Meu querido irmão

Os conflitos são grandes na cabeça de Jenna, ser afastada daquele que mais ama, crescer praticamente sozinha, descobrir que tudo o que acreditava era mentira e sentir despertar um sentimento proibido, perigoso e ardente como brasa que envolve todo seu corpo. [...] Aviso: º O começo da história não fui eu que criei, li uma história que gostei muito e ocasionalmente decidi dar continuidade a ela.

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8. A Festa

 Já era sexta-feira, dia da tão esperada festa, eu havia passado o dia inteiro entre manicure e cabeleireira, estava a voltas para decidir qual dos sete vestidos que eu comprei iria usar quando o telefone tocou.
- Fala. – eu disse ao atender, era um número desconhecido.
- Queria te dar os parabéns, não pude ligar antes. – a voz que eu reconheceria em qualquer situação falou do outro lado da linha. Eu queria falar, mas me faltou o ar e eu não conseguia dizer nada então ele continuou. – eu entendo que você esteja com raiva e não queira falar comigo, mas eu queria ouvir sua voz.- ele disse calmamente.
- Eu  não estou com raiva, eu estou com saudades. – falei entre soluços, sentindo as lágrimas rolarem no meu rosto. 
- Não chora Jen, por favor, me mata ouvir você chorando, eu prometo que quando menos você esperar nós vamos nos ver. – ele disse tentando me consolar.
- Você está vindo para o Rio? – eu perguntei animada, daria qualquer coisa para vê-lo, seria tudo de bom.
- Tenho que desligar agora mana, depois nos falamos. – ele disse e desligou. 

Fiquei um tempo recuperando o folego, depois voltei para os vestidos, optei por um tomara que caia prata decotado. Fui tomar meu banho, ainda pensando na ligação do Guilherme, queria tanto que ele estivesse aqui, mas em fim, isso não iria acontecer e eu não iria ficar desanimada na minha festa. Terminei o banho e quando sai do banheiro enrolada na toalha quase tive um ataque, lá estava ele, sentado na minha cama, seu olhar era fixo em mim, em segundos eu já estava grudada em seu pescoço, ele me apertava forte contra seu corpo, as lágrimas já estavam em nossos rostos, aquele momento era perfeito.
- Eu senti tanto a sua falta. – eu falei sem desgrudar dele. 
- Eu também mana, eu não quero ficar longe de você.- ele disse, era tudo o que eu mais queria ouvir.
Estava tudo tão perfeito que eu nem reparei a toalha caindo e deixando meu corpo descoberto, ele me afastou e olhou para o chão, foi quando eu percebi e fiquei sem graça, me abaixei para pegar a toalha e me enrolei novamente.
- Me desculpa.- eu disse vermelha.
- Você não precisa se desculpar, eu é que tenho. – ele disse tão envergonhado quanto eu.
- Eu acho que não resolveu muita coisa a gente ter se afastado. – eu conclui com medo que ele resolvesse sumir novamente.
- Eu pensei que tinha resolvido, mas no momento em que eu coloquei meus olhos em você, eu voltei a te desejar, tanto, ou até mais do que antes.- ele confessou e eu fiquei feliz em saber, gostei de ouvir ele dizer que me desejava, queria que ele me desejasse.
- Bom eu acho melhor a gente se arrumar e ir para a festa, lá nós poderemos aliviar essa tensão. – eu disse olhando e esperando sua reação.
-Nós? Não me diga que você também…- ele parecia chocado.
-É maninho, parece que sofremos da mesma doença. – eu ironizei.
Ele ficou de cabeça baixa por um tempo e depois saiu sem falar nada. Voltei a me arrumar coloquei um conjunto de calcinha e top de renda vermelha, o tomara que caia me vestiu perfeitamente, optei por uma make leve e acessórios não chamativos, um salto discreto e estava linda, fiquei um tempo me namorando em frente ao espelho até a porta abrir.
- Você esta linda. – o Guilherme disse me olhando.

