Meu querido irmão

Os conflitos são grandes na cabeça de Jenna, ser afastada daquele que mais ama, crescer praticamente sozinha, descobrir que tudo o que acreditava era mentira e sentir despertar um sentimento proibido, perigoso e ardente como brasa que envolve todo seu corpo. [...] Aviso: º O começo da história não fui eu que criei, li uma história que gostei muito e ocasionalmente decidi dar continuidade a ela.

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13. Eu não quero você

Realmente demorou apenas um minuto para ele estar em meu quarto, me abraçou da maneira protetora que apenas ele sabia e mais uma vez meus problemas pareciam pequenos em seus braços, eu me acolhi e chorei até não conseguir mais, ele não fez nenhuma pergunta, não quis saber o porquê, apenas me abraçou e ficamos ali por um longo momento até eu começar a falar.
- Eu e o Gui não somos irmãos. – foram minhas primeiras palavras e depois contei tudo a ele que me ouviu atentamente com um semblante que eu não consegui distinguir, e depois deu um grande sorriso com se tivesse gostado de tudo que ouviu. 
- Você está rindo de que seu retardado? – eu perguntei com raiva.
- Veja o lado bom disso tudo Jen. – ele disse ainda sorrindo.
- E qual é o lado bom? – perguntei.
- Você e o Guilherme não são irmãos, isso é bom, levando em conta tudo o que rolou entre vocês. – ele falou e abaixou a cabeça pensativo.
- Ele não quer nem falar comigo, então não adianta nada. – eu disse triste. 
Ele não falou mais nada, pegou o telefone e discou, eu sabia bem para quem ele estava ligando só não entendia o porquê ele estava fazendo isso, ainda hoje ele falou que me ama e agora esta tentando me ajudar a resolver os problemas com o Gui, enfim, resolvi prestar atenção na conversa.
- Eae cara, tudo bem? – ele disse no inicio da ligação. – Sua irmã precisa falar com você – gelei ao ouvir isso. – Ela está bem cara, mas precisa conversar com você. – ele ficou um bom tempo ouvindo e depois voltou a falar – É realmente sobre isso que vocês precisam conversar cara… não, espera, não desliga.- ele fez uma cara feia e jogou o celular na cama. – Droga, mas que cara teimoso. – ele disse chateado, era claro que o Guilherme havia recusado falar comigo e isso me causou uma grande dor que trouxe minhas irritantes lágrimas à tona, o Yuri logo me abraçou e conseguiu me acalmar, queria tanto sentir por ele que eu estava sentindo pelo Gui, seria muito mais simples, mas isso não acontece, parece que depois que fiquei sabendo que o Gui não é meu irmão meu sentimento por ele se intensificou.
- Nós podemos ir até lá – a voz do Yuri me surpreendeu
- Ir aonde? – eu perguntei
- É isso, nós vamos pegar o avião amanhã bem cedo, você vai falar com o Guilherme de qualquer jeito e ele vai te ouvir. – ele disse decidido.
- Sabe Yuri eu não te entendo, você disse que me amava e agora está aqui querendo me ajudar a falar com o Gui de qualquer maneira, seu amor passou tão rápido assim.
Ele me olhou triste e depois deu um sorriso e chegou bem perto.
- Eu te amo Jen, mas do que eu pensei ser capaz de amar e por isso eu quero te ajudar a falar com o Gui, quero sua felicidade mesmo que ela signifique a minha dor.
Eu gelei ao ouvi-lo, eu não mereço o que ele sente por mim, fiquei envergonhada, desviei o olhar e ele deu uma risada, uma que só ele tem e que eu gosto tanto.
- Calma pequena, eu sei que você também me ama, afinal, sou irresistível. – ele brincou, me mostrando que seria meu amigo, o mesmo bobo e companheiro que tem sido nos últimos dias.
- Seu convencido, está esperando o que? Vamos organizar nossa viajem. – eu falei lhe dando um soco no braço e mostrando que eu também permaneceria sua amiga.

