Meu querido irmão

Os conflitos são grandes na cabeça de Jenna, ser afastada daquele que mais ama, crescer praticamente sozinha, descobrir que tudo o que acreditava era mentira e sentir despertar um sentimento proibido, perigoso e ardente como brasa que envolve todo seu corpo. [...] Aviso: º O começo da história não fui eu que criei, li uma história que gostei muito e ocasionalmente decidi dar continuidade a ela.

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2. Comportamentos estranhos

 

Depois de três anos eu e  o Gui ainda nos falavamos todos os dias, pelo telefone ou mensagem, tinhamos que nos falar, minha mãe continuava um fantasma, eu podia colocar fogo na casa que ela não ligava. Meu aniversário desde aquele dia nunca foi o mesmo, pois era o mesmo dia do falecimento do meu pai mas esse era especial, eu ia visitar o Gui pela primeira vez, não me aguentava de felicidade e ansiedade. Peguei o primeiro voo, a viagem inteira eu passei imaginando como seria passar o fim de semana lá com ele. Quando cheguei o Gui estava me esperando no aeroporto, parecia tão feliz e ansioso quanto eu, já fazia um tempão que a gente não se via, mas era como se nada tivesse mudado, o Gui continuava com a mesma cara de moleque, mas ainda mais lindo, seu cabelo preto estava um pouco maior, ele estava forte, olhar para ele me fazia lembrar o pai, eles sempre se pareceram muito, eu pulei no pescoço dele e não soltava de jeito nenhum, ele ria e me rodava apertando meu corpo contra o dele. - Que saudades Jen, você esta linda, cresceu tanto pirralha. – ele disse entre lágrimas.
- Ah moleque você também esta um gato, deve estar se dando bem com as americanas né? – ele ficou vermelho e nós rimos. 
- Vamos, temos tata coisa pra fazer, afinal temos que comemorar seu aniversario. - falava já me puxando. 
-A irmão não quero fazer nada além de matar a saudade de você, vamos alugar filmes, fazer pipoca e só, não quero fazer mais nada. – Ele fez bico, mas acabou aceitando. 

Ele pegou minha mala e fomos até o estacionamento, eu não me desgrudava dele nem um minuto, entramos no carro, ele colocou uma musica e fomos cantando, fazendo palhaçadas um para com o outro e rindo muito, em alguns momentos apenas nos olhavamos, mergulhados nas lembranças, na saudade, nos momentos que deixamos de compartilhar, e o Gui lembrava que estava dirigindo e olhava pra frente, teve uma hora, quando cruzei minhas pernas tive a ligeira impressão dele ter me olhado de maneira diferente mais não deve ter sido nada, ele é meu irmão. Era tão bom estarmos juntos, nada mais importava. 
Quando chegamos no apartamento, eu fui direto para o banheiro tomar um banho, o Gui foi preparar alguma coisa pra gente comer. Fiquei uma hora no banho, quando sai coloquei um shortinho e uma regata, bem confortável, fiz um rabo de cavalo e fui pra sala, a mesa já estava posta e o cheiro era ótimo.
- Que cheiro bom mano – falei já me sentando morta de fome, o Gui me olhou com cara de espanto, sei lá, ficou me observando. 
-Jen, não acha melhor colocar outra roupa não?- ele disse bem sério. 
–Porque moleque? Esta esperando alguém? Um amigo gatinho? Se for fala, pra eu ficar linda. – eu brinquei.
-Deixa de bobeira garota, estou esperando ninguém, mas esse seu short parece até uma calcinha de tão pequeno. - ele brigou. 
Achei bonitinho ele me chamando atenção.

- Para de boberia Gui, estou dentro de casa, ninguém vai me ver assim. - falei fazendo bico. 
-Esta bem, você é quem sabe aniversariante, agora vamos comer. – ele finalizou voltando a sorrir.
Começamos a comer e a conversar sobre tudo, nossos amigos do Rio, o Gui manteve a amizade com toda a galera mesmo estando longe, falamos dos seus amigos da faculdade, ele perguntou da mãe, mas não tinha muito que falar sobre ela.
- Gui você já está com 17 anos, porque não volta para o Rio? Logo vai poder usar o dinheiro que o papai deixou de herança, vende este apê aqui e compra um lá, pode começar a cuidar dos negócios do papai. – eu pedi. 
- Eu vou começar a faculdade mana, a mãe tinha razão, quando eu me formar aqui vou ter muito mais prestigio do que em uma faculdade lá no Brasil, a empresa esta em ótimas mãos e pode esperar mais um pouco antes de eu assumir. – ele argumentou.
Eu entendia seu argumento, mas não aceitava. 
-Mas a gente ficaria mais perto, então porque eu não venho morar aqui, a mãe nem vai ligar, ela nem me enxerga mesmo- era a mais pura verdade, se eu fosse morar com o mano provavelmente a mãe nem notaria. 
- Mana, a mãe nos ama e só quer o melhor para a gente, quando eu terminar a faculdade eu volto para o Rio e nós nos falamos sempre e quando da nos vemos. – ele disse firme. Bom eu sabia que a conversa não daria em nada, então desisti por hora. 
– Tudo bem, vamos lá pra sala assistir filme.- falei animada.

