Biology by Vee

Uma fanfic que conta a vida de uma adolescente,que vive uma realidade bem diferente da habitual, uma relação física com dois professores de biologia. "- Quando eu apenas imaginava como seria te ter, você já era meu vício – ele sussurrou, arrepiando meus cabelos da nuca com seu hálito quente – Agora que eu realmente te tenho... Não vou conseguir te tirar da cabeça." A fanfic mostra como é fina a linha entre o ódio, a atração e o amor, te deixando tão 'envolvida' quanto a personagem.

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5. Capítulo 5

Abri meus olhos, sem lembrar por que já estava sorrindo. Pisquei algumas vezes, tentando colocar minha visão em foco, e suspirei preguiçosamente. Um perfume bom encheu meus pulmões, me fazendo alargar o sorriso. Minha mão estava ao lado do meu rosto, espalmada sobre o peito dele, que subia e descia calmamente de acordo com sua respiração. Seu cheiro estava por toda parte, me entorpecendo, e seu braço envolvia meus ombros, me impedindo de me mexer. 
Olhei pra cima e vi que Hazza ainda dormia como um bebê, mesmo após umas duas horas de sono. Sorrindo feito uma retardada, apenas fiquei observando-o dormir, fazendo carinho devagar em seu peito e me lembrando de tudo que tínhamos feito antes de apagarmos. 
- Você pretendia ficar me olhando por quanto tempo? - ouvi a voz dele dizer baixinho, me fazendo corar de leve. Hazza abriu os olhos e me encarou, com um sorriso desconfiado no rosto.
- Não sei, talvez até você acordar e me fazer essa pergunta - respondi, fazendo seu sorriso aumentar. Sem dizer nada, Hazza me beijou delicadamente, e virou de lado, nos deixando de frente um pro outro na cama. 
- Pra sua informação, eu já tava acordado - ele murmurou, deslizando sua mão pela minha cintura devagar - Você é que ficou dormindo feito pedra em cima de mim até agora pouco. 
- Me desculpe se a instituição de ensino onde o senhor trabalha e eu estudo me faz acordar às 6 da manhã todo santo dia - falei, fingindo estar ofendida, e fazendo-o rir. 
- Nossa, mas que menina mais brava que eu fui arranjar - ele disse, me puxando pra mais perto dele. 
- Sou mesmo - confirmei, fazendo cara de irritada e me apoiando num cotovelo - Se não gostou, eu vou embora agora mesmo e não te incomodo mais. 
- Olha só, além de brava é independente! - Hazza riu, me segurando com mais firmeza pelo quadril como se quisesse me prender ali - Quero ver você continuar com essa coragem toda pra levantar daqui. 
Quando fui abrir minha boca pra retrucar, ele me calou com um beijo intenso e sua mão subiu do meu quadril pro meu rosto, enquanto a outra me abraçou pela cintura. Obviamente tudo que eu pensei em dizer sumiu da minha memória assim que nossas línguas começaram a brincar uma com a outra, num misto de provocação e tranqüilidade. Pude sentir Hazza sorrir durante o beijo, vitorioso por ter conseguido me calar, e não consegui não sorrir junto. 
- Ainda tá bravinha? - ele murmurou, ainda sorridente, quando partiu o beijo. 
- Idiota - resmunguei, fechando os olhos em sinal de derrota e vergonha. Hazza riu baixinho e me deu um selinho demorado, deitando sua cabeça bem próxima da minha e fazendo com que as pontas de nossos narizes se tocassem. 
- Você fica linda demais com vergonha, sabia? - ele disse, me abraçando pela cintura suavemente - Mais do que já é. 
- Você não se enxerga mesmo, né? - falei baixinho, com um sorriso derretido enquanto acariciava seu rosto, desenhando seus traços e fazendo-o fechar os olhos algumas vezes - Não existe nada em você que não me agrade, nada que te estrague. Você é simplesmente perfeito, não tem nem o que dizer. Esse rostinho de nenê, esse sorriso lindo, seu corpo, seu jeito... Tudo. 
