Biology by Vee

Uma fanfic que conta a vida de uma adolescente,que vive uma realidade bem diferente da habitual, uma relação física com dois professores de biologia. "- Quando eu apenas imaginava como seria te ter, você já era meu vício – ele sussurrou, arrepiando meus cabelos da nuca com seu hálito quente – Agora que eu realmente te tenho... Não vou conseguir te tirar da cabeça." A fanfic mostra como é fina a linha entre o ódio, a atração e o amor, te deixando tão 'envolvida' quanto a personagem.

34Likes
24Comentários
11819Views
AA

2. Capítulo 2

Parei em frente à porta do laboratório de biologia, recuperando o fôlego perdido ao subir seis lances de escada em trinta segundos. E também respirando fundo pra agüentar alguns minutos com aquele ignorante do Horan. 
- Tá enrolando aí por que, (seu sobrenome)? – ouvi aquela voz irritantemente metida perguntar, logo que soltei meu último suspiro derrotado – Não sei você, mas eu não tenho o dia todo.
Não vou nem comentar de quantas maneiras e com quantas palavras diferentes eu o xinguei mentalmente antes de girar a maçaneta de um jeito grosseiro e entrar na sala. Sentei no banco mais afastado possível dele e coloquei meu estojo sobre a bancada, sem nem olhar pro verme todo esparramado em sua cadeira. Enrolando pra pegar minha caneta dentro do estojo, tudo pra não ter que encará-lo, não pude deixar de notar um sorrisinho ridículo em seu rosto. 
- Estudou? – aquela voz repugnante perguntou, se achando o maioral como sempre. Como se eu precisasse, e como se eu tivesse tido tempo de estudar em quarenta minutos. 
- Eu não sei o senhor, mas eu não tenho o dia todo – respondi, mal educada, ainda sem encará-lo – Então seria ótimo se o senhor me entregasse a prova de uma vez. 
Sem nada pra responder, óbvio, e com a maior cara de macarrão sem molho, ele se levantou e veio na minha direção com a prova nas mãos. Parou bem atrás de mim, e apoiou seus braços no balcão, um de cada lado do meu corpo. 
- Você deve achar mesmo que eu não vou com a sua cara. 
Ignorei aquela frase desnecessária, me encolhendo pra diminuir a proximidade entre nós, e arranquei a prova que estava debaixo de sua mão. Comecei a preencher o cabeçalho, e antes que pudesse fazer qualquer coisa, senti seu hálito quente bem próximo ao meu ouvido. 
- E isso me deixa cada vez mais fissurado em você. 
Parei de escrever, e uma onda de medo tomou conta de mim. Abri a boca pra falar umas poucas e boas pra ele, mas fui impedida por seu braço, que logo me abraçou pela cintura com firmeza e fez meu pânico aumentar. 
- Me solta! – exclamei, e sem pensar, enfiei minha caneta de ponta fina em seu braço. Na mesma hora, ele soltou o ar pesadamente, tentando não gritar de dor, e se afastou. Peguei meu estojo, desesperada, e a última coisa que vi antes de sair do laboratório, com as pernas bambas de pavor, foi ele arrancando a caneta que estava fincada em seu braço. 

- Bom dia, classe – a professora Keaton disse, ao chegar na sala, e assim que passou pela porta, deu uma boa olhada pro grupo de atletas da classe, que retribuíram seu olhar da mesma forma. A srta. Keaton era nossa professora de inglês, consagrada na escola por seu ótimo método de ensino e elaboração de atividades extracurriculares bem sucedidas. Atividades essas que incluíam, claro, pegações com alunos. Não devia ser fácil agüentar aquele monte de testosterona fresquinha provocando-a no auge de seus 25 anos. Loira, alta e invejada da cabeça aos pés, ela parecia uma modelo, e segundo as más línguas, um certo professor morria de amores por ela. 
Ele mesmo. Harry Styles. Eu nem tenho vontade de dar uma voadora nela quando vejo os dois conversando pelos corredores, sabe. 
Voltando aos fatos, a srta. Keaton logo começou a passar matéria, e como eu era meio lerda pra copiar, já comecei a escrever. Após quinze minutos e uma lousa cheia de matéria, a professora se sentou em sua cadeira e de lá ficou observando os idiotas musculosos que sentavam no fundão e riam de alguma besteira que algum deles tinha falado. Sobre futebol, claro, porque era o único assunto do qual eles entendiam alguma coisa a ponto de rirem de alguma piada a respeito. 
