Meu querido irmão

Os conflitos são grandes na cabeça de Jenna, ser afastada daquele que mais ama, crescer praticamente sozinha, descobrir que tudo o que acreditava era mentira e sentir despertar um sentimento proibido, perigoso e ardente como brasa que envolve todo seu corpo. [...] Aviso: º O começo da história não fui eu que criei, li uma história que gostei muito e ocasionalmente decidi dar continuidade a ela.

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12. Descobertas

 

O Yuri é mesmo um ótimo amigo, começamos a andar para todo canto juntos. Todos os dias, antes de ir para a faculdade, ele me leva até a escola e depois do trabalho vai para minha casa, assistimos filmes, algumas vezes só conversamos e em outras apenas nos fazíamos companhia.
O Gui cortou totalmente relações comigo, eu tinha só algumas notícias dele pelo Yuri. Minha vida estava um grande saco, eu tinha que aturar a traidora da Aline na escola e para piorar, o Luquinhas estava sempre com ela e a Gabi por sua vez estava sempre com o Luquinhas, ou seja, eu estava sozinha. Restavam-me apenas a Bia e o Yuri, mas eles não estudavam comigo. 
Acordei sem vontade nenhuma de ir para a escola, mas sabia que não importasse a desculpa que eu iria inventar o Yuri me faria ir, então decidi que era melhor mesmo eu me arrumar antes que ele chegasse. Quando ouvi a buzina já estava pronta na sala esperando por ele, sai e entrei no carro.
- Bom dia minha linda - ele me cumprimentou com o sorriso de sempre no rosto, já me acostumei com esse sorriso, sei descreve-lo mentalmente sem nenhuma dificuldade, mas mesmo assim eu fui seca ao responder.
- Bom dia - eu soltei sem um pingo de ânimo e ele sentiu a minha indiferença e fez uma carinha triste que foi de cortar meu coração, mas não mudei meu humor, continuei com a mesma cara de indiferença.
- Alguma notícia do Gui? - eu perguntei sem olhar para ele, pois não queria ver seu rosto chateado.
- Não. - ele respondeu, agora com o mesmo tom de indiferença que eu. Depois disso fez se o silêncio até metade do caminho quando ele, sem nenhum aviso prévio, despejou sobre mim a bomba que eu tanto temia.
- Sabe Jen, eu vou te falar uma coisa que já está presa em mim um bom tempo, eu não aguento mais ver você assim, eu te amo Jenna, e quero ser capaz de fazer você esquecer tudo o que te aconteceu, me dê a chance de fazer isso Jen, me dê a chance de fazer você feliz.
Meu coração se apertou ao ouvir tudo aquilo, ele não podia estar falando sério, eu não podia aguentar mais essa agora, eu não o amo, não da maneira que ele quer que eu o ame, como vou dizer isso sem que ele fique com raiva ou se afaste de mim? Não importa, eu tenho que falar, não posso deixar ele se iludir com essa ideia. Enquanto minha cabeça voava nem percebi que já estávamos frente à escola, eu o olhei e ele retribuiu meu olhar, seu rosto ainda era triste, ia falar, mas ele me interrompeu.
- Eu já entendi, é melhor você ir ou vai se atrasar. - ele falou e me beijou a testa, eu me aprecei ao sair do carro e corri em direção à escola sem olhar para trás nenhuma vez.

