Dama de Sangue

Livia acaba de receber uma estranha visita em sua casa. Um mensageiro vem anunciar sua morte. Livia poderia escapar desse destino trágico? Seria possível se livrar da morte? Por que recebera essa anúncio? Algo a espera depois da morte?

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15. Despertar

Livia abriu os olhos e já não sabia onde estava. A escuridão tomava conta do ambiente de tal forma que ela não sabia se estava com os olhos fechados ou abertos e o fato de não saber a desconfortava. Mas, no fundo, não importava como estavam os olhos. Não veria nada, de qualquer forma. A escuridão era grande.

– Eu, eu já abri os olhos... - respondeu à voz que possivelmente tentara acorda-la.

Não houve resposta.

Livia tentou buscar com as mãos a pessoa que poderia estar ali. Tentava estender os braços. Mas não foi possível. Uma estranha parede de madeira a impedia. E não a impedia somente estender os braços, Livia mal conseguia se movimentar. As paredes estavam por todas as partes e, sobre ela, ainda havia um teto bem acima de seu corpo. Ali onde estava havia tão somente espaço para que Livia coubesse deitada. 

Desesperou-se. Bateu forte contra a madeira. Buscou frestas. Não encontrou nada. O ar começou a fazer falta e o espaço parecia cada vez menor. Sentia como se pudesse ser sufocada a qualquer instante. Ou como se o mundo todo pudesse desabar sobre a sua cabeça através daqueles pedaços de madeira compactos. Sentia como se não tivesse escapatória e tivesse de morrer em breve. Mas não aceitava a morte.

A mulher fincava as unhas contra a madeira acima de si e em suas laterais, fazia o máximo de força que era capaz, mas a força lhe faltava à medida que o ar também ficava mais escasso. Livia tentava respirar fundo, mas era inútil. Bufava irritada com a situação e tentava novamente arranhar o teto e as paredes de madeira que a envolviam. Sabia que aquela era sua única chance de sobrevivência... Sua única chance.

Estendia as mãos, puxava e empurrava a madeira conforme podia. Chutava-a, se espremendo no pequeno espaço que tinha. Tentava, instintivamente, respirar, em vão. E, voltava a se debater contra as paredes, relutando contra o aperto e o sufoco que passava. Implorava para que seu corpo pudesse ser mais forte e que suportasse por mais um minuto, por mais um minuto que fosse... porque acreditava ser capaz de fugir daquele possível caixão se tivesse uma força um pouco maior, quem sabe.

O tempo passava e o caixão não se abria. Estranhamente, Livia também não morria. Segundo seus cálculos breves, o oxigênio já deveria ter acabado. A moça não compreenda como podia não morrer com a falta total de oxigênio em que se encontrava. Chegou a uma conclusão simples: o ar fazia falta, mas já não precisava mais dele.

Arrumava forças e tentava mais uma vez. De tanta insistência, a madeira cedeu após um bom tempo de tentativas.  A terra que desabou sobre a mulher era mais macia e mais maleável que a madeira e pôde ser retirada com mais facilidade que esta... De modo que, em algum tempo, conseguira se livrar de tudo aquilo.

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