo. e também é muito feio boquejar com sua mãe. Seja lá o que ela for. Mesmo que você não saiba elas tem um esquema muito popular. Todas as mães sabem dele. E de alguma forma as suas filhas também vão saber dele e repassar pra toda eternidade " Ela pode mais você não" esse é um fato histórico, se ela perder o maldito remédio pra diabete da sua vô, ela simplesmente vai ir na farmácia sem reclamar de nada e comprar outro. Mais se você perder a agulha de trico que ela usa pra fazer o caralho a quatro sábado na quarta, se prepare.

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3. No olho do problema

O resto do dia se passou bem de vagar. E quando deu cinco horas eu estava pirando. Não sabia que tipo de festa era. Minha mãe tinha recusado. Disse que gosta que avisem antes. Mesmo que eu tivesse dito que foi um imprevisto. E não achava uma roupa boa. Então coloquei um terno preto e uma gravata de borboleta vermelha. Mesmo que aquilo fosse só uma festa eu talvez estivesse considerando um encontro. Talvez.
As 5:45 a campainha tocou, e eu corri desesperado atender a porta antes da minha mãe. Era o carteiro entregando uma encomenda que fiz semana passada. Pedi que minha mãe assina-se e levei o embrulho para meu quarto, o taquei na cama de qualquer jeito e fiquei andando de um lado pro outro, então voltei para a banheiro escovei os dentes pela 8° vez arrumei um pouco mais meu cabelo, passei mais gel. Passei um pouco de pó em cima da espinha que deve ter nascido hoje. E a minha mãe disse.
-Oque você tem? está agitado. Leonardo pela mor de deus tira esse terno. Você não vai sair. Eu já disse.
-Mãe, a apresentação do teatro vai ser da qui a duas semanas. Eu estou apavorado, eu não fico bem nessa roupa.- Essa foi a unica desculpa que eu consegui.
Ela não disse mais nada só balançou a cabeça e foi para a cozinha.
-Se você sujar essa roupa. Não vai ser eu quem vai lavar.
Então a campainha tocou de novo. E minha mãe saiu da cozinha para a sala.
-EU ATENDO.- Ela ficou imóvel. 
-Tá. -E voltou para a cozinha.
Atendi a porta. Era ela. E ela estava linda. Com um vestido brilhante e curto vermelho. O vestido era decotado de mais. Seu cabelo estava como uma cachoeira nas costas. Ela estava com um batom da mesma cor do vestido .Então começou a rir.
-Meu deus. Aonde você vai desse jeito?
-Como?
-Tá parecendo um garçom. Acho que nem o garçom vai tão bem vestido. E esse cabelo? Parece a Nimbus 2000 do Harry Potter.
Fiquei olhando ela se divertindo e então ouvi minha mãe gritando. "QUEM É?" Então gritei " A maria." olhei um segundo para a Eleonor que estava atenta. "Oque ela quer?" eu pensei por um minuto então gritei. " Nada, só veio aqui dizer olá." ela ficou quieta então gritou " Eu já estou indo"
-Maria?- Perguntou Eleonor.
-Corre, ali.- Disse empurrando ela para trás da cortina da sala. Então minha mãe chegou e foi até a porta.
-Cade ela?
-Eu disse que ela só veio falar olá.
-Ninguém chama as pessoas e fala oi. O que ela queria?
-Nada. Ela estava toda feliz e falou que te deseja um bom dia.
-Aram.... Sei. Oque você ta aprontando Léo? Vai tirar essa roupa pela por favor. E desce daqui a pouco pra me ajudar escolher oque fazer para janta.
-Não quero jantar.
-Mais vai te matar me ajudar?
-Tá eu ajudo.
Ela foi pra cozinha e eu puxei Eleonor para meu quarto. Ela chegou lá pulou na minha cama e começou  a rir desesperadamente.
-Xiu... Ela vai vir aqui.
-Oque foi aquilo? Meu deus que Maria é essa?
-É uma velha chata que fica falando com minha mãe.
-Ai Léo. Até sua mãe sabe que ta ridícula essa roupa. Vai deixa eu ver essas roupas. - Disse ela se levantando e mexendo no meu guarda roupa.
Ela pegava uma roupa falava algo do tipo "colorido de mais" "infantil" " gay" ou "triste de mais" e tacava em cima da cama.
-Você vai ter um trabalhão pra guardar tudo isso.
-Eu vou ter o trabalho? Você que vai arrumar isso tudo. Ta sendo difícil arrumar uma roupa pra você ir.
Dei risada e ela voltou a falar o defeito de cada roupa. Dependendo dela eu teria de reformar o guarda roupa inteiro.
-Ah é essa aqui. Vai coloca essa aqui " Era uma blusa xadrez com toca cinza e uma calça preta.
Tirei a roupa e vesti a blusa. Enquanto ela falava
-Meu deus. Pelo menos suas cuecas são bonitas.
Quando terminei de me trocar ela me olhou e disse.
-Está bem melhor. Só falta arrumar o cabelo. E tira todo esse gel.
-Fala mais baixo. Minha mãe não sabe que vou ir para a festa e nem que você está aqui.
-Sim senhor.
As sete e vinte eu já estava arrumado e tinha escolhido oque minha mãe poderia fazer para a janta e avisei que estava indo dormir. E então ela perguntou "Porque esta com essa roupa?" e eu disse "porque meus pijamas estão lavando." e ela pareceu convencida então entrei no meu quarto e pulei a janela com a Eleonor. 
