❝psicopatas estão sempre à nossa volta❞


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2. ❝psicopatas estão sempre à nossa volta❞ part.2


 

Os seguranças acabaram por ir embora, mas ela continuou com as algemas. Era sempre assim. Nas primeiras vezes os novos pacientes tinham que ter sempre as algemas, porque poderiam magoar alguém ou a si mesmo, até. Então algemas serviam como uma fora de terapia e de proteção. Não que resultasse. Já vi homens enlouquecerem completamente por não poderem mexer as mãos então partiam as suas cabeças para não terem que ver as mãos preses. Um homem até já arrancou um dedo de um segurança apenas com os dentes. Ele era canibal.
Eu voltei a minha atenção para o meu cigarro, observando-o a cada ficar cada fez mais pequeno, até que tive que o apagar por estar demasiado pequeno. Ouvi passos aproximarem-se do sofá que estava do lado de esquerdo do de onde eu estava. Olhei para o lado pelo canto do olho e humedeci os lábios discretamente com a vista da rapariga sentada ao meu lado. Os seus cabelos dourados continuavam ligeiramente despenteados, e eu percebi que ela estava frustada porque não os conseguia pentear com as mãos.
"Dana, não é?" Ela assentiu. "O que é que fizeste?"
"Não ouviste nas noticias? Esteve por todo o lado."
"Vês aqui alguma televisão?" Ri de mim mesmo, depois de 2 anos aqui fechado tinha que me rir com qualquer coisa, certo? O problema é que as pessoas do lado de fora pensam que eu estou ainda mais maluco por estar a rir do nada." Eu quero saber o que tu fizeste, não o que as pessoas dizem que fizeste."
"Nada." Encolheu os ombros."Mas tu não tens nada a ver com isso."
"Essa atitude não vai te ajudar de muito por aqui." Encolhi os ombros, e levantei-me, caminhando para o outro sofá.
Queria sair deste sítio mas já sabia que tenta sair iria despertar demasiada atenção, e depois eu acabava por ser castigado por dar maus exemplos aos pacientes mais recentes. Quando cheguei aqui, o suposto era ter sentença de morte, puseram-me aqui apenas para ganhar tempo e para os jornalistas se esquecerem um pouco do que eu fiz. Acontece que acabaram por me deixar aqui, dizendo que ter os olhos de Deus costantemente em mim seria pior castigo que morrer. Estava com tanta raiva das pessoas, mas não me manifestei de forma alguma. As pessoas não paravam de olhar pra mim, mesmo as pessoas mais perigosas tinham medo de mim.
Aprendi a gostar disso, nunca tive problema com ninguém. Todos os dias acontece uma luta, mas comigo nunca houve nada. Porquê? Porque as pessoas tem medo de mim. Tu sabe que és grande quando até os psicopatas mais perigosos desviam o olhar quando os encaras. Aprendi a gostar disso porque posso, de certo modo, estar pacifico. Claro que, certas vezes, eu mesmo me irrito. Os seguranças cansam-me, pensam que são superiores a mim apenas por estarem do outro lado deste minicômio. As pessoas tendem a pensar que são melhores por não estarem num sítio como este, mas, na realidade, nós somos tão melhores que eles. Os psicopatas e os "loucos" tem uma visão diferente das coisas, se toda a gente vir o mundo de maneira igual, é pior do que eu pensava.
"Eles pensam que eu sou uma bruxa." Olhei para o lado, vendo a rapariga de novo do meu lado.
"É és?" Ela apenas sorriu maliciosamente, como se não fosse dizer.
Encolhi os ombros, não me interessando minimamente pela sua história. Agora que ela já estava, era igual a qualquer outra pessoa. Admito que matar 5 homens, que aparentemente eram importantes de alguma forma na sociedade - policias, e advogados, e até mesmo médicos e professores - com as suas próprias mãos não é fácil. Mas bruxas não existem. Estamos nos anos 50, as pessoas não podem assumir que uma pessoa é bruxa pela cor dos olhos.
"Não sei o que pretender falar comigo, mas eu não vou te ajudar." Ela revirou os olhos, olhando para as suas mãos outra vez. "Porque é que te deixaste apanhar? Mataste tantos outros homens e-"
"Eu não fiz nada!" Gritou, e eu apenas revirei os olhos para os seguranças, já sabendo o que iria acontecer.
Eles levaram-na para fora, enquanto ela gritava para largarem e eu apenas murmurei um baixo 'estúpida' para mim mesmo. Se ela fosse esperta, teria mantido a boca fechada e não se aproximaria de mim sequer. Um pouco mais tarde, dois enfermeiros entraram na sala e eu revirei os olhos, sabendo bem o que viria. As freiras tendem a pensar que medicamentos curam as nossas "doenças", quando, na realidade, só nos fazem pior. Odeio tomar os medicamentos, mas os seguranças também tendem a revistar todos os quartos e durante estes dois anos eu já escondi medicamentos em sítios que ninguém ira pensar. Ninguém á exceção de mim de de um segurança que me odeia com toas as suas células, Mark.

Ele já me conhecia antes de eu entrar aqui. Fomos colegas na escola. Ele estava constantemente a gozar comigo por eu não ter amigos, e eu, sendo como era, não me ficava. Coitado, todos os dias ganhava uma nódoa negra. O que tinha piada é que ele continuava, continuava a rebaixar-me, sabendo bem que quem acabava no chão era ele. Ele sempre preferiu a popularidade á esperteza em si, e eu sempre fui o oposto. Ouvir mais, observar mais e falar menos.
"Harry, tens que tomar os teus medicamentos." A única enfermeira simpática disse, olhando-me com um certo brilho maternal.
Eu adorava a Beatrice, era a única pessoa que eu realmente tolerava neste sítio. Ela nunca me achou culpada por todos aqueles crimes, ela já me conhece desde que eu sou pequeno. Com 10 anos, fiquei internado durante 3 meses na ala das crianças, e foi ela quem cuidou de mim. 15 anos mais tarde, para sua surpresa, voltei a Creedtorium supostamente condenado á morte. O meu caso e o da bruxa são bastante similares, eu fui condenado á cadeira elétrica e ela foi condenada a ser queimada viva, supostamente. É isso que fazem as bruxas, certo?
"Só porque és tu.' Ele sorriu-me e entregou-meu o pequeno copo.
Realmente só sobrevivi a este sítio por sua causa, ela tratou de mim como se fosse seu filho. Quando eu tinha as sessões com a psicóloga, e tinha as consultas de rotina com ela, era sempre ela que ficava comigo á espera ou a tratar-me. As freiras realmente perceberam que eu só cooperava com ela, então deram-me esse previlégio. Outras pessoas achavam injusto, e eu sabia disso, mas realmente não me importava porque elas não tinham coragem para falar. Isto de supostamente ter matado 20 pessoas numa noite sempre me deu jeito.
"Já ouviste da nova rapariga?" Ela perguntou-me, suavemente, quando todos acabaram de tomar os comprimidos.
"A bruxa? Sim, ela falou comigo."

(continua) 

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