Ele me abraçou apertado e nós fomos para a sala, ele separou uma série de filmes antigos que gostavamos de assistir com o papai. Riamos, brincávamos e choravamos juntos.
-Lembra como ele imitava esse cara? – eu perguntei. 
-Lógico que lembro, ele era o melhor. – ele respondeu com o pensamento longe. 
-Em tudo. – completei.
Encostei minha cabeça no colo dele e ficamos assim um bom tempo. Meu irmão era tudo o que eu tinha, sem ele por perto nada fazia muito sentido, eu ficava completamente sozinha. -Vou fazer mais pipoca – eu disse levantando, peguei o pote que estava no chão me abaixando e fui até a cozinha. Fiz a pipoca, e voltei para a sala. O mano já estava colocando outro filme, eu joguei uma pipoca nele e fiquei morrendo de rir.
- Para pirralha, ta louca. – ele gritou.
Eu enchi a mão e joguei novamente morrendo de rir. 
-não paro. – provoquei.
- A é assim, então ta. – ele me pegou e começou a fazer cócegas, eu deixei o pote de pipoca cair no chão e nós caímos juntos no sofá, eu no colo dele, estávamos morrendo de rir, mas o Gui me jogou no sofá e saiu sem falar nada, fiquei sem entender, catei a pipoca do chão e fiquei comendo, demorou um pouco e o Gui voltou pra sala, sentou no sofá sem falar nada e ficou um tempo em silencio, eu também não falei nada. Meu irmão estava muito estranho. 

-Não vai colocar o filme mana?- ele quebrou o silêncio.
–Hãn? A ta, claro. – levantei e fui colocar o filme.
-Você está namorando Mel? – ele me perguntou do nada. 
-Namorando? Não, eu tenho um rolo com o Vini, lembra-se dele? Mas não é nada sério não. – eu respondi um tanto sem graça mais disfarçando.
- Logo com o Vinicius, ele sempre foi um safado Jenna, não tem alguém melhor não? – ele perguntou, não sei se a intensão dele era me chatear ou se era só ciúmes de irmão mesmo. 
- O que é isso agora? Vai ficar me controlando? – eu reclamei frisando a testa. 
- Não mana, mas você mudou, seu corpo mudou, eu não estou lá perto de você para te proteger, morro só de pensar em um idiota se aproveitando de você. – ele agora falava mais calmo, com cara de preocupado, mas ele tinha razão, ele não estava lá e não podia me proteger, então essa conversa não levaria a nada. 
- Eu sei me virar ta, tive que aprender, se você se preocupasse mesmo voltaria comigo para o Rio. – argumentei. 
- Não posso agora mana, mas falta pouco, eu vou voltar, prometo. Mas você e o Vinicius já… - tive que interromper, não queria ouvir meu irmão me perguntando se eu já tinha transado. 
- Nem pergunte, claro que não, o que é que você ta pensando que eu sou hein?- falei chateada. 
-Não é isso mana, eu sei que ele vai tentar. – ele continuou, não sei por que o mano surgiu com essa conversa logo agora. 
- Ele já tentou se quer saber, mas eu não quis e ele entendeu. – disse para tentar encerrar a conversa. 
- Deixa esse assunto pra lá, vamos ver o filme, vem senta aqui. – ele me puxou me fazendo sentar ao lado dele e deitou no meu colo. 
- Te amo mano. – eu falei mexendo no cabelo dele. 
-Também te amo pirralha, amo muito. - ele disse em seguida. Ficamos assim até anoitecer. O idiota do Guilherme tinha armado uma festinha pra mim com alguns amigos da faculdade, não estava a fim de festa nenhuma, queria ficar com ele, só com ele mais não tinha oque fazer.

- Anda logo Jenna , nunca vi isso, a aniversariante vai chegar no final da festa. – ele gritava enquanto eu me arrumava.
- Estou indo. – eu respondia.
Já que eu iria a uma festa eu tinha que arrasar mesmo insatisfeita, optei por um vestidinho justo de frente única, um scarpin, fiz uma make leve, cabelos soltos quando cheguei à sala e o Gui estava impaciente. 
- Como estou mano? – perguntei fazendo pose. 
- Pra…pra que isso tudo Jenna?- perguntou me olhando de cima a baixo.
- Quero ficar linda né, quem sabe não dou uns beijos em algum amigo seu. – eu brinquei.
- Vestida desse jeito vão querer muito mais do que te beijar. – ele falou com cara de bravo, deu vontade de rir.
- Vamos logo, minha festa nos espera. – eu disse o puxando antes que ele desistisse.
Quando saímos, o Guilherme estava um pouco estranho,eu não estava entendendo nada, muito estranho o comportamento dele.
- Chegamos, pode descer enquanto eu estaciono o carro. – ele falou já abrindo a porta para que eu saísse. 
- Tudo bem. - Eu desci e logo na entrada reconheci um dos amigos do Gui, era o Henrique, que também era brasileiro, nós nos conhecíamos por conversas no telefone e mensagem, então segui até ele.

