Love&Fame: Hall da Fama

Uma alma perturbada, um amor perdido, sonhos arruinados por erros. Uma vingança e tudo muda, pequenos detalhes viram grandes obstáculos e o passado vira agora novamente o presente. O medo, a raiva, a confusão, juntos e sem saber o que fazer. Não era o fim, não era o começo, era a continuação, era uma busca por justiça no meio de uma catástrofe. Poderia ser uma história de vingança e triângulo amoroso qualquer, mas com a fama ao redor deles tudo muda, porque todos querem seu nome na calçada da fama e farão qualquer coisa por isso. Vivemos pela fama, não pelo amor.

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2. Another Stranger

Alice Camper estava sentada na cadeira estofada marrom da sala do diretor da clínica psiquiátrica, Alden Henry. Observando pela janela, o dia parecia comum como qualquer outro, mas para Alice não. Estava louca para sentir a leve brisa da primavera em sua pele e seus cabelos esvoaçando de acordo. Para ela, os pássaros cantando eram um sinal da sua liberdade, logo ela estaria finalmente liberta daquele local após dois anos tratando problemas que – para ela – eram inexistentes. Tinha planos, tinha muitos planos para pôr em prática assim que colocasse os pés fora daquele lugar nojento e que tanto repugnava, seus planos talvez não dessem certo, mas era apenas um talvez e para Alice tudo teria que sair de acordo planejado nesses dois anos presa pela justiça em uma clinica para jovens problemáticos – na língua das pessoas mas na de Alice eram loucos – afastada de toda a vivacidade de LA, logo estaria liberta e solta como uma pluma jogada ao vento, apenas ela e o seu fulgor. Mas, enquanto sua libertação não chegava, iria continuar a fingir ser a garota doce e gentil que diferentes dos outros não brigava com os enfermeiros e revoltava contra os remédios, mal sabiam eles que Alice nunca chegou a engolir um remédio sequer, os guardou por dois anos em furinhos no colchão. Não era louca como os que ali residiam, sendo assim não precisava de remédios.

De certa forma, naquele momento Alice estava louca, louca para finalmente dar um basta naquele fingimento de boa moça. Alice era uma pessoa ruim, não negava, nunca negou, apenas escondeu para não ter mais problemas, sua vida já tinha problemas demais e passar mais tempo na clínica de retardados era a última coisa que queria.

Absorvida em seus pensamentos, Alice nem se deu conta que Henry havia entrado na sala, voltou ao seu normal assim que viu o homem sentando-se na sua poltrona. Alden Henry não era velho mas sua aparência descuidada, sua barriga e seus poucos cabelos não mostravam o mesmo e apenas aumentavam o nojo de Alice pelo pobre homem.

“Corno e sem onde cair morto, típica vida dos derrotados” – Alice repetia para si mesma, para lembrar-se o quanto a vida pode ser cruel e te dar uma rasteira, mas ela se considerava melhor, ela que daria uma rasteira em todos, inclusive na vida. Alice era insuperável.

– Pensando ? – Alden sorriu doce encarando a jovem.

Alice sorriu, meiga por fora e sarcástica por dentro, pensou em dizer “não, sou um animal irracional. Ah, não, espere! Esse é você!” Pena que tais palavras seriam rudes demais e carregavam o poder de fazê-la ficar naquele lugar sujo por mais tempo.

– Na verdade sonhando com dias melhores – sorriu tão gentil e doce como o cheiro de uma flor que clama para que seja apreciada e sentida – Tenho dever de nutrir minha alma com coisas boas.

– Dias gloriosos virão assim que sair. – Inclinou a cabeça, fitando-a em sinal de compreensão e consequentemente aumentando o nojo sentido por Alice.

– Espero tão ansiosamente por isso quanto a lua espera o anoitecer. – cruzou as pernas e colocou a mão sobre o joelho.

– Só precisa me dizer como se sente para que eu possa avaliar seu progresso e em seguida assine alguns papéis da justiça para sua liberação. – o velho olhava alguns documentos sobre sua mesa.

– Tudo bem. – piscou os olhos algumas vezes, quase angelical.

– Então, me diga, como se sente sabendo que daqui a pouco irá para casa ? – esticou os braços na mesa em espera da resposta de Alice.

A bela loira olhou para as mãos em seu colo com amargura e disse:

– Não tenho casa, doutor, não mais.

Ele a olhou em sinal de um sinto muito silencioso e suspirou angustiado, logo após, dizendo:

– O que pretende fazer a partir de agora ?

– Seguir minha vida, esquecer os fantasmas do passado, essa será minha maneira de recomeçar.

Sem maquiagem tinha uma face tão comum, era uma pessoa qualquer, e ninguém desconfiaria que ela era a gêmea de Grace Camper, cantora conhecida internacionalmente e a nova queridinha da América junto de seu namorado. Seus fios loiros caiam como umas cascata até a baixo de seus seios, seus olhos verdes transbordavam o bem – superficialmente –, seu nariz empinado não tinha a intenção de elevar seu grau de superioridade, não agora. Tinha pele natural e levemente bronzeada como a de qualquer jovem de Los Angeles, era alta e com belas curvas, mas nada em si era tão precioso para Alice como sua boca, seus lábios carnudos e altamente vermelhos como sangue, era aquela pequena parte de seu rosto que mostrava quem era ela apenas com um sorriso e Alice só possuía um sorriso, o cínico.

