Biology by Vee

Uma fanfic que conta a vida de uma adolescente,que vive uma realidade bem diferente da habitual, uma relação física com dois professores de biologia. "- Quando eu apenas imaginava como seria te ter, você já era meu vício – ele sussurrou, arrepiando meus cabelos da nuca com seu hálito quente – Agora que eu realmente te tenho... Não vou conseguir te tirar da cabeça." A fanfic mostra como é fina a linha entre o ódio, a atração e o amor, te deixando tão 'envolvida' quanto a personagem.

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7. Capítulo 7

Cinco e quarenta e dois. Esse era o horário que meu celular marcava quando pisei no Starbucks, já de volta a Londres. Geralmente após as excursões, a turma era levada até lá pra tomar um lanche e relaxar um pouco após um dia de aprendizado fora da escola. Meu momento de relaxar baseou-se em ficar sentada numa das mesas mais isoladas de todos, com um frapuccino que minha garganta não queria engolir entre meus dedos gelados e a cabeça pesada. Meu dia tinha sido um lixo, um dos piores da minha vida, sem dúvida. 
Encarando a paisagem cinza e chuvosa que havia do lado de fora pela janela de vidro ao meu lado, eu brincava com o canudo do milkshake praticamente intocado, sentindo um mau humor gigante urrando dentro de mim. Meu estômago demonstrava fome, mas eu não tinha vontade nem capacidade de comer ou beber alguma coisa. Com um cotovelo apoiado na mesa e a cabeça apoiada na mão, enquanto a outra se distraía com o copo, eu mantinha meu maxilar tenso, sem nem notar o ser que se aproximava devagar. 
Vi alguém se sentar na cadeira à minha frente, e sem nem precisar mover meus globos oculares, reconheci o indivíduo como sendo Niall Horan. Falta de sexo dava em perseguição desesperada, só podia ser. Sem dizer nada, ele ficou me encarando, com as mãos no colo e um sorrisinho insuportável. Incomodada com a presença dele, desviei meu olhar dos pingos de chuva que escorriam pelo vidro da janela até encontrar o dele.
- Perdeu alguma coisa? – resmunguei, sem mexer mais nada além dos meus músculos faciais. Niall continuou com seu sorrisinho divertido antes de erguer uma de suas mãos sobre a mesa, fechada num punho, e responder: 
- Eu não, mas eu acho que você sim. 
Franzi a testa, sem nem tentar entender, e ele abriu a mão, deixando uma coisa rosa clara pender de uma pequena corrente prateada entre seus dedos polegar e indicador unidos. O meu chaveiro. 
Senti meus olhos se arregalarem e meu queixo cair na hora em que vi a bailarina balançando de leve bem na minha frente. Imediatamente, arranquei-a da mão dele, segurando-a com firmeza enquanto a observava por alguns segundos, e logo depois a coloquei dentro da bolsa. 
- Quer dizer que ela estava com você desde o começo – murmurei, morrendo de raiva, quando voltei a encará-lo – Por que você não me devolveu assim que soube de quem era? 
- Sua criatividade me comove, (seu sobrenome) – ele disse, rindo da minha cara – Pra que eu ia querer ficar com o seu chaveiro? Foi o Hammings que o encontrou e só me deu agora, por isso eu vim devolver. 
Continuei encarando-o, sem saber se acreditava ou não. Preferi não ocupar minha mente com aquele assunto, já estava tudo resolvido, meu chaveiro estava comigo de novo e eu pouco me importava se ele estava dizendo a verdade ou não. Ele era um imbecil de marca maior e estar sendo sincero não o faria menos desprezível. 
- Obrigada, se era isso que você queria – resmunguei, grossa, voltando a encarar a paisagem lá fora. Que estado calamitoso eu havia atingido, era capaz até de agradecê-lo pra vê-lo longe de mim. 
- Eu quero bem mais de você – ouvi o professor Horan murmurar, com os olhos cravados em mim – Sei que minha vez vai chegar, e tenho paciência pra esperar. 
Sem dizer mais nada, ele se levantou e voltou a se sentar em sua mesa junto com o professor Hammings, finalmente me deixando sozinha com meus pensamentos, e com um ódio cada vez maior dele. Se antes daquela excursão eu já estava decidida a contar tudo sobre o Horan pra Hazza, agora eu não perderia a chance de fazê-lo o mais breve possível. 

