Dama de Sangue

Livia acaba de receber uma estranha visita em sua casa. Um mensageiro vem anunciar sua morte. Livia poderia escapar desse destino trágico? Seria possível se livrar da morte? Por que recebera essa anúncio? Algo a espera depois da morte?

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12. De volta à cena de Livia...

Saíram da festa naquele mesmo instante, apesar de não ser o desejo exato de Livia. Ela ainda queria poder se aproximar do mistério daqueles olhos, daqueles mesmos olhos que tanto a perseguiam em seu subconsciente. Pensou em formas para rever aquele olhar. Poderia voltar à festa em algum outro dia e se James não estivesse por ali, ela, com toda certeza, poderia perguntar às pessoas do local onde encontra-lo. Poderia também esperar que os sete dias se completassem, na esperança de que fossem realmente os mesmos olhos. Essas duas eram as principais possibilidades que pôde pensar... E entre agir ou esperar por um milagre, obviamente, Livia, como todos os outros, decidiu esperar por um milagre. Era, sem dúvida, mais confortável e ainda muito mais seguro.

Nessa espera, começou a ansiar pelo dia em que sua anunciada morte lhe bateria à porta. Voltou a ela a mesma sensação estranha que teve na presença de James. Era novamente o desejo, o medo, o susto, a vontade, a necessidade de aproximação... Eram novamente vontades contraditórias que lhe subiam a mente e a torturavam.

Durante o dia, as dúvidas lhe dominavam... E nada mais lhe importava. Os gritos irritados de Heitor ao descobrir a fuga simplesmente passavam de um ouvido ao outro. O som do telefone a tocar era simplesmente desimportante.

Durante a noite, a continuação daquele tão tranquilo quanto macabro sonho lhe vinha. Nadava no rio de sangue, bebia "a água" dele, tudo com a mesma vontade de quem encontra um rio no meio do deserto. A sensação que tinha era reconfortante, revigorante... A sensação de acordar e se lembrar que tudo aquilo fora pensado de forma positiva era terrível e lhe fazia voltar às dúvidas.

Nesse contínuo ciclo de dias e noites contínuos, o tempo passou depressa e, quando se deu por si, já era o grande dia.

Livia se vestiu como se à um encontro. Em sua mente, estava certa de que veria James novamente, com todo o seu sorriso, todo o seu corpo, toda a sua dúvida. Por isso, escolhera seu vestido de festa mais bonito, um de festa preto que lhe caíra até o joelho. Passara no rosto muita maquiagem para disfarçar as olheiras de uma semana de confusões. Estava com os olhos bem marcados em lápis preto, com a boca muito vermelha de batom escarlate, com a face muito pálido de um uso exagerado de uma mistura de pó de arroz com corretivo.

Suas mãos pareciam querer dar-lhe uma aparência mórbida, enquanto seus olhos desejavam vê-la apenas linda. Nessa indecisão, tornou-se morbidamente linda e nada mais. Tinha aspecto de um fantasma, mas um fantasma de uma mulher que já fora belíssima. Seus dedos parecia estar tentando se preparar para a transição entre a vida e a morte...

Depois de pronta, sentou-se na cama e esperou. Espero que a morte lhe chegasse de súbito. Esperou que James aparecesse para roubar-lhe a alma ou algo do gênero. Esperou que aqueles olhos surgissem na escuridão provisória em que seu quarto se encontrava. Esperou tanto que cansou-se de esperar e acabou deitando-se na cama, novamente...

Fechou os olhos e quase que prontamente dormira.

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