Biology by Vee

Uma fanfic que conta a vida de uma adolescente,que vive uma realidade bem diferente da habitual, uma relação física com dois professores de biologia. "- Quando eu apenas imaginava como seria te ter, você já era meu vício – ele sussurrou, arrepiando meus cabelos da nuca com seu hálito quente – Agora que eu realmente te tenho... Não vou conseguir te tirar da cabeça." A fanfic mostra como é fina a linha entre o ódio, a atração e o amor, te deixando tão 'envolvida' quanto a personagem.

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8. Capítulo 8

Respirei fundo, sentindo o aroma floral gostoso com o qual já estava acostumada. Toda vez que pisava na guarita do prédio de Hazza, o cheiro das flores do jardim invadia meus pulmões, geralmente fazendo um sorrisinho surgir em meu rosto. Mas hoje eu estava preocupada, ansiosa demais pra sorrir. Assim que me viu, Andy abriu a porta para mim, como em toda sexta-feira, e eu entrei, respirando fundo outra vez. Trêmula, passei por ele, que me deu um sorrisinho amigável por detrás do balcão da portaria, e subi pela escada, inquieta demais para esperar o elevador. Aquela poderia ser a última vez que eu estaria naquele prédio. Meu estômago revirou de nervosismo só de pensar. 
Assim que o primeiro andar entrou no meu campo de visão, vi Hazza me esperando com a porta de seu apartamento aberta. Minha garganta ficou totalmente seca assim que seus olhos verdes me encararam. 
Me aproximei da porta, com a respiração discretamente ofegante, mas sem nenhuma relação com os lances de escada que subi. Não soube como agir, até que ele abaixou o olhar e me deu espaço para passar. Com sérias dificuldades pra respirar de tão apreensiva, eu entrei e parei a alguns passos da porta, de costas pra ele, enquanto o ouvia trancá-la. Tomando coragem, me virei em sua direção, e o observei encarar o chão e prolongar aquele silêncio sepulcral por mais alguns segundos. 
- Como você tá? – ouvi Hazza murmurar, com um pouco de cuidado na voz, e quase não soube responder, porque seu olhar se fixou no meu. 
- Bem – respondi, com a voz falha, e pigarreei de leve para firmá-la – E você? 
- Já estive melhor – ele falou, assentindo devagar e voltando a encarar os próprios pés. Mais silêncio. 
- Não quer se sentar? – ele disse, me olhando novamente após mais algum tempo quieto, e indicou o sofá com um gesto de mão. Me sentindo uma visitante incômoda, fiz que não com a cabeça e esbocei um sorriso cordial, evitando olhar em seus olhos. Hazza respirou fundo, colocando as mãos nos bolsos da bermuda bege, e perguntou, com a voz baixa: 
- Como foi a excursão? 
Soltei um discreto risinho miserável ao ouvir sua pergunta, me lembrando de todos os péssimos momentos daquele dia. Nem que eu quisesse seria capaz de explicar o quão torturante aquela excursão tinha sido. 
- O que você acha? – murmurei, encarando meus tênis com a expressão vazia – Não podia ter sido pior. 
Hazza abaixou seu olhar, parecendo um pouco culpado pela minha resposta, e eu continuei: 
- Ter que passar o dia inteiro com pessoas que eu não gosto e que também não gostam de mim, quase perder o chaveiro que minha avó me deu de presente, e pra encerrar com chave de ouro, quase ser assaltada enquanto esperava minha mãe ir me buscar na escola. Grande dia, sem dúvida. 
- O que? Você quase foi assaltada? – Hazza repetiu, com a voz um pouco sobressaltada, e eu pude ver seu rosto demonstrar preocupação – Como assim? 
Ergui meu olhar pra ele, e entortei a boca, balançando a cabeça negativamente. 
- Não foi nada de mais – respondi, sem querer citar o momento em que o professor Horan apareceu e expulsou aquele cara estranho – Minha mãe chegou bem na hora e ficou tudo bem. 
Hazza continuou me encarando, com o olhar meio aflito e a testa levemente franzida, e eu sustentei seu olhar, séria por fora e desmoronando por dentro. Tudo que eu queria naquele momento era abraçá-lo, só isso já me faria um bem enorme. 
- Eu devia ter dado um jeito de ir com você – ele disse delicadamente, como se tentasse enxergar meus pensamentos através dos meus olhos – Evitaria muita dor de cabeça. 
