X-Men: A Nova Era

Com a implementação do Programa EQUALITY pelo governo americano, a raça Homo Superior finalmente encontra a paz e igualdade política que tanto desejava. A guerra entre homens e mutantes chega ao fim, possibilitando que instituições de ensino como o Instituto para Jovens Superdotados do Professor Xavier se popularizem ao redor do mundo. É neste contexto que a jovem Sarah Winston, portadora de um curioso poder de detectar mentiras e segundas intenções, se inscreve no Colégio Interno de Jovens Extraordinários Kitty Pryde. E o seu instinto não engana; há uma grande mentira escondida dentro desse suposto período de paz.

NOVOS CAPÍTULOS SEMPRE QUE DER NA TELHA. MAS SÁBADO ÀS 20H É CERTEZA. ;) || NÃO PERCA!

1Likes
0Comentários
389Views
AA

2. CAPÍTULO 1: Palavras Venenosas.

16:01, Colégio Interno de Jovens Extraordinários Kitty Pryde. Londres, Inglaterra.

 

Após Eterna e os jovens mutantes saírem para o campo externo de treinamento, a pequena Sarah foi deixada na companhia de Víbora, uma garota de longos cabelos ruivos e cara de poucos amigos. Era inquestionável, no entanto, a beleza da sua nova guia. Ela tinha uma face delicada e angulosa, em um formato levemente oval. Sua pele esverdeada brilhava em contato com o sol, aparentando ser lisa e macia como pêssego. Era uma jovem alta, esguia e com um busto volumoso; se Sarah pudesse chutar sua idade,  daria uns 17 ou 18 anos. O aspecto mais velho era reforçado por suas roupas coladas, que emolduravam os seus seios com a elegância de uma mulher madura. 

 

Sarah apertou seus braços ossudos contra o estômago. Era magrela e desajeitada, não chegava nem aos pés da ruiva a sua frente. Ainda assim, Víbora não pareceu se atentar a timidez da novata. Ela apenas girou a cabeça para o lado, indicando que Sarah a seguisse. 

 

"O Colégio Interno de Jovens Extraordinários Kitty Pryde é uma das instituições de ensino para mutantes mais renomadas do país, motivo pelo qual as regras que vigoram por aqui são rígidas e, sob hipótese nenhuma, quebráveis", a voz chiada e melódica de Víbora enunciou, em um tom baixo e dissimulado, "Todos os dias das 8h às 11h temos aulas teóricas de matérias convencionais - como Matemática e Português - e mutantes - como X-Genética e História Mutante  - sendo estas últimas facultativas, mas você deve prestar pelo menos uma por ano. Das 16h às 19h temos treinamento mutante no campo externo, e sua presença é completamente obrigatória. Nem pense em cabular aula em Kitty Pryde. Temos nossa própria forma de descobrir os espertinhos."

 

As duas garotas entraram pelo saguão de entrada e Sarah imediatamente prendeu a respiração. Era uma sala grandiosa, de formato retangular e com uma majestosa escadaria feita de galhos retorcidos. As paredes obedeciam a arquitetura do lado de fora, com tijolos vermelhos brincando com o auto-relevo e algumas plantas trepadeiras caindo do teto.  

 

"Como você já deve saber, o Programa Governamental EQUALITY exige agora que as escolas deem a opção para os alunos escolham, a partir do segundo ano, a linha de aplicação de sua formação mutante", Víbora continuou, as madeixas onduladas dançando de um lado para o outro a cada passo que dava em direção a escadaria, "Você poderá optar ano que vem em ser uma MUTANTE ATIVA, o que significa que terá uma formação voltada para o campo de ação como investigação policial ou segurança pública ou será uma MUTANTE INATIVA, com o foco em profissões tradicionais. Caso trabalhar com os seus poderes mutantes não esteja nos seus planos, essa é a melhor opção."

 

"Quer dizer que eu não preciso necessariamente ser uma mutante?"

 

Víbora parou exatamente no último degrau da escadaria. O vitral italiano com a insígnia do colégio - uma espiral verde que desabrochava em uma rosa - deixava que alguns fachos de luz refletissem em seus cabelos de fogo. 