- Mãe, cadê você? 
Seis horas e cinqüenta e três minutos. Eu estava parada na porta da escola, quase congelando de frio, falando com minha querida e pontual mãe ao celular. Por que raios ela não estava parada na frente do colégio pra me levar pra casa se a porcaria da excursão estava prevista pra acabar às seis e meia? Quase meia hora de atraso, bem típico de mamãe mesmo. 
- Desculpe o atraso, filha, acabei cochilando e perdi a hora – ela respondeu, parecendo um tanto afobada do outro lado da linha – Já estou indo te buscar, querida, não demoro. 
- Não demore mesmo, por favor – murmurei, ao ver que não havia mais sombra de nenhum aluno na porta da escola. Fechei o slide do celular lentamente, com frio demais pra me mover mais rápido que aquilo. Depois de toda aquela chuvinha fraca irritante e incessante, veio um frio que ninguém estava esperando, acompanhado de uma escuridão precoce que dava a impressão de que já eram nove da noite. Todos deixaram o ônibus encolhidos e buscando o ambiente agradável de dentro dos carros dos pais. Só eu tinha que me conformar com mais alguns minutos de espera, sentindo a ponta de meus dedos dos pés e das mãos perderem a sensibilidade, meu nariz ficar gelado e ver minha respiração virar fumaça assim que entrava em contato com o ambiente. Legal, mãe, obrigada por se lembrar de mim. 
Distraída com os poucos carros que passavam pela rua, nem percebi quando uma pessoa se aproximou de mim, e assim que notei sua presença, ergui meu olhar até o dela. 
- Oi, gatinha – um garoto que eu não fazia a idéia de quem era disse, com um sorriso nada agradável no rosto e me olhando de cima a baixo. Ele devia ter uns 19 anos, alto, magro e com dentes muito amarelos. Usava um conjunto de moletom azul marinho que parecia ser três vezes maior que ele, tênis de basquete e uma touca cinza que fazia sua cabeça parecer deformada, junto com uma barba por fazer que só aumentava a impressão de sujo que o bafo de cerveja já o dava. 
Engoli em seco novamente, sentindo meu coração acelerar e a boca secar. Droga, ele ia me roubar. Olhei em volta, e tudo que vi foi o sr. Hammings arrancando com seu carro sem nem notar minha existência. Busquei desesperadamente algum sinal de vida naquela rua fora nós dois, mas não encontrei. Legal, eu estava definitivamente sozinha com aquele cara estranho enquanto minha mãe não chegasse. Fechei minha mão discretamente, tentando esconder meu celular, o que foi em vão, já que ele logo olhou naquela direção e aumentou seu sorriso pervertido. 
- Que foi, tá com medo, gata? – ele riu, voltando a me encarar com a voz arrastada de quem tinha tomado um belo porre – Fica com medinho não, o papai aqui não vai te fazer mal. 
Dei um passo pra trás na direção da porta da escola, tentando não demonstrar meu medo, mas o garoto me acompanhou, dando um passo na minha direção ao mesmo tempo. Que merda, eu não queria ser assaltada, muito menos estuprada, hipótese que me amedrontava mais que qualquer coisa só pelo simples fato de pensar nela. 
- Eu não te conheço – falei, com a voz trêmula de medo – Vai embora, por favor. 
- Não me conhece, mas pode conhecer – ele sorriu, dando mais um passo na minha direção e ficando a uma distância muito desconfortável – Não vou deixar uma gata dessas sozinha aqui a essa hora. 
- Pode ficar tranqüilo, ela não tá sozinha – ouvi uma voz firme atrás de mim, e logo depois um braço envolveu meus ombros com a mesma firmeza – Eu tô com ela, não precisa se preocupar. 
Acho que nunca me senti tão bem por ter Niall Horan por perto. O cara estranho arregalou levemente os olhos ao vê-lo sair do colégio e se aproximar de mim, e seu sorrisinho simplesmente desapareceu de seu rosto, dando lugar a um certo pânico. 
- Ah... Não sabia que a moça tava acompanhada – ele balbuciou, dando discretos passos pra trás. 
- Pois é, mas agora sabe - o sr. Horan disse, sem perder a firmeza na voz – Pode ir tomando seu rumo. 