Um carro preto estava parado em frente minha casa logo percebi que estávamos indo até ele. Entramos no carro que nos levou até onde estava tendo a tal festa. Alguns bêbados estavam na rua mexendo com as meninas que passavam. A musica soava alto. É uma musica desconhecida. Varias pessoas entravam com suas parceiras de mãos cruzadas achei que deveria fazer o mesmo com Eleonor. Lá dentro tinha uma cozinha e uma mesa improvisada cheia de copos vermelhos e azuis. E três tipos de bebida. No que deveria ser a sala tinha uma pista de dança onde alguns casais dançavam uma musica agitada.
-Você quer dançar? - Gritei para Eleonor me ouvir.
-Agora? Acabamos de chegar. Vamos beber alguma coisa.
Ela me puxou para a mesa e encheu os copos com uma das bebidas. E depois me puxou para a pista de dança. Eu não notei diferença nenhuma. Não sei se é o padrão entrar tomar algo e ir dançar. Na verdade eu considero uma ordem diferente. Chegar dançar e beber. Ela dançava adoidado. Até que no meio fim da festa varias gotas de suor estavam alojadas na sua testa. Não tão suada. Suada o suficiente para ser sexy. 
-Ei. Léo. Eu já volto me espera. - Ela disse por fim saindo porta a fora.
Me sentei em uma banqueta para esperar ela chegar. A festa estava um pé no saco. De um lado um casal se beijava. Do outro uma garota dançava uma musica lenta. Porque a essas horas só tocava musica romântica. 
Uma menina morena sentou do meu lado, pegou um copo e encheu com a bebida.
-Isso é uma festa de casais sabe...- Fiquei imaginando porque ela estava falando que a festa era de casais, porque eu já sabia, mais ela logo continuou.- Geralmente estão com uma companheira.
-Ela saiu. - Disse por fim olhando a roupa laranja que ela usava.
-O meu também. Estou tão sozinha quanto você. - Ela fez uma pausa para me olhar. Quer dizer, olhar de verdade. -Quer dançar?
Eu de fato adoraria dançar com ela se não Estivesse com a Eleonor. Imagina ela chega e eu estou dançando com uma estranha? Será que ela sentiria ciumes? Ela não poderia me culpar de qualquer forma.
-Não obrigada. - Ela pareceu se chatiar então completei - Estou cansado.
-Está bem. Qual o seu nome?
-Leonardo. E o seu?
-Helloisa, pode me chamar de Hello. Você é bem gatinho Léo. - De fato eu deveria agradecer ou retribuir o elogio? Ou os dois juntos?
-Obrigada. Você também é muito linda.
Ela deu uma olhada nevosa nos lados. Uma olhada como se ela fosse me roubar ou coisa parecida. Mais só falou parecendo brava.
-Qual o seu problema? Porque não chega em mim logo? Eu sou feia?
-Não. Você é linda. Só não acho apropriado flertar com você quando estou com outra pessoa.
-Você disse que ela saiu. Então de fato não esta com ninguém.
-Você não entendeu. Ela saiu para fazer oque seja. Não foi pra casa.
Ela pareceu envergonhada. Totalmente constrangida 
-Ah. Desculpas então.
-Tudo bem. Eu não expliquei direito.
-Não quero que pense que eu sou uma puta barata não ok? Eu só te achei gatinho. Mais se sua companheira desistir. Ou você desistir dela. Me liga. -Ela disse o "me liga" enfiando um papel no meu bolso. De onde ela tirou o papel? Isso pra mim parece oferta de produtos. Sabe quando você está de carro e passa umas pessoas entregando folheto. Exatamente isso que me parece. Será que ela sai entregando os panfletos com o numero dela para todo mundo?
-Não precisa.
-Nunca se sabe o dia de amanhã. - Ela chegava mais perto e dava baforadas na minha cara de vez em quando. Pelo halito ela definitivamente estava bêbada não fazia ideia da merda que estava fazendo. Imagina eu telefono pra ela e ela pergunta "Mais oque? Não, eu não conheço nenhum Leonardo que eu tenha flertado." Por esse simples motivo eu devolvi o papel para ela e disse que não iria precisar.
-Você é bem teimoso. Aceite logo o papel e me liga quando quiser. - Ela deu uma olhada no relógio de pulso dela e disse - Tenho que ir. -Então colocou o papel no meu bolso de novo e assim sumiu pela porta.
 Depois de dois minutos demorados Eleonor apareceu na porta fazendo todos os caras pararem para a olhar.
-Ainda bem que você ainda esta aqui. Vem Léo me segue. 
Ela me pegou pela blusa e me arrastou até o andar de cima onde um casal se beijava loucamente. A menina estava contra a parede arreganhada. Não consigo imaginar Eleonor desse jeito. Ela abriu a porta de um quarto e entramos.
-Oque? - Perguntei.
-Vamos nos divertir um pouquinho Léo. Você vai gostar.

 

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