Eternidade


Uma vida.
Um amor.
Uma perda.
Uma eternidade.

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1. Capítulo único

Eternidade

“Querida Sophia,

Nesse frio inverno de Julho, deito-me na cama e acaricio minha própria pele, como se você estivesse o fazendo. Escuto a doce e triste sinfonia da chuva cair sobre meu telhado, enquanto componho as mais infelizes músicas para expressarem o que sinto. Relembro-me dos dias, os quais passamos juntos e fico angustiado pelo fato de saber que você está longe de mim.”

Vazio. Como explicá-lo? Inerte a um mundo em que tudo acontece como podemos ter esse pseudo-sentimento? Como podemos ser vazios? E todas essas complexidades provenientes de uma ausência de sentimentos acorrentavam Heitor, nos seus plenos 20 anos. Tamanha era a melancolia que ela se apossava do jovem até mesmo nos dias mais quentes de verão. Deitado em sua cama enquanto escutava Asleep do The Smiths, ouviu barulhos vindos de sua janela. Ao levantar-se, percebeu que eram pedrinhas sendo atiradas por crianças que não deviam passar de uns sete anos.

Quando abriu a janela e colocou sua cabeça para o lado de fora, recebeu uma daquelas no rosto. Indiferente em relação ao que sentia, mas preocupado com o fato de quebrarem a janela da casa de sua mãe e ser chamado de irresponsável novamente, desceu as escadas mais do que depressa com o intuito de interromper a bagunça dos pequenos.

Abrindo a porta, deparou-se não só apenas com crianças, mas com uma moça de vestimenta simples: só usava um vestido, nem mesmo os sapatos calçava. Seus cabelos loiros compridos desciam como uma cascata dourada sobre seu ombro e seu rosto era suave com um sorriso contagiante. Sua beleza era tanta que qualquer um que passava perdia-se em seus olhos cor de mel e nos seus lábios finos, porém perfeitos. A não ser por Heitor.

“O que você está fazendo?!”, exclamou o rapaz. “Acha que pode sair por aí destruindo o vidro dos outros? Essa casa não é minha!”

Ela, com um sorriso quase que malicioso no rosto, respondeu:

“Estou apenas divertindo as crianças”, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

“Só?”, Heitor retruca em tom de ironia.

“Não, estou me divertindo também”, e a moça caiu na gargalhada, saindo em disparada e seguida pelas crianças que riam também.

“Eu odeio tudo sobre você, o modo como você despertou em mim o que sempre esteve escondido, o modo de como você me fazia ser outra pessoa. Sophia, o que você fez comigo?”

Após cinco segundos observando a moça desaparecer no horizonte com as crianças, a mesma acabou por dar meia volta e Heitor se encontrava na expectativa de um possível pedido de desculpas, mas o que realmente aconteceu foi: a jovem havia esquecido as sapatilhas. Depois da primeira fuga, Heitor não deixaria barato, assim, correu atrás dela. Após conseguir alcançá-la, suplicou:

“O que você está fazendo?! Por um acaso é maluca?!”

Ela deu uma gargalhada e tirou uma caneta de dentro do sutiã.

Que tipo de garota é essa? Tira uma caneta do sutiã.

A resposta ele saberia mais tarde: Sophia

“Cara, agora não dá mesmo, não tenho tempo, deixa eu anotar aqui meu telefone...”, e apoiou uma das mãos na bochecha. “E qualquer coisa você me processa depois. Meu nome é Sophia e o seu?”, e retornou a correr antes que ele tivesse a chance de responder, gritando para as crianças “Próximo passo: assaltar a loja de doces!”.

Ele não queria. Eu juro mesmo que ele não queria, mas acabou sorrindo.

“Cada segundo, silêncio. Eu queria que soubesse o quão bem e mal você fez pra mim. Eu não costumava pensar muito nas coisas, mas é que... você apareceu. Por que tão maluca? Por que tão... Sophia?”

E pela primeira vez Heitor ficou abalado por causa de uma garota, ele estava confuso, não sabia o que pensar sobre ela, no mínimo ela era estranha, muito estranha. Só que tinha uma coisa a qual ele não contava: Ela era a loucura que ele precisava.

Foi meio que involuntário, mas quando se deu conta estava passando os números, até então anotados no braço com a caneta que ela leva consigo sei-lá-porque, para seu celular.

Era apenas ligar. E assim fez. Quando ouviu a voz da garota no outro lado da linha ficou surpreso.

Não é mesmo que ela me passou o numero verdadeiro?

Pensou ele e assim seguiu outro pensamento a qual ele meio que se acostumara

Maluca

“É Heitor”, disse o jovem.

“Oi?”, a garota ficou confusa.

“Meu nome... É Heitor”

“E...?”, ela continuava sem entender.