Eu particularmente não via nada de mais nessa srta. Keaton. Por mais que ela fosse linda e aparentemente simpática, alguma coisa nela me incomodava. Fora o fato de que ela podia ter o sr. Styles ajoelhado aos seus pés quando quisesse. Não sei, meu santo não batia muito com o dela, acho que era isso. 
- Com licença, Keaton – ouvi uma voz conhecida falar da porta, e quando ergui meu olhar da folha, dei de cara com o último professor que queria ver. 
- Entra, Horan – ela sorriu, toda gentil, e ele logo caminhou até ela, ficando de frente pra classe. 
- Eu tenho um recado pra dar – ele disse, e todos pararam de copiar pra ouvi-lo (menos eu) – Os alunos que estão de recuperação em biologia laboratório farão a prova na última aula de hoje. Procurem o professor Turner e façam a prova na classe onde ele estiver. 
Quando ergui meu olhar pra lousa, tentando continuar copiando sem ligar pra ninguém ao meu redor, notei que todos me olhavam. Lancei olhares incomodados pro lado, e encarei o professor Horan, que devolvia meu olhar de um jeito furioso. Sua camiseta branca meio colada ao corpo me distraiu por alguns milésimos de segundo, até que eu bati os olhos em seu antebraço. Havia um curativo nele, bem onde eu o tinha machucado com a caneta ontem. Fiz aquela legítima cara disfarçada de ‘se fodeu’, e comecei a balançar uma caneta entre meus dedos, num sinal claro de que se ele resolvesse aprontar alguma, eu ainda tinha várias canetas de ponta fina pra enfiar onde eu bem entendesse nele. 
Captando a mensagem, ele logo tratou de sair da classe, agradecendo a professora Keaton. Segurei muito uma gargalhada e continuei copiando, com um sorriso maligno no rosto. Canetas de ponta fina eram ótimas aliadas na luta contra professores desagradáveis, dica. 
Naquele dia, fiz a prova de recuperação na aula do Turner, nosso professor de história, sem problemas. Como a sala em que ele estava ficava no quinto andar, resolvi chamar o elevador pra descer e ir embora. Pode me chamar de sedentária, eu deixo. Assim que o elevador chegou e a porta se abriu, dei de cara com a cena mais confusa do meu dia. O sr. Styles conversava e ria animadamente com o professor Horan dentro do elevador, e assim que me viram, pararam de falar. Cada um teve uma reação diferente: o sr. Styles sorriu, parecendo feliz em me ver; já o Horan abaixou seu olhar de um jeito irritado pro chão e logo depois passou a fitar seu relógio, fingindo interesse nele. 
- Bom dia, (seu sobrenome) – o professor Styles cumprimentou, e se não fosse por aquele sorriso dele, eu não teria entrado naquele elevador. É meio perigoso entrar num cubículo com um professor que te adora e outro que te odeia, ainda mais quando não se tem uma câmera filmando tudo. 
- Bom dia, professor – sorri, meio nervosa, parando entre os dois e notando que havia dois botões iluminados no painel, um indicando o sétimo andar e o outro indicando o térreo. Acho que nunca torci tanto pra ficar sozinha com o sr. Styles, e olha que superar todas as vezes em que desejei isso era muito. Agora que já estava lá dentro, era esperar pra ver quem me acompanharia até o térreo. E talvez agüentar alguns segundos a menos de um metro de distância de um certo professor idiota durante o trajeto. 
O elevador subiu, e quando as portas se abriram no sétimo andar, quase me agarrei no braço dele quando o sr. Styles deu um passo em direção à porta. E só pra melhorar, não havia ninguém esperando pra entrar e me salvar daquele martírio. 
- O que o senhor vai fazer aqui, professor? – perguntei, tentando disfarçar meu nervosismo. 
- Eu marquei uma reunião com a professora Keaton sobre um projeto interdisciplinar pro segundo ano – ele sorriu, parecendo bastante empolgado e me deixando mais brava ainda – Até mais, (seu sobrenome). E não esquece de me trazer aquele documentário amanhã, Horan. 