Sem dizer mais nada, o garoto assentiu depressa, um pouco assustado pela atitude intimidante do sr. Horan, e saiu andando sem nem olhar pra trás. Continuei paralisada onde estava, seguindo-o com o olhar até perdê-lo de vista, e só então consegui respirar novamente. 
- Você conhece esse rapaz? – Niall perguntou, ainda me abraçando firmemente. Ergui meu olhar até ele, que estava com a expressão fechada e os olhos fixos na direção que o rapaz tomou, e respondi, inalando sem querer o perfume que eu tentei evitar o dia inteiro: 
- Nunca o vi na vida. 
Ele assentiu devagar e me olhou, sem mudar de expressão. Meu cérebro entrou em conflito com meu coração assim que os traços do professor Horan, mal iluminados pela luz fraca da rua, entraram no meu campo de visão, devido aos meus batimentos cardíacos subitamente acelerados. Eu já sabia que ele era bonito, mas talvez a gratidão por ele ter aparecido e afastado aquele cara o estavam tornando ainda mais lindo naquele momento. 
- Aqui é muito perigoso quando escurece – ele falou, com a voz de um pai super protetor dando sermão na filha – Cadê a sua mãe? 
- J-já tá vindo – gaguejei, meio distraída com o rosto dele (me deixa, ele nunca tinha feito aquela cara de preocupado pra mim antes, dá uma trégua) – O que o senhor ainda tava fazendo aqui? 
- Fui até o meu armário buscar uns relatórios que tenho que corrigir pra amanhã - ele respondeu, voltando a olhar pra rua com certa impaciência – Sabe se sua mãe vai demorar? 
- Ela já está no caminho, logo chega – eu disse, desviando meu olhar dele pra ponta de meus tênis levemente sujos de terra. 
- É melhor ela não demorar mesmo, tô morrendo de frio aqui – o sr. Horan comentou, com as sobrancelhas erguidas num tom autoritário. Ergui meu olhar pra ele novamente após alguns segundos de silêncio, inconformada com a capacidade que ele tinha de ser desagradável em todos os momentos. 
- Não pedi pra você ficar – falei, mesmo sabendo que era realmente perigoso ficar sozinha ali àquela hora – Pode ir embora se quiser. 
Niall soltou um risinho debochado e me olhou, parecendo indignado com a minha resposta atravessada. 
- Não sei por que eu ainda perco meu tempo com você, (seu sobrenome) – ele riu, sem humor algum, e tirou seu braço dos meus ombros com certa violência. Me encolhi um pouco, sentindo o vento frio voltar a soprar na região onde antes o casaco quentinho dele cobria, e o observei se afastar, indo em direção à sua moto, estacionada perto de uma árvore que só deixava seu pneu dianteiro visível de onde eu estava. Não acredito que ele estava mesmo indo embora. Cagão. 
Ele colocou o capacete pelo caminho e não demorou a arrancar com a moto, realmente me deixando sozinha naquela rua mal iluminada e fria. A simples hipótese de agradecê-lo por ter afastado aquele marginal, que tinha crescido um pouco, tornou-se totalmente inaceitável de novo. Idiota, bunda mole, grosso, sem educação. Hazza jamais me deixaria sozinha naquele lugar, tenho certeza. 
Só de pensar em Hazza, soltei um suspiro chateado, fazendo uma grande quantidade de fumaça sair de minha boca. Abracei meu próprio corpo, tentando inutilmente fazer aquele frio passar, mas isso seria impossível com apenas uma blusinha fina de malha. Encarei a rua, desesperada para encontrar minha mãe, e assim fiquei por alguns minutos, até ver os faróis do Land Rover dela surgirem em meio à quase escuridão. Suspirei novamente, aliviada, e assim que me aproximei da rua, vi um farol se acender bem ao meu lado, atrás daquela mesma árvore onde antes estava a moto do sr. Horan. Olhei naquela direção, parando de andar ao reconhecer a mesma moto que estava estacionada ali há minutos atrás, e vi um homem de capacete olhando pra mim, com seus olhos azuis refletindo intensamente a luminosidade do farol. Franzi a testa, sem entender por que ele tinha voltado, e cerrei meus olhos, reprimindo com todas as minhas forças os batimentos novamente acelerados de meu coração e continuando o caminho até o carro de mamãe. 
