Dama de Sangue

Livia acaba de receber uma estranha visita em sua casa. Um mensageiro vem anunciar sua morte. Livia poderia escapar desse destino trágico? Seria possível se livrar da morte? Por que recebera essa anúncio? Algo a espera depois da morte?

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18. Recomeço

Evangeline trazia os olhos arregalados e assustados. Vira, ainda tão nova, a morte de perto. Era como se tivesse sentido uma bala passando quase de raspão por seu peito; assustando-a, sem sequer tocá-la. Seu coração ainda se mantinha disparado e parecida que não desaceleraria tão rápido. Compensava toda a sua aflição e medo no braço do mais velho, apertava-o com força, escondendo o rosto nele e, principalmente, tentando esconder seu nariz do cheiro de formal vindo do corpo da moça.

Segurava o moço como se fosse um amuleto da sorte, capaz de protegê-la de qualquer mau, apesar de nunca tê-lo visto proteger ninguém efetivamente. De todo o modo, a promessa estava feita e, em toda a sua ingenuidade, Evangeline acreditava nela.

O homem dava passos firmes e intensos, apesar da noite cobrir com seu manto de escuridão tudo o que podiam ver. De alguma forma, parecia que ele era capaz de saber para onde estavam indo. As duas, certamente, estavam igualmente inconscientes a respeito da situação e do caminho a que seguiam... Meramente, se deixavam guiar... Livia involuntariamente... Evangeline... quase dessa forma.

Invadiram as profundezas de uma floresta escura e adentraram em uma caverna dificilmente visível até mesmo durante o dia. A passagem era estreita e o caminhar se tornava claustofóbico. As paredes pareciam ter vontade própria e invadiam o caminho quando tinham vontade, num gotejar quase sólido do teto em direção ao chão.

Chegaram até onde o sol jamais seria capaz de bater, onde os ratos e aranhas que infestavam o caminho outrora desistiram de seguir pelo simples fato de, por ali, não existir qualquer forma de alimento.

Os limites do local tinham formato circular, pequeno. O teto era tão baixo que Evangeline sentiu-se dentro da tão lendária casa dos sete anões.

Ruan deitou docemente Livia no chão e sorriu, observando ambas. Não demorou para que Livia despertasse. Era como se o tempo tivesse sido calculado milionesimalmente para o despertar de Livia ocorresse bem depois da chegada à caverna.

– Essa será a sua nova casa - Dizia observando as belas moças diante de si, com um pequeno gesto de reverência a elas.

– Oi?- dizia Livia ainda mal acordada, em um tom pouco sóbrio.

– Oi... - respondeu Evangeline, educadamente.

– Pequena, tudo o que eu tenho a te dizer é que te protegerei, com minha vida se for preciso, como foi prometido. - olhou para a outra - e Livia, você será treinada para ser uma grande dama de sangue, terá a honra de servir ao nosso Caim cujo nome verdadeiro é tão digno que não pode ser citado. O resultado de seu trabalho influenciará o maior dos líderes dos Ugûyaffinos. Precisará de coragem, braveza e muita determinação. Este é um sonho almejado por muitos. Espero que tenha ciência do tamanho disso e que aproveite a oportunidade. Durante esses dias, eu serei seu treinador.

Os olhos da menor brilharam com inveja. De certo, não sabia o que exatamente seria uma dama de sangue, mas o nome lhe enchia a alma. Parecia importante e espetacular. Parecia gigantesco e colossal. Parecia necessário, fundamental para muitas outras pessoas. Parecia ser alguém cuja ausência é facilmente percebida. E, também, parecia muito mais importante do que ser uma mera protegida.

Evangeline observava com cuidado as feições de Livia. Analisava-a cuidadosamente. Via ali nada mais do que uma mulher estranha, mexendo os dedos das mãos e estralando-os como se tivesse passado muito tempo sem exercita-los. O rosto era pálido e tinha um aspecto frágil e enfermo. Os olhos pareciam perdidos. Ela, de fato, estava perdida.

Fora trazida inconsciente, sem qualquer consentimento ou questionamento, como uma boneca ou um fantoche. Enquanto a loirinha, chegara caminhando pelos próprios pés, através de sua própria escolha e seu próprio risco. Achava-se inevitavelmente mais poderosa que Livia.

Considerava-se muito mais apta a ser alguém importante. Sentia-se muito mais capaz, muito mais forte, muito mais saudável...

– E o que é uma dama de sangue? - perguntou Evangeline, com bastante firmeza em seu intrometimento, já que a moça até então nada questionara.

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