“Ah, Deixa pra lá”

“Ah, você é aquele garoto que ficou de me processar? To ligada, bem... oi então.” Por certo momento, o rapaz se revoltou e se questionou o por quê de ter se dado ao trabalho de ligar. Assim, desligou o telefone na cara de Sophia.

Segundos depois o celular de Heitor tocou de novo.

“Alô?”

“Por que desligou na minha cara?”, a jovem parecia não se importar em ser sincera. Era de sua personalidade ser impulsiva.

Surpreso com a ligação da loirinha, o rapaz arqueou as sobrancelhas e tratou de sentir vergonha pelo seu feito, antes perguntando uma coisa:

“Como você tem meu celular?”

As frações de segundo entre o que disse e a resposta dela o fizeram chegar à uma conclusão:

Que pergunta estúpida.

E assim Sophia respondeu exatamente isso. “Que pergunta estúpida! Existe registro de chamada caso você não saiba.”

“Ok, ok... Por quê ligou?”

“Porque você ligou!”. Cheia disso e disposta a fazer um novo amigo, a garota propôs: “Que tal um recomeço? Aquela loja de doces que tem na esquina da sua casa pode ser um bom lugar pra conversarmos.”

“Você já não assaltou aquele lugar hoje?”

Sophia gargalhou. Era estranha a forma como sua risada soava pela linha do telefone, mas ele gostou. Era quase que uma forma calorosa, a qual Heitor definitivamente não estava acostumado.

“Posso ser maluca como você diz, mas criminosa não. Só na paz.”

“Comece a excluir da sua programação jogar pedrinhas na casa dos outros.”

Ela riu novamente, aquela mesma risada de antes, só que foi abafada por gritos vindos de outros cômodos de sua casa. Sua postura mudou. Sophia tratou de se apressar e se despedir de Heitor. “Tenho que ir, amanhã então... as 14:00?”

“Tá tudo bem aí?”

Ela o ignorou: “Só mais uma coisa”.

“O quê?”

“É pra você aprender a não desligar na cara dos outros.”

“Ah, sobre isso, desc...”, sua fala foi cortada pela aguda sinfonia da nota mi no telefone. Muitos falam “tu... tu...” ou até mesmo “pi... pi...”, mas Heitor, como um bom guitarrista e amante de música sabia o real som usado universalmente. Aguardaria ansiosamente pelo dia seguinte, o que era estranho, pois nunca se sentira assim antes.

“Realmente nunca me senti atraído por ninguém, mas não pelo fato de não conseguir me atrair ou me achar melhor que todo mundo, mas porque você é diferente de absolutamente todas. Você tem seu jeito e não se importa com o resto do mundo. Você é única e modifica tudo que toca. Seus toques são como flashbacks lentos e dolorosos que voltam à minha mente a cada suspiro que dou. E eu odeio muito a forma como você tem esse efeito sobre mim.”

Após o encontro na loja de doces, tudo mudou. Os dois passaram a conversar muito. Eles trocavam e-mails e até mesmo cartas e textos. Heitor passou a ver essa loucura como uma necessidade, talvez até mesmo pelo fato de Sophia sua única amiga. Passaram-se meses e ele fazia questão de ligar para aquele número. Às vezes ele se perguntava o que sentia por ela, estava confuso. Aquela amizade acabou passando por uma coisa mais forte, e quando seu deu conta nada mais daquilo sustentava, não adiantava mais passar à tarde do seu lado, não adiantava sair correndo pela praia ou leva-la a força para o mar. Não adiantava mais ter conversas sobre ETs, ou reencarnações. Ele não se sentia mais satisfeito dela falando sobre como ter um pato de estimação seria mais legal do que um cachorro, ou como cotonetes são na verdade câmeras de espionagem da CIA. O problema não estava nas coisas que ela falava, isso ele já se acostumara, o problema é que nada disso adiantava sem que houvesse um toque, um abraço... alguma conexão física.

Como seria bom se aquele beijinho de despedida na bochecha fosse um pouco mais para o lado.

E ela notava isso?

Ela desejava isso também?

Ele era dela, mas e ela, era dele?

Somente quando ele para pra pensar

Sobre ela, ele sabe o que sente

Mas quando ela pensa nele

O que sente?

“Cada vez que eu inalo um pouco de você uma nova vida nasce dentro de mim, ainda mais bela e melhor, você chegou e fez o que ninguém tinha feito até agora, é incrível como eu tinha certeza de que nada contigo era monótono, porque cada dia ao seu lado era diferente. Só que do mesmo jeito que o ar vem aos meus pulmões quando estou ao seu lado, ao estar longe fico asfixiado. E isso é o que? Amor?