- Desculpe a demora de novo – ouvi minha mãe dizer, enquanto eu entrava no veículo e sentia o alívio da temperatura agradável do seu interior - Quem era aquele na moto, querida? 
Olhei na direção da moto do sr. Horan, que arrancava novamente à nossa frente e se afastava depressa, e abaixei meu olhar pra colocar o cinto de segurança, respondendo sua pergunta num murmúrio seco: 
- Ninguém, mãe. 

- Que bom ver que você sobreviveu aos mosquitos-azeitona! – Eleanor riu, estirando seus braços na minha direção assim que cheguei à escola no dia seguinte. 
- Eu preferia ter que enfrentar mosquitos gigantes a passar pelo dia de ontem outra vez – falei, rindo da minha própria desgraça ao retribuir o abraço carinhoso dela. 
- Credo, (S/N), vira essa boca pra lá – ela reclamou, espalmando uma mão em minha bochecha e empurrando devagar meu rosto para o lado oposto como se fosse um tapa, quando nos afastamos – Depois vira ela de volta pra cá e conta tudo. Como é que foi ontem? 
Relatei os (deploráveis) acontecimentos do dia anterior pra Eleanor em alguns minutos, e assim que terminei de contar, ela não demonstrou reação, apenas fixou seu olhar em algum ponto atrás de mim. 
- Que foi, criatura? – perguntei, meio assustada, e me virei na direção de seu olhar. Dei de cara com um suéter verde musgo se aproximando cada vez mais, e numa fração de segundo, meu coração deu dois giros de 360 graus dentro do meu peito. Tentei respirar à medida que nossos olhares se cruzaram e se fixaram um no outro, mas por mais esforço que eu fizesse, não consegui oxigenar meus pulmões. Tudo que fui capaz de fazer foi continuar encarando Hazza, que se aproximava cada vez mais com uma expressão tensa e olhinhos cansados, até me dar conta de que ele estava parado na minha frente. 
- Erm... Bom dia, Calder – ele murmurou, dirigindo-se à Eleanor com um sorrisinho nervoso, e abaixando mais ainda seu tom de voz quando se referiu a mim - Oi, (seu apelido). 
- Oi, sr. Styles – falei, sem emoção (só aparentemente), enquanto Eleanor apenas sorriu fraco e respondeu seu cumprimento com um aceno de cabeça. Pude ver no olhar de Hazza que ele não tinha gostado muito do jeito pelo qual eu o chamei, mas mantive a seriedade. Ainda não sabia onde estava pisando com ele, era melhor me manter com um pé atrás. 
Sem dizer mais nada, Hazza apenas me entregou um pedaço pequeno de papel dobrado com o qual ele estava brincando apreensivamente desde que tinha pisado na escola, e assim que eu o peguei de sua mão, recebi um sorriso fraco antes de vê-lo se afastar em direção à sala dos professores. Fiquei observando-o entrar na sala, com a expressão vazia, e se Eleanor não tivesse me cutucado, acho que teria ficado encarando a porta daquela sala pelo resto da vida. 
- Tá esperando o que pra ler o bilhete, (S/N)? – ela sussurrou, com um sorriso empolgado, e eu desdobrei o pedaço de papel pautado que estava em minhas mãos. 

Te vejo lá em casa mais tarde? xx 

O sinal tocou, iniciando mais uma sexta-feira de aula, assim que eu bati os olhos naquela frase, e em questão de segundos um sorriso aliviado surgiu em meu rosto. Sei lá, acho que as frustrações da excursão de ontem e tudo que vinha dando errado na minha vida de uns dias pra cá estavam me deixando sufocada, e agora que existia uma pontinha de esperança nadando contra a maré de azar, foi impossível controlar o alívio. Ergui meu olhar do papel para Eleanor, que ostentava uma expressão boba e maravilhada, e meu sorriso se abriu ainda mais. 
- Eu não falei que ele ia te chamar? – ela disse baixinho, e pela primeira vez em dois dias inteiros, eu consegui rir de verdade. Uma sensação de leveza percorria meu corpo, me fazendo querer rir e chorar ao mesmo tempo. Eu sabia que só porque ele tinha me chamado pra ir à casa dele não significava que tudo estava bem entre nós de novo, mas já era um começo, certo? 
