Minha vida fora de série

Clary tem 16 anos, está no segundo ano do ensino médio, tem como melhor amiga de infância a garota mais rica e popular do colégio, tem um namorado fofo e atencioso, e aparentemente tem a vida que qualquer um queria levar, mas que ela não queria levar, o que a leva a repensar seus passos, e descobrir quem realmente é.
" Eu não estava a procura de algo, algum lugar ou alguém, eu estava a procura de mim mesma."

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1. One

 

 

       "Qual batom você acha que eu devo usar hoje?", o que de fato era o menor dos meus problemas, qual o batom minha amiga teria que usar para se agarrar com o namorado no primeiro segundo que pisasse os pés na escola, ops, colégio, afinal estou no terceiro ano do ensino médio, e Megan acha que escola e recreio são palavras que  - definitivamente - devem ser retiradas do meu dicionário, afinal tenho 17 anos e não estou no primário... Enfim, apesar de ser muito popular na escola - não, eu não sou rica, mas sou amiga de infância de Megan, que é rica e popular, o que consequentemente me garante popularidade também - eu estava muito ansiosa com o primeiro dia de aula, não sou tão autoconfiante como a Megan, que por sinal não precisou da minha ajuda com o batom, e já estava me puxando escada abaixo para dar uma passada na cozinha, comer uma maçã e ir para o inferno escolar...   

       Não, não há lideres de torcida, e nem somos namoradas dos capitães do time de futebol, até porque não há esportes assim, e eu também não uso uma minissaia - e sim uma calça jeans, um all star e uma horrível blusa branca com o logo da escola em cinza -,e também não há armários azuis, ou qualquer coisa estilo “High School Musical”. É apenas uma segunda-feira como qualquer outra, encarando as mesmas caras mal-humoradas de sempre, em uma escola “normal”, onde servem coxinhas gordurosas e qualquer tipo de junk food.                                                                                                                     

       Mas como em qualquer cena de filme, estou retocando o meu batom no banco do carona enquanto Megan estaciona o carro.  Segundos depois a minha porta se abre e vejo Rodrigo – Meu namorado -  com um sorriso de orelha a orelha como se hoje não fosse segunda-feira. “Meu amor, que saudades.”, até porque não nos vemos pelo o que? Um dia mais ou menos. Mas eu apenas assenti e retribui seu beijo. Então fomos apressar os pombinhos que pareciam estar se comendo...

      Chegamos na sala atrasados –pra variar- mas o professor nem reclamou, diferente do próximo aluno que chegou e ele deu um discurso motivador sobre “jovens irresponsáveis e sem compromissos”. O que eu posso dizer? Privilégios.

        No fim das contas o dia foi chato como qualquer outro dos anos anteriores, algumas caras novas aqui e ali, nada de mais, e meu nervosismo não tinha motivo.

 

        Peguei uma carona, com o Rodrigo dessa vez – Já que Megan ia pra casa do Alex, seu namorado – que me deixou em casa com mil beijos de “goodbye” e sumiu rua adentro.

      

       Chegando em casa eu já pude sentir um cheirinho de comida caseira, e isso era um dos privilégios de se ter mãe presente, já que meu pai era mais ausente, vive pelo trabalho. Mas eu não reclamo, não tenho do que reclamar na verdade.

 

       Só pra deixar claro, não é que eu não goste da minha vida, mas do mesmo jeito que nem tudo é ruim, as coisas também não são um mar de rosas. E bom, não há muita coisa que eu possa fazer.
 

       Meu pai trabalha com o pai de Megan, os dois são grandes advogados, sempre ocupados entre tribunais e pequenas entrevistas em algum jornal que ninguém lê. Nunca com tempo, mas ao menos os meus pais faziam do nosso tempo em família (por mais que fosse curto) um bom tempo em família, ao contrario dos pais da Megan que arranjavam ocupações mesmo em horários livres. E bom, o Rodrigo é um doce, o “ex-baladeiro” não deixou de ser popular, mas depois que Megan nos “uniu” ele acabou meio que deixando de ir a muitas festas e ter toda a vida que ele costumava ter (vida que se resumia em dar foras em garotas inocentes), enfim, ele é um príncipe, me trata como uma verdadeira princesa, sempre atento, até quando eu aparo as pontas do cabelo ou uso uma cor diferente do batom. Realmente um príncipe. Mas não o meu.

      Depois de falar com a minha mãe como foi o primeiro dia de aula e responder automaticamente qualquer coisa que ela perguntasse, fui tomar um banho para limpar qualquer resquício da voz aguda da professora de espanhol e assistir – pela milésima vez – “A noiva cadáver” com o Prince – meu VERDADEIRO príncipe, um filhote de akita branco que ganhei de presente de Megan.

        Estava terminando o filme quando vi a tela do meu neetbook piscar sem parar. E  quando cheguei lá tinha uma nova mensagem de e-mail, ia dar meia volta e terminar de ver o filme, mas no fundo senti que só poderia ser coisa da Megan. E eu estava certa... 

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