Hazza, que estava de olhos fechados quando comecei a falar, abriu-os e me olhou firmemente, ouvindo com atenção tudo que eu dizia e alargando seu sorriso a cada palavra. 
- Incrível como uma garota de 17 anos pode dizer coisas que uma mulher de 30 não teria sensibilidade nem pra sonhar em dizer - ele sorriu com os olhos brilhando, fazendo carinho em minha bochecha com o polegar - E que só te deixam mais linda aos meus olhos. 
- Não faz isso comigo, por favor - pedi, fechando os olhos e sentindo minhas bochechas queimarem de timidez e euforia - Eu fico com vergonha. 
Ouvi Hazza rir baixinho e senti seus braços me aproximando mais dele (eu achei que não dava, mas não é que dava?). 
- Ter você grudadinha em mim é a melhor sensação do mundo - ele murmurou devagar, se debruçando delicadamente sobre mim e afundando seu rosto em meu pescoço - Seu perfume, o cheiro bom do seu cabelo, sua pele quentinha, seu coração batendo... Sempre tão rápido que parece querer explodir a qualquer momento. 
Fechei os olhos e envolvi seu pescoço com meus braços. Respirei fundo, deixando o cheiro dele me intoxicar, e ri baixinho, sem conseguir acreditar no sonho que minha vida tinha virado. Nem se eu quisesse conseguiria explicar como era ser a pessoa mais feliz do mundo. Talvez por isso eu tenha ficado completamente sem palavras, e apenas fiquei alisando seus ombros e costas devagar, sentindo a respiração calma dele bater em meu ouvido. 
Hazza começou a beijar meu pescoço delicadamente, me fazendo fechar os olhos e ficar toda arrepiada. Comecei a enroscar meus dedos em seus cabelos, e ele continuou distribuindo beijos pela região, até alcançar minha boca. Ele me beijava calma e profundamente, e eu senti como se choques elétricos percorressem meu corpo inteiro e me arrepiassem toda. Não me lembro de ter recebido um beijo tão intenso quanto aquele antes. Acabamos invertendo as posições sem nem perceber, me deixando por cima dele, com uma mão de apoiada de cada lado de sua cabeça. Aquilo foi se transformando numa coisa mais calorosa, e quando já estávamos ofegantes, Hazza sugou meu lábio inferior, quebrando o beijo. Encarei aqueles olhos verdes, que retribuíam meu olhar com um brilho intenso em meio aos meus cabelos caídos ao redor de seu rosto, e sorri, vendo-o fazer o mesmo. 
Voltei a beijá-lo, sem nem me importar por ainda estar ofegante, e senti suas mãos viajarem por meus ombros e costas devagar, assim como também senti sua ereção por debaixo da boxer que ele tinha vestido antes de dormir. Sorri quando ele abriu o fecho do meu sutiã sem que eu percebesse (é, eu também vesti minhas roupas íntimas antes de dormir, sou uma menina muito envergonhada como vocês já devem ter reparado), e me sentei sobre seus quadris pra tirar a peça. As mãos de Hazza acariciavam as laterais de minhas coxas, e sem nem querer me esperar voltar, ele se sentou e me abraçou pela cintura, voltando a unir nossos lábios. Envolvi seu pescoço com meus braços, retribuindo o beijo com vontade e sentindo-o apertar meus seios. Não demorou muito e ele começou a me provocar, sugando caprichadamente o lóbulo de minha orelha. Arrepiada da cabeça aos pés com a respiração quente e rouca dele em meu ouvido, eu agarrava seus cabelos com força, até ouvi-lo sussurrar: 
- Tá calor, não acha? 
Assenti devagar, atordoada com aquela voz falha (e muito sexy) me dando falta de ar, e ele disse: 
- Então se segura. 