Continuei sorrindo pra Eleanor, que me abraçou de lado, e começamos a caminhar lentamente até o portão de entrada da escola. Pelo visto hoje o dia seria um pouco melhor do que os outros. Era tudo que eu queria e tudo que eu precisava. 

- Você vai, certo? – Eleanor perguntou, com o olhar perdido, enquanto ouvíamos música no intervalo. 
- Claro que vou, tudo que eu quero é acabar com isso de uma vez por todas – respondi, observando um grupo de garotas do primeiro ano rirem escandalosamente por algum motivo que eu não estava interessada em saber. 
- E você vai contar tudo sobre o Horan também, certo? – ela disse, virando-se pra me encarar com a expressão firme. Assenti devagar, engolindo em seco, mas não consegui segurar as dúvidas que ocupavam minha mente. 
- Na verdade, eu não sei – falei, fechando os olhos e fazendo uma careta quando vi a cara de pânico que ela fez – Quer dizer, se nós conversarmos e ficar tudo bem, não vou nem querer lembrar que o Horan existe! 
Eu realmente não queria tocar no assunto Niall Horan se tudo se acertasse como eu esperava. Ficar falando de outro homem, ainda mais de um que eu odiava e era melhor amigo dele, não era o que eu mais gostaria de fazer com Hazza. Além do mais, o Horan tinha me feito um grande favor ontem, mesmo que daquele seu jeito idiota lifestyle, ou seja, parecia que ele estava tentando ser menos estúpido comigo depois que percebeu que eu também podia ser uma ameaça a ele. Seria mais fácil continuar a travar aquela briga por debaixo dos lençóis com o sr. Horan do que chutar o pau da barraca e talvez fazer Hazza tomar alguma atitude precipitada ou arriscada. Eu realmente morria de medo da reação dele quando descobrisse a verdade sobre Niall. 
- (S/N), deixa de ser idiota pelo menos uma vez na vida e me escuta! – ela exclamou, até desligando o iPod pra ser ouvida com clareza – Até quando você pretende continuar nessa de querer fingir que o Horan não existe e não significa perigo pra vocês dois, hein? Porque eu não sei se você já reparou, mas o sr. Styles não age assim, e na primeira abobrinha que o Horan falar de você, tchau romance perfeito! 
- Eu sei, Eleanor – suspirei, erguendo as sobrancelhas ainda de olhos fechados – Repetir isso não vai adiantar nada, eu pensei nesse assunto durante aquela maldita excursão inteira. 
- É mesmo? Pois então perdeu seu tempo, porque se sabe o que tem que fazer e até agora não tem certeza de que atitude vai tomar, não valeu a pena pensar tanto assim – ela retrucou, desviando seu olhar do meu com irritação. 
Um silêncio meio tenso tomou conta de nós, quebrado apenas pela música que Eleanor voltou a colocar pra tocar no iPod. Nós duas observávamos as pessoas que andavam pelo pátio do colégio, e poucos minutos depois, reconheci o sr. Styles e o sr. Horan saindo da sala dos professores juntos. Fixei meu olhar neles, assim como Eleanor, e vi os dois caminharem até a saída da escola para tomar lanche numa padaria que ficava na esquina, como sempre, sem nem sequer notar nossa existência ali perto. Pareciam compenetrados em algum assunto sério, pois ambos tinham a testa franzida e o olhar preocupado. Aquela preocupação que eu vi pela primeira vez ontem nos olhos do sr. Horan, que deixava seus olhos ainda mais intensos. Tá, isso não me interessa. 
- Sabe de uma coisa? – Eleanor disse, quando eles sumiram de nossa visão, e eu me virei pra ela – Mesmo ele sendo o péssimo exemplo de ser humano que ele é, eu ainda acho que você devia agradecê-lo por ter afastado aquele cara de você ontem. 
Voltei a olhar na direção da rua, soltando o trilhonésimo suspiro preocupado em três dias. E sabe o que era o pior de tudo? Ela estava certa. Por mais cachorro que ele fosse, eu não podia negar que devia agradecimentos a Niall Horan. 

- Belo relatório, Kristen. 
