Dama de Sangue

Livia acaba de receber uma estranha visita em sua casa. Um mensageiro vem anunciar sua morte. Livia poderia escapar desse destino trágico? Seria possível se livrar da morte? Por que recebera essa anúncio? Algo a espera depois da morte?

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10. A festa

Dois pedaços de papel colorido foram o suficiente para que as duas entrassem no grande salão. As luzes incontinuas de colorações diversas chamavam Livia cada vez para para o interior do local. E seguia contente com um tom de desafio próprio a cada passo que dava. Como um leão correndo atrás de sua presa, a mulher agia guiada por seus instintos, por uma vaga lembrança de que um dia esta mesma ação já lhe trouxera satisfação num passado não tão distante. Obviamente, a ação do leão era mais sensata porque ele busca seu alimento; mas para fins comparativos, fingiremos que foram atitudes igualmente feitas sem motivo conhecido pelo agente.

Os passos ritmados afastavam a mulher de sua amiga. A dança tão incontinua quanto as batidas mal feitas da mixagem de segunda de um velho sucesso dos anos 70 fizera com que nenhuma das duas realmente se desse conta disso, de inicio. Quando perceberam, a multidão já se aglomerara escondendo os últimos vestígios de conhecidos dentro daquela festa.

Livia se mantinha a correr os olhos entre os presentes sem qualquer sucesso. Os pequenos picos - com meio segundo de duração - de falta de iluminação dificultavam ainda mais o processo. Nessa procuração sem êxito, um belo sorriso masculino se evidencionou entre a multidão. Vinha sobre uma barba mal feita, dando ao homem um aspecto propositalmente descuidado que de uma forma estranha, agradavam Livia.

Os olhares de ambos se encontraram. Livia deu um pequeno passo para trás, assustada com a forma de como aquele par de olhos lhe era ridiculamente familiares. Mas a repulsa inicial que foi feita sob eles tornou-se fascinio em pouco tempo. De uma forma estranha, a moça desejava se aproximar do que tanto a assustava. Observa-los de perto poderia fazer com que eles se tornassem mais amenos, poderia fazer com que ela percebesse que toda sua sensação ruim fora nada mais que uma loucura passageira. Queria acariciar a fera, senti-la por perto, ter a adrenalina correndo em alta velocidade e dominando todo o seu corpo. Precisava tê-los mais perto. Precisava suprir todo o seu medo e admiração.

Retomou um passo em direção ao homem. Caminhou mais dois passos e achou-se ridícula. Achou-se ridícula por sentir ainda algum medo de aproximar-se do rapaz e achou-se ridícula por querer se aproximar. Quis recuar novamente. Quis, também, superar o medo por orgulho. Ia em passos para frente e para trás, em uma dança sem ritmo e com muitas enrolações. O homem abria ainda um sorriso mais largo, rindo-se da situação em que a moça se encontrava. Decidiu aproximar-se ele mesmo, com os mesmos olhos fixos e imutáveis.

De perto, Livia pôde perceber... Eram aqueles olhos, os mesmo olhos que surgiram em seu sonho, os mesmos olhos do homem que aparecera em sua casa no outro dia. E, pelas feições do rapaz, ela poderia até mesmo dizer que seriam a mesma pessoa... Se o outro rosto não estivesse bem mais enrugado e envelhecido. Parecia ainda assustador e, portanto, ainda mais fascinante.

– Sua primeira vez por aqui? - ele gritava, tentando superar o som da música.Os olhos se aproximaram gentilmente.

– Sim, sim...

– Acho que irá gostar deste lug...

– Livia, finalmente te achei. Ah, não, pode desencanar desse cara, mocinha. - Valentine interrompia a conversa e já puxava Livia para longe do homem.

Livia o olhava, enquanto era praticamente arrastava pela amiga. Ele piscou a ela, como se demonstrasse compreensão, e fez um aceno, um possível sinal de indiferença.

Valentine parou de arrastar a amiga apenas depois que atravessaram uma porta e chegaram ao banheiro. A ideia era que ali a música tinha o som menos forte e, assim, as duas poderiam conversar.

– Você tem ideia de quem é esse cara? - Valentine começava - Pois bem, eu tenho. O nome dele é James.

– James... - Livia repetia quase num suspiro sem dar muita importância à bronca da outra

– É conhecido por ser desejado por quase todas as mulheres, mas um tanto quanto seleto com as que deseja ficar...

– Não vejo mal nisso.

– Nenhuma menina voltou depois de ter sido vista com ele. Quando ele é visto com uma garota, contamos uma semana ou duas, no máximo... e ela simplesmente some. Deixa de frequentar festas, clubes...

– Então ele é ciumento? Tem bem a cara dele...

– Não as encontram em lugar nenhum. Dizem que isso é porque elas simplesmente não conseguem mostrar a cara depois de terem levado um fora, mas acho difícil que todas elas tenham exatamente a mesma reação. Mas dizem que nem a própria família da mulher consegue achá-la depois. Como se tivesse morrido e não sobrasse qualquer sinal do corpo. Não quero te ver com esse cara, de jeito nenhum. Acho que já ficamos tempo demais por aqui, vamos embora, antes que você seja a próxima.

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