 

"Ssshhhhh....", sua língua roxa de serpente escapou por entre seus lábios, "Ninguém precisa necessariamente ser mutante, novata. Você poderia simplesmente fingir para o resto de sua vidinha desprezível que nunca sentira o chamado da sua verdadeira natureza. Você não precisa necessariamente estar aqui" a pupila de Víbora se encurtou em duas minúsculas e maquiavélicas bolinhas pretas "Mas agora que decidiu estudar em Kitty Pryde, você não pode duvidar de quem realmente é. Por décadas, nossa espécie lutou contra os humanos para que tivéssemos um espaço dentro do ecossistema. Agora, os tempos mudaram e o mínimo que devemos é agradecer por todos aqueles que lutaram pelo que vivemos hoje. Esta é a sua raça e ninguém pode te compreender tão bem quanto nós" ela enviesou o olhar e se virou para o corredor a direita.

 

Sarah engoliu  em seco e tentou retomar o passo. Não queria dar mais nenhum motivo para a sua guia lhe soltar outra farpa. 

 

Após seguirem por cerca de dois minutos em um corredor repleto de flores ornamentais e esculturas animalescas, Víbora entrou por uma porta comprida com uma placa de cobre com o símbolo "XX". Ali dentro, várias camas de solteiro se arrumavam em três fileiras horizontais, seguindo uma organização meticulosa como a de um alojamento militar. Cada cama tinha um edredom verde esmeralda com o símbolo do colégio costurado em vermelho.

 

"Antes de se acomodar, tem mais uma regrinha que a senhorita precisa ter conhecimento. Eu sou a monitora do alojamento feminino e por tanto, tenho um cargo importante na hierarquia de Kitty Pryde. Você, como uma novata, deve obedecer a todas as minhas ordens, sem direito a replicar a qualquer um dos meus pedidos." 


"AI!" uma lancinante sensação de ardência passou por sua cabeça; um sentimento que desde que procurara se acostumar desde que se entendia por gente. Em uma terra em que todos viviam sobre as máscaras da mentira, era impossível não sentir o tempo todo a manifestação do seu poder de mutante. Infelizmente, ele não era nem um pouquinho prazeroso. 

 

Sarah encarou Víbora, agora com a confiança de quem sabia mais do que devia. Ela cruzou os braços e empinou o beiço, com uma imponência que raramente manifestava.

 

"Eu... Eu não preciso fazer nada do que você manda, Víbora. Você não é professora nenhuma para ficar me dando lição de moral ou dever para casa."

 

Os olhos de Víbora se arregalaram, as pupilas mais uma vez se comprimindo até quase sumirem. Ela empinou o peito e começou a inflar as bochechas quando...

 

"Narcisa, nem pense."

 

Do lado de fora do alojamento, o rapaz de ombros largos encarava a situação com os braços apertados contra o seu peitoral delineado. Apesar do semblante calmo e seguro, seus olhos emanavam uma luz negra e ameaçadora. Víbora, ou Narcisa, estancou de repente os pés no chão, não conseguindo sair do lugar. Ao olhar para o chão, Sarah notou que algo segurava as pernas curvas da ruiva. Eram dois braços fortes e pretos que saiam do chão, como se fossem... a sombra do garoto.  

 

"Duncan, me solte, AGORA!" 

 

"Sem problemas."

 

Assim que a sombra de Duncan soltou Narcisa, a mutante acabou perdendo o equilíbrio e se estatelou no chão, as madeixas avermelhadas se espalhando pelo chão como chicotes de seda. Sarah correu do quarto, se escondendo atrás do garoto das sombras. O rapaz continuava a olhar para Víbora, como se preparado para qualquer vislumbre de contra-ataque.  

 

A bela mutante enroscou suas pernas com uma força sobre-humana, fazendo com que elas se transformassem em uma cauda improvisada e elástica. Ela passou o olhar de Sarah para Duncan e jogou sua língua para fora, esfregando sua língua entre os lábios. De repente, Víbora investiu contra Duncan, amarrando o corpo do rapaz com sua recém-formada cauda reptiliana. A ruiva parou a face delicada frente-a-frente ao rosto severo do rapaz, sua língua triscando levemente no nariz do mutante. 

 

"Sssshhhhh....É melhor saber escolher suas batalhas melhor, garotão. Você não quer deixar sua namorada enciumada. Algumas pessoas dizem que ela é uma cobra."

 

Víbora se desenroscou do rapaz e se arrastou em direção a uma sala do outro lado do corredor. Duncan virou os olhos negros para Sarah e abriu um breve sorrisinho torto.

 

"Me desculpe por isso, Sarah", ele tinha um timbre pesado, marcado por uma rouquidão que arranhava no final de cada palavra, "Como já deve ter ligado os pontos, meu nome é Duncan. E eu recomendo fortemente que evite ao máximo ficar no mesmo aposento que a minha namorada a partir de agora."  

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...