- Pode deixar, Styles – ouvi o professor Horan dizer, sem emoção na voz, e logo depois a porta se fechou, me deixando sozinha com ele. Pensei em apertar um botão qualquer e parar em algum andar pra fugir daquele ambiente perigoso, mas assim que minha mão avançou na direção do painel, ele segurou meu braço com força e me puxou num movimento brusco. 
- O que é isso? – quase gritei, quando ele segurou meu outro pulso e me prensou na parede – Me larga! 
- Cala a boca – ele murmurou, e sem aviso, me beijou. Tentei me desvencilhar dele e não o deixar aprofundar o beijo, mas a pressão que ele fazia contra meus lábios era tão forte a ponto de fazer minha boca latejar. Mesmo me esforçando ao máximo pra não deixar que aquilo passasse de um selinho indesejado, senti meus músculos cederem à pressão que ele exercia e abrirem passagem pra sua língua. 
Eu me debatia desesperadamente, tentando dar uma joelhada em suas partes ou então mordendo seu lábio, mas ele estava tão colado em mim que eu mal conseguia mexer qualquer músculo. Tentei gritar, mas abrir a boca pra emitir algum som só piorou minha situação. Olhei pro painel do elevador e vi que ainda estávamos no quarto andar. Sem nenhuma chance de defesa, o único jeito seria continuar me debatendo até machucá-lo de alguma forma ou fazê-lo desistir. 
Lentamente, ele foi escorregando suas mãos, trazendo meus pulsos junto, até colar meus braços ao lado do meu corpo. Continuou me segurando firme, e me beijando intensamente. Seus músculos evidenciados pela blusa justa que ele usava se contraíam, muito próximos do meu tronco, e por pior que a situação fosse, era inegável concluir que ele estava em excelente forma física. Quando olhei para o painel e vi que estávamos no segundo andar, ele abriu os olhos e encarou os meus, ainda me beijando. Uma sensação esquisita percorreu meu corpo quando nossos olhares tão próximos se encontraram, o que só me deixou mais trêmula. 
Ele partiu o beijo, puxando meu lábio inferior devagar, e se afastou, ainda com aquele olhar intenso fixo no meu. A porta do elevador se abriu, chegando ao térreo lotado de gente, e sem dizer uma palavra, ele enxugou a boca com as costas de uma mão e saiu andando, como se nada tivesse acontecido. Incapaz de me mexer por algum motivo desconhecido, fiquei encostada na parede do elevador, tremendo da cabeça aos pés e com o coração acelerado. De susto e indignação, é claro, afinal não é todo dia que o professor que você mais odeia te beija no elevador. 
- (seu apelido)? – ouvi a voz de Eleanor me chamar, não sei quanto tempo depois, e quando olhei na direção da porta, a vi parada com um olhar preocupado – Você tá pálida, o que houve? 
- N-nada, s-só uma tontura – gaguejei, com a voz falha, e torcendo pra que minhas pernas bambas me agüentassem, saí do elevador – Vamos, minha mãe já deve estar me esperando. 
Eleanor não fez mais perguntas, apesar de não ter acreditado totalmente na minha resposta, e me acompanhou até a saída. Durante o dia inteiro, a lembrança daquele beijo e daquela sensação esquisita me assombrou, e à noite, o sono demorou a chegar. Eu me revirava na cama, tentando afastar os olhos do professor Horan dos meus pensamentos, até acabar pegando no sono. 

- Hoje você tem aula com o Styles? – Eleanor perguntou, enquanto subíamos as escadas pra chegar às nossas classes. 
- Tenho, por quê? – perguntei, distraída ouvindo música, ou pelo menos tentando. Só de me lembrar das aulas que eu teria hoje, meu estômago revirava. Fazia exatamente seis dias que eu não via nem sombra do Horan, e hoje eu teria a última aula com ele. Um calafrio percorreu minha espinha, mas eu fingi que nada tinha acontecido e continuei cantarolando a música que tocava no meu iPod. 
- Por que você não fala com ele de novo sobre o professor Horan? – ela sugeriu, solidária – Sei lá, de repente ele resolve te ajudar dessa vez. 
- Ele vai me ajudar como, falando pro Horan que eu fui lá pedir ajuda pra ele? – retruquei, balançando negativamente a cabeça – Não vou falar nada, não quero meter mais ninguém nisso. Vai que o Horan inventa alguma besteira sobre mim e até o Styles começa a me dar C de média. 
