Meu querido irmão

Os conflitos são grandes na cabeça de Jenna, ser afastada daquele que mais ama, crescer praticamente sozinha, descobrir que tudo o que acreditava era mentira e sentir despertar um sentimento proibido, perigoso e ardente como brasa que envolve todo seu corpo. [...] Aviso: º O começo da história não fui eu que criei, li uma história que gostei muito e ocasionalmente decidi dar continuidade a ela.

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1. Birthday

Tudo estava perfeito naquele dia, crianças correndo por todo canto, bolo, doce e guaraná espalhados pela casa, como toda festa de aniversário tem que ser, pelo menos aniversário de meninas de 12 anos. Mas naquela manhã, antes da festa, nada estava bom, acordei com o maluco do Gui praticamente derrubando a porta do meu quarto, incrível, ele era dois anos mais velho do que eu, mas não passava de um moleque.

-Jen acorda, deixa de preguiça garota, acorda logo a mãe esta chamando. - ele berrava. Abri os olhos sem vontade nenhuma.
- O que é garoto chato? Nasceu pra me perturbar né?- gritei de volta. 
-Sai logo do quarto Jenna. - ele respondeu, mas já não gritava mais. 
Levantei extremamente irritada usando meu pijama rosa de bolinhas, abri a porta com cara de “quero te matar” pro meu irmão que estava parado com um sorriso de orelha a orelha, seu cabelo preto ainda bagunçado, os olhos azuis estavam como se prestes a saltar para fora.
- iih me olha assim não pirralha, tinha que me agradecer, se eu não subisse a mãe iria e você sabe como ela é, então é melhor descer logo. – ele terminou e se virou para descer.
-Esta esquecendo nada não moleque?- Perguntei, ele me olhou com cara de interrogação me analisando.
-Caraca é mesmo, quase que esqueço – Ele sorriu e eu também “claro que meu irmão ia lembrar-se de me dar os parabéns”, ele chegou mais perto e bagunçou meu cabelo todo, com as mãos.
– da uma arrumada nesse cabelo antes de descer, ta horrível pirralha. – ele falou pra me irritar ainda mais.
- PESTE!- gritei enquanto ele descia correndo e dando gargalhadas.

Fui irritada para o banheiro tomar um banho, coloquei um short e uma camiseta e desci, tava todo mundo na mesa já tomando café.
-Bom dia minha princesa!- Meu pai falou me olhando.
“ele vai me abraçar e dar os parabéns” pensei. 
-Bom dia papai - falei com um sorriso no rosto.
- Senta minha linda e toma logo seu café. – ele ordenou e depois não disse mais nada
Senta? Era só isso que ele iria falar, pelo visto todo mundo se esqueceu do meu aniversário. Sentei um tanto chateada, dei bom dia a minha mãe e ela me respondeu seca como sempre. Meu irmão fazendo graça na mesa, ele era um moleque mesmo, mas eu não esperava dele esquecer meu aniversario. Como se meu dia já não estivesse ruim o bastante minha mãe me veio com uma de aula particular de matemática, além de ninguém se lembrar do meu aniversário eu iria passar o dia tendo aulas de matemática, tentei argumentar - Mas mãe aula de matemática logo hoje? – disse com voz de choro. 
-E o que é que tem garota, hoje é algum dia diferente dos outros?- ela perguntou ironicamente. 

Fiquei morrendo de raiva da resposta dela, minha mãe sempre foi uma insensível, mas aquilo já estava demais. Bom sem outro jeito eu tive que passar a tarde toda tendo aulas de matemática com o professor chato. Já no fim da tarde meu pai veio me buscar, entrei no carro desanimada, não falei nada durante todo o trajeto e meu pai também não. Quando chegamos eu desci rápido do carro e fui me apressando para entrar em casa e quando abri a porta,estava todo mundo lá esperando com minha festa surpresa, meu irmão foi o primeiro a vir como um raio para cima de mim gritando.

-Achou que eu ia esquecer sua idiota, tive que me controlar muito para não estragar a surpresa toda. - Nós dois nos abraçamos e rimos juntos. 
O resto da festa foi ótimo, depois que todo mundo foi embora ficamos os quatro, eu, minha mãe, meu pai e o Gui sentados na sala abrindo todos os meus presentes, engraçado como um ato simples de abrir presentes pode ser tão incrível, uma hora ou outra minha mãe reclamava de alguma coisa, mas já estávamos acostumados com isso, tenho que admitir ela estava até se esforçando para aquele momento ser perfeito, do jeito dela, mas estava. E estava assim o nosso momento, perfeito, até o pior momento de nossas vidas acontecer.

foi no meio das gargalhadas que dávamos após mais uma das piadas do papai, parando de rir de repente, papai nos olhava estranho com uma expressão apavorada, sua mão foi até o peito e ele caiu.
- PAI ! – gritamos junto, Guilherme e eu.
Minha mãe estava sem reação ela caiu ajoelhada ao lado dele o sacudindo, chamando seu nome ao meio de lágrimas, meu irmão e eu só sabíamos chorar, também chamávamos por ele, mas já não adiantaria de nada, meu pai já estava morto, teve uma parada cardíaca.

 Foi um momento horrivel, de pavor, angustia , mas as coisas só iriam piorar. Depois da morte do papai, a mãe surtou de vez, ficava como um fantasma pela casa, nem falava com a gente mais, principalmente com o Gui, nem olhava pra ele, nós dois só tínhamos um ao outro. Algumas semanas depois, eu e o Guilherme jogavamos vídeo game no quarto quando a mãe chegou e o mandou fazer as malas, pois iria viajar, não entendemos nada, mas ele obedeceu e depois descemos.
- Mãe aonde o mano vai? – eu perguntei curiosa. 
-Ele vai para um ótimo colégio interno nos EUA, vai ficar por lá, estudar e ser alguém. - ela respondeu fria.
Minhas lágrimas foram imediatas, a única pessoa que eu tinha iria pra longe de mim, olhei para o Gui, sua tristeza era clara, mas ele não chorava. 
- Para de chorar garota, ele está indo estudar em um dos melhores colégios que existe, vai ser melhor que muitos dos seus amigos quando se formar. Agora vamos logo, ou você vai perder o voo. – ela nos repreendeu.
Chegamos ao aeroporto, eu passei o tempo todo chorando, “como ela pode fazer isso?” eu me perguntava e tentava achar a resposta mas nada vinha na minha mente, eu não conseguia entender como uma mãe poderia querer afastar um filho em um momento como o que estávamos passando. Estava na hora, nós nos abraçamos por um bom tempo.
- Continue sendo boa Mel, vou te ligar todos os dias se eu puder, vou estar sempre com você mana. - ele me disse com a voz embaralhada.
- Eu te amo mano – solucei. 
Minha mãe deu apenas um tchau seco e ele se foi, deixando em mim dor e saudade, meu irmão era tudo para mim, amigo, protetor, conselheiro, tudo, e agora ele estaria longe.

 

 

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