Nova movella

I'm Not Scared Of Love

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1. #001

Mas uma incrivelmente chata manhã de segunda feira chega. Acordo dois minutos antes de o meu despertador tocar. Ótimo jeito de começar o dia! Bufo e me levanto da cama indo direto tomar um banho. Odeio ter de mudar de escola, principalmente no meio do semestre, odeio meu pai por me obrigar a fazer isso, e odeio mais ainda ter vindo para o Brasil. Que tipo de merda é esse país? Imagino que seja um lugar realmente fodido, se não a presença do meu pai e seu pelotão não se faria necessária e eu poderia estar a viver tranquilamente na Inglaterra. Além de ser um lixo estar vivendo aqui ainda tenho que conviver com esse calor dos infernos. Saio do chuveiro e visto uma calça preta e a horrenda blusa do uniforme da nova escola, que tipo de pessoa inventou essa porra de camisa? Simplesmente horrorosa e colorida, estaria muito melhor usando uma de minhas camisetas. Calço o tênis, pego minha mochila e desço as escadas para tomar café da manha.

Quando chego à cozinha encontro meu pai e minha madrasta sentados a mesa. Enquanto ele lê seu jornal e beberica um pouco de café, Janice luta contra seus olhos para mantê-los abertos. Típica cena que já estou acostumado, nunca muda. Todas as manhas sempre iguais.

“Bom dia” digo, me sentando a frente de Janice. Meu pai tira o jornal de sua frente e me da um pequeno aceno.

“Bom dia querido” diz Jan me passando o pote com cereais. O silencio toma conta da cozinha, conversar não é mesmo uma coisa da família Styles, não os culpo por isso, mas gostaria que meu pai falasse mais, a Jan ate tenta ser agradável e puxar conversa algumas vezes, mas acho que ela ainda não se sente totalmente confortável comigo. Termino meu cereal e a xícara de chá, continuo sentado esperando meu pai se levantar para me levar a minha nova escola.

“Se você espera que eu chegue no primeiro tempo sugiro que pare de ler e me leve” falo um pouco mais rude do que gostaria. Por cima do jornal ele me lança um olhar repreendedor e se levanta pegando suas coisas em cima do balcão. Levanto-me da mesa jogando minha mochila em minhas costas, quando estou prestes a sair me viro e aceno despedindo-me de Jan.

“Você deveria cortar esse cabelo” diz meu pai entrando no carro. Abro a porta do carona e sento. Coloco meus fones de ouvindo ignorando completamente o comentário dele. Sei que o devo aminha vida, mas ele não tem o direito ser um escroto de merda o tempo todo, não tenho nada a ver com suas feridas passadas. O resto do caminho foi completamente silencioso, somente o som de Mick Jagger ecoava pelos meus ouvidos, durante uma troca e outra de musica podia escutar os comandos do GPS, mas nada além disso. Se for possível esse lugar se tornar pior, eu ainda não posso dirigir nessa caralha, vou ter que depender do meu pai e da sua boa vontade de me levar a lugares ate completar 18 anos. Só mais alguns meses, repito mentalmente tentando me acalmar. Sinto o carro perder velocidade e parar á frente de um prédio suntuoso, grandes janelas em branco dando pouco contraste com as paredes em marfim, atrás de um grande gramado verde com uma estrada no contorno. Carros luxuosos seguem jardim adentro, mas conhecendo meu pai da forma que conheço sei que me deixar do lado de fora já é afeição suficiente.

”Tenha um bom dia e comporte-se. Ligue para o Tom assim que sua aula terminar” fala meu pai antes que eu saia do carro. Murmuro um até mais e sigo meu caminho para o matadouro.