- Bom, você que sabe – Eleanor encerrou, derrotada – Eu falaria com o Styles de novo depois de receber aquela prova de recuperação com um C gigante e injusto, mas a decisão é sua. 
- Eu vou pensar no que vou fazer – suspirei, entrando na classe enquanto Eleanor entrava na classe ao lado. Até o ano passado, ela era da minha classe, mas nesse ano a diretora aprontou alguma com as re-matrículas e ela acabou caindo numa classe separada. Estávamos tentando fazê-la mudar de classe, mas aquela joça de diretora de alguma maneira estava implicando com a gente. Pode parecer exagero, mas o mundo parece conspirar contra mim às vezes. 
Como nas três primeiras aulas os professores resolveram passar muita matéria, nem tive muito tempo de pensar em nada. Durante o intervalo, eu e Eleanor nem conversamos direito, porque enquanto eu ouvia música no volume máximo, ela estudava química. Perdida em pensamentos, logo voltei à realidade quando novamente vi o sr. Styles conversando com o professor Horan na porta da sala dos professores, super empolgados. Os dois riam e gesticulavam, e o sr. Styles dava cada gargalhada divertida que me dava vontade de rir junto só de olhar. 
Mas apesar de sentir meu coração acelerar ao ver o professor Styles, olhar pro Horan pela primeira vez depois do incidente no elevador me deu um aperto no peito. Ele estava com uma blusa social roxa escura lisa, uma calça jeans preta justa e um All Star da mesma cor. Enquanto ele caminhava lentamente em direção à cantina, ainda conversando, uma pergunta passava pela minha cabeça. Como eu nunca tinha reparado em como ele era bonito? Consideravelmente alto, corpo bem definido, cabelos bagunçados de um jeito atraente... É, talvez eu estivesse ocupada demais copiando relatórios ou então odiando seu jeito de ser pra prestar atenção em sua aparência. Mas mesmo sendo lindo, nada me faria sentir algo bom por ele. Nada mesmo. 
Senti Eleanor me cutucar, e tirei os fones do iPod, acordando pra vida. 
– Vamos, o sinal já tocou e eu tenho prova agora – ela disse, fazendo uma careta entediada. 
- E eu tenho aula do Hammings – resmunguei pra mim mesma enquanto me levantava, tensa por causa das aulas de biologia que se aproximavam cada vez mais. Por que todos os professores não podiam ser fisicamente iguais ao meu querido professor de geografia, feios, balofos e calvos? Não ser obrigada a ver meu professor infinitamente insuportável e igualmente sexy usando calças justas facilitaria muito a minha vida. 

- Bom dia, classe – o sr. Styles sorriu, parando na porta da classe enquanto eu ainda terminava de copiar a matéria de geografia da lousa – Hoje nossa aula será um pouco diferente. 
Na mesma hora, todas as cabecinhas que estavam na classe se viraram pra ele. Quando algum professor dizia que a aula seria ‘diferente’, era porque sairíamos da classe ou algo do tipo, o que era bem raro. Com um sorriso sapeca no rosto, o professor Styles continuou: 
- Nós iremos ao anfiteatro assistir a um documentário bem interessante que o professor Horan me emprestou. 
Sem precisar dizer mais nada, todos os alunos começaram a se amontoar ao redor da porta, empolgados com a simples idéia de sair daquela classe monótona. Eu apenas segui o fluxo calmamente, dando um tchauzinho ao passar pela classe de Eleanor e vê-la tranqüila entregando a prova de química. Pra variar, ela parecia ter ido bem. 
Chegamos ao anfiteatro, que ficava no quarto andar, e logo todos ocuparam as poltronas mais próximas da tela, que abrangia uma parede inteira. Pra evitar que os retardados mentais da minha classe atrapalhassem minha concentração com seus comentários desnecessários, me sentei mais pro fundo, literalmente excluída de todos. Tudo que eu queria era tentar prestar atenção no documentário em paz, afinal, eu já estava me sentindo bastante confusa sozinha e não precisava de mais ninguém me perturbando. 