- Oi Henrique! – cumprimentei com um sorriso no rosto. 
- Oi – ele respondeu, mas ficou me olhando como se tentasse lembrar quem eu era. – não acredito, Jen? Pera ai, a Jen que eu conheço é uma criança– ele disse me abraçando e me dando os parabéns. 
- É as pessoas crescem né. – nós rimos e ficamos conversando, o Henrique, Rick como gostava de ser chamado era um charme, em todos os sentidos, enquanto ele falava comigo eu me controlava para não agarra-lo, ele usava uma camisa branca de gola V, o cabelo bagunçado caia em seu rosto que parecia ter sido desenhado à mão, seu olhos caramelados me hipnotizavam, eu estudava cada detalhe me esforçando para prestar atenção no que ele falava.
- Cadê seu irmão Jen? – ele disse depois de um tempinho. 
- Foi estacionar. – eu respondi me dando conta de que ele estava demorando. 
- Muito ruim de roda, ja faz tempo – o Rick brincou. 
- Cala a boca - Eu estava colocando a conversa em dia com essa lindinha aqui. - o Gui falou, aparecendo do nada, ele estava abraçado com uma garota totalmente sem sal, uma tal de Bianca, não sei porque, mas fiquei com raiva dela na hora, nos apresentamos e entramos na festa, tenho que admitir, estava um arraso, pouca gente, mas um pessoal super maneiro, me diverti vendo os americanos arriscando o português e eu arriscando o meu inglês que minha professora do curso dizia fluente. O Guilherme sumiu com a tal Bianca, fiquei morrendo de raiva dele por me largar sozinha no meu aniversário para ficar com aquela garota, minha sorte foi que o Rick não me largava, me apresentou todo mundo, dançamos juntos, tomamos umas bebidas, além de lindo, ele era uma ótima companhia.

-Jen, seu irmão sumiu né? – perguntou chegando bem perto do me ouvido por causa da musica alta. 
- nem ligo, não ta fazendo falta. – Disse tentando desfarçar a minha preocupação
- Bom, eu acho ótimo ele ter sumido. – ele falou me puxando mais para perto. 
- É? Por quê? – falei com cara de desentendida, mas eu sabia bem as intenções dele, ficou me secando a noite inteira, quase me comia com os olhos, o que mais ele poderia querer né? 
– Porque com ele longe eu fico mais a vontade para fazer isso. – ele falou aproximando seus lábios dos meus, o beijo começou devagar, carinhosamente, e foi se intensificando enquanto ele me apertava cada vez mais contra seu corpo, eu retribuía a cada toque, ele foi parando devagar com selinhos e mordidas, afastando seu rosto do meu, eu quase o puxei de volta, mas não queria que ele me achasse uma desesperada. 
- Você é muito linda Jen, está me deixando maluco, por que a gente não vai a algum lugar mais tranquilo pra gente ficar mais a vontade? – ele quase sussurrou, me fazendo sentir um arrepio.

- Não vai a lugar algum. Vem Jen, vamos embora. - o Guilherme apareceu novamente do nada, ele estava com o cabelo molhado, aquela bianca tava colada nele, passou o tempo todo com ela e quando minha noite estava ficando ótima ele chega para atrapalhar. 
- Você ta louco? Sumiu o tempo todo e agora vem dizendo que quer ir embora, se quiser pode ir, eu fico e depois o Rick me leva, né? – eu perguntei olhando para o Rick com uma cara provocante. 
- É…é por mim não tem problema nenhum.- ele respondeu desconcertado. 
- Fica na sua Henrique , mana você vai embora comigo, sei que vacilei mas nós vamos embora agora por favor. – o Gui estava bastante irritado. 
- Ai Guizinho , deixa sua irmã se divertir e vamos nos divertir mais um pouco também. - Ela falou com aquela voizinha dela , alisando meu irmão, eu não queria ir embora, mas também não queria ver o Guilherme com ela. 
- Vamos logo então mano. – eu cedi. 
- Tudo bem, vamos então. – ele se despediu da Bianca, deu um tchau seco para o Rick e foi me puxando. 
- Ei calma ae. – Eu me soltei e fui em direção ao Rick, lancei minhas mãos em torno de seu pescoço e o beijei, com bastante vontade, ele retribuiu, mas estava meio travado, acho que com medo do Gui. 
- Tchau gato. – eu disse sorrindo. 
- Tchau Jenna. – ele gaguejou. 
- Vamos logo Jen. – O Gui quase gritou, deu vontade de rir, mas eu fui.O caminho de volta foi totalmente calado, só se ouvia os barulhos do carro, eu fiquei o tempo todo olhado pela janela, estava com raiva do mano, eu queria ter passado meu aniversario todo com ele, mas ele me inventa uma festa e me deixa sozinha para ficar com aquela garota, ele nunca foi assim tão insensível, alias ele estava estranho o dia inteiro. Queria entender.

 

 

 

 

 

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