Em Chamas

Para a competição de Fanfics - Uma parte de Em Chamas / Esperança pelo ponto de vista do Peeta, após ser capturado pela Capital. Esta história foi publicada originalmente por mim em inglês na minha conta principal Palola, e estou traduzindo-a para o Movellas Brasil. Espero que gostem! PS: criticas construtivas são sempre bem vindas! Adoraria saber o que vocês acharam da história, deixe um comentário! Obrigada por ler!

5Likes
0Comentários
231Views
AA

1. Em Chamas / Esperança - Peeta's P.O.V.

     Eu não sei exatamente por quanto tempo estou aqui. Sinto como se houvessem se passado meses. E eu passei todo esse tempo pensando nela. Eu penso na última coisa que dissemos um para o outro de volta na arena antes de nos separarmos para o plano do Beetee. Tudo o que restou é a promessa de que estaríamos juntos à meia noite para fugir dos outros tributos. A promessa que nós, eu, não pude cumprir.

     Ao invés disso, a arena irrompeu em chamas e desmoronou pedaço por pedaço. Fui nocauteado enquanto procurava por ela, me perguntando se ela ainda estaria viva. E eu acordei aqui, amarrado a uma cama em um pequeno quarto na Capital, sem qualquer informação sobre a Katniss, se ela estaria viva ou não. Gosto de pensar de sim.

     Johanna está aqui, e também Enobaria. Johanna está deitada na cama ao lado da minha. Seus olhos estão avermelhados e inchados, ela raramente pisca enquanto olha fixamente para o teto por sabe-se lá quantas horas desde que acordou hoje. É fácil se perder no tempo aqui.

     Pessoas mascaradas, avoxes eu suponho, entram aqui de tempo em tempo para nos bater, fazendo várias perguntas. Muitas dessas perguntas envolvem Katniss, uma rebelião contra a Capital, e o Distrito 13. Perguntas para as quais eu não tenho resposta e tenho brincado com as possibilidades de respostas que passam por minha mente. Por fim eles nos torturam tanto que fico inconsciente na maior parte do tempo. E sou grato por isso, porque quanto mais horas estou acordado, mais horas eu tenho para pensar nela.

     Não é que eu não queira pensar nela, porque não há outra coisa que poderia ocupar meus pensamentos como ela, mas acontece que isso acaba sendo mais doloroso do que ser torturado pela Capital. Isso me machuca porque não consegui salvá-la, como deveria ter feito. Mas uma coisa é certa, Katniss está viva. Eu sei disso porque se ela estivesse morta, eles teriam nos matado na primeira oportunidade, quando nos tiraram da arena, eu e os outros tributos. Eles não se dariam o trabalho de nos torturar e fazer perguntas que a envolvem, também.

     Na arena, quando ela dormia em meus braços, eu não podia deixar de pensar que talvez, houvesse uma remota possibilidade de que nós dois poderíamos sair vivos de lá novamente. E que, esperançosamente,  um dia ela me amaria tanto quanto a amo. Mas isso não é mais possível. E não porque ela jamais me amaria, mas porque estamos a quilômetros de distancia um do outro com pouquíssimas chances de nos reencontrarmos. Isto é, se eu conseguir sair daqui vivo, o que de acordo comigo mesmo, não vai acontecer.

     E eu não me importo. Eu estava disposto a morrer no lugar dela para que ela vencesse e tivesse um futuro ao lado de sua família, e odeio admitir, ao lado de Gale. Eu ainda estou disposto a isso, nunca deixei de estar. Isso porque além do que sinto por ela, eu não tenho família alguma para viver se ela morrer. Mas aí ela disse que precisava de mim. E isso me trouxe a possibilidade de que ela já me ame. Pensar que tudo aquilo não foi apenas uma encenação para as câmeras, é o que me mantém são.

     É a isso que me agarro quando me torturam. Eles injetaram veneno de tracker jacker em mim tantas vezes que agora é difícil distinguir alucinação da realidade.  Fica cada vez mais difícil toda hora que o veneno corre pelo meu corpo, confundindo memórias com medo. E a memória dos nossos últimos momentos a sós, ou o mais a sós possível dento das circunstancias, a que me agarro, me lembra do que é real. Me lembra de que eu a amo. Porque assim como é fácil se perder no tempo aqui, é também fácil se esquecer de quem somos. E não sei por mais quanto tempo conseguirei me manter são. Me agarrar a memórias da realidade não é mais suficiente.

     “Por que você não pode me dizer o que sabe? O que exatamente está acontecendo no 13?” Eu pergunto para Johanna.

     “Peeta, pela milésima vez que eu te digo, eu não sei.” Ela cospe as palavras sem tirar seus olhos do teto. “E eu apreciaria se você mantivesse sua boca calada.”

     “Eu fico imaginando se ela está bem.” Eu digo.

     Após uma longa pause, ela olha para mim, e diz. “Ela está viva.”

     Ela volta a se focar no teto. “Agora cale a boca. Está bem?”

     “Viva.” Eu digo para mim mesmo.

***

     Uma sensação de calor corre rapidamente pelo meu corpo. Veneno de tracker jacker.

     Eu penso em nosso último beijo na arena. Aquilo foi real.

     Minha visão está embaçada e fora de foco, pontos pretos me cegam. Imagens passam como rápidos flashes em minha mente, memórias. Uma dessas imagens se materializa em uma garota. Ela tem cabelos escuros e trançados, pele cor de oliva, e olhos acinzentados. Eu sei seu nome, mas apenas seu nome. Katniss.

     Eu a reconheço. Ela é a garota que tentou inúmeras vezes me matar na arena. E ela matou minha família, também. Essas memórias dela me assombram como pesadelos, persistentes. E isso tem acontecido com muita frequência. Eu jamais esquecerei seus olhos. Famintos, furiosos. Inumanos.

     A garota, Katniss, surge em minha direção, correndo, uma faca em mão. Eu tento correr, mas minha perna protética vacila, e eu caio ao chão. Ela me alcança, eu a olho, suplicante. Ela range os dentes com um sorriso perverso, e leva a faca a minha barriga. É apenas uma memória, eu digo a mim mesmo.

     Posso ouvir meus próprios gritos alta e claramente. Não sei dizer se fazem parte da memória ou se realmente estão acontecendo em tempo real.

     A memória é continua, repetitiva. Cada vez Katniss faz coisas diferentes comigo, coisas terríveis. Isso parece não ter fim.

     Tudo fica escuro. Eu abro meus olhos, mas eles estão cegados, fora de foco. Eu desperto da memória com um sentimento de fúria surgindo dentro do meu peito, tão forte que não posso negá-lo o poder de me controlar. Um sentimento de raiva, fúria, poder, vingança.

     Um desejo de ferir a Katniss.

     De matá-la.

 

* Nota: por não ter lido a série em português, eu desconheço as traduções dos termos originais como ''tracker jacker," por exemplo, e peço desculpas por não os ter traduzido.

Join MovellasFind out what all the buzz is about. Join now to start sharing your creativity and passion
Loading ...