Voltei a abraçá-lo pelo pescoço e Hazza passou seus braços por debaixo de mim. Ele se levantou da cama, ainda me provocando num de meus pontos fracos de um jeito muito bom (conseqüentemente sendo enforcado por mim), e me levou no colo pra algum lugar que eu não soube o que era até ver azulejos brancos por toda a parede e um box espaçoso de vidro. 
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele fechou a porta e me prensou contra ela, já com os lábios colados nos meus. Suas mãos percorriam todo o meu corpo depressa, enquanto as minhas transformavam seu cabelo numa bagunça sem fim. Eu o puxava pela cintura pra mais perto de mim, deixando sua excitação ainda mais evidente com a proximidade e destruindo minha sanidade mental. As mãos de Hazza pararam em minha bunda, com a mesma intenção que eu tinha ao puxá-lo com as pernas, e seus polegares envolveram o elástico de minha calcinha, puxando-o pra baixo. Ele continuou tirando-a, sem ousar partir o beijo, e eu fiquei de pé pra poder me livrar dela de uma vez. Ele foi descendo seus beijos conforme abaixava minha calcinha, parando no umbigo e subindo novamente quando a peça já estava longe. 
Conseguindo controlar um pouco mais as coisas por estar de pé, fui empurrando-o como quem não quer nada até suas costas ficarem contra o vidro do box fechado. Hazza soltou um gemido rouco quando o prensei entre a superfície gelada e eu, que agora acariciava seu tórax e barriga, e meio sem jeito, abriu a porta do cubículo transparente, cambaleando comigo pra dentro dele. Respirando ruidosamente, deixei que ele me prensasse contra a parede interna do box enquanto agarrava meus cabelos da nuca com uma mão e tateava a parede até achar a válvula e ligar o chuveiro com a outra. Assim que a água fria tocou nossa pele, automaticamente nos abraçamos com mais força, como se fôssemos nos esquentar com o calor de nossos corpos. 
Nossas mãos corriam soltas por cada centímetro de pele alcançável um do outro, e não demorei muito pra fazer a boxer ensopada dele deslizar até o chão. Passei meus braços por seu pescoço, implorando pra que ele fizesse o que eu queria logo, e com a testa franzida de prazer, Hazza deu a entender que me obedeceria. Ergueu minhas pernas, me fazendo envolver sua cintura com elas, e se posicionou em minha entrada. Esperando que ele me invadisse de uma só vez, como antes, eu o senti colocar apenas a metade de seu membro dentro de mim, me provocando e calando um gemido baixo com um beijo. A cada investida ele ia colocando mais e mais, me fazendo ser involuntariamente agressiva durante o beijo, até chegar ao fim e começar a se movimentar com bastante força e velocidade. Eu acabei ficando um pouco mais alta que ele por estar suspensa, o que fez o rosto de Hazza ficar praticamente entre meus seios. Obviamente gostando da situação, ele quase gritava, me fazendo gemer no mesmo volume. A água fria que caía sobre nós parecia nos deixar com mais calor ainda, e tornava minha mania de agarrar seus cabelos um pouco mais escorregadia. 
Durante quase meia hora ficamos naquela posição. Hazza jogava sua cabeça pra trás várias vezes, com os olhos fortemente fechados e os cabelos grudados na testa, e eu os colocava pra trás com as mãos, agarrando-os novamente na nuca. Ele realmente estava se segurando muito pra não ter que sair dali, enquanto eu já tinha gozado duas vezes, com as unhas fincadas em seus ombros e urrando de prazer. Quando ele jogou a cabeça pra trás pela última vez, exausto, eu o beijei de leve e ele finalmente gozou, fechando os olhos devagar e gemendo perto do meu ouvido. Me deixei escorregar com as costas prensadas contra a parede até ficar de pé, enquanto Hazza afastava as mechas ensopadas de cabelo grudadas no meu rosto, buscando meus lábios com os seus. Pousei minhas mãos trêmulas em seus ombros, morta de cansaço, e retribuí seu beijo suave com um sorriso. 