- Pois é – suspirei, sentindo minhas entranhas se revirarem de ansiedade dentro de mim ao ouvir seu tom de voz reconfortante. Se eu dissesse que estava lacrimejando, seria muito ridículo? 
- Talvez se eu tivesse ido com a sua turma, nós não estivéssemos agindo como dois estranhos nesse exato momento – Hazza murmurou, com os olhos cravados nos meus de um jeito tristonho – Tudo isso por uma discussão que já não tem a mínima importância pra mim... Porque o que eu sinto por você é muito maior e mais especial do que isso. 
Um sorriso tímido surgiu no meu rosto, derrubando duas lágrimas fujonas dos meus olhos. Alívio era pouco perto do que eu estava sentindo. Ele sorriu fraco pra mim, e toda aquela seriedade que existia antes sumiu de seus olhos instantaneamente, voltando a mostrar o Hazza maravilhoso que eu conhecia. O meu Hazza. 
- Me desculpa – eu falei, com a voz embargada, e cobri meu rosto com as mãos, sentindo vergonha de mim mesma por estar chorando. 
- Esquece isso, já passou - ouvi sua voz preocupada murmurar, bem perto do meu ouvido, me abraçando carinhosamente e me obrigando a inalar seu perfume viciante – Eu senti tanta saudade de você... Não conseguia te tirar da cabeça por um minuto sequer, me odiando por não ter simplesmente corrido atrás de você sem nem ligar pro que os outros iam pensar. 
Àquela altura, eu já estava totalmente mole, ainda de pé somente porque ele me segurava. Era como se aquilo fosse um sonho. Hazza afundou seu rosto em meu pescoço, respirando profundamente meu perfume, e me deu um beijo atrás da orelha, provocando arrepios por todo o meu corpo. Logo depois, suas mãos envolveram meu rosto e o ergueram até nossos olhares se encontrarem. Encostando a ponta de seu nariz no meu, ele sussurrou, olhando fundo nos meus olhos com um sorrisinho lindo: 
- Eu te amo, minha pequena. 
Sorri novamente, fazendo com que duas últimas lágrimas teimosas, que ele logo enxugou com os polegares, rolassem pelo meu rosto. Passei minhas mãos ao redor de seu pescoço, com o sangue formigando dentro das veias, e venci a pouca distância que separava nossos lábios. Senti Hazza sorrir assim que nossas línguas se encontraram, sem a menor pressa de se afastarem, e ele envolveu minha cintura com seus braços. Deus, como era bom me sentir inteira novamente. Envolvi seu rosto com minhas mãos, matando a saudade de cada centímetro daquela região, e embrenhei meus dedos em seus cabelos, que estavam arrumados demais pro meu gosto. Senti meus pés saírem do chão quando Hazza me levantou, e dobrei minhas pernas pra trás, partindo o beijo e afundando meu rosto em seu pescoço. Sorrindo feito uma idiota, aproveitei a proximidade entre minha boca e seu ouvido para sussurrar: 
- Você sabe que eu também te amo... Não sabe? 
Hazza me colocou no chão novamente, e quando voltamos a nos encarar, vi que ele fingia pensar numa resposta, fazendo um biquinho fofo e olhando pra cima.
- Hm, não sei... Que tal refrescar a minha memória? 
Um sorrisinho danado surgiu em seu rosto, o que só me fez sorrir mais ainda. Quase tinha me esquecido de como era bom estar com ele e de como ele me fazia rir com uma facilidade impressionante. 
- Pode deixar que eu te faço lembrar direitinho, Styles – sussurrei, com meus lábios rentes aos dele num sorrisinho esperto e um olhar intenso em seus olhos verdes radiantes. Hazza colocou suas mãos em minha cintura e me puxou pra mais perto bruscamente, me beijando na mesma hora com uma vontade assustadora. Parecia que ele se lembrava muito bem, e estava mais do que disposto a me dar um flashback. 
