O homem de meus sonhos

Jasmine é uma garota de dezesseis anos que estranhamente começa a ter sonhos extremamente reais com um homem de feições e comportamentos que ela considera perfeitos. Apaixona-se perdidamente pela fantasia que encontra em seus sonhos e vive, em sua própria mente, uma grande história de amor que, aparentemente, se manteria bem longe da realidade. Mas, com sua mudança de cidade, Jasmine conhece um rapaz de mesma idade com aparência idêntica ao do homem de seus sonhos. Jasmine enlouquece com a possibilidade de viver na vida real um amor como o de seus sonhos só que, infelizmente, o homem da vida real não pensa, nem age como o de sua fantasia. E agora?

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1. O primeiro encontro

A densa neblina que cobria a cidade dificultava a visão. Em minha frente, não havia mais que uns faróis de carro a ir e vir e umas poucas lojas ainda abertas àquela hora. Já era tarde. Meu relógio de pulso marcava já três horas da madrugada. E a cidade que supostamente não dormia nunca mostrava sinais de adormecimento puro. Poucas vidas se mostravam presentes naquele lugar tipicamente tão agitado. 

Eu caminhava assustada por entre as ruas quase desertas, buscando, dentro da pálida neblina, o caminho para voltar para casa. Estava perdida. E não sabia dizer como, nem por quê. Não me lembrava dos fatos que me levaram àquela condição. Não sabia explicar como eu havia chegado até o centro da cidade, nem por quê havia saído de casa. Mas, àquela altura do campeonato, aquilo pouco importava. Eu queria só voltar para casa.

Fechava os olhos e tentava me lembrar de como era o lugar durante o dia. De dia, sim, eu saberia me guiar por aquelas ruas perfeitamente. Mas não conseguia estabelecer relação entre o agitado lugar diurno e aquele deserto noturno. 

Eu olhava, então, para as pessoas que passavam pelas ruas. Achava que talvez eu pudesse pedir uma informação com alguém que transparecesse boa índole e que merecesse confiança. Mas naquela rua só haviam bêbados e drogados, envoltos demais na particularidade das sensações de seus corpos para que eu os julgassem dignos de minha atenção.

Eu caminhava a caminho de lugar nenhum, procurando placas, pessoas, ruas ou lembranças... E pouco encontrava. As placas que via traziam nomes que eu nunca vira. As pessoas que passavam por mim me davam mais medo que conforto. As ruas por onde eu passava pareciam ser todas as mesmas. As lembranças não se remetiam ao lugar onde eu estava. 

Apertava o passo. O medo começava a dominar a minha mente. Poderia ser assaltada. Poderia ser estuprada. Poderia ser assassinada. Poderia nunca mais encontrar o caminho de casa. Caminhava mais que depressa. Corria. Fugia do medo, mas ele me perseguia mais fortemente que qualquer assombração. Tocava-me a pele, invadia minha mente e me levava ao desespero.

Senti lágrimas passando pelas minhas bochechas. Cessei meus passos. Era inútil. Se algo ruim havia de me acontecer, aconteceria, se eu fugisse ou não. E correr aleatoriamente em qualquer direção talvez me afastasse ainda mais de casa. Me vi estática. Cruzei meus braços e abracei a mim mesma em pranto, sem sequer esperança de algo que eu pudesse fazer para sair da situação em que estava.

Senti uma mão sobre o meu ombro e o choro se foi. O medo voltou maior do que nunca. Se algo muito ruim fosse me acontecer, seria exatamente naquela hora. Virei o rosto. Vi um jovem de jeans e uma camiseta branca, cabelos escuros e olhos muito claros. Perdi-me por um instante naqueles olhos.

Pareciam mais perdidos do que eu própria. Observavam-me com uma tristeza que parecia querer passar depressa. Era como se aqueles olhos chorassem e pedissem consolo... E consolo meu. Meu medo sumia no desespero daqueles olhos. Era como se aqueles olhos implorassem por amparo. E queria ampará-los. Seus olhos pareciam me pedir ajuda. Mas os lábios sorriam.

- Está perdida? - perguntava-me com uma voz muito doce.

- Só quero voltar para casa - falei com um tom que mostrava traços claros do choro que acabara de cessar.

- Vem, eu te levo... - disse e estendeu-me a mão, pedindo com um simples gesto confiança para deixar-me conduzir por um estranho.

Dei a mão. E seguimos andando pela cidade que pouco a pouco despertava junto ao Sol. Os prédios lentamente se coloriam pelo alaranjado do amanhecer e a luz se tornava tão forte que era quase impossível se manter com os olhos abertos. Fechei os olhos para conter o clarão. 

Abri os olhos novamente e a luz me cegou por menos de um segundo. Olhei em minha volta. Estava em casa, em segurança. Deitada em minha cama, coberta por alguns lençóis, percebi que aquilo tudo não havia passado de um sonho... E um sonho maravilhoso. 

Olhei para o relógio. Nove da manhã. O Sol brilhava intensamente através da minha janela. Era uma boa hora para se acordar. Espreguicei-me com um sorriso no rosto. Tomei um banho e me vesti com a primeira roupa que encontrei em meu armário. Segui para a sala assistir televisão. Estava de férias e não tinha muito mais que fazer. 

 

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