Cara Sophia... é você

Eu sei

É você”

Mas ao invés de todas aquelas palavras entaladas em seu peito, Heitor se contentou a chamá-la para sair mais uma vez, como quem não quisesse nada. Combinaram de se encontrarem no final de semana seguinte e ir até a colina mais alta e afastada para observar as luzes da cidade à noite que se misturavam com o brilho das estrelas. Levaram uns sanduíches com o intuito de fazer um pique-nique, mas Heitor sabia que, se dependesse dele, eles estariam ocupados demais falando do que de fato comendo.

Chegou meia hora antes do combinado e ainda dava para ver resquícios do sol se pondo no horizonte. E toda aquela paisagem maravilhosa o lembrava de como Sophia era linda. A cor do céu no verão na hora em que o sol se põe o lembrava de seus cabelos levemente enrolados nas pontas, como se Deus a tivesse coberto de ouro.

Ficava pensando, ou melhor, mirabolando o que ia falar e como expressar os sentimentos a uma pessoa que até então se mostrava tão próxima e ao mesmo tempo tão distante. Queria de verdade conhecer aquela garota, aquela garota incrível e desajustada que era feliz de seu próprio jeito, não importasse se os outros a julgariam.

Aquela felicidade de criança e aquele olhar de adulto. Como se escondesse algum ressentimento por trás de seu sorriso perfeito e impecável. Queria conhecê-la, mas, antes de tudo, contar para ela como se sentia.

Depois de muito pensar e formular frases bonitinhas que leu na internet para conseguir conquistá-la, Heitor se perguntava se ela era o tipo de garota que aceitaria um cara tão... tão vazio quanto ele. Cheia de vida e disposta a ajudar todo mundo, Sophia subia a colina graciosamente, até mesmo arrancando umas flores no caminho para uma futura coroa, talvez para fingir de era "A Rainha da Colina", como sempre brincou com Heitor.

A cada movimento que ela fazia, ele se perdia. Sua beleza e pureza eram tão grandes que encantavam os pássaros, fazendo com que dessem seus últimos cantos antes do completo pôr-do-sol

Levantou-se e respirou fundo. Você consegue. Não, eu não consigo. Consegue sim. Ela é por quem você tanto ansiava.

Com as mãos trêmulas, Heitor deu um abraço caloroso em Sophia e fez um gesto para que ela se sentasse. "A noite está linda. Lembro quando observava as estrelas da copa das árvores. Eu era criança e adorava fazer isso. Às vezes sinto falta", Heitor tentou iniciar a conversa e fazer ela se abrir.

"Está mesmo", Sophia sorriu daquela forma encantadora que apenas ela sabia fazer e foi como uma flechada no coração de Heitor.

"Sophia... eu... eu preciso te falar uma coisa.", indagou. Seu coração disparou e suas mãos suavam. Típica bobagem adolescente clichê, coisa que tanto ele quanto ela odiavam. Lá estavam eles, dois jovens por volta dos vinte anos que ainda tinha alma de crianças e ele prestes a se declarar.

Percebendo o nervosismo do garoto, Sophia procurou algo para fazer a conversa fluir, assim, para quebrar o clima tenso, olhou para o céu deslumbrando as cores que lá se encontravam e disse:

“lembra como nos conhecemos?”

Heitor deu um suspiro e então sorriu, a se recordar. “Como poderia me esquecer de uma pseuda-pisicopata?”

“como disse?” a garota se levantou sorrindo e deu alguns passos procurando uma pedrinha, quando achou mirou em Heitor “Foi mais ou menos desse jeito” e assim o acertou no ombro esquerdo

“ah, você não fez isso!” o garoto por um momento perdeu a concentração de o que e como iria falar e com atenção para não se machucar saiu correndo atrás de Sophia. Quando a alcançou a puxou pela cintura, o sorriso no rosto acabou se tornando pura vergonha, suas bochechas ficaram coradas e seus olhos estavam mais brilhantes, mesmo assim não parou de segura-la, e aquilo acabou virando um abraço. Naquele momento ele sentiu: era amor.

Heitor teve a sensação de que tudo se congelou ao redor abraçando ela o seu coração palpitava e transmitia um arrepio muito prazeroso a cada segundo, sentiu aquele calor de afeto.

“você... é... bem, eu...” e as palavras ainda não saiam.

E o dia mudou, os planos de Heitor saíram de rumo.

Foi Sophia que deu o primeiro passo. E, uau, que passo! Seus lábios encostaram nos deles e em poucos instantes estavam envoltos em tanto sentimento que cada fração de milésimo parecia uma eternidade. Se descolaram por um instante, ambos com a respiração ofegante. Não há como descrever tal sensação. Sophia era simplesmente incrível aos olhos de Heitor e era só isso que importava no momento. Mas quando foi a vez dele de avançar, a garota ficou olhando para o chão e desviando o clima para muito longe da colina. Empurrou ele lentamente com os braços e evitou fazer contato visual, estava envergonhada.

