Meu querido irmão

Os conflitos são grandes na cabeça de Jenna, ser afastada daquele que mais ama, crescer praticamente sozinha, descobrir que tudo o que acreditava era mentira e sentir despertar um sentimento proibido, perigoso e ardente como brasa que envolve todo seu corpo. [...] Aviso: º O começo da história não fui eu que criei, li uma história que gostei muito e ocasionalmente decidi dar continuidade a ela.

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11. Alguém que eu não conhecia


Acordei com o sol entrando em minha janela e clareando todo quarto, me despreguicei e senti que o Gui já não estava em meu lado “droga ele foi embora” eu pensei agoniada, me levantei e corri para o seu quarto e vi que ainda estava tudo lá, incluindo passaporte, os documentos, tudo. Fiquei mais aliviada, ele só deve ter ido dar uma volta, pensar um pouco, deve estar se sentindo tão confuso quanto eu estou. Voltei para o meu quarto, separei uma roupa simples para ficar em casa e fui tomar um banho, logo que terminei meu telefone tocou, era a Bia.
- Oi Bi. – eu atendi.
- Amiga como você está? A Gabi me contou o que aconteceu, ela ficou sabendo por que foi dormir na casa do Lucas e disse que a Lili estava arrasada porque você deve estar odiando ela agora. O Lucas está com muita raiva do Vinicius, falou que a culpa é toda dele e que ele seduziu a Lili, traindo você e o Yuri. Mais é verdade que você e o Yuri estão mesmo saindo? – tive que interromper porque a Bia fala demais.
- Calma né Bi. Primeiro eu estou bem, segundo nem estou com tanta raiva assim deles, eles que se resolvam pra lá e terceiro eu não estou saindo com o Yuri, da onde você tirou isso? Ele nem de longe faz o meu tipo. – eu falei e logo depois bateram na porta do meu quarto. Pensei que fosse o Gui.
- Entra. – eu mandei. A porta abriu e não era o Gui. – amiga eu vou desligar e depois eu te ligo. – eu disse e desliguei o telefone antes que ela pudesse protestar.
- O que faz aqui? – eu perguntei enquanto ele me olhava um pouco espantado e sem graça eu acho, suas expressões ainda me confundem.
- É Jenna, você está…- ele disse e apontou acho que sem jeito de falar.
Olhei para meu corpo e ele estava completamente descoberto, fiquei vermelha. – Ah, olha pra lá agora Yuri! – ele riu de mim, mas se virou.
Eu corri para colocar uma roupa, estava morrendo de vergonha, como eu não percebi que estava nua? 
- Pronto pode virar. - eu disse quando já estava vestida.
- Olha Jenna, se você for me receber assim sempre, eu vou passar a vir mais até sua casa. – ele brincou morrendo de rir da minha cara.
- Muito engraçado Yuri, quando entrou pro circo? E o que você está fazendo aqui no meu quarto? – eu perguntei fazendo cara de mal.
- Você me mandou entrar lembra? – ele continuava brincando, franzi o cenho e ele fez uma cara de assustado e levantou as mãos. – calma ai senhorita bravinha, eu vim chamar o Guilherme para dar uma volta, mas vi que ele não está em casa, então lembrei de você e pensei “porque não?”, então vim aqui perguntar se você não quer ir dar uma volta comigo, quer?- ele explicou e terminou deixando a pergunta.

Lembrei da pergunta que a Bia me fez ao telefone, queria saber da onde ela tinha tirado isso, e da onde o Yuri tirou essa ideia de me chamar para sair, mas eu não poderia recusar, ele foi tão legal comigo, bom acho que não há mal nenhum, será bom para a gente se conhecer melhor, afinal somos amigos agora.
- Tudo bem, vamos sim. – eu respondi e ele pareceu surpreso com a resposta. – mas preciso saber aonde vamos para me vestir adequadamente. – eu continuei.
- É segredo, mas não precisa se arrumar muito, você vai ficar linda de qualquer jeito mesmo, mas sugiro que coloque um biquíni. – as palavras dele me deixaram vermelha, ele estava dando em cima de mim? Bom de qualquer jeito eu deixarei bem claro que seremos só amigos.
Me arrumei de acordo com ele que estava com uma bermuda, chinelo, camiseta e é claro um boné. Optei por um short jeans, uma regata, chinelos, prendi o cabelo em um rabo de cavalo e por baixo um biquíni, o mais decente que eu tinha.
- Estou bem? para onde vamos? – eu perguntei rodando na frente dele para que pudesse me olhar.
- Como eu disse, está linda. – ele respondeu cortês. – podemos ir?- perguntou estendendo uma das mãos para mim.
- Sim, vamos. – eu respondi segurando sua mão.
Reparei que o Guilherme ainda não havia chegado, estava preocupada com ele, queria conversar a respeito do que aconteceu, perguntar o que tinha significado para ele, como ele estava se sentindo, porque eu não sabia como estava me sentindo, meu coração era uma mistura só de sentimentos, até que o passeio com o Yuri pode ser uma ótima ideia para distrair minha mente. Conversamos bastante durante o caminho, o Yuri tem um comentário interessante para tudo, nosso passeio nem tinha começado e eu já me divertia. Ele pediu para que eu colocasse alguma música para tocar, o gosto musical dele era praticamente idêntico ao meu.
- Não sabia que tinha bom gosto para musica Yuri. – eu comentei realmente surpresa.
- Sem querer ofender Jenna, mas o que você sabe sobre mim além do fato de eu ser ex namorado da sua amiga e amigo do seu irmão? – ele perguntou.
- Sei que você daria um ótimo palhaço, que adora bonés e gostou de me ver sem roupa. – eu brinquei, pois realmente não sabia nada sobre ele, nós rimos.