O sr. Styles colocou o documentário no DVD e apagou as luzes, nos deixando no escuro quase total. Meus olhos, ainda desacostumados à escuridão, estavam fixos na tela, então eu acho que dá pra entender porque eu quase morri de susto ao sentir alguém sentar ao meu lado. 
- Posso me sentar aqui? – ouvi o professor Styles sussurrar, já sentado. Até parece que ele sabia que não precisava pedir permissão pra nada quando a pessoa em questão era eu. 
- Claro – respondi baixinho, inspirando seu perfume gostoso. 
– Não gosta de sentar mais pra frente? – ele perguntou, com o rosto parcialmente iluminado pela luz do telão. 
- Não muito, eu acabo não conseguindo prestar atenção com muita gente falando em volta – murmurei, com um sorrisinho simpático – E o senhor? 
Ele soltou uma risadinha sem graça e fez uma careta, como se estivesse desconcertado. 
- Nem é muito por isso... – ele respondeu, sorrindo de um jeito envergonhado - Eu vim sentar aqui pra fazer companhia pra você. 
- Companhia pra mim? – repeti, tentando disfarçar minha vontade de abraçá-lo até cansar – Não precisa sentar aqui só por minha causa, professor. Eu tô acostumada a ficar sozinha. 
Observação: o homem inalcançável de quem eu era super a fim tava dizendo que queria me fazer companhia, e o que eu fazia? Repelia o cara. Eu não mereço viver. 
- Mas não devia, (seu sobrenome) – ele murmurou, com a voz um pouco chateada – Eu não gosto de te ver sozinha na classe, sempre copiando a matéria de geografia. Às vezes eu acho que as pessoas da sua classe não te dão o devido valor... Nunca tentaram descobrir o quão interessante você pode ser. 
A cada palavra, o professor Styles me deixava mais encantada. Era sempre comovente ouvir uma pessoa dizer algo tão bonito sobre você, daquele jeito sincero, ainda mais se essa pessoa for tão especial como ele era pra mim. 
- O senhor acha isso mesmo? – sussurrei, sorrindo esperançosamente. Ele sorriu de volta de um jeito fofo e assentiu. 
- Eu acho – ele disse, baixinho, e pegou minha mão que estava apoiada no braço da poltrona – Você é uma garota incrível, (seu sobrenome). De verdade. 
Abaixei meu olhar pras nossas mãos juntas, toda arrepiada. Era mesmo verdade? Ele estava segurando minha mão? Ele olhou na mesma direção que eu, e colocou sua mão por baixo da minha, com a palma pra cima, entrelaçando nossos dedos. 
- Obrigada, professor – eu gaguejei, com a voz quase inaudível, e ergui meu olhar pra ele – Eu também acho o senhor um homem incrível. 
Sua mão era quase o dobro da minha em tamanho, macia e quentinha. Talvez a mão mais gostosa de segurar no mundo. Com um sorrisinho adolescente, o sr. Styles voltou a me encarar, com seus olhos verdes brilhando muito em meio à escuridão, e eu percebi que seu rosto se aproximava do meu devagar. Fiquei séria, com medo de alguém olhar pra trás e nos ver, mas ele colocou uma mão em meu rosto, como se me impedisse de virar e checar essa possibilidade. 
- Eu já tomei esse cuidado, pode ficar tranqüila – ele sorriu, acariciando minha bochecha com seu polegar. Sorri também, com o coração acelerado. Milhares de coisas passavam pela minha cabeça. Eu estava prestes a ser beijada pelo professor que eu mais admirava nesse mundo. O cara mais perfeito que eu já tinha conhecido, que nunca mostrou um defeito sequer durante os três anos em que me deu aula. E que era treze anos mais velho que eu. 
Mesmo com tantos conflitos, apenas fechei os olhos e deixei as preocupações de lado. Nossos lábios se tocaram e eu logo permiti que ele aprofundasse o beijo, brincando calma e intensamente com a minha língua. Deslizei minha mão pelo ombro dele na direção da nuca, quase prensada entre o encosto da cadeira e seu rosto, e embrenhei meus dedos naqueles cabelos macios. Harry (acho que agora tenho intimidade suficiente pra chamá-lo pelo nome, certo?) apertou com mais força a minha mão, me fazendo sorrir. Logo ele partiu o beijo, deixando seu rosto próximo do meu e me encarando de um jeito bonitinho. 