Ficamos até tarde organizando a viagem e o Yuri acabou adormecendo tão bonitinho que fiquei com pena de acordá-lo e acabei dormindo ao seu lado. Claro que ele já acordou fazendo piadas.
- Como foi dormir ao meu lado pequena? – ele disse beijando meu rosto.
- Foi como dormir ao lado de uma serra elétrica. – Eu falei o empurrando. – agora levanta temos que ir. – eu me levantei e fui em direção ao banheiro fazer minha higiene. Depois de prontos fomos para a casa do Yuri para ele pegar sua mala e se despedir da irmãzinha linda dele.
- Eu vou voltar logo maninha, você se comporta e obedece a Ba que quando eu voltar faremos um mega passeio. – ele disse a irmã que ficou triste com a viagem.
- Os papais nunca ficam e agora você também maninho – ela falou chorosa.
- Minha pirralha eu nunca vou deixar você, só que preciso ajudar minha amiga, eu volto logo prometo. – ele a abraçou, me senti culpada, os pais do Yuri vivem viajando e ele está sempre com a irmã, Evelyn que tem apenas nove anos. Ela se acalmou com a promessa do passeio depois da viagem e então nós saímos.
A ida foi cheia de risos, descontraída, não havia nenhum desconforto entre nós, o Yuri me fazendo rir de tudo, até da maneira como a aeromoça servia os passageiros. Decidimos ficar em um hotel próximo ao apê do Gui, como eu me esqueci de fazer reservas tivemos que ficar no mesmo quarto.
- Fez de propósito só para dormir ao meu lado novamente né Jen? – ele brincou.
- Não enche ta Yuri. – eu briguei forçando uma cara feia que só serviu para arrancar risadas dele.
Passamos o restante do dia descansando a viagem e fazendo bagunça no quarto, deixei para ir falar com o Gui à noite, pois sabia que ele estaria em casa, demorei um tempo para resolver que roupa usar ou o que falar, o Yuri fazia graça da minha insegurança, talvez para esconder o quanto ele também estava inseguro.
- Quer companhia pequena? – ele perguntou quando eu estava pronta.
- Eu prefiro ir sozinha, melhor assim. – eu respondi, eu estava nervosa e é claro que seria melhor que meu melhor amigo estivesse do meu lado, mas o Yuri não mereci passar por mais essa.
Saí, minha barriga parecia um congelador, cheguei em frente ao apê, toquei a campainha.
- Pois não.