- Acho que eu tô ficando velho pra essas coisas - Hazza ofegou, respirando fundo logo depois e me abraçando carinhosamente pela cintura. 
- Se for assim, me dá falta de ar só de imaginar como você fazia essas coisas quando era mais novo - sussurrei, beijando seu pescoço enquanto o abraçava e sentindo seu tórax se contrair rapidamente num riso sem fôlego. 

- Eu sempre achei que camisas sociais masculinas ficam muito melhores nas mulheres - Hazza sorriu, deitado no sofá, ao me ver surgir do corredor usando uma de suas camisas brancas que me cobriam até metade da coxa - Agora eu tenho certeza. 
- Pára de me deixar sem graça senão eu te molho - ameacei, chacoalhando meu cabelo molhado enquanto me aproximava e fazendo-o se proteger com os braços, rindo. 
- Também te amo, minha pequena invocada - ele brincou, me puxando pela mão coberta pela manga desproporcional da camisa que eu usava e me derrubando sobre ele. Um cheiro ótimo de sabonete invadiu meus pulmões, e não tive como não sorrir ao retribuir seu beijo. 
- Não vai parar mesmo? - murmurei, mantendo nossos rostos próximos mesmo depois de partir o beijo e apontando meu dedo indicador pra ele - Olha que eu mordo, hein. 
Hazza soltou uma risada maliciosa, ficando ainda mais sensual do que de costume, e sussurrou: 
- É, eu sei. 
- Hazza! - exclamei, envergonhada, afundando meu rosto em seu pescoço enquanto ele ria mais alto. 
- Tá bom, agora eu parei - ele falou, me abraçando com força, e rindo mais um pouco antes de continuar a falar - Falando em morder, tá com fome? 
Assenti, ainda sem olhar pra ele. O cheiro daquele pescoço estava uma coisa irresistível, fato. E ficava melhor ainda quando eu me lembrava de minhas mãos deslizando por seus ombros, ensaboadas, há alguns minutos atrás enquanto tomávamos banho. 
- É, eu logo imaginei - ele disse, assentindo de leve - Então o que você acha de irmos lá na cozinha ver o que eu fiz pra gente? 
Olhei pra ele, pasma, e recebi um sorrisinho sapeca. Me levantei depressa, e corri até a cozinha, sendo acompanhada por ele. E quase voei naquele pescocinho maravilhoso quando vi o que estava sobre a mesa da cozinha. 
- Não acredito! - exclamei, com um sorriso enorme no rosto - Macarronada! 
- Você gosta? - Hazza sorriu, todo fofinho, quando me virei pra ele, quase lacrimejando de emoção. 
- Se eu gosto? - repeti, rindo - Eu adoro macarronada! Como você fez isso tão rápido? Quer dizer, eu não demorei nem dez minutos! 
- Vinte e sete minutos, eu acabei contando sem querer - ele respondeu, cruzando os braços e encostando um de seus ombros na parede da porta - Tudo isso pra se arrumar e desembaraçar o cabelo que provavelmente fui eu quem bagunçou. 
Eufórica, não consegui responder nada, apenas mordi meu lábio inferior e continuei olhando-o sorrir pra mim de um jeito esperto. 
- Bem que eu estranhei você não ter aparecido lá no quarto - murmurei, sem conseguir parar de sorrir, e ele se aproximou de mim com a maior cara de criança serelepe - Você tem que parar de me surpreender assim, sabia? Não é só porque eu sou novinha que agüento esses trancos. 
- Quem não vai agüentar mais um minuto sem devorar aquele macarrão ali sou eu - Hazza sorriu, colocando as mãos em meus quadris - Antes de começar a agradecer, quero ver se você aprova meus dotes culinários. 
