Contos da Meia Noite

"A única certeza da vida é que iremos morrer." -Desconhecido

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2. Conto 1 - Desespero (parte 2)

"James.... Ele está morto."

Paul e Mary se olharam, sem saber o que fazer. Lilly chorava, desesperada. O barulho da chuva era forte do lado de fora, e os raios e trovões, intensos.

"Morto? Lilly, como assim?" Mary abraçava a amiga, preocupada.

"Eu não sei... Eu... Ouvi um barulho, e a porta do quarto estava aberta... Quando fui ver do lado de fora, ele estava cortado ao meio e alguém... E alguém o comia, comia a carne dele..."

O casal se olhou, assustado. Não, aquilo não poderia ser brincadeira, estava parecendo muito um filme de terror barato... Mas Mary não gostara daquele lugar, e sua intuição era fortíssima.

"Precisamos sair daqui. O mais rápido possível. Temos que chegar até o carro e damos o fora, eu não quero ser o próximo."

Mary assentiu, olhando para o noivo. "Podemos usar a janela..." Ela deu uma breve olhada para o lado de fora. "Esqueça. Está chovendo demais e aqui é muito alto. Morreríamos se saltássemos dessa altura."

Paul assentiu, concordando. Precisariam sair dali, mas... O assassino...

"Onde você viu o assassino, Lilly?"

"No corredor ao lado do meu quarto. Ele estava bem no meio, mas como estava de costas, não me viu passar. Mas era horrível..." Lilly voltou a chorar, desesperada.

"Está bem... Nós temos que chegar até o carro e dar o fora daqui o mais rápido possível, entenderam? Precisaremos correr, então estejam preparadas. Se ele pegou seu marido, duvido que hesite em nos pegar e nos matar."

Ambas assentiram, e o homem abriu a porta. Olhou para o corredor que se estendia à sua direita e suspirou, aliviado. Ninguém estava ali. Fez um sinal para elas o seguirem, e assim o fizeram.

Caminharam lentamente durante alguns intermináveis segundos, colocando pé ante pé, não querendo fazer o mínimo de barulho. Mais a frente, conseguiram ver vísceras espalhadas pelo chão, e o sangue estava em grande quantidade, um vermelho vivo.

Ouviram o barulho de uma janela batendo, e perceberam que havia um quarto com a porta aberta. O quarto era escuro e mal-iluminado, apenas podiam enxergar com a luz dos raios. Um homem, ou pelo menos era o que parecia, estava sentado em uma cadeira, costurando alguma coisa. Ao seu lado, era possível ver a mão de alguém jogada no chão.

Lilly arfou, e Mary colocou sua mão sobre sua boca, impedindo que algum som saísse desta. Paul parou de se mexer, evitando fazer qualquer tipo de som que despertasse a atenção do homem. Como este não deu sinal de ter ouvido, continuaram a andar, bem lentamente. A cada passo se aproximavam do sangue e do quarto com a porta aberta.

O local onde havia sangue cheirava a decomposição. Quando passaram pelo local onde James provavelmente fora assassinado, nenhum dos três olhou.

Paul olhou a escada pela qual teriam que descer. Droga, aquela escada rangia muito... Então teriam que descer correndo ou então bem devagar. Se bem que devagar eles iriam acabar tendo o risco de fazer a escada ranger mais. Fez um sinal para elas o seguirem correndo, e assim foram.

A escada não rangeu muito, mas os passos fizeram barulho na madeira velha e logo alguém se preparava para segui-los.

Paul abriu a porta no final da escada e pulou sobre a bancada suja, porém a porta do estabelecimento estava trancada. Droga, como iriam sair dali?

Mary pegou uma barra de ferro e entregou para seu noivo. "Vai, usa isso!!!" Lilly se agarrou nela, com medo e tremendo. Havia fechado a porta, mas Paul duvidava que isso mantesse o assassino preso por muito tempo. Aceitou a barra e bateu com ela no vidro da grande vitrine, quebrando-o rapidamente. O trio saiu correndo na direção do carro, e Paul destrancou o carro.

Quando todos entraram, pisou no acelerador, mas nada aconteceu. Pisou de novo, o carro nem se moveu. Mas o tanque de combustível estava cheio, que raios estava acontecendo?

Abriu a porta e viu. Os pneus haviam sido furados, mas por sorte, só os dois da frente. Daria para trocar, mas não tinham todo esse tempo.

"Meninas, temos que sair, precisamos procurar outro carro ou um lugar seguro. Rápido!!"

"Mas nessa chuva? Você é louco?" Lilly perguntou, abrindo a porta como os outros faziam

"É isso ou morrer." Elas foram para perto de Paul, olhando para os lados quando alguém saiu pela vidraça quebrada.

E estava com dois facões ensanguentados, um em cada mão.

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