Suas mãos logo desceram mais um pouco, parando espalmadas em minha bunda, e as minhas deslizaram lentamente pelo seu tórax e abdômen, saboreando cada milímetro do trajeto. Hazza continuou descendo uma de suas mãos até a minha coxa, e a puxou pra cima, fazendo meu joelho ficar na altura de seu quadril. Entendendo o que ele queria (me carregar pra algum lugar, como sempre), eu subi novamente minhas mãos até seus ombros e me impulsionei pra cima, envolvendo sua cintura com minhas pernas. Agradecendo com gemidos baixos enquanto me beijava, ele deu alguns passos às cegas, segurando firme em minha bunda enquanto eu voltava a agarrar seus cabelos da nuca. Mais alguns passos adiante e eu estava sentada sobre algo plano. Tateei a superfície, enroscando meus dedos em alguns fios inesperados, e percebendo minha curiosidade, Hazza partiu o beijo e disse, com a boca avermelhada e um olhar meio enfezado: 
- Quer fazer o favor de parar quieta? 
Olhei pra baixo, e me vi sentada sobre a mesinha do telefone, que tinha sido empurrado pro lado e caído no sofá, deixando sobre a mesa apenas sua fiação. Ah, tá, agora eu entendi. 
- Foi mal – murmurei, sorrindo sem graça pra ele, que revirou os olhos com um sorriso de canto e voltou a me beijar logo depois. Sem tempo a perder, enfiei minhas mãos por debaixo de sua blusa branca, tocando sua pele quente, e as deslizei até descobrir seu abdômen todo. Com uma das mãos, puxei-o pra mais perto pelo cós da bermuda, e ele resolveu tirar a blusa, puxando-a pra cima pela parte de trás e jogando-a longe em dois segundos. Assim que se aproximou novamente, Hazza avançou em meu pescoço, dando beijos e leves chupões pela região. Agarrei com mais força seus cabelos, enquanto fincava minhas unhas da outra mão em seus ombros divinos. 
Ele continuou descendo seus beijos até meu colo e desabotoou um dos dois botões da minha camiseta preta, que só serviam pra regular o decote. Beijou de leve o local onde o botão cobria, e fez o mesmo com o segundo botão. Ele ergueu o olhar na minha direção, sorrindo pervertidamente, e depois suas mãos foram até o fecho do meu sutiã por baixo da blusa, levando-a junto. Tirei-a na mesma hora, com a ajuda desnecessária dele, e assim que ela voou pra algum lugar, sua boca estava grudada na minha novamente. Já bastante ofegante, eu acariciava seus braços e peito, sentindo seus dedinhos ágeis puxarem as alças de meu sutiã e fazendo-as escorregarem por meus ombros. 
Com uma mão firme envolvendo sua nuca e mantendo seus lábios firmemente colados nos meus, eu lutava contra o botão de sua bermuda, que não queria abrir de jeito nenhum, com a outra mão. Pelo visto estávamos perdendo o jeito, porque Hazza também parecia estar com dificuldades com meu sutiã, mesmo usando as duas mãos para tirá-lo, até que ele se irritou e me afastou de leve. 
- Resolve o meu problema que eu resolvo o seu, pode ser? – ele ofegou, atordoado, e eu assenti na hora, tirando o sutiã com facilidade enquanto via a bermuda dele descer até alcançar o chão. Achando graça do momento complicado, voltamos a nos beijar com um sorriso, e eu senti seu queridinho dar sinais empolgantes de vida mais embaixo. Abracei seu pescoço com mais força enquanto ele apertava meus seios e soltava alguns gemidos roucos, e passei a mordiscar e sugar o lóbulo de sua orelha com vontade. 
Hazza subiu uma de suas mãos até minha nuca, agarrando meus cabelos, e passou a outra por debaixo da minha coxa, apertando seu interior e me puxando pra mais perto. Desci uma de minhas mãos até encontrar o volume que procurava, e fiz carinho de leve sobre a boxer, fazendo-o inspirar ruidosamente e buscar meus lábios com urgência. Ele podia ser bem exigente quando provocado. Assim que voltamos a nos beijar, sua mão contornou minha coxa, ficando sobre sua parte superior, e subiu até o botão da minha calça. Sem querer romper o beijo, mas com o mesmo problema de antes, ele tentava em vão abrir o botão, até que eu segurei suas mãos e o ajudei, com vontade de rir por vê-lo tão destrambelhado. Obstáculos vencidos, não demorou muito pra minha calça e calcinha estarem espalhadas pela sala. 
