Corvo

Lidar com a morte nunca é fácil, imagine se você encontrasse sua mãe esfaqueada no chão da cozinha de sua casa? Raven descobriu, a partir desse momento, que talvez a sorte não estivesse ao seu lado. Três semanas após a morte de sua mãe e a posse de um misterioso medalhão hereditário, Raven se vê envolvida em uma série de assassinatos e um estranho novato em sua escola. Jean parece ser uma pessoa normal mas na verdade é um vampiro, não um vampiro de contos adolescentes, aqueles que chupam sangue e tem olhos vermelhos; um vampiro verdadeiro, ou um meio-vampiro. Na cidade de Raven Thorme, vampiros são sugadores de energia e feiticeiras usam as sombras para o bem.

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1. Prólogo

   Raven Thorme analisava cuidadosamente o objeto em suas mãos. O medalhão de prata com a imagem de um corvo gravado em seu centro fora um presente de sua mãe, dado minutos antes de fechar os olhos e entregar-se a morte, à três semanas quando fora esfaqueada. O artefato visivelmente antigo agora carregava o sorriso e o olhar amoroso da mulher que por tantos anos chamou de mãe, e continuaria chamando eternamente.

   Vívian havia sido assassinada a três semanas quando ladrões entraram na casa a procura de algo. Raven não estava em casa neste dia e sentía-se culpada pela morte da mãe. Imaginava que talvez, se tivesse deixado de ir a boba feira de livros no centro, sua mãe estaria agora preparando o delicioso chocolate quente e poderia oferecer seu ombro quando alguém chamasse-a de "Corvo", seu famoso apelido na San't Ammis. 

  Agora, três semanas após encontrar a mãe esfaqueada brutalmente no chão da cozinha, Raven chorava desalmadamente pelos cantos da casa do pai. Tivera de mudar-se no mesmo dia, aproveitando o ombro do pai, e com sua ajuda reuniu suas coisas. A casa verde e com um belo jardim florido ficava a alguns quilometros da casa da mãe de Raven, ao lado de uma floresta e um lindo e límpido lago.

   Lágrimas de saudade escorreram pelo rosto pálido de Raven, que continuava concentrada em analisar o objeto. Com a manga de seu enorme moletom preto, ela secou-as e levantou-se da cama de casal de seu novo quarto. Olhando ao redor, Raven sentiu-se suspirar involuntariamente ao não reconhecer um mínimo detalhe naquele espaço. As paredes cinza escuro lhe eram desconhecidas, assim como a mobília branca e o tapete negro e feopudo ao lado da cama. Seu conforto ali apenas se dava pelo fato de que, ao levantar, Raven olhava para os olhos azuis da mãe na fotografia colada a parede em frente a cama. 

   Decidida, Raven enxugou as lágrimas que teimavam em continuar caindo e sorriu para o rosto feliz da mãe na foto, seria forte como sabia que a mãe gostaria; seria sua mãe. Guardaria em sua memória apenas as lembranças boas da mulher de cabelos loiros e lindos olhos azuis.

   Ainda sorrindo, andou a passos largos até a gaveta do criado-mudo ao lado da cama e dali retirou seu surrado caderno de capa vermelha. Folheou-o até encontrar uma página em branco, onde dali a minutos um verso estaria escrito. Com sua caneta permanente na mão, Raven deixou seus dedos guiarem pela folha, transferindo suas lembranças aos versos.

Você se foi e mesmo assim ainda me lembro

Lembro dos dias em que conversávamos alegremente

Seja aonde estiver, mãe

Minhas lágrimas serão tuas eternamente.

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