Ele também estava lindo, já não tinha a cara de pentelho de antes, estava mais homem. Usava uma camisa polo branca, um jeans escuro e sapato.
- Obrigada, o Vinicius vem me buscar, você vai com a gente? – eu perguntei mas já imaginava qual seria a resposta.
- Não, já liguei para o Yuri e ele vem me pegar. – ele respondeu como eu imaginava.
- Vai segurando vela é? – eu brinquei.
- Ué você não sabe? Ele terminou com a namorada, não me contou detalhes, mas disse que foi melhor assim.
- Não sabia, ela deve estar mal, sempre soube que o Yuri não gostava dela. – eu afirmei, logo depois ouvimos uma buzina. Eu fui conferir e era o Vini, me despedi do Gui e sai.  Chegamos na festa e estava um arraso, a Bia foi a primeira a nos encontrar, estava linda, primeira vez que eu a vejo de vestido decotado, caiu super bem nela e ao invés dos óculos ela estava usando lente, perfeita.
- Amiga, isso aqui está demais, o que tem de gato nesse lugar, vou esquecer aquele garoto fácil. – ela disse eufórica.
- Que bom bii, mas não vai sair com qualquer idiota ta. – eu pedi e ela sorriu concordando. 
O Vini logo arrumou um jeito de me dar uma volta e ir ficar com uns amigos dele da faculdade, já estava bem acostumada com isso, fui procurar a Lili que deveria estar arrasada pelo fim do namoro. Encontrei primeiro a Gabi e o Lucas que estavam com um pessoal do colégio, acabei me distraindo com eles, começamos a beber e fomos dançar, já não via mais o Vini em lugar nenhum, mas não dei muita bola, não sou do tipo que banca a namorada ciumenta, não demorou muito e o Gui chegou com o Yuri que estava até bonitinho, eles vieram logo para perto da gente, não conseguia tirar meus olhos do Gui, mas ele estava cercado de garotas dando em cima, senti um pouco de ciúme.
- Amiga como o Guilherme conseguiu ficar ainda mais lindo? – a Bia perguntou surgindo do nada.
- Beleza de família. – eu falei rindo.

 Estava saindo para procurar pelo Vini quando alguém me puxou pelo braço, me virei para olhar e era o  Yuri, eu já não gostava dele e estava com ainda mais raiva por ele terminar com a Lili.
- O que você quer? – perguntei seca.
- Queria saber se você viu a Aline. – ele falou em resposta.
- Não, e mesmo se tivesse visto eu não iria lhe falar, você é mesmo um idiota por terminar com ela. - eu praticamente cuspi as palavras sobre ele.
-E  seu namoradinho onde está? – ele perguntou, senti certa hostilidade na sua voz.
- Estava indo procurar, então se me der licença. – eu disse soltando meu braço e me virando.
Fui andando em direção ao casarão, já que aparentemente o Vini não estava na área externa, senti novamente uma mão me segurar, esse toque eu conhecia, me virei já sabendo que era o Gui, ele estava com um baita sorriso, fiquei hipnotizada.
- Esta indo aonde irmã? – ele perguntou ainda sorrindo.
- Procurar meu namorado. – eu respondi e retribui seu sorriso.
- A não, vamos dançar comigo maninha. – ele pediu com uma expressão tão linda que eu me esqueci até o que eu estava indo fazer.
Ele me pegou pela mão e me levou para a pista, começamos a dançar como se não houvesse mais ninguém além de nós, meu corpo parecia pegar fogo perto dele, senti uma vontade louca de beija-lo e lembrei que ele era meu irmão e que eu não poderia fazer isso, corri meus olhos pela festa tentando enlouquecidamente encontrar o Vinicius, mas ainda nenhum sinal dele, eu sei que o Vini é um safado incurável, mas me trair na minha festa é muita cara de pau, acho que ele não seria capaz de fazer isso comigo, porém eu já estava ficando desconfiada com seu sumiço. Enquanto procurava pelo meu gato perdido eu também senti falta do Yuri e lembrei a hostilidade que ele carregava na voz enquanto me perguntada do Vini, queria saber o porquê disso se eles sempre foram amigos. Nem percebi que o Gui havia se afastado de mim, estava perto da Bia, eles pareciam bem à vontade juntos, riam e dançavam, não acredito que a Bii iria pegar meu irmão, fiquei morrendo de ciúmes e com um pouquinho de raiva dela, mas eu iria fazer o que? Chegar nela e falar “larga do meu irmão, pois eu o quero para mim”, sem noção isso, o jeito era aturar e o pior é que eu estava pagando de vela, resolvi fazer da bebida minha companhia, peguei um drink e me sentei em um puf distante da pista, fiquei observando as pessoas e reparei o Yuri também afastado, encostado em uma parede com uma cerveja na mão, ele parecia preocupado e com raiva, logo depois vi a Lili na pista no meio de uns garotos dançando bem animadinha, nem parecia que havia acabado de terminar o namoro, suspirei, talvez eu tivesse feito um julgamento errado do Yuri, me deu vontade de levantar e ir até ele, mas vi o Vini saindo de dentro do casarão, esperei para ver se mais alguém sairia de lá, para o meu alivio ninguém mais saiu, ele veio em minha direção com um sorriso amarelo, sentou ao meu lado, eu o olhava desconfiada.