Deslizando suas mãos desde o meu joelho até meu quadril, Hazza segurou meu rosto com uma delas, embrenhando as pontas de seus dedos em meus cabelos por trás da orelha, e com a outra tocou minha intimidade devagar. Ele me beijou na mesma hora, só pra me provocar mais ainda. Igualmente dedicado a me beijar e a mexer seus dedinhos mágicos, ele não demorou muito a me levar ao primeiro orgasmo do dia, sorrindo orgulhosamente depois do feito. Incrível como ele sabia exatamente onde investir pra me fazer pirar. 
Sentindo algumas mechas de cabelo grudarem em minhas costas por estar suada, eu voltei a espalhar beijos por seu pescoço, porque hoje aquela área parecia estar especialmente perfumada. Me aproveitando da distração dele, minhas mãos foram descendo até encontrarem o elástico de sua boxer, e nem preciso dizer que ela já estava no chão em menos de dois segundos. Me afastei de seu pescoço e envolvi seu membro com uma mão, mantendo nossas testas unidas. Comecei a masturbá-lo rapidamente, sentindo Hazza apertar minhas coxas com força e afundar seu rosto em meu pescoço. Seus músculos do abdômen se contraíam enquanto eu acariciava sua nuca com a mão livre e beijava seu ombro, que estava próximo da minha boca. A respiração falha e quente dele no meu pescoço estava me arrepiando inteira, ainda mais quando ele começou a gemer baixo bem ao pé do meu ouvido. 
Quando já estava nítido que ele se segurava pra não acabar com a festa, ele segurou seu pênis, me fazendo soltá-lo, e abriu a gaveta da mesinha, tirando um preservativo dela. Ele mesmo colocou a camisinha em tempo recorde, considerando-se que eu beijava seu pescoço feito uma desvairada, e me pegando de surpresa por sua rapidez, me penetrou de uma vez só e com força. Soltei um gemido alto, que logo foi abafado pela boca dele, e finquei minhas unhas em seus braços. Hazza continuou investindo rápida e furiosamente, gemendo contra meus lábios, e segurava firme em minha cintura, me puxando pra si a cada investida. Estávamos realmente urrando, suados e com os músculos totalmente tensos de prazer, até que nossos gemidos foram ficando cada vez mais cansados e ele finalmente gozou, agüentando até eu atingir meu segundo orgasmo. 
De olhos fechados e com a testa unida à dele, eu apenas tentava recuperar o fôlego enquanto sentia sua respiração quente em meu rosto. Hazza acariciou de leve minha bochecha com uma mão, e eu abri os olhos, vendo um sorrisinho fofo surgir em seu rosto. 
- Na mesinha do telefone, Hazza? – cochichei, rindo baixinho e mordendo meu lábio inferior dormente, fazendo-o revelar seus olhos intensamente brilhantes – De novo? 
- Me desculpe, vou tentar me esforçar mais pra chegar ao sofá nas próximas vezes – ele murmurou, dando uma piscadinha marota e me dando um selinho demorado logo depois. É, acho que o dia ia ser bom. 

- Hazza, eu tenho que ir. 
- Ah, (Seu apelido), só mais um pouquinho, vai. 
Estávamos deitados no sofá da sala, após uma tarde bastante, erm, empolgante. O corpo de Hazza estava sobre o meu, e suas mãos percorriam confortavelmente minhas coxas, quadris e cintura enquanto nos beijávamos. Já estávamos há um bom tempo ali, a ponto de deixá-lo “alegre” pela milésima vez no dia, mas eu realmente tinha que ir embora. Não que eu quisesse, por mim ficaria o resto da vida dando uns belos amassos em Hazza, mas se eu não chegasse em casa logo, minha mãe ficaria desconfiada pela demora. 
- Eu tô falando sério – reforcei, tentando me sentar enquanto minhas mãos empurravam inutilmente seu peito pra trás e ele beijava meu pescoço de um jeito provocante – Eu preciso ir embora. 
Ele soltou um suspiro derrotado, apoiando a testa em meu ombro, e eu quase voltei atrás, se ele já não estivesse de pé no segundo seguinte. 
- Só você mesmo, (S/N) – ele resmungou, de pé na minha frente enquanto eu me sentava pra calçar meus tênis – Fica me atiçando e depois me dispensa? Não dá certo. 
Olhei pra ele, mas meus olhos inevitavelmente se fixaram no volume que havia pelo caminho, mais especificamente em sua bermuda. Como eu já estava acostumada a vê-lo sem roupa, às vezes eu me esquecia de que aquilo podia chamar muita atenção quando ele estava vestido... E muito bem provocado, claro. 
