intrínseca

Amanda resolve fugir de sua cidade depois perder seus amigos em uma acidente de carro e ser humilhada pelo seu professor de Escrita Criativa na frente de 50 alunos.Ela coloca todas as coisas que lhe são importantes em uma mochila e pega o trem para a cidade vizinha. Há alguns minutos de chegar no seu destino o trem entra em colisão e dois passageiros somem no meio da confusão. Entre eles esta Amanda, que acorda em um castelo abandonado na Bélgica.

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1. Castelo De Noisy

Prólogo: 

 

    Há algumas semanas eu imaginava minha vida bem diferente do que é agora, soa até ridículo pensar o quão ingênua eu era por pensar que éramos infinitos.Faz dois meses que eu me sinto totalmente perdida aqui e eu sei que disse que me sentia melhor, mas não era verdade.Desculpe por mentir  para você, realmente acredito que nada que você tente fazer possa me ajudar. Este bilhete não vai trazer um motivo profundo no fim explicando por estou fazendo isso, eu só precisava falar algo antes de ir. 

    Sei que já conversamos sobre eu precisar seguir em frente, mas eu não consigo .Não consigo porque lembro deles o tempo todo, porque parece que nunca vai parar de doer... porque eu devia estar com eles. As pessoas dizem que eu tenho sorte por ter sobrevivido, que devia agradecer por ainda ter uma chance. Sei que você também acredita nisso, mas não parece sorte para mim. Porque quando você perde as pessoas que mais ama no mundo, ele se torna um lugar vazio.Vazio de tudo o que é bom.  

    Tudo ao meu redor me lembra que eles não estão mais aqui e que nunca mais vão estar e isso me faz querer morrer. Eu não sei o que vou fazer e nem se vai dar certo, mas eu sei que não consigo mais ficar aqui. Não me faz bem, não faz bem para você também. Me desculpe por não ser forte o bastante para superar isso agora e por ir embora sem me despedir. 

                                                                                                                  Amanda. 

                                                                                                                                       
 

                                                                                                                                                                                        

   Abri meus olhos sentindo minha cabeça doer, minha visão estava embaçada e eu não fazia ideia de onde estava.O lugar era escuro e parecia extremamente grande, com paredes tão altas que lembravam as igrejas do século XIX. 

   - Sugiro que não levante de forma brusca, a menos que queria desmaiar novamente. 

  Sentei na cama procurando pela voz e olhando os móveis ao meu redor, aquilo não parecia real "com certeza estou sonhando " pensei esfregando meus olhos para acordar. 

   - Não consigo ouvir o que você esta pensando Amanda, vai ter que falar comigo. 

   Forcei meu olhos na escuridão e peguei uma pequena vela em cima do móvel perto da cama para tentar enxergar quem estava la.Ele estava encostado na porta e apesar de não conseguir ver seus rosto, sua silhueta estava perfeitamente evidente.Por mais que eu tentasse não conseguia ver mais que do que pedaços do corpo dele e isso foi extremamente assustador. 

   - Quem é você? Como sabe meu nome? - perguntei sentindo minha respiração pesar.Ele começou a se aproximar em silêncio, a cada passo eu via mais da sua aparência e cada vez mais desejava não ter perguntado. 

   - Imagino que você esteja com fome - ele disse de sentando na beira da cama. Quando a luz o alcançou completamente pude ver seu rosto por completo.Como não reconheci essa voz? Ela tem se repetido há mais de um mês na minha mente " Pessoas vazias não escrevem, apenas encontram uma maneira de ganhar aplausos, baseado no que a plateia quer ouvir ". 

   - O que você esta fazendo aqui? O que eu estou fazendo aqui Declan? - perguntei me afastando o máximo que pude dele. 

   - Você se machucou muito no acidente, se não tivesse te seguido provavelmente estaria morta agora - Declan disse ignorando minhas perguntas. 

   Olhei para meus braços arranhados e comecei a lembrar do que tinha acontecido.As conversas altas, o sol querendo vencer as nuvens e a batida.Foi tão repentino que na hora nem consegui assimilar o que tinha acontecido.Senti minhas costas doerem e ouvi gritos ao fundo...havia sangue ao meu redor e então tão rápido como começou a confusão acabou em um vazio. 

    - O que você fez? - perguntei 

    - Eu ? Nada. Tinha planejado um jeito de resolver isso mas o acidente facilitou tudo - ele respondeu sorrindo. 

    -  O que você quer comigo? Quero ir para casa agora.  

    - Para casa? Não parecia que você queria ir para casa no bilhete - Declan disse. 

    - Já chega, eu não sei o que você quer e nem o que acha que vai fazer comigo - eu disse levantando - mas não vai rolar. 

    Declan levantou e tomou minha frente, segurando meu braço e me forçando a ficar parada. 

    - Acho melhor você sentar, porque não vai sair daqui. - ele disse me olhando de forma tão assustadora que recuei automaticamente para trás. 

    - Qual o seu problema? - perguntei puxando meu braço de volta - Não basta me humilhar na frente da sala inteira, vai me sequestrar também? . 