"Eu... Eu não acho que devemos fazer isso. Foi um erro, foi tudo um erro", ela se desprendeu completamente dele e enterrou seu rosto em suas mãos, como se estivesse confusa demais para agir.

Heitor se ajoelhou

“princesa Sophia” brincou “o que acha de... uma eternidade ao seu lado?”

Ela deu um sorriso com os olhos aguados.

“Promete-me? Isso seria ótimo”

“Saudade e distância misturam-se... Já não aguento mais. Lágrimas rolam por minha face vagarosamente, sentindo prazer em meio ao meu sofrimento.. O que estaria fazendo agora? Para onde o tempo foi? Em minha imaginação você sorri para mim enquanto sussurra doces palavras que me acalmam em momentos de tempestade. Perco-me em meio de palavras que permanecem nas entrelinhas de tal forma que passo noites em claro tentando decifrar o que sinto em relação a você. Cada segundo, silêncio. Eu queria que soubesse o quão bem e mal você fez pra mim”

As coisas estavam perfeitas, Heitor sonhava acordado quando estava ao lado de Sophia. O melhor era impossível, pois os dois já estavam vivendo o perfeito, e tudo que mais desejavam era a eternidade, pois quando se ama quer aproveitar cada segundo como se fosse o ultimo.

Os dois se entendiam como ninguém, e aos poucos, a cada carinho e beijo trocado, um já sentia que o outro era sua necessidade vital,

Sophia foi à única menina que conseguiu quebrar aquela barreira de gelo, pois um coração possui apenas uma chave, e aquela chave erada garota, apenas dela.

Uma eternidade? Era o que ambos prometeram, só que uma terceira voz fala mais alto: o destino.

“Não sei mais o que posso fazer para te esquecer. Só queria que você soubesse que não, eu não quero parar de sentir o que sinto por ti e muito menos te esquecer, só quero que pare de doer, só quero parar de chorar todas as noites, só quero parar de mentir dizendo que está tudo bem quando na verdade não tem nada bem. Uma coisa que você ensinou-me, princesa, foi o que é viver, e muito, além disso, me ensinou que o eterno não existe, assim como o sempre, mas basta torna-los real em nossa mente, e tudo que possamos imaginar vai se tornar infinito na nossa própria vida. É um desejo, uma ilusão, mas é o que eu acredito.”

Foi quando estava amanhecendo, era uma semana antes de seu aniversário, a garota estava mais feliz do que nunca com seu relacionamento. Mais uma vez ela fugiu de casa, pois por trás de nossa pequena Sophia existia uma pessoa que chorava baixinho todas as noites, uma pessoa que se machucava demais, que tinha que dormir todas as noites escutando o quanto imprestável ela é, e isso porque não conseguia lidar com o problema de alcoolismo de seu pai, o único que tinha na família, a alternativa era mascarar a dor com sorrisos, o que fazia muito bem, transmitindo alegria por onde passava, e por trás daquele sorriso contagiante havia uma alma com uma tristeza inigualável. Não mais.

Não mais.

Não mais.

A dor acabou. Céu é isto, ela estava vendo o céu, o mesmo a qual Heitor levara pra ver?

Falta de atenção

Atravessar a rua é perigoso não?

Eternidade?

Quanto dura sua eternidade?

Céu novamente.

E por ultimo.

Ela sorriu, pois ela não perdera sua essência.

Barulhos atordoantes iam perdendo sentido e se distanciando.

O céu esta bonito.

Escuro.

Sophia faleceu.

Em seu tumulo cercado por flores havia uma carta, deixado por alguém conhecido por Heitor.

Em cima da carta havia uma pedrinha.

Afinal, tudo começou com uma pedra, não é?

“ E assim, eu escrevo essa carta, como pode ter feito isso? Me deixando aqui, e levando a chave do meu coração para longe, eu poderia ter ido no seu lugar, não? E nossa eternidade Sophia?

Eu te odeio Sophia, te odeio, pois você me levou contigo. Ou agora não sou mais eu ou eu voltei a ser o que era antes de você, te odeio Sophia, muito, sabe por quê? Porque lhe prometi o eterno e não posso cumprir. Quer saber de uma coisa?

Talvez nunca possamos passar o eterno do lado de alguém, mas podemos torna-los eternos.

Você é minha eternidade.

A pela qual sempre vou lembrar mesmo te odiando por ter mexido comigo, e você me odiando por não te dar a eternidade.

A cada gargalhada, a cada sorriso, a cada pedrinha na janela, a cada sapatilha perdida, a cada ida à colina eu me lembrarei de você.

Eu te odeio, por você ter me feito seu.

Eu sou seu.

E você me odeia? Não te dei a eternidade, afinal.

Você me odeia

Eu te odeio,

Você já me amou?

Eu te amo”

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