- Pelo amor de Deus, Styles, hoje você não pode reclamar de carência – eu ri, voltando a amarrar meus cadarços com um sorriso divertido – Já liberamos endorfinas suficientes pra uma semana só nessa tarde.
- Engraçadinha – Hazza falou, com a voz meio frustrada/irritada – Já vi que você realmente vai me deixar assim, então eu vou me conformar e buscar meus tênis. 
- Pra que? – perguntei, quando o vi caminhar na direção de seu quarto – Vai me levar até lá embaixo hoje? 
- Você acha mesmo que eu vou te deixar ir andando sozinha a essa hora? – ouvi sua voz exclamar lá de dentro, como se andar até a minha casa lá pelas 8 da noite fosse um absurdo – Eu vou te levar! 
- Claro que não, Hazza! – neguei, ficando de pé quando terminei de calçar meus tênis e seguindo-o depois – Nem pensar, é arriscado demais! Imagina se minha mãe ou alguém conhecido nos vê? 
- Não acho que ninguém vá nos ver, mas se acontecer, o que tem de mais nisso? – ele disse enquanto calçava rapidamente os tênis, como se nossa relação fosse totalmente permitida – Um professor não pode dar uma carona pra uma aluna que encontrou totalmente por acaso na rua? 
Revirei meus olhos, com um leve sorriso contrariado, e ele logo veio até mim com uma expressão esperta. 
- Se você insiste... – murmurei, encarando-o com o olhar derrotado. Ele sempre me convencia, sempre me fazia ceder ao seu jeito seguro e despreocupado, e o pior, extremamente lindo. 
- Sim, eu insisto – Hazza retrucou, cerrando os olhos e franzindo rapidamente o nariz antes de me dar um beijo demorado. Os minutos foram passando (aliás, voando), a gente continuou se beijando, e assim que ele me prensou contra a parede do corredor, me dei conta de que aquilo estava durando demais e estava tomando um rumo que não devia tomar. 
- Desculpa, eu me empolguei um pouquinho – ele sussurrou, abrindo devagar os olhos e me fazendo sorrir feito uma idiota quando eu o afastei pelo peito. Mesmo depois de quase dois meses juntos, ele ainda me fazia sorrir sem esforço. 
- É, eu percebi, você tá que tá hoje – brinquei, lançando um breve olhar pro retorno do insistente volume em sua bermuda antes de dar as costas pra um Hazza desconcertado – Vamos? 
Descemos as escadas rapidamente, sem esquecer de nos despedirmos de Andy, e caminhamos até o carro de Hazza, que estava estacionado bem em frente ao prédio. Rezando pra ninguém nos ver, entrei no carro pela porta do carona enquanto ele fazia o mesmo do outro lado, com um sorriso insistente de quem estava levando a namorada (ou sei lá o que eu era dele) pra casa pela primeira vez. Ele lançou um olhar de dúvida pra ignição do carro e subitamente começou a tatear os bolsos da bermuda, procurando alguma coisa. 
- Droga – ele xingou, entortando a boca e desistindo de revirar seus bolsos – Esqueci a chave. 
- Não acredito – falei, revirando os olhos e rindo de um jeito apreensivo por estar aparecendo com ele em público. Olhava pra todas as direções, preocupada com as poucas pessoas que passavam pela rua e o que elas poderiam pensar. 
- Viu o que você faz comigo? Me deixa todo desconcentrado – ele murmurou, com sua típica cara brincalhona de insatisfação enquanto saía do carro – Já volto. 
Assim que Hazza sumiu pela portaria do prédio, eu me deixei escorregar no assento do carro, praticamente sumindo de vista. Apesar de ter olhado pra todos os lados possíveis e não ter visto quase ninguém na rua, eu não queria correr o risco de ser vista por gente demais, ou pelas pessoas erradas. 
Encarando vagamente a barra de minha blusa, com a qual eu brincava com a mesma atenção, eu esperei, até ouvir leves batidas no vidro ao meu lado poucos segundos depois. Pulei de susto com o barulho repentino, e senti todo o sangue do meu corpo evaporar quando olhei na direção do som. 