- Posso saber onde o senhor estava e o que estava fazendo?- eu perguntei.
- Tenho uma namorada investigadora agora? – ele rebateu com outra pergunta.
Eu não falei nada, apenas o olhei com uma cara séria induzindo ele a responder minha pergunta.
- Hei, calminha, eu não estou me sentindo bem, por isso fui lá para dentro descansar um pouco, não queria preocupar você, mas ainda não estou me sentindo bem e por isso resolvi ir embora. – ele explicou
- quer que eu vá com você? – eu perguntei preocupada.
- Claro que não , é sua festa, você tem que ficar e aproveitar. – ele respondeu, me deu um beijinho de despedida e foi embora. 
O Gui, diferente do que pensei, não ficou com a Bia, mas sumiu com uma menina que eu nem conhecia, a Bia estava com um garoto na pista, a Gabi e o Lucas sempre juntos, a Lili já tinha sumido novamente, minha vontade era ir embora e foi o que eu resolvi fazer. Levantei e fui em direção à saída, esbarrei com o Yuri que estava distraído, eu ia xinga-lo mas sua expressão estava tão pra baixo que eu senti pena.
- Desculpa – eu pedi sem jeito.
- Tudo bem, a culpa foi minha que estava distraído. – ele falou sem olhar para mim.
Eu não sabia como, mas queria falar alguma coisa que o consolasse, não sei porque, mas senti que diferente do que eu pensava, ele é que estava mais abalado com o fim do namoro e me sentia culpada por ter o julgado.
- Me desculpa por ter sido rude com você. – eu pedi agora mais explicado.
Ele me olhou com surpresa, como se eu acabasse de lhe dar um susto, me analisava cautelosamente como se estivesse com medo de alguma coisa, pela primeira vez pude reparar seus olhos, completamente negros e profundos, pareciam querer enxergar minha alma, corei, depois ele voltou a abaixar a cabeça.
- Eu não ligo. – ele disse em tom baixo. 
Senti novamente vontade de xinga-lo, eu ali tentando ser legal com ele e ele “não liga”, era realmente um idiota, mesmo com essa cara de cachorro abandonado. Sem falar mais nada eu sai, já com o celular na mão para chamar um táxi, mas ele me seguiu e me segurou.
- Aonde você vai? – ele perguntou novamente com uma expressão preocupada.
- Não é da sua conta. – eu respondi grossa.
- Eu sei, me desculpa, mas é sua festa e fica mal você sair assim. – ele disse cauteloso como se escolhesse as palavras.
- Te garanto que não vão sentir minha falta. – eu continuei grossa.
- Esta bem, mas pelo menos deixa eu te levar, já é tarde. – ele pediu. Realmente estava tarde então aceitei a carona.
Fomos em direção ao estacionamento, o Yuri olhava para todo canto como se procurasse alguma coisa, “mas que cara estranho” eu pensei o observando. Ao chegarmos no estacionamento a primeira coisa que eu notei foi o carro do Vinicius, mas ele já tinha ido embora a um tempo.

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