Meu querido irmão

Os conflitos são grandes na cabeça de Jenna, ser afastada daquele que mais ama, crescer praticamente sozinha, descobrir que tudo o que acreditava era mentira e sentir despertar um sentimento proibido, perigoso e ardente como brasa que envolve todo seu corpo. [...] Aviso: º O começo da história não fui eu que criei, li uma história que gostei muito e ocasionalmente decidi dar continuidade a ela.

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4. Triste afastamento

Depois que chegamos em casa o Guilherme veio conversar comigo, e me pedir desculpas.
- poxa mano você não podia deixar pra se divertir com aquela garota em outro dia?- perguntei, mas nem dei tempo dele responder – não né, tinha que ser justo no meu aniversário, me largou sozinha, se não fosse o Rick a noite teria sido uma porcaria. – eu falava enquanto ia em direção ao meu quarto, não estava querendo brigar com o mano e como eu estava muito chateada, o melhor era me afastar, mas ele me seguiu. 
– Jen eu sei que eu não devia ter feito, mas eu precisava fazer. – mas que desculpinha esfarrapada né. 
– A o que foi? Já tinha marcado hora e ela não devolveu o dinheiro do programa? – falei irritada enquanto tirava o vestido para tomar um banho, o Gui riu, mas logo ficou tenso novamente. 
– É eu só precisava, ta bom, mas se você não quer entender tudo bem. – ele falou e saiu, eu respirei fundo e fui tomar meu banho, enquanto a água caia as lágrimas rolavam em meu rosto, odiava brigar com o Gui, fiquei horas embaixo do chuveiro. Quando acabei o banho a raiva já tinha passado, coloquei minha camisola e fui atrás dele para fazer as pazes, as luzes da sala estavam apagadas, eu fui em direção ao seu quarto, a porta estava entre aberta, eu ia entrar, mas então ouvi um barulho estranho e parei já com minha mão na maçaneta da porta, me inclinei um pouco para frente encostando meu ouvido na abertura para ouvir melhor comecei a ouvir gemidos,  meu irmão passou a minha festa de aniversario inteira pegando a Bianca e ainda tem que ficar se tocando, “bom acho melhor fazer as pazes outra hora” pensei já me virando mas no meio dos gemidos ouvi o meu nome, era em mim que ele estava pensando enquanto se tocava, senti tanto nojo, uma vontade tão grande de chorar, de gritar, de sumir, engoli a seco e de repente me caiu a ficha, seu comportamento estranho diante de mim, seus olhares, ele me queria, ele me desejava, 

- NÃO! – o grito saiu sem eu perceber, imediatamente levei minhas mãos até a boca que havia me traído, corri para o meu quarto, tranquei a porta e me joguei na cama chorando, logo depois ouvi as batidas na minha porta 
– Abre, por favor mana, abre a porta – ele implorava. 
Eu estava com nojo e com medo, e ao mesmo tempo com raiva de sentir isso pela pessoa mais importante da minha vida, 
- por favor Jen, me perdoa, deixa eu me explicar, por favor – ele continuou, mesmo apavorada eu levantei e abri a porta, ele ficou um tempo parado, me olhando, seu rosto era triste, seus olhos estavam vermelhos e molhados, ele veio com uma das mãos em direção ao meu rosto mas eu recuei por impulso, ele ficou ainda mais triste. 
- olha só você, está apavorada, está com medo de mim, eu sou um idiota. – ele caiu de joelhos e levou as mãos ao rosto enquanto chorava, eu não podia vê-lo daquela maneira eu me abaixei junto com ele e o abracei, choramos juntos, ele me pedia perdão enquanto chorava, ficamos muito tempo assim, perdemos a noção da hora, depois conversamos, ele me explicou tudo o que estava sentindo e quanto estava sendo difícil resistir e lutar contra tudo isso, depois de muita conversa nós concordamos que seria melhor eu ir embora logo pela manhã e que deveríamos nos afastar um pouco, não podíamos correr o risco de essa vontade insana aumentar. 

Estávamos cansados e sem perceber acabamos adormecendo juntos em meu quarto. De madrugada acordei e estávamos abraçados, não existia espaço entre nós, fiquei olhando para ele e senti um calor percorrer meu corpo, vagarosamente percorri um de meus dedos pelo seu corpo analisando cada detalhe, sem que eu percebesse estava com meus lábios colados no dele, eu estava louca só pode, gui acordou e se afastou me olhando cauteloso, não queria que as coisas piorassem entre nós então eu sorri e lhe dei um beijo no rosto seguido de um forte abraço, ele relaxou e sorriu. 
– eu vou me arrumar, não quero pegar o voo tarde. – eu disse triste com aquela decisão.
- tudo bem, estarei esperando na sala. - ele falou com um sorriso e saiu. 
Relaxei meu corpo, olhei para minhas malas, ainda estavam feitas, nem tive tempo de desfazê-las, eu ficaria uma semana inteira com o Gui já que estava de férias, mas acabei ficando só um dia. Tomei um longo banho, parecia que estava tirando um peso das minhas costas, sequei meu cabelo e fiz um rabo de cavalo, vesti uma calça jeans, uma camiseta e meu vans. Quando sai do quarto o Gui estava na sala com um rosto triste, olhando para o nada com o pensamento longe. 
- estou pronta mano, podemos ir? – eu perguntei desanimada, no fundo queria que ele falasse “não, não podemos ir, você é minha irmã, nós vamos ficar juntos e eu vou me controlar.” Mas não.

– vamos logo, vai ser melhor a gente não se ver por um tempo. – foi tudo o que ele disse.
Respirei fundo, entreguei minhas malas e nós saímos. O caminho de volta foi no total silencio, ouvia-se apenas o barulho dos carros, trocavamos sorrisos amarelos uma hora ou outra, nada mais. No aeroporto a despedida foi rápida e dolorosa, me imaginar ainda mais distante do Gui era como se arrancassem uma parte de mim. 
– nós vamos continuar falando pelo telefone todos os dias – ele tentou me confortar 
– sim – foi o único som que consegui pronunciar, ouvimos a ultima chamada para o meu voo. – Eu te amo mana – ele me disse com um abraço. 
– eu também te amo – eu respondi, peguei minha malas e fui em direção ao portão de embarque, olhei para trás e o Gui já tinha se virado, foi a última vez que eu o vi.
Depois daquele dia, eu e meu irmão nos falavamos apenas por telefone, e cada vez menos. O Guilherme estava sempre me evitando, ouve uma vez que eu fui fazer um intercambio nos EUA, fiquei em uma casa super perto do apartamento dele e mesmo assim nós não nos vimos, eu tentava sempre convencê-lo de me deixar ir ficar com ele, mas ele sempre inventava algo para fazer e eu acabei desistindo, chegamos ao ponto de só nos falar em datas especiais. 
Não posso reclamar da minha vida hoje, não tenho ninguém no meu pé, a única pessoa que ainda me da sermão é a Maria, que trabalha aqui em casa e faz o papel de substituta da mamãe, mas eu dou um beijo nela, falo que esta tudo bem e ela alivia. Minha vida é boa, tirando a parte da falta que eu sinto do meu irmão, dos pesadelos que eu tenho quase toda noite desde os meus quinze anos e da minha mãe não dar a mínima para mim.

 

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