Meu olhar se fixou nos olhos irritantemente verdes de Kelly Smithers do outro lado do vidro, que sorria pra mim com seu cinismo cotidiano. Não sei descrever o que se passava dentro de mim naquele momento, só sei que foi um dos piores sentimentos que eu já tive, como se tudo dentro de mim estivesse desmoronando. Ela não podia estar ali, ela não podia ter me visto, ela simplesmente não podia. 
Quando eu pensei que ainda havia uma chance de driblar aquela situação, vi que havia uma meia dúzia de garotas igualmente patricinhas do outro lado da rua cochichando e rindo entre si enquanto nos observavam, algumas até fotografando a cena com a câmera de seus celulares caríssimos. Amigas dela, que também me conheciam de vista porque estudavam no mesmo colégio. Maravilha, eu realmente estava encurralada. 
- Desce o vidro, quero falar com você – ouvi a voz de Kelly pedir, abafada pela porta fechada entre nós. Tentei me mexer ou fazer algo básico como respirar, mas não deu. Eu estava totalmente paralisada, dura de pavor. Ela era só fruto da minha imaginação. Só podia ser. 
Levei alguns segundos assimilando a situação, e como Kelly continuou parada do meu lado e não sumiu como uma miragem normal, eu fiz a única coisa que podia fazer: abaixei o vidro, com o olhar trêmulo. Já era, ferrou tudo. Ela e suas amiguinhas iam mostrar fotos minhas no carro de Hazza pra diretora, ela chamaria minha mãe e aí minha vida estava acabada. Já dava até pra me ver mudando de escola e sendo tachada de piranha pro resto da vida. 
- Ora, ora, vejam só o que temos aqui – Kelly sorriu maleficamente, apoiando levemente um cotovelo no retrovisor do carro – (S/N) (seu sobrenome) no carro de Harry Styles... Por essa eu não esperava... Bom, talvez eu até já esperasse. 
O grupinho de garotas a la Gossip Girl do outro lado da rua começou a rir, e eu senti meu sangue voltar às veias, concentrando-se especificamente em minhas bochechas e deixando-as insuportavelmente quentes, chegando até a confundir meus pensamentos. 
- O que você quer? – gaguejei, meio tonta por causa da pressão enorme que eu sentia dentro da cabeça, que atendia pelo nome de pânico. Vi o sorriso de Kelly alargar, como se tivesse gostado da pergunta, e seu olhar maldoso se tornou ainda mais intenso. 
- Amanhã eu vou dar uma festinha na minha casa – ela murmurou, aproximando mais um pouco seu rosto do meu para se fazer ouvir – Aparece lá e a gente conversa. 
Ela voltou a se afastar, mexendo em sua bolsa, e de lá tirou um cartão em branco e uma caneta. Anotou rapidamente seu endereço no papel retangular e me deu. 
- Se eu fosse você, não deixava de ir – ela disse, piscando maliciosamente pra mim enquanto se afastava e levava seu bandinho risonho consigo. Eu apenas a observei se afastar, gargalhando e vendo alguma coisa nos celulares das amigas, provavelmente fotos da minha cara horrorizada. Totalmente confusa e assustada, abaixei meu olhar pro cartão, onde a caligrafia redondinha de Kelly reluzia graças à tinta cintilante da caneta gel rosa dela. Eu precisava achar uma maneira de contornar aquela situação, e eu tinha cerca de 24h pra pensar numa boa proposta. 
Olhei desanimadamente na direção do prédio de Hazza, e o vi passar depressa pelo balcão e rir de alguma coisa com Andy. Rapidamente escondi o cartão de Kelly no bolso da calça, e assim que ele entrou no carro, forcei um sorrisinho simpático. Não queria que ele soubesse desse inconveniente, não por enquanto. Ele colocou a chave na ignição e me olhou, provavelmente notando meu jeito estranho. Não era preciso muito tempo de convivência comigo pra saber classificar meu estado de humor. 
- Que foi, (Seu apelido)? – Hazza murmurou, com a expressão e a voz levemente preocupada – Você tá branca feito papel. 
- Não foi nada – respondi, balançando negativamente a cabeça e me esforçando ao máximo pra parecer normal – Eu só tô meio cansada... Acho que preciso dormir um pouco. 
Ele continuou me encarando, com a testa franzida, e por um segundo pensei que ele não cairia na minha mentira. Mas tudo que Hazza fez foi dar de ombros e arrancar com o carro, alheio a qualquer tipo de acontecimento perigoso. Como sempre. 

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