Contos da Meia Noite

"A única certeza da vida é que iremos morrer." -Desconhecido

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6. Conto 4 - Voltando para casa

 

     Holly colocou as malas no chão e olhou para sua casa. Nossa, como sentira saudades... Muito tempo havia se passado desde que fora para a Europa. Ligou para os pais alguns dias antes para avisar que estaria voltando para passar as férias com eles, e ambos pareceram muito felizes com a notícia. Apertou a campainha. Esperou, esperou... Tocou de novo, e esperou novamente. Nada de alguém atender. Deveriam ter saído para fazer compras. 

     Se agachou e levantou o tapete. Sim, ainda bem que ninguém havia mexido naquele local. Antes de ir viajar, deixou sua chave debaixo do tapete, caso precisasse voltar e ninguém estivesse em casa. Era como se ela adivinhasse o que ia acontecer. Abriu a porta calmamente e colocou suas malas para dentro. Lá fora era noite, e estava bem chuvoso. Alguns trovões ressoavam de vez em quando, fazendo a rua escura parecer ainda mais sombria.

     Após fechar a porta, olhou para sua casa. Seus pais haviam lhe contado em uma carta que tinham se mudado para outro bairro, já que a casa antiga corria o risco de desabamento. A nova casa era realmente espaçosa e bonita. Não dava para ver direito, mas parecia vermelha do lado de fora. As luzes da sala estavam acesas, então deveria haver alguém na casa.

     - Olá? - Ninguém respondeu. Holly subiu as escadas para o andar de cima. Todas as portas estavam fechadas, e o corredor imerso no silêncio. Resolveu ir até seu quarto, para guardar suas roupas nas gavetas e dormir um pouco, estava bem cansada. Foi até a porta onde estava uma plaquinha com o nome "Holly" em letras maiúsculas e decoradas, e esta estava destrancada. Abriu-a bem devagar, sem querer fazer barulho. Acendeu as luzes e encontrou um pedaço de papel branco em sua cama, com seu nome escrito. 

     Pegou o papel e imediatamente reconheceu a letra de sua irmã, Tery. Abriu a carta e começou a ler:

"Imagino que tenha acabado de chegar. Deixei suco na geladeira e sanduíches prontos. Mamãe e papai saíram, um jantar romântico ao algo do tipo. Eu estou com a minha namorada, não se preocupe comigo. Beijos, Tery."

Holly riu. Seus pais nunca aprovaram o namoro de Tery com Lizzy, sua amiga de infância. "Acho que eles acabaram aceitando que o amor é imprevisível e permitiram o namoro. De qualquer modo, me sinto feliz por ela." Pensou, com um leve sorriso nos lábios. Sentiu seu estômago roncar. Droga, não comia fazia um bom tempo...

A cozinha ficava do outro lado da casa. Holly nem trocou de roupa: colocou a mala ao lado da cama e saiu do quarto, andando lentamente até a cozinha. Observou a decoração: chão de madeira negra, papel de parede vermelho com detalhes que remetiam aos antigos lares de nobres franceses... Seus pais tinham bom gosto.

Virou a esquerda, observando o chão. O caminho para a cozinha estava escuro. Tateando na parede, Holly encontrou o interruptor de luz, apertando-o e olhando o corredor. O chão estava cheio de sangue. Havia uma poça de sangue coagulado no chão e um caminho de sangue depois, como se a pessoa tivesse tido a perna cortada e fosse arrastada.

Ela segurou um grito. Não podia se permitir entrar em pânico, aquilo deveria ser apenas uma pegadinha idiota, mas pegou um bastão fino de ferro que estava perto de uma pequena lareira ali perto, por precaução. Respirou fundo, seguindo o rastro de sangue lentamente, procurando não fazer barulho enquanto andava.

O sangue a levou até a cozinha. Holly sentiu seu coração bater forte, estava com medo... A luz da cozinha falhava. O sangue ali era mais intenso, parecia que o corpo havia sido esfregado nas paredes de azulejos brancos. Não. Ela quis vomitar assim que viu o balcão.

Sua irmã havia ido preparar seu sanduíche... Mas Holly chegou a conclusão de que sua irmã tinha virado o sanduíche.

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