- Yuri, onde estamos indo? Ta me sequestrando? – eu perguntei fazendo piada.
- Seria uma boa ideia, mas não é isso,é uma cachoeira afastada, meu plano inicial era fazer uma trilha até o topo, mas isso seria com o Guilherme, mas como vim com você Jenna nós podemos ficar no final mesmo. – ele revelou.
- Sério? Eu simplesmente amo fazer trilha, peguei a mania com um professor de biologia meio louco do cursinho, sem chance que vou deixar de ir até o topo. – eu disse super animada.
Ele também se animou ao ver minha reação, ao chegarmos próximo à cachoeira ele estacionou o carro na sombra de uma árvore, pegou sua mochila no porta malas e fomos, realmente o final da cachoeira estava cheio de gente,e finalmente chegamos na trilha, essa era bem difícil e eu super enferrujada fiz o Yuri parar milhares de vezes, fora que ele teve que me ajudar nas subidas, isso estava o divertindo. Depois de muitos arranhões e machucados finalmente chegamos a nascente. Eu estava morta sem pensar duas vezes tirei a roupa e caí na água que, apesar de fria, estava uma delicia. Deixei meu corpo relaxar, colocando para fora todo o cansaço, depois de um longo mergulho comecei a finalmente reparar no lugar, lindo, é melhor definição que tenho. Tinha apenas um grupo de dois casais além de nós dois, acho que pouca gente conhece a trilha. O Yuri me olhava satisfeito por ter acertado na escolha do passeio, comecei a me perguntar se ele realmente estava com segundas intenções em me levar ali, mas não quis tirar nenhuma conclusão precipitada. Ele já estava sem camisa, só de bermuda, reparei um pouco em seu corpo “até que ele é bonitinho” pensei e logo depois balancei a cabeça em reprovação ao meu pensamento, não posso me dar ao luxo de achar ele bonitinho depois do que aconteceu ontem, eu nem sei ainda o que sinto realmente pelo Gui, já tem tanta confusão na minha cabeça. Ele forrou uma canga na sombra de uma árvore, sentou e ficou me olhando de lá.
- Você não vai entrar? – Eu perguntei elevando o som da voz.
- Com você chamando assim, só se for agora. – ele respondeu brincalhão e veio em minha direção.

Eu estava gostando da companhia dele, mas morrendo de medo de rolar alguma confusão de sentimento, em nenhum momento ele deu em cima de mim sério, só ficava fazendo graça, mas nenhum sinal de que seu desejo era além da amizade. O lugar e a companhia eram tão bons que nem percebi o tempo passar, quando vimos já era quase fim de tarde e resolvemos ir embora. Chegamos a minha casa e eu perguntei se ele não queria entrar, pois o Gui já deveria estar em casa, entramos e eu fui direto ao quarto do Gui e tive uma horrível surpresa, suas coisas não estavam mais lá, ele foi embora e só me deixou um bilhete dizendo que sentia muito, mas aquilo era errado e nós não poderíamos nos ver mais, sentir uma dor tão grande que meu corpo desabou no chão, as lágrimas eram desesperadas.
- Covarde. – eu gritei em meio ao choro.
O Yuri me abraçou forte como se soubesse o que eu estava passando.
- Ele estava sofrendo, não tinha coragem para te ver. – Ele disse com a voz fraca.
Como fui idiota, ele sabia de tudo, por isso me chamou pra sair, foi um plano dos dois para me enrolar, em pensar que eu quis ser amiga deste idiota. 
- Como você pode? – eu perguntei o empurrando.
- Ele estava desesperado, não sabia o que fazer. – ele respondeu de cabeça baixa.
- Então você veio com esse papinho de amizade só para me fazer de idiota? Como eu fui burra. – eu concluía.
- Não, tudo que eu mais quero é ser seu amigo de verdade Jenna, meu dia ao seu lado foi perfeito e isso não é mentira, mas o Gui é meu melhor amigo e ele me pediu ajuda, ele estava morrendo de nojo por ter feito o que fez. – ele se explicava, e eu sabia que era sincero, mas ainda tinha raiva.
- Ele não podia ter feito isso, tínhamos que resolver juntos, eu também estou confusa e ele me deixou sozinha, não posso lidar com isso sozinha. – eu disse entre soluços e lágrimas.
O Yuri voltou a me abraçar, eu não resisti e me acolhi em seus braços o encharcando com minhas lágrimas, não sei por que, mas me senti protegida naquele abraço, não que meus problemas houvessem sumido, mas naquele momento pareceram pequenos.
- Você não vai estar sozinha nunca. – ele disse baixo e eu gostei de ouvi-lo.

 

 

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