Já odeio esse lugar, essa gente riquinha e metida, achando que são melhores do que os outros, só pelo dinheiro. Sigo meu caminho para o grande portal de madeira. Ao estrar me deparo com um longo corredor e algumas salas e desvios para outros corredores imagino eu. Alunos por toda parte, todos vestidos com essa camisa azul ridícula, parecem robôs, me faz pensar o que aconteceu com a individualidade nessa merda de lugar. De longe vejo uma velha com um jaleco amarelo, caminho na sua direção torcendo para estar certo e ela realmente trabalhar aqui.

“Com licença, será poderia me dar uma ajuda?” digo e ela faz que sim com a cabeça, seu bom humor surpreende-me. “Acabo de ser transferido pra cá, e queria saber o que devo fazer, pra onde ir sabe” tive dificuldade com o idioma, será essa merda todos os dias. Ela abre um sorriso e me guia ate uma escada no fim do corredor, diz-me para subir ate o primeiro andar e seguir a te a segunda porta a esquerda. Faço o caminho que a moça me disse e chego a tal porta, bato duas vezes e uma voz lá dentro me diz para esperar alguns minutos. Encosto na parede para esperar. Como gostaria de um cigarro agora, como gostaria de estar indo para o prédio de trás da minha antiga escola com meus antigos amigos para matar a primeira aula de Literatura Inglesa. Ao invés disso estou encostado na porra de uma parede em uma escola de pessoas mimadas esperando um coordenador de merda me dar informações. A porta ao meu lado se abre, lá de dentro sai uma garota de cabelos cor de mel, seus olhos são quase esverdeados, mais ou menos da minha altura, ela tem as feições amarradas, o que me leva a crer que não estava tento uma boa conversa lá dentro, quando passa por mim me da um sorriso e uma piscadela, não atendo o motivo, mas aceno com a cabeça em retorno. Logo atrás dela sai um... Homem, magro e estranhamente jovem, tem o cabelo escuro, os seus olhos são mel, tem a pele morena e é apenas centímetros, mas alto do que eu. Me incomoda o fato de que ele será “responsável” por mim.

“Posso ajudar?” pergunta ele fazendo sinal para que entre na sala. Assim faço e me sento na cadeira a sua frente e espero enquanto ele faz o mesmo.

“Acabo de ser transferido para cá e eu não tenho ideia de onde ir” digo observando seus movimentos, e fico irritado pela forma como age superior a mim, só por estar usando este jaleco ridículo. Deve ter no máximo dois anos a mais do que eu. Já não gosto dele.

“Claro, sou Zayn Malik,” diz estendendo a mão. Estendo a minha em retorno.

“Harry Styles” com um sorriso estupido no rosto começa a digitar alguma coisa em seu computador igualmente estupido.

“Aqui está, sua primeira aula será de português, vejo que veio de outro país, então qualquer problema pode vir ate mim que damos um jeito de te ajudar, agora vamos que vou te mostrar sua sala” levanta-se e se dirige e porta. Sigo-o pelo corredor, depois de subir mais dois lances de escada e andar um bom pedaço do corredor ele para na frente de uma sala. Da dois toques na porta e empurra a maçaneta. Entra e faz sinal para que eu faça o mesmo.

“Este é um novo aluno aqui da escola, ele veio transferido da Inglaterra, espero que o recebam bem.” diz ele, antes de sair da sala sussurra-me um “boa sorte” e sai da sala me deixando em pé na frente de todos sem saber o que fazer, nunca fui novo numa escola porra. Dou um olhada pela sala a procura de carteiras vazias. Passo os olhos rapidamente e vejo a menina que estava a pouco conversando com o Zayn, nem fodendo vou me referir a ele como Sr. , vejo que ela esta movendo a mochila na carteira a sua frente.

“Pode se sentar aqui” diz ela enquanto joga sua mochila no chão. Faço meu caminho até ela e sento-me a sua frente. Não dizemos nada, vejo os olhares dos alunos ao redor, definitivamente não sei da onde veio a lenda de que as mulheres brasileiras são bonitas, aqui pelo menos não vejo ninguém em especial, talvez a menina de hoje cedo e suas amigas. Dou uma virada para trás, ela me olha de volta.

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