    Ele riu coçando a cabeça e se aproximou:  

    - Você tem uma mente bem criativa Amanda, devia tentar deduzir o que esta fazendo aqui. 

    - Você é louco - eu disse me afastando novamente. Declan continuou parado me olhando sem nenhuma expressão no rosto. Senti meu coração acelerar e comecei a pensar em milhares de formas de fugir, antes que ele tentasse algo comigo.  

    - Vem, vamos comer algo - ele disse simplesmente e começou a andar, como se eu não tivesse escolha. 

    - Não vou à nenhum lugar com você - respondi. Ele parou e virou lentamente para me encarrar.  

    - Você não esta facilitando as coisas Amanda. 

Quem não estava facilitando as coisas era ele, estou cansada de tragédias esse ano. Não fiz nada, não tenho dinheiro porque ele simplesmente não escolhe outra pessoa para atacar? 

    - Então você me sequestra no meio de um acidente, me coloca dentro desse quarto esquisito e quer que eu vá tomar chá da tarde com você como se fossemos amigos? 

    Declan riu, como seu tivesse contado uma piada. 

    - Como é possível que você lembre tanto seu pai? - ele disse voltando a andar em direção a porta. 

    Eu não queria segui-lo, queria sair correndo até não aguentar mais, queria gritar para que alguém conseguisse me ouvir e me ajudasse.Mas não foi isso que fiz. Ele conhecia meu pai e no momento isso pareceu mais importante que tudo. Segui ele pelos corredores extensos daquele lugar, desejando secretamente que tudo isso fosse um pesadelo. As paredes eram extremamente velhas e a construção parecia prestes a cair sobre nossas cabeças. Eu não fazia ideia de onde estava e muito menos se sairia viva de lá.  

   - Esse é o Castelo de Noisy, parece em ruinas mas é muito mais forte do que as construções de hoje. - ele disse quando entramos em uma sala tão enorme quanto o quarto de antes. Fiquei parada olhando todas aquelas coisas que me cercavam, as cortinas que cobriam as imensas janelas eram pesadas e de um veludo muito diferente. Os móveis eram atuais, há não ser por uma estante enorme no canto direito da sala e por mais estranho que fosse havia energia elétrica mantendo alguns aparelhos ligados.  

   - Ele mora aqui ? - pensei alto.  

   - Por um tempo, quem morou aqui até a adolescência foi seu pai.Ele adorava esse lugar, mesmo depois tanto tempo. 

Olhei para ele e para as paredes que me rodeavam, aquilo era loucura. Senti o impulso de fuga chegar e sai correndo o mais rápido que pude até esbarrar em algo. Abri meus olhos e ele estava lá me encarando, tão perto que podia me enforcar sem nenhum esforço.   

   - Como...  

   - Qual a parte de que você não vai sair daqui não ficou clara- ele disse pegando meu braço - Você não vai para casa, não vai superar a morte dos seus amigos em outra cidade, encontrar um novo amor ou fazer qualquer coisa que tenha planejado quando subiu naquele trem.  

    Puxei meu braço o mais forte que pude sentindo o medo tomar conta de cada célula do meu corpo.  

   - Deixa que eu falo com ela. - disse uma voz atrás de mim. Me virei para encontra - lá  e vi um garoto parado na mesma entrada pela qual eu tinha passado há alguns minutos. Declan o encarou por alguns segundos e depois saiu sem falar nada. 

   - Oi, eu sou o Luke. Você deve ser Amanda, certo? - ele disse estendendo a mão para mim até notar que eu não ia cumprimenta-lo. - Eu sei que você esta com medo agora, eu também ficaria, mas acredite é mais seguro aqui do que  lá fora 

Ele parecia preocupado, seus olhos me encaravam atentos. Observando cada expressão que eu fazia.  

   - Não são vocês que decidem isso - respondi. 

   - Na verdade, é sim. Se deixarmos você ir, não vai durar nem duas horas sozinha lá fora Amanda. Não posso te contar tudo mas posso te ajudar a descobrir coisas  sobre seu pai se você ficar.  

   Senti vontade de aceitar aquilo na hora, mesmo que todo meu lado racional gritasse para que eu o distraísse e tentasse fugir de novo.Tudo o que eu sabia sobre meu pai era que ele viajou até a Europa alguns dias depois que nasci e que desde então nunca mais voltou. Apenas. Segundo a lógica da minha mãe não posso sentir raiva dele como se ele tivesse me abandonado porque algumas coisas estão além do meu entendimento. Ela nunca falou dele, mesmo que eu implorasse ou gritasse ela apenas dizia que eu não devia pensar sobre o passado e me deixava falando sozinha.  

    - Amanda? - Luke perguntou.  

    - Você é amigo dele? Por que você não foge? 

    - Porque eu não tenho escolha, assim como você - Luke disse. 

Andei até o sofá que estava encostado do lado da estante antiga e sentei nele. Eu precisava encontrar uma maneira de sair daquele lugar. 

 

 

 

 

 

 

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