Soltei uma risada baixa, e fiquei na ponta dos pés pra lhe dar um selinho rápido antes de ir me sentar numa das cadeiras. Hazza fez o mesmo, e me serviu, enchendo seu prato logo depois. Peguei o garfo, inalando o cheiro ótimo que vinha do meu prato, e o enrosquei no macarrão, sentindo um olhar meio apreensivo dele sobre mim. 
- Hm, vamos ver se já pode casar - brinquei, lançando um rápido olhar pra ele antes de colocar o garfo na boca. 
Nos vários dias em que tive que preparar meu próprio almoço em casa porque mamãe estava trabalhando, eu costumava fazer macarrão, porque eu achava que era mais prático e gostoso. Eu considerava meu macarrão uma obra prima, me sentia o máximo por conseguir fazer um molho tão bom, mas tinha acabado de descobrir que não era tão boa cozinheira assim. Hazza conseguia ser melhor. Bem melhor. 
- E aí? - ele perguntou, com o garfo pairando sobre seu prato ainda intocado e um sorriso nervoso. 
- Ainda bem que você não cozinha pra viver - respondi quando terminei de mastigar, com uma expressão séria, e vi pânico nos olhos dele - Porque se cozinhasse, eu já teria virado uma coisa gorda e celulitosa de tanto comer seu macarrão. 
- É agora que eu jogo todo esse macarrão na sua cabeça ou deixo pra mais tarde? - Hazza sorriu, parecendo transtornado e aliviado ao mesmo tempo, enquanto eu ria. 
- Isso aqui tá ótimo - exclamei, quase passando mal de tanto rir da cara de horror que ele tinha feito - Não vai desperdiçar tudo na minha cabeça, por favor. 
- Da próxima vez tente ir direto ao ponto, pode ser? - ele resmungou, sem conseguir evitar um sorriso e finalmente comendo um pouco do macarrão. 
- Own, ele ficou chateado - falei, com uma voz cuti cuti - Desculpa, bebezão. 
- Bebezão... Olha só quem fala - Hazza murmurou, me lançando um olhar brincalhão, e eu senti meu rosto esquentar de vergonha. Às vezes eu esquecia que ele já tinha treze anos quando eu nasci. Quer dizer, eu mal tinha dentes e ele já devia ter um protótipo de bigode. Tá, melhor não continuar pensando no que ele tinha ou fazia quando era pivete e eu chupava dedo. Ficamos alguns segundos em silêncio, apenas mastigando, até que ele voltou a falar: 
- Por que você fez essa carinha e ficou quieta? 
- Nada, eu só tava pensando aqui - respondi, sem olhar pra ele. 
- Pensando no que? - ele insistiu, com a voz mais baixa e inclinando sua cabeça tentando ver o meu rosto. 
Sorri fraco e ergui meu olhar até o dele. 
- Isso tudo é muito doido... Não acha? - falei, sem graça. 
- Isso tudo? - ele repetiu, com a testa franzida. Lerdo. Mas tudo bem, ninguém funciona direito com estômago vazio, principalmente homens. 
- É... A gente ficar junto - expliquei, com o olhar fixo no dele. Hazza ficou sério, parecendo um pouco assustado por pensar no assunto. 
- Por que você tá dizendo isso agora? - ele perguntou, com a voz igualmente séria e me deixando nervosa - Você tá pensando em desistir, ou sei lá, meu macarrão é tão ruim assim... 
- Não, não, claro que não, seu macarrão é ótimo - interrompi, aflita apesar de ainda estar sorrindo, e ele continuou me encarando, esperando uma explicação melhor - Eu só tava pensando, sei lá... Em como isso foi acontecer entre a gente com toda essa diferença de idade. 
Hazza sorriu fraco, e eu fiz o mesmo. Depois de quase um mês juntos, era a primeira vez que eu tinha parado pra pensar naquilo, e quanto mais eu encarava aqueles olhos brilhantes, menos eu conseguia encontrar uma resposta racional. Nós dois nos gostarmos não era nada racional, era meio que uma feliz coincidência. Dentre tantas alunas bonitas e inteligentes que eu sabia que ele tinha, ele foi escolher se envolver justo comigo, que não tinha nada de especial ou diferente delas. Talvez eu só estivesse me perguntando por que eu merecia tamanho presente. 