- Acho melhor te emprestar esse documentário pra você ver em casa – ele riu baixinho, e eu assenti, ainda assimilando tudo que tinha acontecido. Durante o filme todo, nós ficamos de mãos dadas disfarçadamente, até que o documentário acabou e ele se levantou para acender as luzes. Várias pessoas, incluindo Amy Houston, acordaram assustadas com a claridade repentina. 
- Até mais, professor – sorri, tentando não dar bandeira do que tinha acontecido quando ia passar pela porta, mas ele logo fez uma cara meio brava e disse: 
- Espera, (seu sobrenome), eu preciso conversar sobre um assunto sério com você. 
Engoli em seco, nervosa, e esperei até que o anfiteatro estivesse vazio. 
- O que foi? – perguntei, confusa, enquanto ele nos fechava lá dentro, e recebi um beijo como resposta. Harry me abraçou pela cintura, me puxando pra bem perto dele com vontade, e eu passei meus braços por seu pescoço, ainda surpresa com aquela atitude inesperada. Ele me levantou do chão, sorrindo durante o beijo, e eu segurei firme em seus ombros deliciosos. Eu só podia estar sonhando, não era realmente possível eu estar beijando Harry Styles, o homem mais perfeito da face da Terra. Ele desacelerou o beijo após alguns maravilhosos minutos, transformando-o em vários selinhos, até que parou de me beijar e ficou me olhando, ainda sem me deixar tocar o chão. 
- Desculpa, eu vou fazer você se atrasar pra próxima aula – ele disse, alarmado, acordando do transe e parando de me segurar como se estivesse fazendo algo proibido (e se formos pensar bem, estava mesmo). 
- Tudo bem, eu não me importo – sorri, ainda abraçando-o pelo pescoço – Não acho que vá conseguir prestar atenção em alguma coisa hoje depois disso tudo. 
- Pelo menos você tem a opção de não prestar atenção – ele riu, com seus braços firmes ao redor da minha cintura – E eu, que tenho que estar sempre concentrado no que vou explicar? Tô ferrado hoje! 
- Imagina, o senhor sempre consegue explicar tudo direitinho – eu respondi, ainda sorrindo de um jeito besta ao observá-lo – E além do mais, o senhor deve estar acostumado com esse tipo de coisa. 
- Esse tipo de coisa? – ele repetiu, com um sorriso curioso no rosto – Você quer dizer que eu tô acostumado a beijar alunas? 
Fiquei séria, sem saber o que responder por alguns segundos, até acabar confessando: 
- E não é verdade? 
O sr. Styles fez uma cara surpresa e riu, jogando a cabeça pra trás. Eu já disse que adorava quando ele fazia isso? Pois é, descobri que essa risada conseguia ser ainda melhor quando meus braços estavam ao redor do pescoço dele. 
- Quem tá acostumado a esse tipo de coisa é o Horan – ele falou, fazendo cara de quem não aprovava muito esse comportamento, e na mesma hora minha expressão ficou séria – Que por sinal, já deve ter começado a aula sem você a uma hora dessas. 
Só de lembrar que Niall Horan existia, meu estômago deu uma fisgada. Revirei os olhos, tentando parecer inconformada por ter que desfazer aquele abraço gostoso, e não assustada por pensar em estar a menos de 50 metros de distância do Horan. 
- Ei, escuta – ele sussurrou, me puxando pra trás da porta que ele mesmo tinha acabado de abrir – Vê se faz uma cara bem séria quando sair daqui, como se eu tivesse te dado uma bronca ou algo do tipo. Vai parecer que eu realmente conversei sobre algo sério com você quando seus amigos te virem. 
Gente, pega só o sr. Styles todo maroto! Que lindo, meu Deus, ele realmente conseguia se superar com aquele sorrisinho danado no rosto. 
- Pode deixar – sorri, tentando não voar nele e fincar minhas unhas naqueles ombrinhos divinos. 
- Eu te procuro amanhã pra gente... Conversar – ele murmurou, aumentando aquele sorriso daqueles que iluminavam o meu dia, e me deu um selinho demorado antes de me deixar sair do anfiteatro. Pra mais uma aula de sofrimento com o professor Horan, que hoje não conseguiria tirar meu bom humor por nada nesse mundo. 

 

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...