Quem abriu a porta foi uma garota, uma morena de cabelos longos, curvas acentuadas, olhos caramelados, linda, mas o que ela estava fazendo no apê do Gui?
- Quem é você? Cadê meu ir.., quer dizer, cadê o Guilherme? – eu perguntei ríspida.
- Você deve ser a Jenna né? Seu irmão fala muito de você, meu nome é Samira, Sammy se achar melhor. – ela era simpática, mas eu a interrompi.
- Ta, ta, me da licença, quero falar com o Guilherme.- eu disse a empurrando para entrar.
- Ei calma ae garota, seu irmão está tomando banho. – ela disse, já não tão simpática.
- Ele não é meu irmão, agora pode ficar ae que eu sei o caminho e quero falar com ele a sós. – eu continuei no mesmo tom de voz.
Ela continuou me seguindo, tive vontade de socar a cara dela, mas me mantive comportada, o Gui estava saindo do banheiro quando entrei no quarto na hora em que o Guilherme saia do banho enrolado na toalha “se controla garota” repeti mentalmente várias vezes para não agarra-lo.
- Jenna, está fazendo o que aqui? – ele perguntou surpreso.
- Eu preciso falar com você, esse foi o único jeito. – eu afirmei.
- Você é maluca Jen? Não, só pode ser, aparecer aqui do nada sem nem me avisar. – ele disse alterando a voz.
- Vamos baixar a bola ae maninho, não se preocupe eu só vou falar com você e vou embora se for isso que você quiser. – eu falei num tom um tanto irônico.
- Então tudo bem Jenna, fale. – ele disse se sentando.
- A sós, se for possível. – eu disse apontando pra tal Samira.
- Nos dê licença, só um minuto amor. – ele falou todo doce, sem noção a raiva que me subiu.
Ela ficou chateada mas saiu, assim que a porta fechou eu comecei.
- Amor? Rápido você hein Guilherme. – eu ironizei.
- Que tal irmos logo ao ponto mana. – ele pediu. 
- Tudo bem. – eu contei a história inteira a ele, sem deixar faltar nenhum detalhe, ele ouviu tudo triste e confuso, da mesma maneira que eu fiquei ao ouvir minha mãe falar.
- Isso não pode ser verdade, fala que não é verdade Jenna. – ele disse me sacudindo.
- É a mais pura verdade, eu também não quis acreditar. – eu afirmei, já com as lágrimas rolando.
-Por isso que ela nunca me quis por perto. – ele repetia entre soluços. Nos abraçamos e choramos juntos, compartilhando o mesmo sentimento, a mesma dor. Depois de alguns instantes tínhamos nos acalmado.
- E agora como será? – eu fiz a pergunta que me agoniava.
- Como será o que? – ele respondeu fazendo outra pergunta.
- Como será a gente? Você fugiu de tudo, mas agora eu preciso que você encare a situação, por favor Guilherme, me ajude a entender isso, eu te amo desde sempre e eu não consigo esquecer o que aconteceu entre a gente, eu me sentia mal, me sinto ainda de uma certa forma, mas agora podemos encarar o que aconteceu. – eu despejei tudo em meio a soluços.
- Não existe a gente Jenna, foi um erro, e vai continuar sendo apenas um erro. – ele falou assim, sem nenhuma emoção, como se realmente não sentisse nada.

- Um erro? Como você pode falar isso Guilherme? Depois de tudo, como? – agora eu já gritava.

- Fala baixo Jenna – ele ordenou segurando meu braço
- Falar baixo? Você quer que eu fale baixo Guilherme? Por quê? Pra sua namorada não descobri que você dormiu com sua irmãzinha querida? Poupe-me Guilherme. – eu gritava ainda mais alto.
- O que você quer Jenna? – ele perguntou de cabeça baixa, mas foi uma pergunta retórica. – você quer que eu diga que esta tudo bem, que vamos ficar juntos e nada mais importa? Eu não posso fazer isso, porque mesmo com tudo que você falou eu continuo te vendo como minha irmã mais nova, podemos não ser irmãos de sangue, mas somos irmãos e nada vai mudar isso, eu te desejei e não vou me perdoar nunca pelo que fiz com você, eu te amo Jenna, mas da mesma maneira que sempre amei, não como mulher. – ele disse sem pausas para que eu não tivesse tempo de interrompê-lo, tentou disfarçar, mas notei seus olhos úmidos.
- Que bom que para você é fácil assim, pois saiba que eu te amo e não da mesma maneira que você diz me amar, eu te amo e desejo como homem e vou continuar amando e vou esperar o dia que você vai perceber isso. – eu disse já com a voz baixa.
- Esse dia não vai chegar Jen, entenda eu estou com a Sammy e eu estou completamente apaixonado por ela e eu queria sentar e conversar sobre isso com você, sentar e conversar sobre a garota que amo com a minha irmã mais nova que costumava me dar conselhos amorosos, por que você simplesmente não volta a ser minha irmã mais nova? – ele fez a pergunta mais idiota.
- É claro que isso não é possível, mas se é com ela que você quer ficar eu não vou te impedir, só que me esquece, eu não sou sua irmã e a partir de agora eu não serei nada para você. – eu falei me virando para ir embora.
- Aonde você vai Jen? – ele perguntou me segurando.
Eu não respondi, soltei meu braço de sua mão e fui em direção à porta tentando não chorar, passei pela tal namorada e minha vontade era de arrancar todo aquele perfeito cabelo, mas mantive a classe e sai, não olhai para trás e ele não me seguiu, não pediu para ficar, nada, apenas fui.

 

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