- Eu realmente não sei como isso foi acontecer - ele suspirou, com o olhar vago no meu - Mas ainda bem que aconteceu... Eu já tava quase perdendo o jeito com mulheres. 
Meu sorriso se abriu involuntariamente, assim como o dele, e senti meu rosto esquentar um pouco. Que lindo, era tudo que eu conseguia pensar enquanto recebia aquele olhar carinhoso dele. 
- Deixa eu comer meu macarrão maravilhoso antes que eu acabe voando em cima de você - falei, fazendo-o rir - E agora que você sabe que eu mordo mesmo, toma cuidado. 
- Pode me morder - ele riu, enrolando o macarrão no garfo com um olhar malicioso - Eu gosto. 
- Hazza! - exclamei, incrédula e ficando roxa de vergonha de novo, fazendo-o gargalhar. 
Já eram oito e meia da noite quando terminamos de jantar. Mais rimos do que comemos, aliás. Principalmente eu, que parecia uma retardada com um sorriso besta no rosto só de olhar pra ele, de boxer jantando comigo. Cheios de fome (e com razão) devoramos todo o macarrão e bebemos litros de suco de uva, e assim que o ajudei a colocar a louça na pia contra a sua vontade, ele perguntou: 
- Boa hora pra atacar aquele pote de sorvete, não acha? 
- Se eu ficar gorda, a culpa é sua - falei, entortando a boca numa tentativa fracassada de segurar um sorriso e apontando meu dedo indicador pra ele. 
- A gente dá um jeito nisso depois - ele sorriu, serelepe, mordendo o lábio inferior de um jeito bem nenê. Super apropriado pra grande sujeira que ele tinha acabado de dizer. 
- E eu vou dar um trato nessa sua linguinha afiada se você não parar com essas coisas - resmunguei, sem conseguir pensar direito diante daquela carinha fofa e só notando que tinha falado merda quando ele riu alto. 
- Não acredito que você disse isso - Hazza falou, ainda rindo e me abraçando pela cintura. Ainda inconformada com a minha própria idiotice, apenas olhei pra ele, sorrindo de um jeito envergonhado e enrugando o nariz.
- Pára com essa vergonha toda, vai - ele murmurou, com a voz carinhosa, e me deu um beijinho de esquimó - Você não precisa dela. 
Eu, que observava minhas mãos encolhidas em seu peito, ergui meu olhar até o dele, e automaticamente sorri. Não sei por que eu sentia tanta vergonha dele. Tá, talvez fosse porque ele era meu professor de biologia e eu tivesse medo de ser tosca ou algo do tipo, porque estava completamente apaixonada por ele e não queria receber um pé na bunda. 
- Só porque eu falei que você fica uma gracinha assim, toda vermelhinha, não significa que você tenha que ficar me torturando toda hora - Hazza sorriu, fingindo estar um pouco irritado, e eu ri baixinho - Você não sabe do que eu sou capaz quando me provocam desse jeito. 
- Ah, é? - perguntei, erguendo uma sobrancelha, e um segundo depois seu braço passou por debaixo das minhas pernas, me erguendo no ar. Se ele continuasse me carregando toda hora, eu ia me esquecer de como se anda. 
- É - ele respondeu, com as sobrancelhas erguidas e um sorrisinho esperto - Mas como eu sou um ótimo professor de biologia, acho melhor a gente esperar nosso estômago digerir o macarrão antes de ceder às suas provocações. 
- Concordo plenamente, professor Styles - falei, fazendo cara de inteligente, e recebendo um selinho demorado - Então enquanto a gente espera, eu quero sorvete. 