Final da última aula. Passei pela porta do laboratório de biologia, sem realmente acreditar no que estava prestes a fazer. Só de ouvir aquela voz constantemente metida, já me dava vontade de dar meia volta e ir embora. Mas já era tarde demais, eu já estava dentro do laboratório, parada ao lado de um dos três grandes balcões que haviam lá, esperando até que a tal Kristen fosse embora. Quanto menos gente soubesse que eu tinha qualquer tipo de contato com Niall Horan fora do horário das aulas, melhor. 
A tal garota deixou a classe com um sorrisinho malicioso, e me olhando de cima a baixo ainda por cima, como se eu fosse como ela e topasse ir pra cama com aquele cafajeste. Evitei olhar pra garota, sentindo que voaria no pescocinho dela se não me controlasse, e logo ouvi a voz do sr. Horan dizer. 
- Você por aqui, (seu sobrenome)? A que devo a honra? 
Olhei pra ele, que estava sentado em sua cadeira organizando várias pilhas de papéis, provavelmente relatórios, que estavam sobre sua mesa. 
- Não acredito que eu vou realmente dizer isso, mas... Eu vim te agradecer pelo que você fez por mim ontem depois da excursão – falei, decidindo ser direta e objetiva pra gastar menos do meu tempo me humilhando pra ele. Niall nem ergueu o olhar dos relatórios, apenas sorriu maliciosamente e disse: 
- Não precisava ficar sem graça, a maioria das garotas também costuma voltar pra agradecer pelos grandes favores que eu faço por elas. 
Entendendo o verdadeiro sentido da palavra “favores” sem dificuldade, cerrei meus olhos fixos nele, com uma expressão que ficava entre a incredulidade e o desprezo. Que homem ridículo. Nunca senti tanta raiva de mim mesma por ter ido atrás dele. Devia ter sido tão inescrupulosa quanto ele e simplesmente ignorar o fato de que uma vez na vida ele me fez um favor. 
- Eu realmente não sei por que fiquei surpresa com essa resposta – eu retruquei, com um risinho inconformado no rosto – Só posso ser muito idiota mesmo. 
Dei meia volta pra ir embora, mas assim que dei um passo na direção da porta, ouvi a voz de Niall voltar a falar, com um inesperado toque de sinceridade. 
- Foi muito educado da sua parte vir até aqui me agradecer, (seu sobrenome). Confesso que você me surpreendeu... Mais uma vez. 
Me virei novamente pra ele, e um certo arrepio percorreu minha espinha quando meu olhar encontrou o dele, tão intenso sobre mim. De um jeito diferente do que eu tinha descoberto ontem. Ainda mais invasivo, imponente, vidrado, como se eu fosse a única coisa que houvesse pra se olhar na vida dele. 
- Por que você voltou ontem? – ouvi minha própria voz perguntar, com o olhar grudado no dele por alguma razão que eu não sabia explicar. Aquela dúvida estava entalada na minha garganta desde que o vi novamente estacionado atrás daquela árvore, como se estivesse tomando conta de mim às escondidas. Os olhos de Niall continuaram fixos nos meus, ainda mais intensos que antes, até que um sorrisinho de canto surgiu em seu rosto e ele respondeu: 
- Curiosidade. 
Franzi a testa, sem entender, e ele explicou melhor: 
- Queria saber se sua mãe era tão bonita quanto você. E pra falar a verdade, seu pai é um homem de sorte. 
Cerrei novamente meus olhos, encarando-o sem acreditar no que tinha acabado de ouvir. Eu sabia que ele era grosseiro, mas não achei que fosse capaz de usar cantadas daquele tipo. Só havia um tipo de homem que podia usar cantadas como aquelas no mundo: homens como Harry Styles, por exemplo. Caras como Hazza eram capazes de transformar cantadas toscas como aquela em música para os ouvidos de qualquer mulher apenas com seu olhar e jeito de falar. 
- Eu quase achei que você tava conseguindo falar sério pela primeira vez na vida – murmurei, olhando-o com uma decepção irônica – Mas me lembrei de que milagres não acontecem. 
Pude ver o sorriso do professor Horan se alargar um pouquinho com a minha resposta, realmente achando graça do que eu tinha dito. Me virei novamente na direção da porta, e deixei o laboratório, descendo rapidamente os lances de escada rumo à saída da escola. E por incrível que pareça, eu estava rindo. Uma coisa era certa: Niall Horan pode reunir todos os defeitos que alguém pode ter, mas sem dúvida, ele sabia se divertir. E me divertir também. 

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