O dia foi horrivel, eu magoei a pessoa que tem demonstrado ser quem mais se importa comigo. Depois da aula tentei ligar para a Bia mas ela não atendeu o telefone, que raiva que me deu, não desgruda nunca do celular, mas quando eu preciso dela não atende, fui para casa emburrada querendo matar a primeira pessoa que cruzasse meu caminho e para colaborar com toda a minha agonia dei de cara com a minha mãe quando entrei em casa. Ela me olhou da mesma maneira de sempre, mas hoje foi o que bastou para me irritar ainda mais.
- Tudo isso é culpa sua sabia? Minha vida esta uma merda por sua culpa, você manteve o Gui longe esse tempo todo, eu te odeio, eu queria que você tivesse morrido no lugar do papai. - eu despejei em cima dela sem nenhuma piedade, mas ela apenas me olhou sem nenhuma reação, isso me irritou ainda mais.
- Como você pode ser assim? Fala alguma coisa, grita, me bate, faz qualquer coisa, para de destruir todos a sua volta com essa sua falta de interesse, deve ser por isso que o papai morreu. - eu mal pronunciei a última palavra e a mão dela já estava de encontro ao meu rosto, eu senti a ardência do tapa, mas gostei disso, era a primeira vez em anos que minha mãe demonstrava algum tipo de emoção.
- Cala a sua boca Jenna, você não sabe de nada, você adora tanto esse homem que chama de pai, mas não sabe de nada. - ela lançou as palavras e eu não entendi nada.
- Do que você esta falando sua louca? - eu perguntei ainda com a voz alterada.
- Eu estou falando Jenna, que o homem que você tanto ama nunca foi nada seu, você não é filha do Armando e o seu Guilherme querido não é seu irmão. - as palavras vieram como um soco em meu estômago. Ela esta louca, só pode estar completamente louca, mas mesmo assim, como resposta ao soco que as palavras me deram as lágrimas correram desesperadas pelo meu rosto.
- Cala sua boca, você não passa de uma mentirosa. - as palavras saíram chorosas.
-A não, você não queria que eu falasse? Pois agora eu falarei tudo, tudo que ficou engasgado durante todos esses anos, você sempre idolatrou o Armando e ele nunca foi seu pai de verdade, você é filha de outro homem, então para com essa mania de paizinho querido. - as palavras continuavam sendo lançadas sobre mim como socos constantes.
- E…ele sabia? Meu pai sabia disso? - eu forcei as palavras a saírem.
- Não, talvez tenha desconfiado, sempre gostou mais do bastardinho, você era deixada de lado e ainda prefere a ele. Como pode preferir a ele Jenna? - ela me perguntou, haviam lágrimas em seus olhos, mas não me comoveram, naquele momento eu a odiava.
- Meu pai nunca tratou o Gui e eu com diferença. Ele nos amava da mesma maneira, você não percebe o quanto está errada? Você enganou meu pai,e você sempre maltratou o Gui, você não é mãe dele né? Conte-me tudo eu quero saber. - as coisas começavam a clarear para mim, doía, mas tudo estava se encaixando, ela sempre foi indiferente ao Gui, só queria saber como isso tinha acontecido, tenho certeza que meu pai seria incapaz de traí-la.
- Eu sempre amei muito seu pai, mas nós tínhamos nossas brigas e em uma dessas brigas ele saiu de casa, ficamos um bom tempo separados, mas nós nos amávamos e decidimos que devíamos ficar juntos. - ela fez uma pausa - não acha melhor se sentar? - ela perguntou, eu apenas fiz um gesto para que ela continuasse - você é quem sabe, onde eu estava? A sim, nós resolvemos que deveríamos ficar juntos, mas seu pai sempre foi muito sincero, ele me falou que havia se envolvido com uma outra mulher, mas que me amava e queria ficar comigo, foi difícil para mim mas eu o perdoei pois também o amava. Passou um tempo e seu pai chegou em casa trazendo aquela criança, o motivo da infelicidade do meu casamento, a mulher com que seu pai se envolveu, engravidou e acabou morrendo no parto, e eu tive que conviver com isso, criar o filho que seu pai teve com outra mulher, imagina como foi isso para mim Jenna. Depois disso nosso casamento foi esfriando cada vez mais, e eu me envolvi com outro homem, foi por pouco tempo, mas o bastante para engravidar de você, seu pai, o verdadeiro, não desconfia da sua existência. Agora você entende porque eu quero esse garoto longe de mim, ele foi o desastre do meu casamento e para piorar eu olho pra ele e vejo seu pai. Agora você entende? - ela terminou, eu estava ouvindo atentamente cada palavra, cada uma delas doía em meu peito, não, eu não a entendia.
- a única coisa que eu entendo é que você traiu o meu pai mesmo ele sendo sincero com você o tempo inteiro, você fez uma criança inocente sofrer por causa da sua amargura, e eu continuo preferindo meu pai, o de verdade e não o doador de esperma, a você. - eu terminei e sem mais corri até meu quarto.

Deixei meu corpo cair sobre a cama, as lágrimas eram desesperadas, tudo girava em minha cabeça, eu queria apagar aquela conversa, esquecer de tudo o que ela falou, estava com tanta raiva da minha mãe por tudo, eu precisava de alguém ao meu lado, peguei o telefone e liguei para a única pessoa que entenderia toda a minha dor.
- Preciso de você - minha voz saiu embaraçada
- Estarei ai em um minuto. - ele respondeu e desligou.

 

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