– Me fale sobre David. – pediu gentilmente.

“David, David, David. É tudo sobre ele.” – pensou, controlando sua vontade de rosnar como um predador.

Percebendo o silêncio repentino de Alice, ele insistiu:

– Ainda o ama ? Ainda ama o namorado de sua irmã ?

Era tudo sobre Grace e David agora, tudo. Sua irmã era uma vadia, David deveria ser seu e não de Grace, mas claro a doce Grace tinha que tomar tudo que deveria ser de Alice, tudo. Fama, dinheiro, reconhecimento, contratos milionários, o amor dos pais – até isso ela tinha que roubar –, e David. Grace tinha que se apaixonar pelo mesmo cara que Alice, tinha. Era tudo para passar Alice para trás ?

– Não sei. – mentiu, mentir sempre foi algo natural para a jovem – Tenho sentimentos confusos por ele.

– E Grace ?

– Passado. – respondeu bruscamente.

– Você resumiria tudo o que aconteceu com você tempos atrás em passado ? – questionou mexendo em uma caneta.

– Sim. – sorriu pela milésima vez naquele dia.

(...)

“Alice Beatrice G. Camper” assinava calmamente cada documento dado pelo doutor. Era sua carta de alforria, finalmente sua liberdade. Deixou a caneta sobre a mesa e fitou o doutor, era o adeus.

– Já sabe para onde irá ?

– Ainda conheço algumas pessoas. – respondeu vaga.

– Boa sorte, Alice.

Forçou um sorriso e saiu da sala, segurou mais forte a alça da bolsa ao entrar no corredor e ver todos a esperando ir, seus olhares de insanidade, talvez nem entendessem direito a cena. Olhou para a enfermeira e ela abriu a porta, virou para olhar o local que tanto odiava e viu James, gargalhou e saiu.

(...)

O vento, o barulho dos carros, as pessoas andando, pequenas coisas mas que após todo aquele tempo presa em uma clínica, passaram a possuir tamanho significado para Alice.

Sentada em uma mesa do lado de fora de algum restaurante barato, ela esperava James, o enfermeiro da clínica que digamos que...a divertiu por todo esse tempo. Não demorou muito para que logo o rapaz moreno de olhos azuis se aproximasse ainda com as roupas do trabalho.

– Finalmente livre. – ele riu e sentou–se na frente da garota.

– Já estava mais que na hora. – falou sem paciência.

– Aqui o que me pediu – estendeu o braço para dar a mochila vermelha para Alice, que parou de mexer seu suco com o canudo e a segurou.

– Vou tirar essas roupas imundas – falou com nojo –, já volto.

Caminhou por entre as mesas com as pessoas olhando-a cheias de curiosidade por causa de suas roupas, ainda estava com as roupas da clínica. Com a mesma feição que fazia antigamente, seu nariz empinado mostrando o quanto se considerava superior, os olhos que mostravam quem era e boca reta, definindo sua falta de paciência, entrou no banheiro que por sorte estava vazio. Trancou a porta e abriu a mochila, tirou os tênis, a calça e a blusa, típico fardamento da clínica de loucos que tanto odiava, ficando apenas com a simples roupa íntima preta. Suspirou vendo seu rosto no grande espelho do banheiro e vestiu as roupas que James comprou para ela. Agora vestia uma bota de salto, um short e uma blusa branca que só cobria seus seios. Bagunçou um pouco o cabelo, odiava seu cabelo completamente arrumado, e pegou um batom vermelho sobre a pia. James ganharia a noite com esse favor. Alice sorriu com seus pensamentos, juntou as roupas antigas dentro da mochila e jogou no lixo.

Saindo do banheiro, encontrou novamente o olhar das pessoas para ela, pensou o que perderam em si e andou rapidamente com raiva até a mesa em que estava, mas James não estava mais na mesa do lado de fora e sim dentro do restaurante de merda prestando atenção na televisão do local. Alice parou ao seu lado e tudo o que viu passar no jornal foi David em uma roupa de presidiário sendo carregado por policiais.

– Mas que merda é essa ? – Falou um pouco alto demais e James parou de prestar atenção e virou para ela.

– David foi preso essa madrugada. – Respondeu com a voz fraca, sabia de toda a história de Alice.

– Eu não acredito. – Segurou o sorriso debochado ao ver Grace indo tirá-lo da cadeia.

– Ele está bem, se é o que quer saber. – James fingiu não se importar, mas se importava e muito.

– Foda-se se eles estão bem ou não, você não pode ver ? Não pode ver que está tudo caminhando em ruínas entres David e Grace ? Será tudo mais fácil.

– Como assim, Alice ? – bufou.

– Grace deve está sem paciência para as últimas que ele anda aprontando, porque provavelmente isso que o levou a ser preso não foi a primeira arte de David, estão ocultando, ocultando o que realmente acontece por trás das câmeras, eles estão quase no fim. Eu nem terei que me dar ao trabalho de estragar o namoro de merda deles, David fez isso por mim.

E ela sorriu, ainda com toda a atenção na televisão, sorriu cínica. Não era o fim, muito menos o começo, era apenas uma continuação, uma busca pela justiça, mais precisamente pela vingança. David seria seu, James a ajudaria e Grace teria o que merecia por tudo o que fez com Alice.

Era o caminho para a ruína.

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