- Fazer a digestão comendo mais ainda, quer coisa melhor? - ele ironizou enquanto andava até o congelador, me fazendo jogar a cabeça pra trás e rir alto - Pega aí, tô com as mãos meio ocupadas. 
- “Mãos ocupadas”, quem ouve até pensa - falei, rindo feito uma idiota - Acho que estamos quites quanto a frases ambíguas agora. 
- Se quiser, eu desocupo minhas mãos agorinha mesmo - ele sugeriu, e ameaçou me botar no chão de novo. 
- Pode continuar me carregando, eu deixo - sorri, forçando a expressão mais excessivamente meiga do mundo enquanto fechava a porta do congelador com o sorvete em mãos. Hazza retribuiu meu sorriso exagerado, e me levou até a sala, parando nas gavetas de talheres pra pegarmos duas colheres pelo caminho.
- Vamos ver o que tá passando na TV - ele disse, pegando o controle remoto que estava no sofá e apertando um botão. Assim que a tela se acendeu, eu vi lagartos e plantas por toda parte, e não pude deixar de sorrir. 
- Animal Planet? - perguntei, abrindo o pote, sentada entre suas pernas - Por que eu já devia saber disso? 
- Pelo menos não é canal pornô - Hazza retrucou, mudando de canal e enchendo sua colher de sorvete sem nem ver o que estava fazendo. 
- E daí se fosse? Não seria problema nenhum - falei, sem nem prestar atenção no que passava na TV e enchendo cuidadosamente minha colher - Tem homens que aprendem várias coisas com filmes pornôs, sabia?
- Você quer mesmo falar disso? - ele falou, erguendo as sobrancelhas com um sorriso danado, enquanto voltava a engolir outra colherada monstruosa de sorvete. Me virei pra encará-lo, com uma sobrancelha erguida e um sorriso esperto: 
- Por quê? Tá com medo de alguma coisa? 
- Claro que não, eu até acho filmes pornôs interessantes - Hazza respondeu, tomando mais sorvete, como se estivesse dizendo que gostava de azul - É bem bacana ver como alguém consegue ser tão elástico. 
- Não acredito que você vê filmes pornôs só por causa da elasticidade das mulheres - falei, rindo e dando um empurrãozinho safado em seu peito. 
- Vem cá, deixa eu te perguntar uma coisa - ele disse, parando num canal qualquer e me olhando com uma impaciência meio cômica - Tá toda curiosa por causa de filme pornô por quê? Já tá querendo mais, é? 
- Não foi essa a minha intenção inicial, mas se você tá sugerindo... - respondi, olhando pra ele e lambendo devagar a colher, com um sorriso provocante (me deixa ser puta, beijos). Hazza ficou me encarando, parecendo meio atordoado, e entortou a boca, derrotado. 
- Você gosta de beijo gelado? - ele murmurou, baixinho, tirando o pote de sorvete do meio das minhas pernas e colocando-o na mesinha que ficava do seu lado do sofá. 
- Se eu gosto de quê? - perguntei, sem ouvir direito o que ele tinha dito, mas concordando em me virar de frente pra ele quando suas mãos demonstraram essa intenção. 
- Disso - ele sussurrou, e no segundo seguinte seus lábios estavam colados aos meus. Um choque térmico percorreu meu corpo todo quando a língua gelada dele tocou a minha, nem tão fria. Passei meus braços por seu pescoço, arrepiada da cabeça aos pés, e ele me puxou pra mais perto dele pela cintura, fazendo minhas pernas envolverem seus quadris. Ficamos nos amassando por algum tempo, até o efeito gelado sumir, e delicadamente Hazza me deitou no sofá e ficou por cima de mim. Sorrindo, ele partiu o beijo, e murmurou: 
- Dorme aqui essa noite? 
- Não precisa nem pedir de novo - respondi, com um sorriso de orelha a orelha, e ele voltou a me beijar, igualmente feliz com a minha resposta. É, posso dizer que Hazza me beijando foi uma cena que se repetiu bastante naquela noite. 

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