Meu querido irmão

Os conflitos são grandes na cabeça de Jenna, ser afastada daquele que mais ama, crescer praticamente sozinha, descobrir que tudo o que acreditava era mentira e sentir despertar um sentimento proibido, perigoso e ardente como brasa que envolve todo seu corpo. [...] Aviso: º O começo da história não fui eu que criei, li uma história que gostei muito e ocasionalmente decidi dar continuidade a ela.

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10. Arrependimento


            Guilherme

Quando acordei, meu corpo estava totalmente colado ao dela, o cheiro de seu cabelo era tão doce, o mesmo cheiro desde a infância, me doeu lembrar isso na situação em que estávamos, nós enlouquecemos completamente. Com certeza foi a melhor noite de toda minha vida, mas agora eu me sentia tão sujo, o nojo de mim foi era tão grande que tive ânsia, quando eu olhava para ela deitada na minha frente já não enxergava a mulher que havia me dado mais prazer do que qualquer outra, mas sim a minha irmãzinha mais nova, a minha pirralhinha, porque isso? Porque essa mudança? Só pode ser castigo por ter cometido tamanha atrocidade, senti meus olhos umedecerem, levantei cautelosamente para que ela não acordasse, não foi um grande problema já que ela tinha um sono pesado, vesti meu short e fui direto para o meu quarto, queria tomar um banho para ver se me sentia menos sujo, fiquei um bom tempo debaixo do chuveiro, mas de nada adiantou, continuava com nojo de mim, não tinha cara para olhar a Mel depois do que eu havia feito. Sai do banho, coloquei uma bermuda, uma camiseta, calcei meu chinelo e sai, dei uma espiada no quarto e ela ainda estava dormindo, a tristeza que senti ao olhar para ela foi tão grande que me deu vontade de deixar de existir, alguém tão sujo como eu não poderia existir. Fui até a sala, estava um tanto perdido, queria sumir, andei devagar até a porta, já estava com a mão na maçaneta para abrir. - Guilherme – eu ouvi ela dizer meu nome, em um tom seco e frio de sempre, toda vez que ouço sua voz indiferente sinto como se perfurassem meu peito devagar.
- Sim mãe. – eu respondi sem me mover, nem olhar para trás.
- Queria saber como você vai na escola. – ela falou sem mudar o tom da voz, mas só o fato dela ter feito a pergunta me trouxe uma pontada de felicidade.
- Bom, eu já estou na faculdade mãe, terceiro período de administração, estou me empenhando para poder tocar a empresa para frente. – eu disse animado.
- Então não deveria estar aqui, tinha que estar lá estudando, espero que vá logo embora. – ela disse mais fria do que nunca, sua voz parecia carregar raiva, foi como um balde de água fria para a pontada de felicidade que eu havia sentido anteriormente.
Apertei forte a maçaneta da porta tentando conter minhas lágrimas, abri a porta e sai andando sem rumo, o choro era constante e desesperado, apoiei meu corpo em um muro, pois não tinha mais forças para me mover, desabei, me deixei cair na calçada com a cabeça abaixada pensando em tudo, em todos esses anos que eu vivi sozinho, afastado das pessoas que amo, de como deixei me levar por um desejo insano, lembrei-me de como nossa vida era boa quando estávamos todos juntos, o papai era nossa base e sem ele tudo desmoronou, não queria mais nada, apenas ficar ali chorando e lembrando. Alguns instantes se passaram e eu permanecia na mesma posição, imóvel. - Ta fazendo oque ai Guilherme?- Eu ouvi quando me chamou. Parecia ter saído de um transe.
Levantei meus olhos e ele me olhava assustado, não conseguia falar, como se estivesse desaprendido, ele ficou ainda mais assustado.
- O que houve? Aconteceu alguma coisa com a Jenna? Ela esta bem?  – ele atropelava as frases agoniado. Eu apenas fiz que sim com a cabeça em resposta a sua última pergunta.
