Contos da Meia Noite

"A única certeza da vida é que iremos morrer." -Desconhecido

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5. Conto 3 - Pesadelo?

     Abri meus olhos. A escuridão preenchia cada canto da minha visão. Meu pequeno apartamento estava completamente imerso nas sombras. Estranho. Me lembro te ter deixado as luzes da sala ligadas quando fui dormir.
      Bom, isso não me interessa no momento. Mais uma vez acordei de madrugada. Isso já vinha se alongando há cerca de duas semanas e nem tomando meus remédios para dormir e calmantes venho tendo uma noite completa de sono. E o pior: durante essas semanas tenho tido pesadelos recorrentes que, me julguem, tem me assustado.
      Um barulho quase abafado vindo da cozinha, tal como o de um copo se quebrando sobre um tapete, me alarmou. Virando meu olhar em direção à cozinha percebi, de relance, que duas pequenas esferas pareciam me fitar. Forcei minha visão a fim de tentar decifrar aquela estranha silhueta que se distinguia em meio ao escuro.
      A memória de todos os pesadelos das ultimas semanas me vieram á memória enquanto eu procurava, quase ansiosa, desvendar quem estava ali. Entretanto, com todas essas lembranças, me encolhi embaixo das cobertas e tive medo de algo que não podia ver claramente.
 Virei-me na cama várias vezes procurando uma posição ao menos confortavelmente segura para que voltasse a dormir. O relógio de cabeceira acabava de indicar que ainda eram 01hs30m da manhã. Os minutos pareceram se alastrar por uma pequena eternidade até que, por fim, caí novamente no sono.
                                                                     ****
 Vários gritos se fizeram ouvir e me acordaram novamente. Após abrir meus olhos, que pareciam pesar toneladas, chequei o relógio na cabeceira de minha cama que acabavam por marcar 03hs30m da manhã. Suspirei, cansada, em vista de que eu não havia dormido nem por mais uma hora direito. Olhei para os pés da minha cama e agora vi, claramente, as duas esferas que antes estavam a me observar. Brilhando em um intenso vermelho, que contrastava com o tom negro e encardido da extensão do que julgo achar que era seu corpo, seus olhos ainda me fitavam.
 Por um impulso tentei me levantar da cama, entretanto a criatura saltou sobre mim me derrubando com força no chão. Enquanto penetrava suas longas garras em meu peito, seus olhos pareciam sorrir, ainda fixos em mim, e desfrutar de cada segundo de meu sofrimento. Eu me debatia furiosamente tentando escapar dele, porém não encontrava forças e meu fôlego se esvaía cada vez mais. Gritei.
                                                                       ****
      Acordei de um pulo. Eu hiperventilava e me sentia um pouco aliviada de que tudo isso havia sido apenas mais um pesadelo. Já mais calma eu sorria, lembrando do quão desagradável fora essa experiência e o quão boba fui em me assustar tanto com um sonho. Peguei o meu relógio de cabeceira.

      Os ponteiros marcavam exatamente 03hs29m.

      Um arrepio correu pela minha espinha quando, em um olhar de canto de olhos vi, a me fitar, as mesmas duas esferas, reluzindo em um vermelho intenso.

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