- Você que está mal né? Foi sua mãe? O que ela fez? – ele continuava um pouco mais calmo, mas com o mesmo ar de preocupação, eu continuava sem conseguir responder. – vem. – ele disse me ajudando a levantar e me colocando em seu carro. Nunca tive nenhum amigo como o Yuri, ele sempre foi meu irmão, mesmo quando estávamos longe.
Não sabia onde estávamos indo, minha mente estava tão longe que eu nem prestei atenção no caminho, ele não disse uma palavra, não fez nenhuma pergunta, só dirigia. Notei que tinha um buquê de flores no banco de trás do carro.
- Pra quem são as flores? Ia sair com alguém? – eu perguntei com medo de estar atrapalhando algum plano dele.
- São pra Jenna, eu ia lá ver se ela está bem e decidi comprar flores, mulher sempre gosta de flores, achei que podia animar ela.- ele respondeu parecendo animado com a idéia.
Será que ele está afim dela? O Yuri seria sem dúvida um ótimo namorado para a Mel, mas eu não conseguiria esconder dele o que tinha acontecido, “ele vai me odiar quando souber” eu pensei. Finalmente, quando ele estacionou eu percebi que a gente estava na sua casa. Ele desceu do carro e fez sinal com a cabeça me chamando, eu o segui.
- Meus pais estão viajando pra variar, essa hora a Belinha ainda está dormindo e a Lourdes não vai incomodar a gente. – ele falou com um sorriso.
- Obrigado. – eu agradeci.
Entramos e fui direto para o quarto, o Yuri foi até a cozinha pedir a Lourdes para preparar alguma coisa para gente comer. Quando ele voltou trazia uma bandeja com sanduiche, bolo, suco e café, sempre exagerado. Nós comemos, ele ficou falando de coisas nada a ver na intenção de me distraí, depois que terminamos ele ficou sério, esperando eu estar pronto para falar.
- Bom o motivo de eu estar assim não é só a minha mãe. – eu comecei, ele continuou me olhando sem falar nada. – eu fiz uma coisa horrível, até você vai me odiar quando souber. – eu parei um pouco esperando a reação dele.
- Você é meu irmão, sempre esteve comigo, mesmo longe você sempre foi meu melhor amigo, conselheiro nos piores momentos, você sabe que se não fosse por você eu teria feito alguma merda com a minha vida, então independente do que você tiver feito eu vou estar com você, é uma promessa. - ele falou sendo sincero. “Ele fala isso porque não sabe o que eu fiz.” más apesar de eu já ter ajudado ele em muitas coisas quando o pai dele traiu a mãe dele, ele sofreu muito, chegou até se drogar e teve overdose, mais conversamos e ele disse que não queria isso, só queria esquecer os problemas. Depois que lembrei disso tive uma pontada de esperança dele não ficar com tanto ódio de mim. - Bom melhor eu contar de uma vez. – eu contei tudo, cada detalhe, desde o dia em que a Jen foi me visitar, ele me ouvia atencioso mais com uma expressão de horror a tudo aquilo. - Como? Como você…- ele parecia não saber o que dizer.
- Eu sei, e eu me sinto um lixo agora, depois de tudo eu a olhei e ela voltou a ser só a minha irmã mais nova, você não imagina como eu estou me sentindo, eu deveria levar uma surra. – assim que eu pronunciei a ultima palavra senti o impacto do punho do Yuri se chocando contra o meu rosto eu perdi o equilíbrio e cambaleei para trás.
- Você mereceu esse soco, mas eu ainda sou seu amigo. – ele disse me olhando.
- Obrigado. - eu agradeci tanto pelo soco quanto pela sua amizade.
- O que você pretende fazer agora? – ele queria saber.
- Eu vou embora, não tenho nem cara de olhar para a Jen, mas eu vou precisar de você. – eu falei e ele fez que sim com a cabeça deixando claro que me ajudaria com qualquer coisa.    

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